Nosso Nome Na Lista.

67 Capítulo 67 – Guilty Pleasure


Notas iniciais
Genteeee Desculpa o engano aí ahuahuahua. É que eu ia postar nas 2 histórias então as abas estavam abertas aqui e esqueci de olhar o nome das histórias. Obrigada por avisarem, Hakuna Matata e beea ^ ^ > Repetindo: eu ando meio ocupada com a facul, o TCC e o estágio obrigatório então, pode ser que haja uma reduzida nas postagens de TODAS as minhas histórias (mas vou tentar não sumir por meses e voltar como se nada tivesse acontecido, tá?). Se vocês perceberam, eu não ando nem respondendo aos comentários e sinto muito por isso, mas estou lendo todos e fico muito feliz por mesmo assim ainda ter gente comentando e me incentivando. Muito obrigada ♥ Agradecimentos especiais a: > Carina > BlackJack > Kika Pichsterzy > Juuh Beauchamp > sandrinha > KK > Sheila Rayane > jennystark

Capítulo 67 – Guilty Pleasure

Sinceramente, eu acho que nunca vi a secretaria/direção tão cheia quanto hoje.

Eu também nunca imaginei o dia em que a escola abriria com uma confusão acontecendo e eu gostaria de saber o que ou outros alunos pensavam disso. A tia de Yvonne obviamente brigou com ela por ter “pegado a chave emprestado sem permissão”, mas, mais preocupante que isso, foi quando ela se virou para as duas garotas e perguntou como elas tinham a cópia da chave.

O que muita gente não sabe (inclusive EU não sabia) é que não é tão difícil assim você duplicar uma chave, desde que houvesse um minuto de distração da secretária e algo maleável como... uma massa de modelar. Sim estou chocada com a engenhosidade dessas garotas e me pergunto que tipo de vídeo ensina a fazer isso no YouTube.

Quando a diretora chega com Rebecca, não há muito o que dizer. É como se diz: uma imagem vale mais do que mil palavras, e a imagem que Yvonne bateu era muito convincente. Então todo mundo foi parar na diretoria. E enquanto todos nós ficamos presos lá dando explicações, Rebecca foi procurar Josh, porque de acordo com as garotas, ele tinha participação nisso tanto quanto elas.

Assim que ele entra na diretoria, dou um aceno debochado para ele e ele me olha feio. Como se tivesse nojo de mim ou algo assim. Eu gosto que ele sinta nojo de mim. Eu gosto que ele sinta raiva e que me despreze, porque eu não iria querer ser admirada por um moleque tão nojento.

— Não sei o que esse bando de desequilibrados disse, mas eu não faço ideia do que estou fazendo aqui – Josh diz à diretora com a maior cara-de-pau que eu já vi nesse mundo.

Eu não consigo nem conter a risada sarcástica que soltei.

— Você me enoja Josh. De verdade – Eu digo, batendo palmas. – Parabéns, seu nome é o primeiro na lista de dissimulados nessa escola.

Rebecca olhou para mim como se pedisse para eu parar, mas não me importei. Apenas continuei:

— Quer dizer então que você não se juntou com essas duas malucas para fazer bullying comigo e contar meus segredos PARA TODO MUNDO?! – Eu interroguei, levantando-me da minha cadeira.

— Eu nunca as vi na minha vida – ele responde com desprezo.

Fanny e Heather fazem uma expressão de puro choque e indignação.

— Qual é Josh – Yvonne diz como se soubesse algo que ele não soubesse. – Duncan e eu vimos você com elas depois do treino. Se você for mentir, ao menos seja mais inteligente, por favor.

Ele olha para ela como se não acreditasse.

— Você está do lado deles? – Ele perguntou com nojo. – Mesmo, Yvie?!

Ela mostrou um meio sorriso e deu de ombros. Como se não fosse da conta dele. Mas algo não parecia muito certo nessa conversa. Por que ele falava... como se... bem, ela devesse ficar do lado dele? Como se ele, de alguma forma, a estivesse ameaçando? Como se ela o estivesse traindo...

O modo como Josh fica bravo apenas reforça isso.

— Como você ousa?! – Ele pergunta, furioso. – Eu te fiz popular! Você deve o seu posto de Líder de Torcida a mim!

Ela apertou o maxilar com força.

