Not A Bit Easy

12 12 – A Amaldiçoada Por Afrodite


Notas iniciais
Oi pessoal, eu estou viva sim se é que tem alguém que ainda lê essa fic. Sinto muito pela demora imensa em atualizá-la, mas vários imprevistos surgiram eu fiquei sem tempo para escrever qualquer coisa, nem para o meu livro eu estou tendo tempo de escrever. Mas enfim, eu estou de volta e eu pretendo terminar essa fic de um jeito ou de outro, mesmo que demore um pouquinho. Espero que goste de capitulo... Enjoy.

Cérbero lambeu seus três pares de lábios, sacudiu o traseiro antes de deitar no chão com as três cabeças em pé olhando ansiosas em minha direção. O que seria um pouco assustador – se não aterrorizador –, afinal Cérbero é um cão rottweiler de três cabeças com três vezes o tamanho de um elefante e ser quase invisível.

– Bom menino. – sorri para ele que devolveu com um latido feliz.

Como eu havia prometido alguns anos atrás eu voltei, varias vezes, para brincar com ele e também trouxe uma nova bola, um pouco maior que uma bola de basquete, vermelha e reforçada – obrigada pela ajuda Theo, filhos de Hefesto sempre prontos para ajudar se você souber como pedir.

Claro que a bola não dura muito, mas dura o suficiente para a gente brincar o bastante. Contando com essa que eu estou segurando agora, acho que já foram umas nove bolas, ainda bem que eu tenho um estoque bem grande delas.

– Agora, rola. – Com a bola vermelha em minhas mãos eu rodei ela para o lado direito e atendendo ao meu pedido e seguindo a bola o enorme cão rolou.

A gente estava brincando em um terreno vazio perto do palácio de Hades, Cérbero estava em sua hora de folga – ele acabou ganhando uma depois de Nico fazer uma negociação com seu pai com uma pequena ajuda minha, afinal, é bem difícil convencer o senhor do mundo inferior sobre alguma coisa – então nem uma alma foi esmagada dessa vez.

– Bom menino, muito bom. – Joguei a bola para ele e a boca da direita a pegou e a outras logo avançaram contra ela tentando pegar a bola.

Um sorriso estava em meus lábios enquanto eu via ele brincando.

Eu havia vindo ao Mundo Inferior para trabalhar – parece que eu estava fazendo um bom trabalho no Olímpo que até Hades resolveu me chamar para dar uma “nova” cara ao seu palácio nas profundezas da terra, claro que uma cor predominaria, mas eu ainda podia fazer varias coisas mesmo tendo que combinar com essa cor –, estava cansada depois de trabalhar tanto no Olímpo quanto aqui, mas esse momento de descontração com Cérbero parecia que levava todo o meu cansaço embora.

Já era sexta-feira, minha primeira semana de aula havia acabado.Estava fazendo quatro dias que Nico conseguiu me assustar duas vezes consecutivas, e a Robert também naquela ocasião. Eu tive que começar a aguçar meus sentidos, pois, mesmo sem querer, Nico acaba fazendo a mesma coisa e eu acabo pagando mico.

Sim, já paguei um mico levando um susto desses por causa do Nico, uma camisa minha ficou manchada de café e o vizinho do andar de baixo riu até fazer xixi nas calças, o que não o impediu de continuar rindo de mim.

Nico e eu também havíamos ido à casa de Sally, como havíamos combinado, Douglas ficou muito feliz ao ver o Ninja negro de novo. O que acabou virando uma comemoração. Sally e Paul conseguiram adotar Douglas, o que deixou todos muito felizes.

Na ocasião, Percy e Dona ficaram para o primeiro brinde de comemoração e depois foram para a casa de uma tia de Dona, era aniversario de um primo dela. O que foi bom por um lado, o clima estava um pouco estranho, não tínhamos convivido o bastante para as sombras do passado darem uma trégua.

De repente as três cabeças de Cérbero ficaram em alerta me tirando de meus pensamentos, suas orelhas ficaram em pé enquanto a bola caiu da boca do meio ficando completamente esquecida. Em sincronia, as três cabeças viraram para a esquerda. Olhei na mesma direção que eles e vi um soldado esqueleto vindo em nossa direção.

Um rosnado bravo escapou de Cérbero o que não incomodou a aproximação do soldado. Ele já estava morto mesmo, o que ele iria temer, não é?

