Nosso Reino

1 A nova escola


Notas iniciais
Espero que gostem! S2

Acordei com o despertador hoje de manhã, o que foi estranho, fazia dois meses que não precisava fazer isso.

— Acorda mocinha!

— Aaaah não mãe, deixa eu dormir mais um pouco.

— Você sabe que eu não posso.

E então eu lembrei por que aquele dia estava diferente, era o primeiro dia de aula. Não um primeiro de aula normal, mas o primeiro dia em uma nova escola... O que é bem pior.

Esse dia em uma escola em que você já estudou antes é fantástico, cheio de reencontros, abraços, risos e novidades. O mesmo dia em uma nova escola é outra história. É cheio de medo, angústia, dúvidas, vergonha e preocupações do tipo: “Quem serão os meus amigos? Eu vou ter amigos? E minhas notas? Os professores são bons? Como funciona o sistema de lá?” E eu sou o tipo de pessoa que não se lida bem com dúvidas.

Abri meus olhos e observei meu novo quarto, ainda está cheio de caixas da mudança, que eu vou ter que desfazer depois, as paredes são rosa bebê, só tem uma cama, um armário, uma cômoda e uma mesa de estudos. Me levantei e me direcionei ao armário.

Ainda não tinha muitas roupas lá, mas mesmo assim eu fiquei em dúvida entre dois conjuntos: uma blusa preta com um short jeans e um casaco listrado ou uma blusa branca com um short preto e um casaco branco rendado?

Decidi que iria descer para tomar café e escolher depois. Desci a escada espiral que levava ao primero andar e fui para a cozinha americana que ficava do outro lado da sala.

— Bom dia mãe – falei isso com menos entusiasmo do que o esperado.

— Se anima filha! Sei que você não queria ter se mudado para tão longe mas deve tentar se adaptar. Não vamos voltar para lá e você não pode mudar isso.

— Eu só queria que ele não tivesse feito o que fez...

— Também queria isso.

— Eu sei.

A triste verdade era essa, eu e minhas amigas ganhamos uma viagem para Orlando, passamos 2 semanas lá. E nesse curto período meu pai fez uma nova burrada e tivemos que fugir. Agora moramos aqui em Coast City e não tenho minha melhores amigas comigo, mas eu já estava acostumada, não era a primeira mudança que fazíamos por causa dele.

Meu celular apitou e eu fui ver o que era. Cassie, uma das meninas que viajou comigo, havia mandado uma mensagem de texto:

— Bom dia smartphone!

— Bom dia! Quantas vezes vou ter que explicar que não sou viciada a ponto de ganhar esse apelido?

Ao saber do que meu pai era capaz e das burradas que ele fez tentava me distrair constantemente, usava meu celular para isso e acabei adquirindo um vicio... e um apelido.

— Basta me provar que é verdade, o que você não vai conseguir fazer (risos)! Aliás, boa sorte no seu primeiro dia aula.

Ela me respondeu em 1 minuto, gostava da relação dela com seu celular, ela não era tão viciada quanto eu, mas também não o mantinha longe. Ao contrário de Vanessa, a outra amiga que viajara comigo, que demorava séculos para responder, mandei um bom dia para ela, mas tinha certeza que ela só me responderia na outra semana. Respondi a outra mensagem da Cassie, e então minha mãe me puxou de volta para a realidade.

— Filha sobe e se arruma para podermos ir.

Corri para meu quarto, vesti o segundo conjunto, passei batom, peguei a bolsa e me olhei no espelho. Tinha um cabelo loiro, olhos azuis e um corpo razoável, e gostei de como a roupa havia ficado em mim. Fui para o carro.

Meus dois irmãos, Elizabeth, uma menina de 8 anos fofa com cabelos loiros lindos partidos no meio, e Joseph, um ranzinha de 12 anos que tinha cabelos pretos e um penteado parecido com o do Justin Bieber no inicio de sua carreira.

— Tá atrasada, como sempre – reclamou Joseph – nem parece que tem 16 anos, sua desorganizada.

— Para alguém de 12 você é bem ranzinza.

— Briga não gente, já basta o que ele fez – interveio Liz.

Era engraçado como a de 8 anos sempre parava nossas brigas, e ela tinha razão, não devíamos criar mais problemas, já vivíamos com um gigante. Pedimos desculpas um ao outro, fizemos nossa oração da manhã durante o percurso, pedi a Deus que me ajudasse, ele me deu forças e me animou, entrei na escola East High confiando nele, o que me ajudou bastante.

