Not Just A Girl.
10 Capítulo 10 - Over My Head.
Notas iniciais
Qualquer jovem teria sucumbido ao desespero depois de tanta coisa em apenas um dia. Ao entrar em casa, Freya correu na direção de Davina desesperada.
– Eu devia te trancar em casa depois dessa! Como assim você é perseguida e não vem direto para casa? Davina eu sei que eu não sou o suficiente para compensar o fato de você ter que estar com Morghanna, mas eu ainda me importo com você! – Freya mal respirava entre uma palavra e a outra.
– Eu só quero me deitar! – Davina desabou soltando todo o ar que ainda a restava, e na mesma hora seus olhos se encheram d’agua. – Eu não sei o que está acontecendo comigo! – Ela ergueu a cabeça para Freya que se entristeceu por completo vendo os olhos arregalados e desesperados de Davina.
– Minha garotinha! – Freya a abraçou forte. – Suba. Tome um banho e enxugue o rosto antes que sua mãe veja. Você é tão forte Davina... Mas vai ficar bem? –
Davina respirou tão fundo que até deu dor de cabeça.
– Vou. Eu prometo. – Ela sorriu para Freya se recompondo e subiu as escadas.
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Entrou bem rápido no quarto e bateu a porta com força. Sentou-se na cama e se encolheu, procurando qualquer chave ou buraco que a levasse para longe. Abaixou a cabeça junto aos joelhos e deixou toda agua romper por seus olhos, esperando que aquilo aliviasse metade do que ela havia feito.
Depois de um bom tempo com o coração acelerado e soluços que sufocavam, Davina decidiu parar de chorar. Afinal, aquelas pessoas estavam mortas e não teria como voltarem. Ela se levantou da cama e foi até o banheiro, e antes de se despir para tomar um banho apenas se encarou no espelho. Ela sabia muito bem que havia perdido a cabeça, mas não havia perdido quem ela era, e não ia deixar nada fazê-la esquecer.
Ao sentir a agua morna bater em seu corpo, Davina se permitiu ser envolvida por uma horda de lembranças boas. Pensou em seu pai. Pensou em seus amigos, dos quais ela, por incrível que pareça, não sentia muita falta. Pensou em Josh, Marcel e Cami, e por alguns minutos se permitiu sorrir. Tais minutos que se findaram ao notar que também estava pensando em Kol. Davina riu novamente, mas dessa vez por reconhecer o quão idiota isso era. Ela mal o conhecia. Ok, ele a salvou. Duas vezes. Mas isso não significava que não fosse igual os outros. Nesse momento, os olhos azuis de Kol invadiram a mente de Davina, e ela se permitiu apenas aproveitar a visão por alguns segundos.
Dando o banho por terminado, Davina saiu e colocou uma roupa qualquer. Ainda estava triste, mas aliviada que tudo havia passado. Jogou-se na cama e cobriu os olhos com o antebraço.
– Davina – Alguém bateu na porta, já entrando. Davina descobriu os olhos e virou-se para Morghanna, controlando a vontade de revirar os olhos e sumir. – Podemos conversar? –
– Senhora... Eu não tenho escolha, tenho? – Davina se sentou e Morghanna sentou-se do lado dela, com um leve sorriso no rosto.
– Eu estou tão aliviada em saber que você está bem! Quer me dizer o que foi que aconteceu? Por que não veio para casa? – Morghanna se demostrava preocupada. Davina estava indiferente.
– Olha, eu adoraria esquecer tudo que aconteceu, então tem como você acreditar que estou bem e essa conversa acabar aqui? – Davina implorou capaz até de segurar as mãos de Morghanna para que ela fosse embora.
– Claro, minha filha. Mas eu queria te pedir uma coisa... – Davina arregalou os olhos e realmente ouviu com atenção. – Tem um almoço amanhã... Uma pequena confraternização, e eu gostaria que você fosse. Sabe, terão muitos conhecidos lá! Aquele seu amigo Josh vai estar lá também... – O tom de voz de Morghanna mudou ao falar no Josh, fazendo Davina gargalhar.