Quando o soldado estava somente alguns poucos metros de mim Cérbero latiu alto para ele o que o fez parar em um instante. O soldado olhou para o cão e depois para mim. Sem mais nem menos ele jogou algo em minha direção e deu meia volta voltando por onde veio.

Com os reflexos de meio-sangue não foi difícil eu pegar o pequeno objeto em mãos. Sentindo a textura e formato deles em minha mão era algo familiar. Ao abrir a mão vi duas pérolas completamente negras, elas não refletia nem um tipo de luz – parecia um pequeno buraco negro em esfera.

Um lamento bem triste veio de Cérbero ele sabia o que era.

Para facilitar a minha vinda ao mundo inferior Hades me deu essas pérolas, diferentes daquelas que um dia Percy ganhou de seu pai – obviamente –, essas me permitiam ir direto a entrada do Palácio de Hades não importa em que lugar eu esteja antes e voltar para o elevador do Olímpo de qualquer lugar no Mundo inferior.

Ele sempre me dava duas na hora de ir embora. Uma para mim voltar para o mundo da superfície e outra para quando eu voltasse para trabalhar aqui.

– Parece que esse é nosso tchau por hoje. – olhei em direção ao imenso cão que abaixou as três cabeças ficando com elas bem na minha frente, algum tempo atrás isso me daria muito medo mesmo que, como agora, ele tivesse me olhando com os três pares de olhos grandes brilhando em um pedido mudo para eu ficar e continuar a brincar com ele. – Prometo que volto.– Ele era um cachorro afinal de contas. E carinho, amor e atenção podem mudar qualquer um na minha opinião.

Esmaguei uma das pérolas sob meus pés e guardava a outra. Cérbero soltou um lamento triste enquanto eu acenava para ele e mais uma vez prometia voltar outro dia.

Os fragmentos da perola explodiram em uma luz negra e em uma rajada de vento, quente e abafado que foi se envolvendo em mim, me encapsulando em uma esfera negra até eu não conseguir enxergar e ouvir mais nada.

Por alguns segundos eu fiquei nessa completa escuridão, algo que eu me acostumei depois de algum tempo, até que a esfera em volta de mim começou a se dissolver. Meus instintos agiram mais rápido que minha mente ao sentir o perigo se aproximar.

Minha mão foi logo para minha faca de bronze celestial e graças aos meus reflexos bloqueie um golpe que iria direto contra a minha garganta. Pelo som do choque entre os objetos, minha faca tinha bloqueado alguma lamina.

A esfera negra se dissolveu por completo e eu me vi dentro do elevador do Empire States e o que tentara me acertar era a lamina de uma espada bem familiar. No mesmo instante a lamina se afastou de mim.

– Pelos Deuses!!! – a voz dele soou assustada. – Eu sinto muito, Annabeth. Eu...

Sobrepondo a voz dele uma gargalhada feminina, não pertencente a mim, soou alto envolvendo todo o pequeno compartimento em que estávamos fazendo ele parar de falar.

Pela primeira vez olhei a minha volta enquanto a dona da gargalhada não parava com seu espetáculo. E com surpresa que vi que além de Percy, ainda em posse de contracorrente – sim, foi ele que havia me atacado, mas claramente podia ver que ele não sabia que era eu, e quem poderia com aquela esfera negra em volta de mim? –, vi uma Deusa.

A Deusa que personifica o amanhecer, Eos, com seus cabelos loiros e olhos da cor do nascer do sol, um alaranjado. Aos poucos sua gargalhada foi cessando e um sorriso emoldurava seu belo rosto em seu lugar.

Eos sem duvida era uma Deusa bonita, assim como todas que eu já conheci, e que vivia grandes amores no mundo mortal. Antes de sair do acampamento conheci alguns de seus filhos, eles pareciam ser legais, característica que não posso estender a mãe deles ainda.

Eu só havia visto Eos de longe, nós nunca conversamos, o que torna essa a primeira vez que estávamos cara a cara. Pela gargalhada dela, perece que começamos com o pé direito, eu espero.

As portas do elevador logo se abriram revelando o hall do prédio. Eos saiu do elevador deixando nós dois para trás.

– Sabia que algo bom aconteceria se eu viesse com você, Jackson. – disse a Deusa. Sua voz era suave como uma brisa. Vi Percy ficar com o rosto vermelho de vergonha. – E Annabeth... – Eos parou e sobre seu ombro olhou para mim. – Amanha gostaria de falar com você.

Quando ela ia virar a cabeça, para olhar para frente, algo lhe chamou atenção. Um sorriso malicioso tomou conta de seus lábios enquanto ela se virava começando a caminhar graciosamente em direção a recepção do Empire.

