Not A Bit Easy
5 05 – Um Dia Como Uma Moeda
Notas iniciais
Com um rápido movimento eu tirei o meu capacete e o coloquei em cima do tanque da moto.
– Mantenha o capacete em cima do tanque até eu sair com a moto depois deixe comigo e se segure com força em mim. – gritei para Robert.
Pelo canto do olho percebi que ele estava apavorado com meu ato, mas mesmo assim ele aperta um de seus braços em volta de mim e com a outra ele segura o capacete como eu pedi.
– Seja lá o que esta passando por sua cabeça, ou o que esteja acontecendo aqui, eu vou precisar de uma explicação depois. – exigiu Robert
– Acabo com vocês primeiro. – rosnou o Lestrigão me fazendo voltar a prestar atenção nele.
Estreitei os olhos em sua direção quando ele profere essa frase – mesmo não querendo, meu cérebro estava trabalhando, querendo entender o que esta estranho no contesto do único lestrigão a minha frente e eu já tenho uma pista do que seja, uma pista nem um pouco agradável –, mas quando vejo o lestrigão levantar a maça medieval mirando em Robert e em mim sei que não tenho tempo para fazer perguntas no momento.
Respiro fundo antes de acelerar a moto soltando a embreagem. O lestrigão sorriu vendo que estávamos indo em sua direção e se posiciona para nós recepcionar com sua maça medieval.
Estabilizo a moto rapidamente e pego o capacete, relaxo o braço direito soltando ele do lado do corpo e usando toda a minha força o arremesso em direção ao lestrigão o acertando em cheio no rosto.
Por causa dessa força provocada o guidão da moto vira para a direita, mas consigo segura-lo impedindo que ele vire muito e cause nosso acidente. Como meu capacete acerta o rosto do lestrigão ele tomba seu corpo para a sua direita possibilitando uma abertura em sua esquerda que é a minha direita deixando a passagem livre.
Exatamente como eu havia planejado eu consigo passar pelo lestrigão com facilidade, agora eu tinha que fazer algo que talvez não conseguisse agora que sei que, com certeza, Robert pode ver através da nevoa.
Eu tinha pensado em persuadi Robert a ir até a auto estrada sem mim, me esperar lá, enquanto eu tento tirar informações desse lestrigão usando a nevoa para que ele não fizesse nada imprudente e se machucasse..
– Cheiro fraco e mortal não vai me vencer. – urrou o lestrigão me fazendo rolar os olhos, o forte dos monstros nunca foi seu “português” mesmo, enquanto eu parava a moto.
– O que pensa que esta fazendo? – pergunta Robert alarmado com a minha atitude.
– Eu não posso ir embora deixando um monstro para trás. – falei somente isso não querendo arriscar dizer em voz alta o que eu pensava do motivo da situação estranha e ela ser verdade porque se for, isso será um grande problema. – E preciso do meu capacete de volta. – completei saindo da moto, ou tentando.
– Deixa o capacete para lá. – disse Robert passando seus braços sobre mim, imobilizando meus braços. – Precisamos sair daqui.
– Acredite, eu bem que gostaria. – meus olhos foram para o retrovisor da moto, vi o lestrigão levantando sua maça novamente e com um rosnado ele começou a correr em nossa direção. – Mas no momento não posso.
– Annabeth, não... – Robert tentou argumentar, mas eu não podia deixar.
Com facilidade, me desvencilhei de seus braços e sai da moto. Meus movimentos foram sutis, mas a moto “sentiu” as mudanças e se inclinou um pouco para o lado. Robert conseguiu estabilizar ela e olhou para mim tirando o capacete.
– Não sai de perto da moto, por favor. – proferi essas palavras antes de correr em direção ao monstro que corria em nossa direção sem esperar sua resposta.
– Annabeth! – gritou Robert alarmado.
– Meio-sangue. – rosnou o lestrigão a maça levantada a cima de sua cabeça enquanto corria, pronto para me dar um golpe assim que chegasse perto.
Infelizmente, eu não tinha muita escolha para escolher quem merecia minha atenção no momento. Meus olhos seguiram para a maça enquanto eu corria por um segundo, olhando aquela arma medieval conhecida como “Estrela da Manhã” por sua ponta ser uma bola de bronze com afiadas pontas em torno dela e que foi proibida pela Igreja Católica por alguns anos, por não ser a “cara” do exercito romano.
Voltei meus olhos para o monstro me concentrando no movimento de seus ombros, manejar armas assim tem suas desvantagens.
Quando estávamos próximos vi quando ele deslocou o ombro para frente, a direção da maça já estava decidida assim como eu sabia agora o tamanho dela, a distancia em que estávamos um do outro e a posição das pernas dele.