Se havia uma coisa que eu sabia sobre Yvonne Tybolt era que seu posto como capitã das líderes de torcida é algo sério. É como se fosse uma das maiores coisas das quais ela se orgulhava. E dizer que ela não merecia estar ali por esforço próprio... deveria ser insuportável para ela.

— Vamos ver – ela diz. – Se depois de tudo isso eu não perder o posto talvez seja porque eu mereça estar aonde estou agora.

Caramba, uma coisa eu tinha que admitir: Yvonne era forte.

Não o tipo de garota que chorava por qualquer coisa. Não o tipo de garota cujo mundo caí. Ela pode ser egoísta, arrogante, irritante e gananciosa. Do tipo que chegava ao seu objetivo não importando os meios..., mas eu tinha que admitir que ela era forte e corajosa. E era estranho que eu reconhecesse esses traços nela como admiráveis.

— Você é muito orgulhosa para o que você realmente é: uma piranha – ele diz.

— Sr. Hamilton! – A diretora brigou escandalizada.

Ele não ouviu, apenas continuou olhando para Yvonne dizendo:

— Você aceitou DORMIR comigo para ter um lugar na lista. Se lembra disso?! Que tipo de orgulho alguém nojenta como você pode ter?! É uma piranha, isso sim! Uma vagabunda.

Quentin se levantou da sua cadeira ao meu lado em um pulo, furioso.

— Eu sabia que você de alguma forma merecia aquele soco que eu te dei! – Ele disse irritado. – Quem você pensa que é para falar assim de alguém?!

Eu quase o vi dando um soco em Josh perfeitamente.

— Ei, se acalma Q – eu pedi segurando o braço dele.

— Me acalmar?! Me arrependo por não ter batido mais nesse filho da puta – ele retrucou, furioso.

Parte de mim fica ofendida por Quentin estar tão disposto em defender a honra de Yvonne Tylbolt, outra parte, entende que ele é um cavalheiro justiceiro e que jamais aceitaria alguém ofendendo a honra de uma moça (não-tão) inocente quanto Yvonne. E era por isso que eu gostava dele, afinal.

Eu devia falar algo do tipo: “Violência gera violência”, “isso não leva a nada”, “isso não ajuda em nada”..., mas eu tinha que admitir que a verdade era que talvez fosse um pouco satisfatório lembrar do meu namorado batendo em Josh. Uma reprise poderia até ser boa, mas não na frente da diretora, né?

Tudo o que eu menos queria era que ele fosse suspenso de novo.

— Eu deixo você bater nele, desde que sobre um pouco para mim – Luc diz, doido para comprar uma briga... na diretoria.

Ellen se levantou imediatamente da sua cadeira.

— Ei, ninguém vai bater em ninguém aqui – Ela disse. – Luc, senta.

Ele arqueou uma sobrancelha como se a desafiasse, mas a expressão dela é tão determinada que ele inacreditavelmente obedece ao comando e volta a se sentar na cadeira no canto da sala. Ele é tão grande e assustador que a cena parece um pouco cômica. Eu olho para Quentin, esperando que ele não me faça dar uma ordem como Ellen, o que ele obviamente não faz. Nem preciso pedir para que ele se sente no lugar em que estava antes.

— Deixa para lá, Q – Yvonne diz de repente, olhando para Josh com uma expressão fria e desprezível. – Ele não vale a pena.

Como se percebesse que o clima estivesse muito tenso na diretoria e que poderia explodir a terceira guerra mundial ali a qualquer momento, a diretora solta um suspiro pesado e esfrega seus olhos cansados.

— Garotos, agradecemos o que vocês fizeram, mas acho que essa conversa tem que ser feita em particular com estes três... então, se não se incomodarem, esperem na espera lá fora, por favor.

Eu acho que não ouvi certo, mas, então, Quentin, Luc, Ellen e Yvonne se levantam de suas cadeiras e eu me vejo obrigada a me levantar também.

— Espera, você está falando sério? – Eu pergunto.

A diretora arqueia uma sobrancelha para mim como se não acreditasse na minha insolência. O que chega a ser engraçado porque não é a primeira vez que eu sou insolente com ela, então não devia ser surpresa nenhuma.

— Vamos lá para fora, Letty – Quentin diz, puxando-me pelo braço.

