Notas iniciais

Como os corações voltaram a se encontrar.

Sete anos se passaram desde o incidente com a colega de quarto. Marina havia passado de jovem de 20 anos para uma adulta de 27, com uma vida diferente, um trabalho estável como professora, uma filha de 10 meses e um marido agradável, o passado já era um borrão nas lembranças, tanto que ela havia até voltado à cidade que um dia saíra.

A vida tinha andado. Era isso que Marina pensava enquanto esperava ansiosa dentro do carro. Uma surpresa, seu marido havia dito, e depois vendara seus olhos apertado e a botou dentro do carro.

-Já chegamos, preciso ir no banheiro!

-Calma, amor, quase lá. — Disse Jeff, seu marido.

Marina imaginava o que era, provavelmente ele a levaria até um clube aonde ela, Jeff e a pequena Ju ficariam o fim de semana e passariam ótimos momentos, mas assim que ela tirou a venda e abriu os olhos, sua alegria foi imensa.

-Bem vinda à sua nova casa!

-Meu Deus! Uma casa? Amor, que maravilha, uau!

Uma casa? Isso superava qualquer expectativa, sua felicidade era tanta que ela não tinah o que falar, deu um beijo em Jeff, e um abraço em seu filho, depois correu pra explorar a casa. Era perfeita, tinha dois quartos de tamanhos bons, um banheiro, uma cozinha espaçosa, para um casal de professores era uma grande conquista. A casa estava toda mobiliada, Jeff havia planejado tudo. Marina correu pra fora e abraçou a todos novamente, a felicidade nos deixa bobos. Bobos e cegos, cegos o suficiente pra não notar a árvore familiar, o azulejo branco-osso, mas mesmo que tais fossem notados, são coisas comuns, quem liga?

Jeff havia levado uma panela com macarrão e assim que Marina se acalmou eles todos almoçaram na nova casa, o primeiro almoço em família de muitos.

-E então, o que achou da casa? – Perguntou Jeff.

-É linda, amor, adorei.

-Percebi, ficou tão entretida que até se esqueceu das perguntas básicas. – Ele acrescentou, com um olhar irônico e comeu outra garfada de macarrão. – Em que bairro estamos, fica perto do trabalho, e a vizinhança?

-Puxa, é verdade, mas eu sei você com certeza pensou nisso. – Enquanto falava ela dava comida para a bebê. – Mas diga, que bairro é esse?

-Não decorei o nome ainda. Amparo, eu acho, ou coisa assim, mas fica a uns 15 minutos do trabalho de carro.

Marina estagnou.

-Amparo, você disse?

-É, acho. Porque?

-Nada, me soou familiar. –Ela deixou a colher do bebê na mesa e se levantou – Preciso usar o banheiro.

E foi para o banheiro. Enquanto estava lá tentou se acalmar, ele poderia estar errado sobre o nome, ou ela poderia se lembrar errado, ou poderia ser até o mesmo bairro, mas não era a mesma casa. A mesma maldita casa. Ao pensar desviou seus olhos e viu a banheira, aquela banheira. Ela poderia ter ignorado a árvore e o piso poderia passar despercebido, mas não a banheira. O mesmo descascado, a mesma cor. O boxe-cortina de plástico fora substituído por um de vidro fosco, mas a banheira branca de porcelana era a mesma, se Marina não a estivesse vendo por cima poderia jurar que o corpo ainda estaria ali. As lembranças vieram à tona, a colega na cama, o namorado escondido no armário da sala, o corpo na banheira, até o vento frio da rua pela qual ela andou após tudo pareceu ter sido recriado.

Ela saiu do banheiro com pressa, fechou a porta ao sair e foi olhar o resto da casa de novo. O seu quarto estava lá, agora com uma cama de casal, o quarto de Grace também, agora porém com um berço, a cozinha era praticamente a mesma, apenas o armário da sala, aonde seu amante esteve um dia escondido, foi fechado com tijolos, a porta porém continuava, a casa continuava, e a sensação de felicidade sem fim fora substituída por uma de pânico e aflição, que por mais que Marina tentasse ignorar, também continuava.

Notas finais

Sim, falhei completamente no nome do bairro, mas quem liga pra isso?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.