Nosso Nome Na Lista.

49 Capítulo 49 – A Pessoa mais Odiada do St. Justine.


Notas iniciais
Oi, gente *u* Curtam o capítulo hi hi hi Agradeço aos reviews de: > Cleozinha > Nynna Days > Ludimila > Ingrid Herondale > Elizabeth > LilyEvansPotter > scarletlevesque > Sheila Rayane > thatgirl > Boneca de Porcelana > Bia Rodrigues > Zabelita > Lanny Puckett > Lizz > Sofia Anjos > Beatrice Gr > Slipcon > Bella Hanes > katp > Liz Mar > TatiaaneBerry > Elidabfr > Palominha > Delicate > Luuh Rocha > Karry > C Black > Lizzie > Born to Die > Matry-chan > Júlia Mason > Karamell > Eu Fui Para Hogwarts > La Lu > Potter123 > Sorvete de Limão > allinegmar Bisou ^ ^

Capítulo 49 – A Pessoa mais Odiada do St. Justine.

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Por um instante, senti Quentin se levantar de mim. Perguntei-me se ele havia ido descartar a camisinha e me senti desconfortável por pensar nisso. Sei lá. É desconfortável. Mas ele voltou logo depois e se deitou com a cabeça sobre meu peito novamente, sem dizer uma palavra. Talvez, não houvesse muito que ser dito.

O que se diz na primeira vez com a namorada?

“Obrigado”?

Ficamos assim por pelo menos uns dez minutos, encarando a sua parede pintada com montanhas e vales e ouvindo a chuva forte bater na janela. Até que eu perguntei para quebrar o silêncio, que para mim era um pouco constrangedor:

– Você já pensou em pedir para a sua mãe desenhar a sociedade do anel andando por essas montanhas?

Quentin deu uma risada e meneou com a cabeça.

Erguendo a cabeça, uma sensação estranha de constrangimento se apossou de mim quando o vi me observando com aqueles lindos olhos claros. Ele ficou em silêncio, fitando minha testa, meus olhos, minha boca, meu pescoço... O caimento de meus cabelos sobre meus ombros e seios. Eu corei, incomodada. Por algum motivo, queria saber o que ele via. Queria saber de verdade... Mas não tive coragem de perguntar.

– Por que tão bonita? – ele murmurou, voltando a subir seus olhos para os meus. Eu corei, abaixando o olhar. Ele sorriu, divertido, e pousou uma mão sobre minha bochecha. – Sério. Por que tão perfeita?

Dei um empurrão em seu peito, num sinal para ele parar com aquilo porque eu estava ficando constrangida... Mas ele riu e se inclinou para me beijar nos lábios. Um beijo intenso, apesar de não passar de um leve roçar de lábios entreabertos... Mesmo assim, rápido demais para mim. Quando ele se afastou, quase reclamei.

– Eu te amo – ele murmurou, antes de me dar mais um beijo.

– Te amo também – respondi, sorrindo feito uma idiota.

Gente, alguém precisava desfazer esse sorriso antes que eu o assustasse.

Senti-me um pouco melhor quando ele sorriu também (feito um idiota) e voltou a se deitar em sua cama, mas não a encostar a cabeça sobre mim. Quentin se deitou com a cabeça nos travesseiros e me puxou para os seus braços num abraço confortável e quente. Eu ouvia seu coração batendo com força no peito.

– Ainda com frio? – ele perguntou divertido.

Ouvi sua voz ecoar por seu corpo num murmuro rouco e sexy.

– Nenhum pouco – respondi.

Senti a ponta de seus dedos subirem e descerem por minhas costas, gerando um arrepio agradável por todo o meu corpo. Era quase como estática.

– Hum – ele gemeu, penosamente. – Tenho que pegar leve com você... Mas como quando você é tão desejável?

– Eu não pedi para que pegasse leve comigo – eu avisei de modo travesso. – Sabe... Por algum motivo, você parecia muito nervoso... Por quê?

Quentin ficou vermelho, e fitou o seu teto.

– Eu... nunca dormi com uma garota que fosse virgem – ele comentou, ficando muito constrangido. – Não queria que... Sei lá, fosse traumatizante pra você.

Contive a vontade de rir só porque Quentin admitindo aquilo foi meio que fofo.

– Não acredito – respondi, aninhando minha cabeça em seu ombro.

