Nosso Nome Na Lista.
51 Capítulo 51 – O Primeiro motivo. Que calúnia!
Notas iniciais
Capítulo 51 – O Primeiro motivo. Que calúnia!
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A Pessoa Mais Odiosa do St. Justine:
BRUCENA LETTERMAN.
Motivo 1: Por se fazer de coitadinha para todo mundo.
Sinceramente? Sua apresentação de biologia foi ridícula e o cúmulo da autopiedade.
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Observei aquelas palavras, sem acreditar nelas.
Eu senti, assim que entrei no colégio na segunda-feira, que havia algo estranho no ar. Eu senti pelo modo com que as pessoas continuaram me olhando e pela expressão no rosto de Paloma e Olivia quando fui até elas. Apesar de estar puta em estar sendo o alvo de bullying de uma lista ridícula, eu achava que tinha o direito de saber se ela ainda estava decidindo falar somente sobre mim...
Aparentemente, estava.
E agora decidira falar sobre os meus defeitos. Eu mereço.
Depois de ler isso, eu não quis nem saber mais nada. Fui para a minha primeira aula sem sequer falar direito com minhas amigas ou com quem quer que tenha me parado no corredor. Só havia perguntas inquietantes rondando a minha cabeça: “Por que eu?”, “Por que comigo?”, “O que foi que eu fiz?”...
Cara, eu me sentia mais péssima do que deveria.
Perguntei-me se eu parecia estar tão péssima, que até Yvonne Tybolt sentiu que precisava falar comigo na primeira aula. Quentin ainda não havia entrado (se visse aquilo, acredito que ele teria ficado muito satisfeito com sua “amiguinha”) e ela se postou à frente da minha mesa antes da aula começar.
– Sua apresentação foi uma das melhores – ela me disse. Em um tom que era: “tô nem aí para você, eu só estou aqui para falar a verdade”. – E você não se faz de coitadinha... Se fizesse, acredite, eu já teria te dado um tapa. Não há nada que eu mais odeie do que uma garota que fique “Ah, eu sou tãaao feia e sou tãaao mal amada”.
Dizer que isso foi estranho, seria o mínimo.
De repente, eu até me senti muito mal por tudo o que eu havia dito a ela.
– Yvie... Obrigada – eu disse, quase emocionada.
Ela arqueou uma sobrancelha e deu de ombros.
– A propósito... Pede para o seu namorado maneirar com o meu. Diz para ele que Duncan e eu somos “oficiais” agora, então não tem porque ele fazer aquele showzinho de semana passada, O.K? – ela avisou naquele tom de provocação tão característico dela.
Eu ri. Gente, como assim? Eu ri... De uma piada de Yvonne Tybolt.
O mundo está maluco.
– Certo. Eu aviso. Ele vai ficar arrasado... De perder um passatempo. Mas, enfim, parabéns. Quem acredita sempre alcança né? – eu provoquei também. – Água mole e pedra dura, tanto batem até que fura...
Ela jogou os cabelos negros e cacheados para trás e saiu para o seu lugar.
Estranho, mas me senti um pouco melhor.
Tanto que, quando Quentin entrou na sala de aula, eu sorri para ele como se nada tivesse acontecido. Mesmo assim, ele sabia, então se sentou ao meu lado e me deu um beijo meio indecente para uma sala de aula.
– Você tá bem? – ele perguntou quando me deixou respirar.
Assenti com a cabeça.
– Com você tudo passa de “bem” para “ótimo” – Eu disse, abraçando-o e o sentindo acariciar minhas costas. Então, murmurei no seu ouvido: – Eu te amo.
Eu ouvi o suave som do seu sorriso e senti o seu fungar gentil em meu pescoço. Quase desfaleci.
– Te amo também – sussurrou no meu ouvido.
O sinal da aula tocou e tivemos que nos separar. O que foi bom porque acredito que o professor ficaria muito constrangido se tivesse que passar mais um sermão sobre trocarmos bilhetinhos de “D.R.” ao invés de prestarmos atenção na aula dele (acho que nunca vou me esquecer daquilo).