Olhei para o lestrigão e percebi como ele estava confiante com sua força e que ele me acertaria, mas eu sou pequena, se comparar com o tamanho dele, e sou bem ágil.
Agradecendo por Robert e eu termos decidido vir de moto e isso me “fez” usar botas, calça jeans e jaqueta saltei para frente em direção ao chão e dou uma cambalhota para frente passando por entre as pernas do lestrigão enquanto o escuto resmungar por ter errado.
Assim que me apoio levo minha mão até a minha bota e de lá tiro minha inseparável faca de bronze celestial, o único lugar que pude guarda-la e ser de fácil acesso para mim, e sem perder tempo, segurando o cabo da faca invertido, eu me viro rápido pelo meu lado direito dando uma rasteira no lestrigão.
Por seu ataque ter dado errado, ele havia perdido um pouco de equilíbrio e isso facilitou para que uma garota como eu conseguisse derruba-lo de cara no chão com uma rasteira.
Fiquei de pé com agilidade e pulei nas costas do lestrigão acertando minha faca em sua mão direita o forçando a soltar a maça medieval.
– Miserável. – ele urrou tentando se levantar, mas eu fui rápida e perfurei os dois cotovelos dele somente pare impedir o movimento de seus braços e forcei meu peso em cima dele apontando a minha faca para seu pescoço.
– A onde estão os outros? –perguntei ciente de que eu não o manteria preso por muito tempo.
– Não tem e nem preciso para comer você. – disse ele mal-humorado e começou a se contorcer violentamente em baixo de mim, mas conseguiria o manter por mais algum tempo.
– A onde esta o meio-sangue que estava lutando com você? – proferi essa pergunta desejando que ele não me confirmasse minha suspeita.
Eu pude ouvir o grito de Robert ao longe e o som de passos que eu estava ouvindo sugeria que ele não tinha me escutado, ele estava vindo até mim.
– Morto, assim como farei com você. – o lestrigão virou seu corpo bruscamente abrindo seu braço que mesmo machucado ele tentou impedir que eu fosse para longe dele claramente com a intenção de jogar seu imenso corpo para cima de mim.
Mas monstros raramente são espertos quanto pensam que são, contudo deixei ele sentir por alguns milésimos de segundo o gostinho de pensar que era. Somente fechei os olhos e a boca e encolhi o meu corpo para mais perto dele segurando em sua camisa esfarrapada enquanto sentia a terra contra as minhas costas e seu imenso peso sobre mim.
– Annabeth! – gritou Robert desesperado enquanto que o monstro emitia um som esganiçado vindo de sua garganta.
O lestrigão estava tão concentrado em mim que esqueceu sua maça bem ao seu lado e quando ele fez o movimento tentando me prender ele é que se deu mal. Eu me encolhi para escapar da ponta da maça enquanto que o lestrigão se suicidou jogando sua cabeça bem em cima da Estrela da Manhã.
Por poucos segundos eu senti o seu imenso peso sobre mim, mas agora eu sentia era o pó do monstro sobre mim.
– Odeio isso. – murmurei abrindo os olhos e me levantando tirando o pó de monstro de cima de mim. – E odeio mais ainda saber que eu estou certa. – a ultima frase do lestrigão estava gravada em minha memoria.
Ele confirmou minha suspeita, se contradizendo, ele realmente tinha lutado contra um semideus juntou com outros de sua espécie e pelo jeito o meio-sangue conseguiu lutar bravamente até que restou somente um e esse lestrigão... bom, não é difícil de se imaginar o resultado, o meio-sangue estava machucado e havia fugido dele.
O dia foi realmente uma moeda. Uma noite que começou incrível terminou assim.
Sei de um semideus ferido perdido em algum lugar por aqui, mas nada posso fazer para encontra-lo, se tiver algo para encontrar, a essa hora da noite e além do mais preciso tirar Robert daqui, não posso envolvê-lo mais nisso, vai que surge outro monstro sentindo o cheiro de meio-sangues.
– Robert. – olhei na direção dele um pouco receosa e o vi parado olhando em choque para mim, não é nem uma novidade se considerarmos tudo que ele acabou de ver.
– Isso... Isso, não pode. – Robert murmurou as palavras confusamente. – Isso é... – ele não terminou de falar. Eu podia ver a luta que ele estava tendo internamente para tentar entender tudo que estava acontecendo.
– Inacreditável. – completei sua frase começando a caminhar em sua direção e isso fez ele olhar para mim, realmente alhar agora. – Eu vou te explicar. – levantei as mãos em sinal de rendição quando ele semicerrou os olhos em minha direção. – Eu juro, mas não aqui. Precisamos voltar ago...
– Você se machucou. – disse ele me interrompendo vindo até mim.