– É sério – ele respondeu. – Eu já tive uma primeira vez meio traumatizante para querer que aconteça o mesmo com você.

– Como é que um garoto pode ter a primeira vez traumatizante? Nem dói em vocês – eu comentei com incredulidade.

– Bem... Meio que dói quando a garota chama o nome do seu irmão, sabe? – ele disse e eu quase não acredito.

– Gilliam?

– Na verdade, apesar de ela tentar dar pra todos, ela se amarrou mesmo no Roland.

Meu queixo caiu. Que garota maliciosa! Não conseguia se satisfazer com um único McCullogh, tinha que tentar pegar os cinco irmãos?! Tudo bem que todos eram bonitos e tal, mas beleza não justifica... Ou será que sim?

– Ela é a mãe da Anne – ele soltou num tom distante e reflexivo. – Sabe... Você tinha que ter visto o fuzuê que houve aqui em casa por causa de quem era o pai. Parecia novela mexicana. E todo mundo rezava para que não fosse meu. Eu tinha só quinze anos.

Quentin deu uma risada nenhum pouco doce ou engraçada... Era amarga.

Isso explicava o porquê ele ficou daquele jeito ao ouvir falar da mãe de Anne e quando me contou dessa dita cuja que tirou a virgindade dele... E que aparentemente dormiu com os irmãos dele. Quem diria que até gente bonita tinha história de corno? Parecia impensável trair Quentin com outra pessoa, muito menos com seus irmãos (e não, o beijo com Gilliam não foi traição!).

– É por isso que, assim que eu venho para a sua casa, a primeira coisa que você faz é me trancar no seu quarto? – brinquei para tirar um pouco daquele humor murcho de Quentin. Deu só um pouco certo.

– Eu não tinha percebido que fazia isso – ele confessou, rindo. – Eu só gosto de levar meus amigos pro quarto porque parece ser o lugar com mais privacidade que eu vou encontrar por essa casa. Sempre tem um membro da família espalhado por aqui.

Eu ri.

– Bem... E quanto as suas outras namoradas? – perguntei, tentando mudar de assunto, já que ele parecia inquieto. – Nenhuma era virgem?

Ele deu de ombros.

– Algumas eu nem cheguei a dormir com elas... As que eu dormi nem eram virgens mais – ele respondeu com indiferença.

Ficamos um tempo em silêncio. Um silêncio tenso.

– Puxa, eu não sabia da enorme carga emocional que você estava levando. Ainda bem que você não chamou pelo nome de Ellen, se não, eu ficaria arrasada para sempre – brinquei, aninhando-me contra seu corpo quente e esguio.

Quentin riu. E o clima pareceu melhorar um pouco. Ainda mais depois que ele me afastou de seu corpo, para me observar e me dar um beijo no meu pescoço. Gente, sério, esse menino precisa parar de fazer isso. Eu me arrepiei toda de novo, fazendo-o sorrir.

– Hum, que horas são? – ele perguntou.

– Sei lá. Cinco e pouco, eu acho... – respondi hesitante.

– Ótimo. Ainda temos tempo para eu não pegar leve com você.

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Quando às seis e pouco decidimos descer para pegar minhas roupas na secadora, a mãe de Quentin me olhou como se ver a namorada do filho com a camiseta larga dele fosse uma cena que se via todo dia. Talvez ela até visse com tantos filhos bonitos. Eu quase morri de vergonha quando a encontramos no meio do caminho. Sinceramente, tinha me esquecido que ela e seus filhos estavam em casa!

– Vai ficar para o jantar? – ela perguntou com indiferença.

– Hum, não. Vou jantar com os meus pais, mas obrigada – eu respondi, evitando contato visual. Gente, que constrangedor... Ainda bem que não me esbarrei com os irmãos dele.

Ela sorriu, entretanto, e Quentin me puxou para a área de serviço.

Minhas roupas haviam quase secado completamente. Só a calça jeans que havia ficado um pouco úmida na barra, mas teria que ser assim mesmo. Troquei-me ali mesmo e Quentin também (sem mais climas tensos!), antes de pegar as chaves de Christine e me levar para o hotel. Como Ellen havia me dito que poderia levar o Beija-Flor para o colégio, Quentin ficou de me buscar segunda-feira de manhã.

– Seus irmãos estão na faculdade, certo? – perguntei para puxar assunto.

