Not A Bit Easy
10 10 – Surpresas
Notas iniciais
Com um suspiro resignado levantei do capo do carro abrindo os olhos ao ouvir o sinal de fim de aula soando pelo pátio. Enfim o primeiro dia de aula havia terminado.
Sentei com as pernas cruzadas sob o capo olhando para a entrada do prédio da escola enquanto esperava meus novos amigos.
Faltando pouco mais de vinte minutos antes de acabar a aula Paul apareceu na sala em que eu estava e me chamou para acompanha-lo dizendo logo para eu pegar minhas coisas, pois eu tinha sido liberada.
Quando ele falou isso fiquei surpresa, mas depois ele me explicou que Sally e Douglas já estavam aqui esperando ele para ir até o escritório do juizado resolver as coisas sobre a adoção do pequeno semideus.
Como a aula estava chata não me importei em acompanhar meu professor de inglês, mandei uma mensagem para TK avisando que o esperaria no meu carro, já que tínhamos algo combinado antes com os outros, e segui Paul.
Não tive muito tempo para conversar com Sally, nem Douglas. Somente alguns abraços, beijos e promessas – Douglas queria porque queria ver Nico o que acabou virando um convite para mim e Nico ir jantar na casa de Sally amanhã, não tive como negar com Douglas olhando para mim com os olhos pidões brilhantes, depois me debatia sobre as consequências de aceitar esse pedido – e logo tive que me despedir deles.
Percy não veio falar com eles, o que foi bom – não estava querendo passar por um momento desconfortável com a mãe dele presente, ela sempre entendi tudo mesmo quando não falamos nada.
Como ainda faltavam cinco minutos para bater o sinal deitei sob o capo do meu carro e fiquei olhando para o céu azul, sem qualquer vestígio de nuvens, por entre as folhas da arvore.
Quando uma brisa refrescante bateu contra o meu rosto não resisti e fechei os olhos sentindo a caricia do toque invisível do ar, por pouco segundos, já que mal fechei os olhos tive que abri-los ao ouvir o som do sinal tocando.
Esses cinco minutos passaram muito rápido, na sala da última aula parecia que cada minuto durava uma hora.
Tive que esperar alguns minutos até ver TK e os outros saindo. Como TK sabia a aonde eu estava eles logo vieram em minha direção. Esperei eles chegarem mais perto para descer do capo do carro.
Enquanto esperava percorri os olhos por entre o mar de alunos, franzi as sobrancelhas ao não estar... Balancei a cabeça fortemente refreando meus pensamentos ao me dar conta do que eu estava fazendo.
– E Annabeth não me cansa de surpreender. – falou TK com um sorriso nós lábios.
– O que foi que eu fiz dessa vez? – frangi a sobrancelha confusa descendo do capo do carro.
– E ai, tudo bem? – Daniel apareceu de súbito ao meu lado, antes que TK pudesse me responder, me dando um baita susto. Por reflexo bati em sua barriga com o rosto bravo, o que o fez rir. Devia ter aplicado mais força.
Saimon tocou no ombro de TK e sussurrou algo para ele antes de apontar para Daniel.
– Ouvi sobre o seu belo show no refeitório. – disse TK sorrindo e ele e Daniel trocaram um aperto de mão. – Uma pena eu não ter estado lá.
– Ele é um louco. – constatou Akemi. E depois se virou de frente para Daniel. – Você é louco.
– O manicômio me expulsou. – disse Daniel despreocupadamente. – Estava além do trabalho deles. – o som de uma buzina se ouviu ao longe. Daniel imediatamente ficou nas pontas dos pés olhando para a entrada da escola. – Minha carona. – avisou. Ele deu um beijo em minha bochecha rapidamente. – Foi um prazer conhece-los. Já tenho que começar a me preparar psicologicamente. – ele bagunçou os cabelos de Akemi e saiu em disparada.
– Completamente louco. – afirmou Saimon.
– Deixamos o louco com a família dele. – TK olhou sugestivamente para mim me fazendo rolar os olhos e balançar a cabeça em negativa com um pequeno sorriso nós lábios.
– Lembrasse quem é que esta te dando carona hoje. – avisei. – Não acho que quer ir a pé buscar o seu carro, estou certa?
– Nem em sonhos, segunda tenente. Meu horário de exercício será hoje à noite, não é nakamas? – TK olhou para os três, Saimon e Akemi assentiram enquanto Dylan se concentrava no celular.