Ele entregou as notas das provas que fizemos na última semana e Quentin e eu fomos muito bons. Muito bons mesmo. Eu tirei A enquanto o gênio que tenho como namorado tirou A+. Mereço me apaixonar por um CDF gostoso que gosta de literatura clássica estrangeira. Só eu mesmo...
– Eu namoro uma garota inteligente – ele brincou, dando um beijo em minha testa.
– Eu namoro um supergênio – retruquei, dando-lhe um beijo nos lábios.
O professor Drummond pigarreou, chamando a nossa atenção. Acho que aquilo estava sendo constrangedor para ele também, então tirei as mãos do meu namorado e me virei para frente com um olhar muito constrangido.
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Quando saímos da sala, Quentin me acompanhou até a minha próxima aula. Encontramos Duncan esperando do lado de fora (acho que estava esperando Yvonne) e meu namorado colocou o braço sobre mim quase como se estivesse marcando território. Perguntei-me se não seria melhor ele me dar um chupão no pescoço para todo mundo ver e deixar de ciúmes.
– Soube de você e Yvonne... Parabéns – eu disse para Duncan, mais para provocar Quentin. – Vocês ficam bem juntos.
Duncan deu um sorriso de canto.
– Obrigado – Duncan respondeu, olhando para Quentin de esguelha. – Nós havíamos terminado por uma besteira... Fico feliz por termos nos entendido e voltado.
– Agradeça ao seu namorado – Yvonne disse, aparecendo e abraçando Duncan pela cintura. – Por me fazer ser um pouco menos orgulhosa.
Olhei para Quentin e ele corou, puxando-me apressadamente para que seguíssemos pelo corredor. Eu sorri, meneando com a cabeça, deixando-o me arrastar daquele jeito. Dessa vez, não era ciúmes, e sim vergonha. Vergonha de ser uma pessoa boa? Talvez... Tinha que ter um dedo do psicólogo intrometido ali.
Joguei-me contra suas costas, abraçando-o, e disse:
– Você é uma pessoa tão boa que tem que ter um defeito!
– Hein? – ele perguntou.
– Você não pode ser tão perfeito assim, Quentin! É indecente!
Ele riu, acariciando meus braços em volta de sua cintura estreita. Paramos em frente a minha sala de aula, que ficava no caminho da sua.
– Bem... Sou intrometido, ciumento e tenho um complexo de inferioridade com os meus irmãos... Está bom de defeitos para você ou quer mais? – ele perguntou.
– Está bom assim – eu respondi, soltando-o. – Nos vemos no horário de almoço?
Ele concordou com a cabeça, beijando-me demoradamente antes de seguir pelo corredor e de eu entrar na minha sala de aula. Sinceramente, agora eu sei porque as pessoas dizem a expressão “bêbada de amor”. A sensação que eu tinha era de estar andando nas nuvens até eu sentar no meu lugar e soltar um suspiro.
– Vocês transaram – Olivia soltou, assim que eu me sentei.
Dei um pulo na cadeira.
Toda minha felicidade se transformando em constrangimento.
– Hein?! – exclamei.
Minha amiga riu com sua namorada lésbica (que nem pareciam estar namorando pelo jeito discreto com que se portam) e se inclinou sobre a cadeira atrás de mim. Paloma inclinou-se em sua cadeira ao meu lado e murmurou de um jeito bem mais discreto:
– Você e Quentin. Transaram. Amaram-se. Treparam. Se comeram... Sabe, todos os sinônimos do nome “sexo”.
Eu continuei corada, rindo sem graça.
– Por que vocês acham isso? – perguntei, fazendo-me de lesa.
– Bem... Além de: porque vocês dois, que já são grudentos, estarem parecendo um casal em lua-de-mel, preciso de outro motivo? – Olivia respondeu antes de me abraçar de uma maneira que foi quase sufocante. – Ai, gente... Achei que isso nunca ia acontecer. Quando foi? Como foi? Como ele é na cama?