– Todos menos Roland, que se formou no primeiro semestre – ele respondeu concentrado no trânsito. – Gilliam faz direito, Charles faz Educação Física, Joseph faz programação e Roland é formado em Marketing.

– E o que você vai fazer? – eu perguntei. – Temos que começar a pensar nisso. É o último ano e tal...

– Acho que vou para psicologia. Tenho meio que talento para encontrar gente doida – ele respondeu, provocando-me com o olhar, antes de colocar uma mão sobre minha coxa e apertá-la de uma maneira excitante. – E você?

Eu dei de ombros.

– Não sei – confessei um pouco constrangida. – Não sou boa em fazer algo em especial... Talvez eu escolha uma dessas carreiras sem criatividade, tipo Museologia.

Quentin sorriu de canto.

– Não subestime os nobres alunos de museologia! Bem, mas você ainda vai encontrar alguma coisa especial. Alguma coisa que só você pode fazer – ele disse com tanta certeza que quase acreditei.

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Aquele foi o fim de semana mais estranho da minha vida. Mais estranho porque meus pais estavam num clima de “Yay! Somos uma família!” que eu nunca vi antes. Fiquei me perguntando que raios de família era aquela. Nem minha mãe estava reconhecível. Acredito que a presença de Micha estava lhe forçando a ser a pessoa que ela nunca foi comigo... É a única desculpa.

Meu pai nos chamou para dar uma volta pelo shopping e pela primeira vez na vida, eu acho, eu fiz compras com a minha mãe. Apesar de ter sido um pouco desconfortável no começo, porque eu estava esperando que ela viesse com aquele comentário que nada ficava bom em mim, logo ela mostrou que estava ali para uma missão de paz. “Esse não ficou bom, Bruce. Experimente este outro” foi o que eu mais ouvi. Sem sarcasmo.

Quando penso no como ela agiu... Só acho que meu pai é o causador disso. Ela só começou a “mudar” depois que ele voltou e imagino que voltará ao normal quando Micha se for... Seria meio triste. Eu meio que prefiro essa nova Victoria a antiga.

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Na segunda-feira nós ainda não tínhamos voltado para casa.

– Você ainda está chamando este hotel de casa? – Quentin me provocou, quando observou o hotel onde meu pai estava pela janela.

Dei de ombros, coloquei o cinto de segurança e o beijei rápido nos lábios.

– Não queria. Sinto falta de Riot – respondi.

Quentin riu e deu partida no carro.

– É. Eu também sinto falta dele. Choro todas as noites pensando naquele cachorro – Quentin brincou

Dei-lhe um soco no ombro.

Ele riu e fizemos o percurso em silêncio até a escola. Simplesmente, não havia necessidade de palavras entre nós. E não. Não acho que isso é alguma espécie de relação profunda “pós-sexo”... Só acho que hoje não estávamos em clima de conversar muito. Ou talvez nós realmente houvéssemos evoluído para uma ligação mais profunda que nem precisávamos ficar conversando o tempo todo.

Nem vi quando chegamos ao colégio.

– Você vai ver a “Lista” com as garotas hoje? – meu namorado perguntou estacionando o carro.

Eu sorri, tirando o cinto.

– É uma tradição desde o primeiro ano – eu respondi. – Na verdade, ultimamente eu só vou porque adoro ver o meu namorado sambando na cara de todo mundo... Sério, como você faz isso de encabeçar a lista todas as vezes?

Ele sorriu e me beijou daquele seu jeito, esfomeado e sedento, que me deixou meio “fora do ar”. Acho que nunca me cansarei de ficar deslumbrada por ele. Nunca me cansarei de sentir suas mãos me puxarem para junto do seu corpo ou modo como elas parecem estarem sempre tentando entrar por debaixo da minha blusa... Um arrepio de excitação percorreu a minha espinha ao me lembrar da tarde de sábado.

Quando nos afastamos, eu estava com um sorriso radiante.

– Então, eu vou encontrar uns amigos – ele avisou ofegante.

Assenti com a cabeça, mas custamos a sair do carro. Nenhum de nós parecia ter essa vontade, afinal. Ficamos nos beijando e nos encarando por um tempo até criarmos a coragem de abrir a porta e sairmos.

– Até a primeira aula – eu disse, beijando-o mais uma vez.

