Nostalgia
1 oneshot
O ruivo suspirou, se encolhendo ante a brisa gelada.
Fungou, coçando o nariz e cerrando os olhos, se forçando a segurar as lágrimas.
A única pessoa em que realmente confiava praticamente o traíra.
Bem, Shinya não achava que havia traído o amigo, mas assim se sentia o estudante.
O loiro era a única pessoa em quem Daisuke realmente confiava. Para tudo.
E vice-versa.
Embora os dois não fossem amigos há muito tempo, quando se encontraram nos corredores do colégio, fora ‘amor a primeira vista’.
Die só se sentia, assim, seguro e calmo, ao lado do mais novo.
Ele sempre o consolava, o fazia rir, o colocava nos trilhos.
A única pessoa que Die sentia que realmente gostava dele do jeito que ele era.
Louco, besta, sem graça, lesado e alegre.
Mas agora nem alegre o ruivo estava.
Bufou, voltando a abrir os olhos e mirar o horizonte.
Estava num parque com vista para a cidade, num declive.
O único lugar onde poderia ficar sossegado.
Ou não.
Ouviu seu celular tocar, o início de uma música que gostava sendo usada como toque padrão.
Não reconheceu o número, atendeu, dando de ombros.
-Moshi, moshi? – disse, suspirando.
-Ah! Sou eu, Die-san! – não reconheceu a voz de início. – Shinya!
Sentiu o estômago revirar.
Ele não lembrara de ter passado o número pra ele.
Ah, Kyo.
-O-oi. – disse, engolindo seco.
-Meu, você sumiu! E-eu fiquei preocupado! Cê ta bem?
“Não, to quase vomitando meu fígado de tanto chorar e...”
-To sim. Por quê? – tentou parecer o mais natural o possível.
-É que...Você ta chateado, Die?
-Não, Shin, é que...T-tava no meu horário e...Eu tinha que ir. – suspirei. – Me desculpe, quando der, eu vou aí na sua casa ou te ligo.
-Tudo bem então. Então... — -
-Tchau, Shin.
-...Beijos, Die. Tchau.
O ruivo respirou fundo, se levantando e jogando o celular longe, o qual caiu num lago logo a frente.
-Argh! – bateu na própria cabeça, começando a caminhar de volta pra casa.
O pior nem era que Shinya o havia traído...
Certo, Die tinha que mentalizar que ninguém havia traído ninguém, mas...
Porra, tinha que ser o Kyo?
Kyo era um amigo de Die.
Um dos únicos, assim como Shinya.
Era um rapaz birrento, mas legal.
Os três formavam uma amizade bem...Estranha, mas bacana.
Die gostava.
Até a hora que viu Kyo e o amor da sua vida se beijando.
O ruivo se imaginou quebrando o pescoço de Kyo como se fosse o pescoço de um frango no abate.
E O LOIRO AINDA TEVE A PACHORRA E CHEGAR SORRIDENTE E FALAR “ESTOU NAMORANDO COM O SHINYA!”
“Pelamor de Deus...” Die disse a si mesmo, caminhando emburrado.
“Sabe o que mais me fode? É ele ter me dado esperanças...” dizia para as pedras que encontrava no caminho. “Ele poderia ter deixado claro desde o início que...Ele não queria nada comigo...”
Provavelmente se o ruivo soubesse fazer voodoo, ele já o teria feito.
Após caminhar mais de trinta minutos sob a garoa fina de Tokyo, Daisuke chegara a uma conclusão.
Nunca confie nas pessoas.
Embora elas pareçam confiáveis.
“-Nee, Die-san! – ele sorriu, se aproximando do outro.
-Quê? – sorriu, apertando o nariz do loiro.
-Aishiteru! – deu um selinho no outro, sorrindo esperto depois.
Die corou, não sabendo o que dizer, nem o que fazer.
Tá, Shinya o pegara desprevenido.”
Notas finais
Omg, I think I'll cry.
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