Eu corei ainda mais. Isso era informação demais até para mim.
– Você precisa nos contar tudo – Paloma entrou na onda. Maldita Olivia mau exemplo. – Sabe, faz parte de sermos suas amigas e tal...
Soltei um suspiro e vi o professor se levantar para começar a dar aula.
Coloquei minha bolsa sobre a mesa e peguei o meu celular. Discretamente, escrevi no nosso grupo do Whatsapp “Trix” (Sim, é o nome das vilãs do Clube das Winxs, convenhamos que somos três e elas são mais legais que as próprias Winxs na primeira temporada. Decidimos que Olivia é a Ice, Paloma é a Stormy e eu sou a Darcy):
“Foi sábado retrasado. Foi bom e... Sei lá >\<”.
“E QUANDO VC PRETENDIA NOS CONTAR ESSE FEITO HISTÓRICO?!” Olivia escreveu. “Esse cara conseguiu o impossível, precisa de uma medalha!!”.
“Oli, até parece que você não conhece a nossa garota” Paloma escreveu. “Até parece que ela ia sair espalhando que dormiu com o namorado gostoso”.
“Eu também não fico perguntando sobre a vida sexual de vocês duas!!” comentei.
Um arrepio percorreu minha espinha. Não achava nojento ver duas lésbicas se beijando ou se pegando pra valer, mas achava nojento quando eram minhas amigas desde o primeiro ano! Preferia ter a imagem que eu tinha delas, obrigada. Gostava disso nas duas, aliás. Diferente de qualquer outro casal (lésbico, ou não) elas não faziam questão de ficarem se pegando toda hora na frente de todo mundo.
Às vezes, andavam de mãos dadas e sussurravam coisas no ouvido uma da outra, mas não era nada muito chamativo. Nem mesmo quando Olivia “saia” com homens (e ela saiu com uns para despistar sobre sua opção sexual) ela era do tipo grudenta e “vamos-nos-pegar-em-todos-os-lugares”.
“Precisamos de uma festa do pijama” Olivia declarou. “Pra vc nos contar melhor essa história!! Gente, ainda n acredito!! >3<”.
“Quem ainda faz festa do pijama estando no último ano?” Paloma escreveu.
“Garotas com fofocas!” Olivia retrucou. “Quando vcs tão livres?!”.
Marcamos de nos encontrarmos na sexta-feira, já que meus pais decidiram que todo fim de semana vamos passar em família. É. Isso mesmo que você viu. Semana passada fomos à um zoológico como se eu tivesse oito anos e ficamos brincando de escolher os animais que mais parecem conosco. Por algum motivo, decidimos que parecemos uma família de leões. Vai-se entender o porquê.
Tudo é muito estranho quando eu estou com eles (com os dois juntos).
É quase como se eu houvesse entrado numa família que não era a minha. Uma família com dois pais interessados (e não apenas um) e que se diverte com as mínimas coisas. Pergunto-me porque minha mãe mudou tanto. Por quê?
Quando voltamos para o quarto, exaustos, nem marcamos de jantar. Mamãe estava cansada demais e pedimos alguma coisa no quarto mesmo. Foi estranho. Ficarmos nós três no mesmo quarto, comendo e falando esquisitices.
– Seu pai estava estranho com a sua mãe no piquenique... – Quentin comentou no horário de almoço, quando caminhamos lado a lado para a cantina. – Sabe... Pareciam até um pouco apaixonados... Mas acho que foi só impressão nossa.
Eu corei.
– Você acha que meus pais possam estar tendo... Sei lá, um “flashback”?
– Flashback? – Quentin perguntou divertido.
– É... Sabe, quando um casal se sapara e depois, quando se reencontram, ainda acham que gostam um do outro e decidem tentar de novo – eu expliquei.
Quentin deu de ombros.
– Não sei se é isso... Mas seu pai tem um grande carinho por sua mãe – ele disse com certeza. – Apesar de alfinetá-la quando ela fala de você, deu para perceber que ele tem um grande carinho por tudo o que ele sentiu por ela.