A escola East High tem um pátio enorme na frente, atravessei ele e então entrei na escola. Devo admitir que a escola é bem mais bonita do que eu imaginei. Estava caminhando pelos corredores e observando a escola ao mesmo tempo quando esbarrei em um garoto, os nossos livros caíram no chão e nos abaixamos para pegar os livros:

— Olha por onde anda garota!

— Olha você.

— Não era eu que estava olhando para os lados e admirando a escola feito uma idiota

— Eu sou nova aqui, estava tentando conhecer a escola.

— E?

Levantei, com muita raiva dele, que garoto ignorante, mal educado, ridículo e imbecil! Aquele episódio que tinha acabado de acontecer me fez pensar “e se todos forem assim?”´. Comecei a procurar pelo meu armário, lá eu poderia me recompor de todo o estresse daquele dia, guardar o material desnecessário para primeira a aula e ir assisti-la.

— 302, 302, 302...

— Oi, procurando seu armário?

De todas as cores de cabelo que um ser humano pode ter, a mais incomum é o ruivo, assim como cabelos ondulados são mais raros que os lisos. A cor dos olhos menos comum é verde, assim como pessoas com sardas são mais raras que pessoas sem elas. A garota que se dirigiu a mim tinha todas essas características, era linda.

Não estava a fim de conversar mas isso podia me ajudar a se sentir melhor.

— Sim, onde fica o 302?

— O seu é o 302? Legal! O meu é o 301, ficam lado a lado. Vou te mostrar onde é.

Andamos por algum tempo, até que ela notou algo:

— Nossa, me desculpa, que falta de educação a minha, meu nome é Clarice Walter, e o seu? – disse ela.

— Bella Stuart – respondi.

— Onde você morava?

— Spring City.

— Dizem que é a cidade mais bonita do mundo.

— Eu concordo.

— Chegamos – disse ela apontando para os armários 301 e 302.

— Obrigada por me trazer até aqui.

— De nada. Quais são suas aulas?

Olhei o horário enquanto guardava meu material no armário.

— História, geografia, biologia, álgebra, geometria e física.

— Vamos assistir a primeira aula juntas! Pega o livro de geografia também, as salas são próximas, se não você vai ter que vim aqui de novo.

— Já que você diz – respondi pegando os livros.

Caminhamos juntas até a sala de aula e conversamos um pouco. Ao sentarmos em nossos lugares um garoto loiro se aproximou de nós, seu cabelo loiro bagunçado caia sobre seu olhos castanhos, que fazia um belo conjunto com o sorriso estampado em seu rosto, era alto e musculoso, ele era muito lindo. Atrás dele vinha uma elegante garota de longos cabelos negros com mechas azuis na ponta, seu estilo era incrível, ela era linda. A garota correu até Clarice, e ela correu em direção a amiga.

— Oi Clarice! Que bom te ver, estava morrendo de saudades – disse a garota enquanto elas se abraçavam.

— Estou feliz que estamos juntas de novo, senti saudades.

— Oi Clarice, senti sua falta – disse o garoto abraçando ela – Quem é sua amiga?

— Oi Scott. Essa é Bella Stuart, é nova na cidade.

“Nova na cidade”, odiava como isso soava.

— Oi Bella – disseram os dois em coro.

— Bella, esses são Scott e Janet – introduziu Clarice.

— Oi gente.

Sentaram perto nós, não sabia se seria uma aula quieta ou se conversaríamos muito, mas tinha consciência que não estava a fim de socializar. O professor entrou na sala de aula e se apresentou:

— Olá alunos! Sou o professor Daniel Mills, mas vocês já sabem disso, pelo menos a maioria, qual o seu nome garota? – disse ele, me olhando.

— Eu?

— Sim, seu nome e 3 fatos sobre você por favor.

Pelo visto o meu plano de não socializar ia pior do que eu pensei, já que eu estava prestes a pagar um mico.

— Meu nome é Bella Stuart, tenho 16 anos, sou de Spring City e tenho dois irmãos.

— Oi Bella, seja bem-vinda – a sala disse em coro.

Foi estranho e ridículo, fazer a aluna nova morrer de vergonha não é um bom modo de acolher ela.

— Ele sempre faz isso? – perguntei para Clarice, que até então era a pessoa com quem tinha mais intimidade.

— Toda vez, todo ano, tá ficando chato e monótono, se é que me entende – disse Scott, se intrometendo.

— Quando ele vai entender que ninguém gosta disso e que não é o jeito certo de se acolher um novato? – disse Janet, entrando na conversa.

— Queria que ele tivesse percebido antes de chegar a minha vez de passar por isso – comentei, todos riram.

Notas finais
Oi gente, espero que tenham gostado, me digam se querem que eu continue, beleza?