Eu reluto e ele basicamente tem que me arrastar para fora da sala, mas a verdade é que estou pensando algo tipo: “esses filhos da puta fazem bullying comigo e EU é que tenho que retirar da sala quando eles vão falar sobre isso?! ”. Quer dizer, eu tenho quase certeza que esse assunto me diz respeito, mas tudo bem. Quem entende como a mente dos adultos funcionam, certo?

Eu me sento em uma das cadeiras de espera, ao lado de Quentin, e ficamos observando uma galera passando e olhando para a diretoria com interesse. Nunca odiei tanto salas tipo “aquário”. Agora eu entendia como os peixes se sentiam. Eu nunca havia percebido o tanto de curiosos que existiam no colégio.

Entre nós há um silêncio desconfortável e pesado.

— Você desconfiava que Josh tinha algo a ver com a Lista? – Eu perguntei a Yvie.

A expressão dela ainda era fria, mas por algum motivo eu sabia que toda aquela frieza, escondia uma espécie de dor que ela jamais contaria para alguém como eu: sua arqui-inimiga.

Ela responde com um aceno positivo com a cabeça. Então parecia fazer sentido. Yvonne nunca dava um ponto sem nó. Se Josh tinha algo a ver com a lista, e ela tinha assuntos inacabados com ele, era natural que ela quisesse se unir à nós. Ainda mais se isso fizesse parte de alguma vingança pessoal.

— Quando eu o vi com aquelas garotas estranhas... E quando Ellen fez perguntas sobre os bilhetes... Eu suspeitei – Ela confessou. – Uma vez ele me falou que todas as garotas que dormiam com ele paravam na lista... eu achei que fosse brincadeira. Isso também fez muito sentido quando juntei os pedaços.

Se eu fosse a Letty de algum tempo atrás (que ainda odiava respirar o mesmo ar que ela) eu provavelmente teria jogado na sua cara "o que seria dormir com Josh para alguém que já dormiu com metade da escola?" mas isso seria maldade. Muita maldade. O que eu aprendi com toda essa confusão de lista é: ninguém gosta de ter o seu pior lado jogado na sua cara como se isso definisse quem você é.

— Você sabe que, independente do que você fez ou não, você é a melhor líder de torcida da nossa escola, não sabe? – Quentin lhe diz, com uma gentileza que me faz sentir uma pontada de ciúmes.

“Você sabe que eles são bons amigos. Eles são bem amigos. Sempre foram. Respira, Letty. Respira... Não pensa em dar um tapa na cara perfeita do seu namorado!” Eu lembro a mim mesma, tentando não parecer tão chateada quanto eu fiquei. Porque Quentin era gentil com todo mundo..., mesmo assim mordo os lábios com força para não dizer nada sarcástico ou irônico.

— Você é sempre muito gentil, Q – ela diz, com um sorriso que eu nunca a vi dando. Isso não ajuda muito nos ciúmes que eu estou tentando controlar. – Mas acho que não deveria falar essas coisas na frente da sua namorada. Ela pode achar que você está dando em cima de mim.

Ele olhou para mim, como se não houvesse percebido o quanto elogiar uma garota mais bonita do que eu, na minha frente, poderia ser irritante.

— Você pensou isso mesmo, Letty? – Ele pergunta preocupado.

— Nunca – eu digo com um tom mais sarcástico do que eu pretendia. – Não é só porque você é bonito, sexy, legal e gentil que significa que você está dando em cima de todo mundo o tempo todo, certo? Ceeeeeeeerto.

Ele olha para mim como se não soubesse o que fazer e então me beija rápido nos lábios. Como se estivesse desesperado por um perdão e não soubesse mais como fazer para se redimir. Então eu me sinto relaxar porque, quando se pensa nisso, é meio ridículo brigar com Quentin por ciúmes bobos.

Eu mesma poderia ter dito algo gentil daquele modo para Yvonne...

Se eu fosse amiga dela. O que eu não era.

— Estou brincando. Não, não me importei... muito – eu respondi.

Ele coloca o braço em volta dos meus ombros, como se enfim relaxasse um pouco, apesar da situação irritante em que estávamos. Mas havíamos encontrado os caras que estavam fazendo aquilo, não era motivo para ficar irritado. Era para estarmos comemorando porque somos muito espertos (ou estávamos sendo burros o tempo todo).

De repente, uma garota entra na sala e eu a reconheço daquela manhã, sendo amassada contra os armários e intimidada por Frannie e Heather. Só posso pensar que é a terceira integrante do grupo de garotas que começaram a Lista... De repente, parece fazer muito sentido quando Frannie me disse: “Você não faz sabe quem está defendendo”. Por que eu estava defendendo uma das garotas que fazia bullying comigo.