Desde da hora em que vi eles saindo da escola eu vi Dylan mexendo no celular – e com bons reflexos desviando de qualquer coisa que aparece em seu caminho. Pela maneira que ele mexia, supus que ele estaria jogando algum jogo – que pelo que me disseram é algo que ele faz muito.
– É claro, guarde toda a sua energia para nossa luta hoje à noite. – Akemi fechou uma mão em punho e com o rosto determinado olhou para céu. – Hoje vamos acabar com aqueles Yankees.
Eles havia combinado de jogar um jogo de RPG online mais tarde. Eles até me convidaram para jogar, mas eu não teria tempo com o trabalho no Olimpo, cozinhar, terminar de ler a Trilogia do Mago Negro e além, é claro, de guardar um tempo para o meu namorado.
E Yankees é como chama um grupo rival deles nesse jogo. Dessa vez, tive que torcer contra.
– Então, até daqui a quatro horas para nossa partida online. – falou TK trocando alguns toques elaborados com seus amigos e assim nós despedimos dos três.
O tópico da nossa conversa no carro dessa vez foi bem diferente. TK acabou me contando sobre seu namoro complicado com Heater.
Eles estavam namorando, mas ninguém além da confiança dos dois sabiam sobre o namoro deles, ou quem tenha descoberto – como é mais o meu caso. E o motivo por trás desse namoro escondido me deixou um pouco transtornada.
A mãe de Heater é uma religiosa fervorosa de mão firme que proíbe a filha de ter qualquer relacionamento com garotos além do que é necessário para ela manter os estudos. Para começar a mãe de Heater nem queria que ela estudasse em uma escola.
Se não fosse pelos parentes de Heater convencerem a mãe dela, a menina teria ido para um convento na montanha mais distante da civilização a onde não tivesse nem um homem num raio de 100 quilômetros.
Sim, a mãe dela odeia os homens, até o próprio pai dela e principalmente o pai de Heater. E se soubesse do namoro da filha, eles, TK e Heater, não duvidavam que ela mataria meu mais novo amigo mais rápido do que uma cobra da seu bote.
O que me fez entender perfeitamente o porquê eles se esforçam para manter o relacionamento deles em segredo e também entendo porque TK quer mantê-lo.
Se ele esta se arriscando tanto assim por uma garota só significa uma coisa. Ele a ama muito.
Senti pena por ele. Pelo jeito Afrodite ainda gosta de brincar com os mortais e deve estar adorando ver a complicada vida amorosa de TK.
Ele esta com a garota de seus sonhos que lhe corresponde com a mesma intensidade seus sentimentos, mas não podem mostrar a todos por medo, e respeito também – creio eu –, da mãe de sua amada que pode fazer coisas malignas com eles, além de talvez cometer um assassinato.
Afrodite pode ser muito má. Ela podia esquecer de nossas vidas amorosas por um tempo bem longo, tipo até a gente morrer. Eu ainda me lembro da carta que ela me mandou e ainda sinto um calafrio percorrer a minha espinha cada vez que me lembro dela.
Deixando isso de lado, já que falar no assunto não estava fazendo bem a ninguém.
Como havia combinado, parei em frente a oficina que estava com o carro dele. Foi com surpresa, uma feliz, que vi que já conhecia o dono da oficina assim como os mecânicos que nela trabalhavam.
– Ah não acredito. – falei sorrindo saindo do carro, nem tinha me dado conta que era aqui quando ele me passou o endereço. Contornei o automóvel e fui até a oficina.
– Não acredita no que? – perguntou TK confuso saindo do carro também me seguindo.
Vários rostos masculinos e dois femininos se viraram em nossa direção quando entramos na oficina. E vários sorrisos surgiram deles ao me verem deixando de lado o que estavam fazendo e indo ao meu encontro.
– Olha só se não é nossa melhor aluna. – a voz vinha da minha direta, de onde um homem estava sentado em frente a um carro sorrindo para mim enquanto limpava sua mão suja de graxa em um pano já cheio de graxa.
– Me diz no que Annabeth não é boa? – sorri ao ouvir essa voz soar a trás de mim no mesmo momento em que senti braços fortes me envolverem e erguerem no ar me fazendo gargalhar enquanto ele me rodava.
Como eu sabia quem era não me importei, mas TK olhava confuso e desconfiado para a gente.
Assim que ele me pôs no chão fui recebida por beijos e abraços dos outros mecânicos. E dois deles quase me sujaram de graxa se eu não tivesse olhado brava para eles – iriam fazer isso propositalmente, eu não podia permitir isso mesmo que gostasse deles.
– Serio, estou mais perdido que o Zoro. – comentou TK fazendo todos olharem para ele.