Pelo sorriso em seus lábios e sua reputação, eu poderia muito bem imaginar o que Eos iria fazer. Não sei se deveria dizer se o cara seria um sortudo, ou coitado nessa situação.

Só não imaginaria que essa situação daria inicio a um momento trágico em minha vida.

– Eu sinto, muito Annabeth. – começou Percy, ele se postou a minha frente colocando uma mão na porta do elevador , impedindo-o de fechar. – Eu não sabia que era você. – eu podia ver o arrependimento bem claro em seus olhos verdes. Olhos que ainda faziam minhas pernas fraquejarem e meu coração começar a bater mais rápido. – Quando eu vi aquele negocio...

– Percy. – Ajeitei a minha mochila e sai do elevador empurrando Percy para fora. A porta se fechou rapidamente atrás de mim. – Não tem problema. – rapidamente tirei a mão que espalmava seu peito. Eu ainda podia sentir o calor de seu corpo contra a palma de minha mão que me fazia sensações que eu não queria mais sentir. – Mas, o que faz aqui?

O rosto de Percy ficou vermelho de vergonha rapidamente, ao qual ele tentou esconder virando o rosto para o lado, para os fundos do hall do Empire. Parecia até que eu o havia pagado fazendo alguma coisa que não devia.

Esse pensamento me fez abrir um meio sorriso não sei por quê.

– Nada de mais. – ele pigarreou e olhou para seu relógio de pulso. – Eu preciso ir. Minha mãe e Paul vão ao obstetra daqui a pouco e eu preciso ficar com o Douglas.

– Ah, tudo bem. – falei olhando atentamente para ele. Tinha algo de estranho em Percy que eu não sabia o que era. – Mande lembranças minhas a eles. Assim que der vou visitá-los se não for muito incômodo.

– Só se prometer que levara o Ninja negro com você. – brincou ele sorrindo.

– Isso eu posso fazer. – sorri abertamente para ele.

– Tudo bem, tchau. – ele fez menção de sair, mas parou de costas para mim. – Sabidinha... – meu coração falhou uma batido ao ouvir ele dizer o apelido que me deu depois de tanto tempo. – Gostei do que fez lá em cima. Ficou muito bonito.

E assim, Percy saiu em disparada sem me dar chance de agradecê-lo.

Um sorriso bobo tomou conta de meus lábios pelas palavras de Percy, mas logo me censurei. Sim, eu podia ficar feliz pelo elogio, mas nem tanto.

Eu tenho um namorado de quem gosto muito. Querendo ou não, o relacionamento que tive com Percy ficou no passado, agora precisávamos ao menos ser amigos e somente amigos.

Com isso em mente, comecei a seguir meu caminho até a recepção. Não dei mais do que cinco passos quando senti alguém se aproximar de mim. Olhei para trás e vejo David de roupa trocada, sem o uniforme de guarda, caminhando atrás de mim.

Um sorriso torto tomou conta de seus lábios e ele apresou o passo para me alcançar.

– E eu achando que podia te assustar. – ele colocou a mão no bolso e tirou um caixinha de Tic-Tac sabor menta e ofereceu a mim.

– Tem um pés de pena vivendo comigo, estou ficando boa em detectar o mínimo de ruído a minha volta. – aceitei algumas balinhas.

– Esta saindo mais tarde hoje. – passamos perto da recepção e eu cumprimentei Peter que estava trabalhando hoje no horário noturno. – E pelo seu rosto alegre não é um atraso por causa do trabalho. – olhei para David, que ainda mantinha o sorriso torto no rosto, impressionada. Nessa semana que passou percebi que David é um cara muito observador. – Fez alguma coisa divertida?

– Fiz sim. – sorri em agradecimento para David quando ele abriu a porta e cavalheiramente pediu para eu ir na frente. – Fiquei brincando com Cérbero no mundo inferior depois que eu tinha terminado por lá.

– E ai esta você dizendo que a coisa divertida que fez foi brincar com um imenso cão de três cabeças no mundo inferior. – David balançou a cabeça em negativa. – Tenho que desistir de tentar entender os semideuses e seus gostos.

Abri a boca para falar algo a ele, mas as palavras não saíram. A cena que vi me tirou quaisquer pensamentos que eu tinha no momento e um mal pressentimento preencheu por completo o meu ser.

Engoli em seco vendo Eos com um sorriso meigo em seu rosto enquanto, conversava com MEU namorado. Sim, eu podia ver perfeitamente Robert sendo simpático com a Deusa, nada fora do comum se conhecessem ele.

