Not Enough

1 Not Enough


Notas iniciais
Olá, pessoas lindas!!! ;D Tudo bem com vocês? Bom, eu sei que Perciver é um ship meio estranho e diferente, mas gosto muito dessa ideia e após começar a escrever uma fic sobre os dois para o Desafio de Drabbles comecei a shipar ainda mais. Então, aqui estou com mais uma história que não saiu exatamente como eu esperava, mas até gostei do resultado. IMPORTANTE: Imagino essa história se passando em algum momento no Pós Guerra. Espero que gostem! ♥

Ele não era suficiente. Nunca fora. Provavelmente jamais seria. Aquele sentimento sufocante acompanhava Percy Weasley diariamente, desde que conseguia se lembrar, sempre o impulsionando a dar o melhor de si. O fazendo se esforçar e se esforçar e se esforçar até que doesse. Até que sangrasse. Até que quebrasse. Até que não restasse nada dentro dele além de uma ambição cega, consumindo seus ossos, sua carne, sua alma. Como um buraco negro, sugando qualquer vestígio de decência que o habitasse, tornando-o oco e vil.

O rapaz tentava mais do que qualquer outro, ainda assim, suas conquistas nunca eram suficientes. Ele não era como Bill ou Charlie, para os quais a perfeição vinha tão fácil quanto respirar. Não. Tudo o que Percy conseguia era inalar fumaça e sentir o fogo consumindo seus pulmões. Ele era falho, mesquinho e insignificante. A peça desajustada que nunca se encaixaria no quebra-cabeças da família Weasley. Por um tempo, desejou impressioná-los. Deu tudo de si para deixá-los orgulhosos, entretanto, nunca foi bastante. Lhe faltava o carisma, a impulsividade, o jeito extrovertido. Ele era um Weasley e, ainda assim, não era suficientemente Weasley.

Sendo assim, acabou entendendo – ou se convencendo – de que queria mais. E mais e mais e mais. O dobro do que sua família poderia lhe dar. O triplo. O quádruplo. O desejo se tornou a única constante que o mantinha vivo. Assim como a certeza de que, se trabalhava tão duro, merecia qualquer sucesso que conseguisse.

E então havia Olívio Wood. Um ponto de paz em meio ao caos. Um flash de luz em meio as trevas. Percy não planejou se apaixonar pelo rapaz. Na verdade, ainda se surpreendia ao confrontar os fortes sentimentos que nutria pelo antigo colega da Grifinória. Aqueles sentimentos que se esgueiraram silenciosamente por sua epiderme, se infiltraram em sua corrente sanguínea e, consequentemente, atingiram seu coração. Aqueles sentimentos que eram tão errados, mas ao mesmo tempo tão certos. Aqueles sentimentos que faziam, pela primeira vez, o desejo parecer algo belo.

Surpreendeu-se ainda mais ao ser correspondido. Nunca entendera o que Olívio, o jogador de Quadribol famoso e extrovertido, que poderia ter qualquer homem ou mulher que desejasse, enxergara nele. E nunca deixou de se surpreender com cada toque, cada beijo, cada segundo em que seus corpos se entrelaçavam naquele segredo que ambos compartilhavam. O segredo que fazia sentido durante a noite, mas parecia absurdo demais à luz do dia.

Sendo assim, sentado na arquibancada, observando atentamente o campo de Quadribol, ele simplesmente entendeu. Lá estava Olívio com seus sorrisos fáceis e empolgação excessiva, planando em uma vassoura como uma espécie de divindade. Ele não era bom o bastante para o Wood. Jamais seria.

Porque Olivio era luz, era simplicidade, era chama que aquecia sem queimar. E ele era um amontoado de agonias, imperfeições, luto e desejo pelo que não poderia ter. O outro rapaz acabaria enxergando aquilo, Percy sabia que sim, e iria doer, como se seu coração estivesse sendo literalmente partido ao meio, observar a decepção naquele par de olhos tão doces e castanhos. Iria queimar com a intensidade do inferno o momento em que Wood notasse o demônio desprezível com o qual vinha se deitando. Iria doer mais do que o Weasley era capaz de suportar.

Acima de qualquer coisa, ele sabia que iria acabar arruinando Olívio – como fazia com tudo e todos ao seu redor – e destruindo a única coisa boa que restara ao mundo. E era por isso que precisava colocar um ponto final naquela história. Porque, no fim, Percy não era bom o suficiente e estava fadado a passar o resto dos seus dias perseguindo o que não poderia ter. Era seu destino, sua sina, sua maldição.

Notas finais
Eu juro que abri o Word querendo escrever algo fofo e amorzinho (bem na onda de Prolixo), mas quando percebi o espírito amante do angst que me habita já havia tomado conta e saiu isso hahaha Bem bad vibes, mas espero que tenham gostado! ♥ Beijinhos... Thaís
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!