– Zoro? – repetiu Scarlett, uma morena de olhos azuis intensos, pele bronzeada, cabelos castanhos lisos, 28 anos e uma mecânica incrível.
– Ah... – as bochechas de TK ganharam uma coloração vermelha. – É um personagem de um anime que eu gosto e... Hurum... E ele se perde o tempo todo até quando lhe indicam o caminho certo. – segurei a vontade de rir do constrangimento do meu amigo.
– Certo. – Rhett é um homem de 40 anos, moreno, cabelos escuros que já estavam dando o sinal da idade com alguns fios brancos, olhos castanhos e que é o dono dessa oficina e o cara que estava sentado em frente a um carro quando chegamos. – Então eu acho que esta na hora de darmos uma pausa e explicarmos algumas coisas para o senhor Zoro aqui enquanto ele espera por seu carro.
– Esperar pelo meu carro? – os olhos de TK se arregalaram de pânico fazendo todos rirem.
– Calma, garoto. – o dono dos braços fortes que me envolveram pouco tempo atrás se pronunciou mais uma vez. Ele é Theo, filho de Hefesto, moreno bronzeado, cabelos castanhos claros bem curtos, olhos castanhos escuros e um grande amigo meu que saiu do acampamento a pouco mais de um ano quando fez 18 anos. – Seu carro esta aqui, só que vai ter que esperar alguns minutos para agente recolocar algumas peças.
Agora a boca de TK se abriu enquanto seus olhos pareciam que iam sair de orbita.
– Ei, calma. – disse Olivia, uma ruiva de cabelo alaranjado, sotaque Australiano e olhos cor de mel. – Tivemos que limpar o interior dele porque um idiota trouxe um cachorro para cá. – Olivia olhou acusadoramente para Ward, um armário moreno de cabelos e olhos castanhos escuro, outro filho de Hefesto, que deu de ombros.
– Ele ainda é só um filhote. – Ward tentou se justificar.
– Filhote esse que resolveu fazer uma festa no seu carro. –disse Andrew cabelos loiros, olhos castanhos, Australiano bronzeado e namorado de Olivia. TK parecia que estava tendo um ataque cardíaco ao meu lado. – Mas não se preocupe, a conta dessa parte vai toda pro Ward.
Nem isso pareceu aliviar o estado de TK o que divertia os outros pela cara que ele estava fazendo. Coitado, estava catatônico ao meu lado.
– E você, Annie, não deveria estar em outro lugar? – Theo apontou divertido para o relógio preso no alto da parede chamando minha atenção. – Sabe como seus patrões são temperamentais.
– Droga. – roguei algumas pragas, eu estava atrasada.
Dei um beijo em Theo e me despedi de todos saindo rapidamente da oficina enquanto ouvia eles rindo atrás de mim. Pulei no banco do motorista e arranquei indo em direção ao Empire States Building.
Bati meu recorde ao chegar ao edifício, claro que tomando cuidado para não ganhar nem uma multa por dirigir em alta velocidade.
Entrei no saguão ajeitando minha mochila sobre o ombro indo em direção à recepção. Apesar de vir aqui mais vezes do que se pode contar eu ainda tinha que pegar o cartão de acesso para o seiscentésimo andar, Zeus às vezes gosta de complicar as coisas.
Franzi a sobrancelha ao ver que o guarda que estava na mesa estava com o rosto tampado por um imenso jornal. Sempre que eu venho Peter ou Alexander – nomes dos guardas que trabalham na parte da tarde – estão lendo algum livro de ficção, nunca vi eles lendo um jornal, algo de importante deve ter acontecendo para um deles estarem lendo um agora.
– Boa tarde, deixou os livros de lado? – perguntei quando cheguei à mesa. Se eu não me engano hoje era dia do Peter ficar de guarda, mas também podia ter trocado com Alexander, eles vivem fazendo isso.
– Sou mais fã de jornais. – disse uma voz estranha por trás do jornal antes de abaixa-lo.
Não era nem Peter, muito menos Alexander sentados atrás da mesa, mas alguém que eu nunca tinha visto antes. Cabelos curtos castanhos escuro, barba por fazer, olhos verdes claros e um sorriso emoldurava seus lábios.
– Annabeth Chase, certo? – perguntou se levantando, ele não era muito alto, mas tinha o corpo musculoso. Ele estendendo uma mãe em minha direção. – Sou David Coleman, o novo guarda.
Eu não sabia quando o cumprimentei que ele seria alguém de muita importância no futuro.
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