Soltei um suspiro. Meu pai já era casado de novo... Já tinha uma enteada e era feliz na Alemanha, só espero que ele não troque o certo pelo duvidoso. Alguém instável como a Sra. Victoria Freeday, era duvidosa, sem dúvida.
De qualquer forma, eu tinha os meus próprios problemas agora. Percebi assim que entramos no refeitório e todo mundo nos olhou como se fôssemos um casal estranho. Que desconfortável... Quentin não se deixou chatear e se sentou junto de Ellen e os amigos estranhos de Lucien. Era engraçado encontrar minha meia-irmã no meio daqueles garotos. Ela parecia uma patricinha perdida ali.
Mas os amigos de Lucien eram muito “na deles”. Quando nos sentávamos com eles, eles conversavam entre si enquanto falávamos com Lucien e Ellen. Eles só dão medo na aparência. Por dentro, são muito “da paz”.
– E as coisas só pioram para você, hein? – Lucien comentou, olhando ao redor.
Ellen deu-lhe uma cotovelada nas costelas, por ser tão indiscreto.
– Com a gente é assim: ou nos amam ou nos odeiam, né Quentin? – eu brinquei, fazendo o meu namorado rir.
– Acho que estou nessa também – Lucien concordou, com um sorriso sarcástico.
– Aliás... Não é como se fosse verdade, né? – perguntei, cruzando os braços. – Eu não acho que me faço de coitada... Então, por que ligar?
– Porque isso está virando Bullying e isso é crime nesse estado – Ellen disse, com um ar de inteligência não característico. – A diretoria ainda vai te chamar para conversar sobre isso... Uma coisa é a lista falar de todo mundo, outra coisa é ela cismar só com você.
Franzi o cenho para a súbita inteligência da minha irmã, mas desviei o olhar assim que seu namorado esquisito a beijou. Que desconfortável um casal se beijando... Ainda sentia como se fosse a minha irmãzinha, afinal.
Quentin envolveu-me em seus braços e eu me aninhei contra ele, antes de mudamos de assunto para algo mais leve. Mesmo assim, o que Ellen me disse não saiu da minha cabeça... Então, não me surpreendi ao encontrar a diretora junto com a psicóloga no dia da minha sessão com Rebecca.
Engoli em seco, um pouco incomodada.
– A diretora quer falar com você, Letty – Rebecca explicou o óbvio, fazendo um sinal para que eu me sentasse na cadeira de sempre.
Tentei manter a calma. Eu era a “vítima”.
Sentei-me na cadeira indicada e as observei.
– Isso é por causa daquela lista? – eu perguntei um pouco nervosa.
A diretora Hills era uma mulher de ar austero e que quase nunca deixava a diretoria. Para manter a ordem no colégio, ela usava inspetores e dizem que é bem severa no castigo. A única vez que fui para a sua sala, foi quando abri o armário na cara daquela garota – um erro que quase entrou para o meu histórico... Graças a Deus a convenci de que fora um acidente.
Ela se aproximou e perguntou:
– Você andou irritando alguém ultimamente? Sabe quem está por trás dessa lista?
Pisquei, aturdida.
– Se eu soubesse, isso já teria acabado – eu confessei sem nem pensar.
Rebecca reprimiu o riso enquanto a diretora me interrogava. Quase me senti uma culpada ao invés do contrário. Só para decidir que não sabíamos de nada e que Sra. Hills iria ser mais severa em descobrir a criança que ultrapassou os limites da brincadeira. Sinceramente, espero que a diretora pegue essa culpada antes de mim.
Se eu colocasse minhas mãos na pessoa que está fazendo aquilo... O castigo da diretora mais severa de St. Justine não seria nada comparado ao que eu faria.
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Quando eu voltei para o hotel naquele dia, minha mãe e meu pai não estavam. Achei estranho, pois geralmente saíamos os três, e não só os dois. Por um instante, fiquei preocupada com o lance do “Flashback” e o fato do meu pai relutar tanto em voltar para a Alemanha só me deixava ainda mais preocupada.