Quando nossos olhares se encontram, ela parece envergonhada e se encolhe.

E hesita antes de se aproximar e parar na nossa frente.

— Acho... que te devo um pedido de desculpas – ela diz, abaixando o olhar. – Fui eu que contei que a Helena te beijou para Frannie.... Eu ouvi quando vocês estavam conversando na cafeteria em que eu trabalho... Desculpa, eu não sabia... que ela ia usar isso contra você.

Eu apertei o maxilar, sem saber ao certo o que dizer.

Quer dizer, o que se diz para isso?

— Elas... não são garotas ruins, só... são adolescentes, fazendo merda – ela insiste, apertando a alça da mochila. – Quando eu vi... o que elas fizeram com o que eu disse... eu percebi que tudo estava muito... cruel... então eu me recusei a continuar... – Ela soltou um suspiro, abaixando o olhar novamente. – Não era para as coisas serem desse jeito.

Eu não respondo nada, porque não sei o que responder, e então ela vai para a diretoria. Pelo modo como ela entrou sozinha, tenho quase certeza de que ela veio por livre e espontânea vontade, o que só me faz acreditar que talvez ela tenha razão. Talvez suas amigas não fossem “más”, talvez elas só fossem adolescentes babacas fazendo merda... como ela havia sido no início.

— Quem era ela? – Luc perguntou estreitando os olhos.

Dei de ombros.

— A terceira garota da lista – respondi.

— Você a conhecia? – Ellen pergunta.

— A vi uma vez pelos corredores...

E como isso não é o suficiente, de repente Duncan aparece na secretária gerando o momento mais estranho de toda a minha vida: estou vendo meu ex-namorado, com o meu namorado. Mas dessa vez, ele não está ali por mim, seu olhar está em Yvonne e é para ela que ele anda e pergunta se está tudo bem.

Eu fico muito emocionada se vocês querem saber.

Fico muito emocionada que meu ex-namorado ignore minha presença com meu namorado e vá direto para a minha arqui-inimiga, que sempre sonhou em ser namorada dele. Meu deus, talvez a minha vida fosse uma novela mexicana apenas esperando para acontecer. Eu estou chocada.

— Meu ship está vivo! – Eu comemoro erguendo os braços.

— Não começa, Bruce – Yvonne manda com desprezo.

Mas dá para ver que ela gosta. E meu ship Yvocan está forte.

.

Resumo da ópera: ninguém foi expulso, Frannie foi obrigada a limpar a pichação na parede (e essa seria a última vez em que ela pisaria no colégio por três semanas), enquanto sua amiga e Josh foram suspensos também. O castigo de Riley (a ovelha desgarrada da Lista) foi mais leve, já que ela não participou do bullying voltado a mim: ela teria que ir a detenções todos os dias durante duas semanas. A Lista foi proibida de voltar a ser feita ou imitada pelos alunos... teoricamente.

Eu acho que poderia ter uma punição mais severa.

Se envolvesse a expulsão de Josh seria melhor ainda.

Mas até eu tinha que admitir que haviam limites para se ser “insolente” com uma diretora e dizer a ela que castigo aplicar parece estar do outro lado dessa linha. Por isso, assim como todo mundo, apenas aceitamos com rostos satisfeitos e seguimos com nossas vidas normalmente, como se nunca houvesse existido uma Lista. Quer dizer, satisfeitos não, mas não é como se pudéssemos fazer alguma coisa a respeito.

Na verdade, as pessoas demoraram a entender o que estava acontecendo. Depois de duas semanas sem uma única Lista, algumas pessoas começaram a tentar IMITAR ela. Não me atacando, mas inventando pessoas aleatórias (que ninguém sabia quem eram no colégio) para ver se dava certo... bem, não deu. Era como se todo mundo soubesse que não era real, e que nunca mais seria.

— Essas pessoas estão malucas por uma Lista – Quentin comentou com desgosto. – Não entendo como... elas não sabem que isso era uma fraude?

Eu dei de ombros, enquanto tomava um iogurte.

— Pelo visto, não – Paloma respondeu.

— Ah, cara. Vocês são muito chatos para não entender a emoção que era ter a Lista toda semana – Olivia choramingou, apoiando o rosto numa mão. – Eu adorava.