– Você acha que eu e o Josh...? – Morghanna sorrindo deu de ombros e Davina gargalhou mais ainda. – Obrigada, mas eu passo. –
– Davina, por favor! Você não veio por que queria passar um tempo comigo? – Morghanna protestou.
– Não, vim porque meu pai me obrigou. – Davina retrucou.
– Eu só quero ter você lá! – Morghanna tentou novamente.
Davina bufou. Só queria acabar logo com isso.
– Tá! Mas eu não vou ficar conversando com você e suas amiguinhas. E nem me chame para mostrar as pessoas como estou “crescida e bonita”. – Davina impôs.
– Por mim tudo bem! Obrigada minha filha! – Morghanna pensou em abraça-la, mas apenas se levantou para sair, com medo de estragar as coisas.
– Tá, tanto faz. – Morghanna saiu e Davina voltou a se deitar.
O resto do dia basicamente passou como uma tartaruga. Davina foi à praia andar um pouco, ler um pouco. Em casa, finalmente desfez por completo sua mala e ligou para seu pai. Jantou com Freya numa pizzaria, o que foi bom demais, voltou para casa e apenas apagou, ansiando pelo dia que estava por vir, que fosse mais movimentado que esse, mas não de um jeito ruim.
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– Davina! Davina acorda! – Freya a chamava, mas Davina permanecia morta na cama. – Anda logo menina! Você tem que se arrumar! –
– Dormir! É pedir de mais? – Davina reclamou, mas levantou, jogando um travesseiro em Freya.
– Já decidiu o que vai vestir? – Freya se sentou na cama de Davina abraçando o travesseiro.
– Já. A mesma coisa que estou usando agora. – Davina respondeu dispersa e Freya riu. Ela estava com um pequeno short cinza e uma regata branca com decote rendado.
– A sua raiva é da sua mãe querida, não dos moços da cidade. – Freya insistiu e Davina riu.
– Que moço o que?! – Davina se jogou em cima de Freya e as duas deitaram-se rindo.
– Então você esta mesmo envolvida com o menino de ontem? – Freya perguntou encabulando Davina.
– Que menino?! – Davina quase gritou, fazendo Freya rir mais ainda.
– Aquele que veio te deixar aqui ontem de carro. Quando você abriu a porta do carro dele deu para ver o rosto mais ou menos. Cabelo bonito, lábios desenhados, olhos impecáveis... –
– Freya para! – Davina tapou a boca de Freya que ria enquanto apertava Davina para solta-la.
– Ele é um Mikaelson não é? Achei que você não chegasse perto dessa gente. – Freya se sentou acompanhada por Davina.
– Pois é. Mas nos encontramos num caso extremo, e casos extremos exigem medidas extremas. – Davina comentou e Freya sorriu.
– Isso pode até ser com o resto da família, mas você está afim dele. – Freya apertou os olhos e chegou perto de Davina como se a examinasse.
– Ele pode ser bonito, mas sem chances! – Davina tentou parecer o mais convincente o possível, já que partes de si ingenuamente duvidavam disso.
– Tá bom. Por enquanto eu engulo isso. – Elas riram. – Separei um vestido e pendurei no banheiro. Vai se arrumar, agora! –
Freya empurrou Davina da cama que ia até o banheiro rindo.
– Ah, Davina! – Freya a chamou e Davina retornou, parando e apoiando-se na porta do banheiro. – Ouvi que ele vai acompanhar a menina Mikaelson hoje, no almoço. Use saltos, para vocês ficarem pelo menos numa altura aceitável na hora do beijo. –
Davina deu língua para Freya murmurando algo como você é uma idiota! E bateu a porta do banheiro para se arrumar.
Por dentro, estava mais do que ansiosa por saber que Kol ia estar la.
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