Ao sentir um toque em meu braço, como se uma descarga elétrica tivesse saído desse toque, minha mente voltou a funcionar em uma velocidade extrema.

A historia de Eos veio em minha mente como uma onda, tudo o que ela havia feito em nome daquilo que sentia por quem fazia seu coração bater apaixonado o que resultou na maldição que Afrodite lançou nela – quando Eos a deixou enciumada por causa de Ares.

Cerrei os punhos com força, isso não podia estar acontecendo comigo, que ela não tenha tido uma paixão a primeira vista com o meu namorado. Pelos Deuses, que isso não tenha acontecido, ou algo inimaginável vai acontecer.

– Deuses, isso não é bom. – ouvi David murmurar ao meu lado e percebi que ele segurava meu braço, na altura do cotovelo. – Que não seja o que estou pensando.

– Tirou as palavras da minha boca. – murmurei um pouco irritada saltando meu braço dele. Comecei a caminhar em direção a Robert e Eos com David bem atrás de mim.

Robert imediatamente percebeu a minha aproximação e com um sorriso lindo no rosto veio em minha direção me roubando um beijo enquanto suas mãos rodearam a minha cintura. Isso me fez momentaneamente esquecer os pensamentos preocupantes que rondavam a minha mente segundos atrás.

– Oi. – disse ele quando se afastou de mim ainda com o sorriso nos lábios. – Tenho que te dar algumas noticias. – percebendo que eu não estava sozinha, ele olhou para o lado e viu David. – Ei, oi David, como tem passado?

Robert estendeu uma mão para cumprimentar o amigo, sempre que podia ele vinha me ver no Olímpo e isso acabou fazendo eles se tornarem amigos.

Mas eu não prestei atenção neles. Minha atenção estava voltada para a Deusa com os olhos ardentes de raiva direcionados a mim, ela murmurou algumas palavras, que eu mal consegui entender – e a parte que eu entendi deixou claro que ela faria de tudo para ter Robert para si.

E deixando essas palavras de guerra ela deu as costas para mim e saiu andando antes de desaparecer em uma coluna que parecia ondulações de calor.

– Oh Deuses. – murmurei sentindo meu coração bater desesperadamente. – Me diz que isso não é obra sua, Afrodite?

– O que disse? – perguntou Robert confuso, parando de conversar com David.

– Sua amiga foi embora. – foi a única coisa que veio em minha mente e sem querer disse de uma forma um pouco ríspida que fez Robert me olhar estranho.

– Amiga? – perguntou confuso, mas logo parecei ter se lembrado que não estava sozinho quando me viu. Ele olhou para trás, para onde Eos estava abrindo a boca para falar algo, mas ao ver que eu tinha falado a verdade ele voltou a olhar para mim. – Estranho, mas... – ele deu de ombros como se a partida dela não fosse nada demais. – Ela não é minha amiga, só estava pedindo informação.

– Pedindo informação? – perguntou David descrente.

– É. – respondeu meu namorado olhando para David sem entender.

David olhou para mim preocupado com uma clara pergunta em seus olhos. Mordi o lábio inferior assentindo, o que o fez soltar um suspiro desanimado e balançar a cabeça em negativa.

– Ok, o que esta acontecendo? – perguntou Robert olhando atentamente para mim e David.

– Bom, acho melhor deixar a Annie te explicar. – David tocou em meu braço carinhosamente me fazendo encará-lo. – Não sei se vou poder ser de muito ajuda, mas se precisar é só me chamar, farei tudo o que puder.

David deu um beijo tranquilizador em minha testa e se despediu de mim e Robert antes de seguir seu caminho.

– Devo ficar preocupado? – podia sentir como Robert estava tenso pela maneira que segurava em minha cintura.

– De certa forma sim. – abracei-o pela cintura descansando minha cabeça contra o seu peito, escutando seu coração bater rápido. – Mas... Vamos para o meu apartamento, eu te explico lá.

Notas finais
Espero que tenham gostado, reviews são sempre bem vindos - se ainda tiver alguém que lê essa fic ¬.¬ Agora as coisas vão esquentar e vamos ter bastante ação e eu vou escrever sobre o ship que conquistou meu coração ao terminar de ler o Sangue do Olímpo (o que na minha opinião não foi satisfatório para terminar uma saga como PJ). Então... Obrigada a todos que leram esse capitulo. Bjs e até o próximo ^-^