Paloma olhou para ela como se sua namorada fosse maluca.

— Liv, a lista nos colocou no lado ruim por sermos gays – Paloma disse, em voz alta. – Como se ser gay fosse algo ruim...

— Era o meu guilty pleasure— ela choramingou.

Quentin soltou um suspiro pesado, me encarando, mas eu não tive coragem de dizer nada porque eu acompanhei o fascínio de Olivia por isso desde o primeiro momento. Não me parece certo julgar a ela o que ela deve ou não gostar. Eu apenas penso nisso em silêncio, mas agradeço em voz alta por Paloma ser tão sensata.

— Alguém tem que ser – ela responde, olhando feio para Olivia.

— Luc e eu estávamos pensando em sairmos todo mundo junto, o que vocês acham? – Ellen aparece de repente, colocando sua bandeja na nossa mesa.

Seu namorado não está com ela, o que me leva a crer que está com seus amigos que não gostam dela. Me parece ridículo você ter amigos que esnobam sua namorada porque ela é bonita, loira e todo mundo gosta dela. Deve ser o famoso “preconceito reverso”, não que isso exista, já que Ellen não sofria bullying deles e nem se importava com isso porque ela tinha metade do colégio que beijava o chão que ela pisa.

— Hoje? – Olivia pergunta com animação.

— Sim... se puderem, claro – ela responde, sentando-se conosco.

— Hum.... Eu meio que tenho compromisso – eu admiti, sentindo meu rosto ficar vermelho. – Então acho que vou ter que passar.

Quentin olhou para mim com uma sobrancelha arqueada.

— O que você tem que-... Ai – Ele se interrompeu quando lhe chutei.

Ellen franze o cenho, com desconfiança, mas então diz:

— Tudo bem... vamos marcar fim de semana, tá? Merecemos uma comemoração!

Todos concordamos com a cabeça.

.

Enquanto caminhamos para o estacionamento, Quentin se vira para mim e pergunta o que eu tinha marcado para hoje de tão importante. Eu encolhi os ombros com desconfortos e admiti baixinho:

— Bem, eu marquei uma sessão com aquela psicóloga que seu irmão indicou... hoje... então, sim, eu tenho planos.

Ele deu um sorriso grande e me abraçou de repente.

— Estou muito feliz por você – ele diz. – Quer que eu te leve? Que eu te busque? Que eu te espere? Que eu fique lá com você?

— Quentin..., por favor, isso não é grande coisa – eu digo, me sentindo muito constrangida com o interesse dele. – E eu prefiro ir sozinha porque eu provavelmente vou morrer de vergonha com você por lá.

— Você tem vergonha de mim?! – Ele pergunta ofendido.

Eu até poderia responder, mas só consigo imaginá-lo brilhando na sala de espera e chamando atenção de todo mundo, e todas as mulheres querendo serem suas amigas. Ou pior que isso, eu o imagino cumprimentando a psicóloga (que afinal já o havia atendido há muito tempo) e então eu ficaria com medo que ela contasse para ele o quão ferrada eu sou da cabeça.

Notas finais
PRÉVIA: Capítulo 68 – Minha mãe é narcisista. “O bullying – ou a intimidação por parte de agressão verbal ou física – é uma das táticas de abuso narcisista mais eficientes. A mãe narcisista vive fazendo comentários desagradáveis disfarçados de conselhos de mãe dedicada para envergonhar e humilhar a filha. Por se ressentir de sua jovialidade e liberdade, ou de tudo aquilo que lhe concede vantagem ou favorecimento em face dela, reage de maneira amarga e vingativa quando se sente ameaçada. Mesmo sem razão aparente para agir de forma melindrada e rancorosa, provoca brigas, dando ferroadas gratuitas para acabar com o bom humor e a joie de vivre de quem inveja.” Ou seja: minha mãe me inveja e provavelmente me odeia. E então, para ser a cereja do bolo, eu leio a melhor descrição dela que eu já vi: “A mãe narcisista usa de comentários indiretos maliciosos, como a ironia e o sarcasmo, para destilar seu veneno. Seu discurso é repleto de significados duplos intencionados a desmoralizar e desarmar a filha ao mesmo tempo. É uma de suas ferramentas de abuso psicológico mais eficientes, pois mascara suas verdadeiras motivações malignas com sofisticação.”