Renê narrando: Fazia 15 dias que eu não voltava pra casa. Estava morando em um casarão velho que eu achei. Estava sujo e empoeirado, dei uma arrumada e continuei morando ali. Resolvi ligar pra minha mãe pra dizer que estava tudo bem. Fui até o final da rua e liguei pra ela do orelhão

~ Ligação on ~

— Alô

— Oi mãe

— Meu filho você está bem? Fala pra mamãe onde você está que eu vou aí te buscar

— Eu estou bem mãe. Eu só liguei pra falar pra senhora que estou bem e que a senhora não precisa se preocupar comigo tá bom. Tchau mãe,beijos,te amo

~ Ligação off ~

Desliguei o telefone e fui até uma praça que tinha perto do orelhão. Sento em baixo de uma árvore e fecho meus olhos sentindo a leve brisa

— Oi. Escuto alguém falar comigo e abro os olhos

— Oi. Era uma menina linda

— O que faz aqui sozinho?

— Eu saí de casa. E você?

— Estou passando com meus pais. Qual o seu nome?

— Renê. E o seu?

— Roberta. Ficamos conversando por algum tempo. Depois fui para casa. Depois de duas semanas sem ir a escola resolvi voltar a ir as aulas. Não podia prejudicar meu futuro por causa do meu irmão. Consegui um emprego em uma lanchonete e tinha minha própria casa. Pagava água,luz e todo mês vou pagar uma taxa ao proprietário pra morar na casa. Apesar de abandonada ele descobriu e pra eu não ser preso por invasão fizemos um acordo

— Renê. Beca e Dinho vêem em minha direção assim que me vê na escola

— Oi gente

— Estávamos com saudades. Eles me abraçam

— Também estava. Como vocês estão?

— Bem mau. Depois que você foi embora ficou um clima estranho lá em casa. A mamãe só chora, o papai fica triste no canto dele é eu e a beca sentimos muito a sua falta. Diz Ricardo

— Quando você vai voltar pra casa Re? Pergunta Rebecca

— Desculpa Beca,mas eu não vou voltar nunca mais para aquela casa

— Mais por quê?

— Não me sinto bem lá. E também estou muito melhor sozinho. Tenho minha própria casa e um emprego

— Leva a gente pra morar com você então

— Quem sabe um dia não é. Agora eu tenho que ir. Foi muito bom encontrar com vocês. Fui até a diretoria conversa com a diretora e os professores sobre a minha ausência e como eu sou um bom aluno eles disseram que ia me ajudar passando trabalhos extras pra recuperar a nota. Escolhi um péssimo dia pra voltar pra escola. Virei o centro das atenções e não gosto muito disso. Até meus pais apareceram na escola para falar comigo. Nesse momento estava na diretoria com eles,minha mãe me enchia de beijos e abraços

— Aí meu filho a mamãe ficou tão preocupada com você. Diz mamãe me abraçando e me beijando

— Eu disse que estava bem mãe

— Onde você esteve esse tempo todo Renê? Meu pai pergunta mais autoritário

— Não assuste o menino Rodrigo. Você quer que ele suma de novo?

— Não Rita,mas ele tem aprender uma lição. Ele sumiu sem dar notícias,nos deixando preocupados. Nós até espalhamos cartazes,fomos a delegacia,procuramos ele é por fim achamos que ele estava morto. Papai fala tirando o sinto e segurando meu braço forte

— Você não vai bater no meu filho. Mamãe diz me defendendo se pondo na minha frente

— Ele é meu filho também. Se você continuar a passar a mão na cabeça dele ele nunca vai aprender a nós respeitar Rita

— Escuta aqui Rodrigo o Renê nunca nos deu trabalho nenhum. Sempre foi um bom aluno,um bom filho,um bom irmão. Nunca tivemos nenhuma reclamação dele e você acha que ele tem que aprender a nós respeitar? Você não acha que isso já é sinal de respeito?

— Deixa ele mãe. Eu sempre soube que ele nunca gostou muito de mim mesmo. Mãe eu gosto muito de você, mas não vou voltar pra casa. Eu estou muito bem onde estou. Agora eu tenho um emprego e uma casa também. Todo mundo já veio falar comigo menos o Renan. Vou te dar o meu número particular pra quando a senhora quiser falar comigo. Tenho que ir agora, não posso perder mais aulas. Com licença. Digo saindo

Sai triste da diretoria e fui caminhando sozinho triste. Poxa eu fico um tempão sem aparecer e o meu nem pra mostrar um pouco de afeto e alegria em me ver. Mas tudo eu não vou ficar triste com isso. Já me acostumei mesmo e vou seguir minha vida como eu sempre fiz

— Oi Renê. Escuto uma voz atrás de mim suave e doce que eu tanto conhecia

— Oi Helena. Digo forçando um sorriso

— Me desculpa pelo que aconteceu. Eu juro que eu não queria causar essa confusão toda. Fiquei tão feliz em saber que você tinha voltado

— É Helena você acabou com a minha vida. Meu pai me odeia,meus irmãos e minha mãe sentem minha falta e eu não posso voltar pra casa porquê o meu irmão gêmeo que deveria ser meu parceiro em tudo me odeia. Então eu que peço obrigado por você ter me mostrado com quem eu realmente podia contar. Agora se me der licença eu tenho um futuro brilhante pra correr atrás e mostrar pra todo mundo que eu não preciso de ninguém pra me dar bem na vida. Saio dali e vou pra sala de aula

— Está tudo bem Renê? A professora me pergunta ao me ver um pouco triste e abatido

— Sim senhora estou ótimo

— Estou te achando um pouco abatido. Se sente mal?

— Não senhora

— Se precisar de alguma coisa pode me dizer ok. Vamos continuar com a aula pessoal. Faço sinal com a cabeça e me deito na carteira pra assistir a aula. Toda hora a professora olhava pra mim,parecia estar preocupada. Meu dia hoje não estava nada bom. A única coisa que me alegrou um pouco foi eu ter encontrado aquela menina novamente. Eu acho que estou gostando dela. Não tanto igual eu amo a Helena,mas mesmo assim já é um começo. Eu sei que é errado isso que eu tô fazendo. Ficar com uma pessoa pra esquecer a outra. Me sinto a usando,mas com um tempo eu vou aprendendo a ama lá.