– Oque? – perguntei descrente. – Não. – neguei. Eu não sentia nem uma dor além daquele proporcionado por sentir o peso do lestrigão em cima de mim por alguns segundos. Não tinha nem um machucado visível.
– Serio? – agora ele soou descrente ao segurar minha mão direita e foi quando eu senti uma ardência na lateral da mão e um resmungo de dor saiu por entre meus lábios.
– Não tinha sentido até agora. – argumentei olhando para minha mão e vendo alguns arranhões em ambas as mãos, mas a mão direita estava sangrando um pouco. Eu nem havia percebi que tinha me machucado a esse ponto e no único lugar que eu não tinha proteção.
– Tem um posto de gasolina 24 horas aqui perto, vamos limpar esses machucados lá, mesmo que eles sejam pequenos. – falou Robert segurando as minhas duas mãos e com cuidado ele passava seus dedos com carinho sobre elas. – Depois voltamos para casa e você me explica o que esta acontecendo.
Robert soltou uma de minhas mãos e tocou meu rosto com delicadeza me fazendo encarar seus lindos olhos azuis e um sorriso tomava conta de seu rosto.
– Fiquei em choque com o que tinha visto e tudo que você fez, mas depois que vi que se machucou um pouco tudo ficou irrelevante e eu só pensei que quero cuidar de você, mesmo sendo que foi você que me protegeu, mas vamos deixar isso de lado. Podemos deixar até as explicações para depois. – continuou ele e me puxou para perto de si envolvendo seus braços em torno de mim reconfortantemente.
Queria dizer tantas coisas agora, mas sua confissão me deixou sem falas – uma coisa que eu odeio – então somente envolvi meus braços em torno de sua cintura aproveitando esse momento.
Não sabia o que Robert faria depois que eu contasse tudo a ele, ele merecia saber a verdade principalmente pelo fato dele ver através da nevoa. Porém, eu também fiquei em duvida.
Se uma pessoa vê através da nevoa isso quer dizer que ele pode ver desde que era pequeno Robert já deveria ter visto alguns monstros além de outras coisas, como é possível que essa seria a primeira vez?
Deixando as perguntas de lado. Robert e eu decidimos que já era mais do que na hora de ir, mas não me esqueci que devia dizer algo a Robert. Pegamos o meu capacete e agora tendo Robert como motorista fomos até o posto de gasolina.
Ele ficava pouco mais de cinco minutos depois que se pega a autoestrada e não foi com surpresa que vi que o posto tinha uma considerável quantidade de pessoas abastecendo seus veículos com combustível e alguns indo na loja de conveniências e na lanchonete do lado apesar da hora.
Robert foi à loja de conveniência e comprou um pequeno kit de primeiro socorros que eu só usaria as gazes, os esparadrapos e o soro fisiológico para limpar o ferimento.
Enquanto eu fui ao banheiro Robert foi completar o tanque da moto. Apesar de eu ter dito que não precisa ele insistiu já que ele também havia usado a moto.
Tinha terminado de limpar arranhões e o machucado em minhas mãos e protegido a direita, não fiz nada além de cuidar dos arranhões em minhas mãos deixando para pensar para depois, quando ouvi o barulho de alguém entrando no banheiro.
Olhei rapidamente para o espelho do banheiro, eu não estava mal só as minhas mãos e o kit que denunciava que algo estava errado comigo, não queria ter que ver uma estranha me fazendo perguntas sobre o porquê eu estava com um kit medico ou o que ouve com a minha mão então juntei as minhas coisas e entrei na cabine mais próxima.
Fiquei em completo silencio e me sentindo um pouco idiota por estar fazendo algo assim, mas isso logo passou quando ouvia porta de outra cabine se fechando.
Aproveitando a deixa sai da cabine rumo a porta e eu juro pelo styx que nunca pensei que minha noite iria sofrer mais uma reviravolta ao sair do banheiro.
Não prestando muito bem atenção no caminho, pois estava olhando para a minha mão que estava doendo um pouco – deveria ter trazido néctar ou ambrosia comigo –, acabei trombando com alguém que estava parado perto da porta do banheiro feminino.
– Me desculpa, não deveria ter ficado assim tão perto da porta. – meus olhos se arregalaram ao ouvir a voz masculina ao meu lado, uma voz que eu me deliciava ouvindo e não esperava o momento para ouvi-la.
Não podia ser ele, podia?
Olhei para o lado. Engoli em seco ao ver o dono da voz e a surpresa que estava estampada em meu rosto também se fez presente no dele quando seus olhos verdes se arregalaram ao me ver e sua boca se abriu levemente.
– Percy. – pronunciei seu nome e um sorriso tomou conta de meus lábios inconscientemente.
– Annabeth!? – a confusão transbordando em sua voz.
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