Not Go Away
3 Knowing hell
Notas iniciais
Abri meus olhos lentamente na tentativa falha de me acostumar com os raios solares que atravessavam a janela pela pequena fresta em minha cortina. Meu celular vibrava igual a uma britadeira em cima do criado mudo, tateei até achá-lo, era uma mensagem, de Pedro. Abri os olhos rapidamente e li:
Bom dia meu amor, como está? Preciso falar com você hoje á tarde... Sabe, no nosso lugar. X Pedro.
Sorri ao ler ‘’Nosso lugar’’.
Flashback on
– Ah pê, para! – Eu dizia em meio a risos, pedro (pê, como eu o chamava) me fazia cosquinha.
Corri dele em meio aquele parque, me escondendo atrás de uma árvore. Tentativa falha; pois logo apareceu ele do meu lado sorrindo.
– Achei! – Ele disse e eu sai correndo, mais Pedro me alcançou e me puxou pela cintura, fazendo olhá-lo fixamente. – Promete ser minha pra sempre?
Apenas sorri e assenti dizendo.
– Sim – E ele selou nossos lábios, me fazendo sair do chão, as borboletas em meu estomago que estavam calmas, logo começaram a se movimentar. Pedro pediu passagem com sua língua e concedi, nossas línguas brincavam na sincronia perfeita, era como se nada além de nós dois importava naquele momento. O ar nos faltou e nos separamos sem descolar nossas testas.
– Eu te amo – foram ditas as palavras mais sinceras de minha boca
– Eu também te amo, Gabriella.
Flashback of
Sai de meus devaneios e voltei a realidade logo respondendo a mensagem de Pedro.
Bom dia, pê. Estou ótima. Tudo bem, te encontro em frente à sorveteria as 15h00, pode ser? Xx Gabs
Esperei alguns minutos e meu celular vibrou alertando outra mensagem.
Pode sim, te vejo lá então. A propósito, eu te amo. Até lá. Xx Pedro
Sorri ternamente e joguei o celular no criado mudo levantando-me, peguei uma roupa simples (shorts desfiado, uma blusa nadadora preta) e entrei no banheiro. Despi-me e tomei meu banho na maior lerdeza possível.
– Bom dia – Minha madrasta disse quando me viu abrindo a geladeira, não a respondi – Eu disse BOM DIA, será que você pode ser educada pelo menos uma vez na sua vida, Gabriella?
– Desculpe-me Witney, mais não sei o significado da palavra educação – Respondi fria e a deixei falando sozinha
Enquanto subia as escadas de volta ao meu quarto, pude escutar Nataly (filha de minha madrasta com outro homem) murmurar algo.
– Deixa mamãe, essa daí só sabe de rua mesmo. Mal sabe o Valter o que ela faz aqui nessa casa. Já te contei que ouvi uns gemidos vindos do quarto dela de madrugada?
Vadia. Como poder mentir assim? Eu e Pedro nem chegamos a... Quer saber? Deixa pra lá. Foda-se Witney, e Nataly.
Tá, você deve se perguntar por que eu odeio tanto as duas. Minha mãe faleceu quando eu tinha 5 anos de idade, nunca foi fácil, confesso, mais aprendi a lidar com a dor. Desde então meu pai nunca mais foi o mesmo, quando minha mãe estava viva, ele sempre foi atencioso, carinhoso e hoje em dia nem se quer olha direito na minha cara.
Nesse meio tempo, quando eu tinha mais ou menos 15 anos, ele se apaixonou pela Witney. Eu explico o porquê do nome dela ser assim, ‘’estrangeiro. ’’ Ela nasceu em Nova York, por algum motivo bem tolo veio para o Brasil, engravidou de Nataly e logo após conheceu o meu pai. Não acredito que ele realmente esteja apaixonado por ela, esse ‘’amor’’ doentio talvez pode ter o cegado, de certa forma. Witney tem 25 anos, meu pai tem 48, e Nataly tem 14.
Desde que minha mãe se foi, meu sonho é ir para Londres cursar aulas de canto. Não que eu não goste das do Brasil, eu já até cheguei a fazer, mais seria ótimo recomeçar minha vida em outro lugar, longe de Witney, e de meu pai. Não me arrependo disto, pois sei que não faria falta.
O relógio marcava 14h00 em ponto, liguei para Lucy. Quatro toques e ela atende.
– Oi preta
– Oi Gab – Ela disse e pude notar o desanimo em sua voz
– O que houve?
– Nada, to cansada mesmo. To desde as 8 da manhã ensaiando os novos passos. – Ela disse e bocejou
Lúcia sempre sonhou em seguir a profissão de dançarina, e realmente, ela levava jeito. Ela já mandou algumas cartas a uma academia em Londres, mais eles nunca a chamaram, as vezes essas coisas demoram mesmo. Mais Lucy é teimosa, e mantém o pensamento de que não conseguirá.
– Você está se dedicando muito, e isso é bom. Eu sei que você vai conseguir. Lembra-se de nossa promessa? – Eu disse e rimos juntas
– Claro, como esquecer?
Eu e Lucy havíamos prometido uma à outra que iríamos a Londres, juntas. Independentemente se fosse ou não para seguir nossos sonhos. Era uma coisa nossa, desde a primeira série falávamos em como seria a nossa vida em Londres, se tudo ia ser mais fácil, somente, ficar um pouco longe do Brasil.
– Me encontre na sorveteria as 15h30 EM PONTO, ok? – Eu disse, e dei ênfase nas palavras ‘’em ponto’’, Lucy dominava a arte de se atrasar
– Ok, pode deixar Gabs. Vou desligar que tem tempo pra dormir ainda. – Revirei os olhos e ouvi ela rir – Beijo, até depois.
– Beijo, até.
Joguei o celular em cima da cama e fui tomar banho. De novo.
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