Acho que é justificável eu não ficar pulando de alegria se meu pai estiver gostando da minha mãe de novo. Ele era casado e sua nova família parecia muito legal. Principalmente Hazel. Digo, ela vive compartilhando imagens de gatinhos e fotos engraçadas com o seu namorado que aparentemente se chamava Ludwig... Não tem como não achar uma pessoa assim simpática.
Gostaria de entender metade das coisas que ela escreve em alemão.
Quando minha mãe voltou com o meu pai, eram quase quatro horas da tarde. Ela estava muito pálida e parecia cansada. Parecia ter visto um fantasma ou ter se tornado um. Fiquei até preocupada com o que poderia ter acontecido.
– Meu Deus, tudo bem com ela?! – eu perguntei assustada.
– Está tudo bem – Victoria respondeu, apoiada no homem.
– Sua mãe... passou mal hoje de manhã. Acabei de voltar... do Hospital com ela.– meu pai respondeu, hesitante, guiando Victoria até a cama dela.
Ela se deitou vagarosamente, mas percebi que ela lhe olhava feio.
– Mas ela já está bem? – perguntei um pouco desconfiada.
– Ah, sim. Se ela não estivesse melhor, não teria voltado hoje, né? – ele respondeu num tom forçadamente leve e descontraído, beijando-me na testa.
Assenti com a cabeça, ainda achando aquela situação toda muito estranha.
– Hum... Se você diz... – comentei desconfortável.
Meu pai falava como se ela passar mal não fosse nada demais. Como se ter estado num hospital significasse nada. Mas se eles houvessem bolado dessa desculpa para fingir que não haviam saído num encontro sem mim... Eram bons atores e bem mais criativo que a maioria. Ponto para eles.
– Você pode ficar de olho nela? – ele pediu, parecendo um pouco agitado. – Eu tenho que fazer uma ligação para Hazel e Grettel hoje... Daqui a pouco eu volto para ver vocês. Vamos assistir à um filme juntos essa tarde?
Assenti com a cabeça.
Micha beijou-me na testa e saiu do quarto apressadamente.
Olhei para a mulher na cama, e a encontrei me olhando de volta. De repente, me perguntei se esses dois não estavam simplesmente tramando contra mim. Sei lá, algo como me forçar a gostar da minha mãe quando ela não é nenhum pouco “gostável”? Quem sabe... Só sei que estou farejando um clima estranho.
– Eu sou uma má pessoa, não sou? – ela perguntou.
Sua pergunta me fez dar um pulo no lugar. Nem tive coragem de responder. Se ela havia acabado de sair mesmo de um hospital, a última coisa que eu iria dizer era: “Você tem sido uma vadia desde que eu me entendo por gente, então, sim, você é uma má pessoa. No inferno deve ter uma sessão só com o seu nome”.
Ela deu um sorriso amargo como se lesse meus pensamentos.
– Sou sim – ela disse, fechando os olhos e respirando fundo. – Me desculpe.
Franzi o cenho. O que diabos estava acontecendo com ela?
– Sente-se aqui. Precisamos conversar – ela pediu, batendo com a mão sobre o seu colchão. Percebi algo em seu dorso. Um curativo.
“Tudo bem, certo? Ter um curativo no dorso da mão... Ela provavelmente tomou soro por conta do que quer que ela tenha sentido” eu pensei, apesar de sentir um revirar incômodo no estômago que parecia dizer: “Não é isso. E você sabe”.
Sentei-me no lugar que ela indicou ao seu lado e ela se sentou na cama também, com as costas apoiadas na cabeceira.
– Eu não tenho sido muito honesta com você... E seu pai acha que já é hora de eu começar a ser – ela começou, parecendo muito cansada.
– O- o que está acontecendo? – eu perguntei. – Você está me assustando...
Ela soltou um suspiro... E hesitou muito, antes de dizer:
– Estou com câncer, Bruce.
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