Ele riu e apoiou as costas no carro. Fui para o prédio e escolar, em direção ao banheiro feminino, e Quentin continuou lá. Encostado no carro, socializando com as pessoas que passavam. Fiquei me perguntando se eu intimidava as pessoas ou se ele simplesmente era amigo de todo mundo que me evitava.

Enquanto eu andava pelos corredores, tive a sensação que aconteceu alguma coisa que eu não sabia. Todo mundo estava me olhando e não era de um jeito bom. Não era como geralmente olhavam para quem aparecia na “Lista”. Era de um jeito meio... Evitando. Por um momento, pensei no pior. Algo do tipo: “todo mundo sabe que eu dei pro Quentin e estão me chamando de vadia!”.

Engoli em seco com o pensamento.

– Ei, Letterman! – ouvi alguém me chamar.

Quando eu me virei, percebi Josh e seus “amigos” (o que incluía Gabriel) encostados contra um armário, rindo de algo. Novamente, senti que todo mundo sabia alguma coisa sobre mim que eu não tinha a menor ideia do que era. Cerrei os punhos.

– Quem você andou irritando ultimamente, hein? – ele perguntou todo venenoso.

Respirei fundo quando ele se matou de rir com os amigos e revirei os olhos.

– Quando eu souber, eu te aviso para você foder com ele – eu disse. – Ops, desculpe. Esqueci que é você quem gosta de ser fodido.

Gente, eu deixei o menino puto.

Ele chegou a se desencostar do armário para vir para cima de mim. Se seus amigos não o houvessem segurado, tenho certeza que ele teria me dado um soco. Mas como seguraram, eu apenas dei de ombros e fui embora. De qualquer forma, a culpa foi dele de mexer com quem está quieto.

Como ele era inconveniente.

Quando encontrei Olivia e Paloma, elas estavam tensas. Elas estavam dando voltas perto do banheiro e roendo suas unhas. Quando me viram, vieram quase que correndo até mim. Olivia, dramaticamente como sempre, agarrou os meus ombros e inquiriu:

– Letty, o que você andou aprontando?!

Novamente, engoli o seco.

A ideia de alguém espalhando que eu dormi com Quentin apareceu de novo.

– O- o que aconteceu? – eu perguntei.

As duas trocaram olhares.

– Você ainda não sabe? – perguntaram.

Neguei com a cabeça e as duas me puxaram para dentro do banheiro. Entrei, hesitante, com medo do que eu ia ver lá dentro. Eu já havia aparecido na lista dos odiados uma vez, e ninguém havia agido daquele jeito. O que me leva a crer que a coisa é séria.

Lá dentro estava cheio de burburinhos de garotas fofocando, mas eles foram se calando aos poucos assim que eu entrei. Novamente, aquele mal estar de saber que as pessoas estavam falando sobre mim se mostrou presente. Respirei fundo. E observei as garotas, todas evitando o meu olhar como se eu fosse uma coisa perigosa...

E então eu vi.

Só havia uma lista.

Um papel maior do que as duas listas juntas. Desenhos fofos decorando as bordas? Essa nova lista dispensava isso. Ela não falava sobre as pessoas mais quentes desse colégio, e muito menos das pessoas mais detestáveis daqui... Ou melhor, ela falava de pessoas detestáveis sim. Uma em particular.

A Pessoa Mais Odiosa do St. Justine:

BRUCENA LETTERMAN.

– Ai meu caralho... – resmunguei incrédula.

Fiquei encarando aquele papel, sem entender merda nenhuma do que aquilo significava. Eu estava ali, mais quieta que bicho preguiça, namorando Quentin e cuidando da minha vidinha pessoal bagunçada para uma cretina (ou cretino, né? Vai-se saber) que nem mostra a cara decidir que eu sou a pessoa mais odiosa do St. Justine?!

– Sério, Bruce, quem você andou irritando, hein? – Yvonne apareceu, quase que como mágica, perto das minhas amigas.

Sua frase foi o que me fez despertar para o que havia acontecido. Para o papel com aquela informação absurda em preto e vermelho. Despertou também, toda uma raiva que eu não sabia ter. Nunca me importei de verdade com a lista.

Furiosa, eu arranquei a folha da parede e joguei no chão.

– Isso é uma idiotice! Eu sempre disse! – falei (ou gritei, sei lá, estava muito furiosa) para as meninas. – E é mais idiota ainda quem dá atenção pra essa merda!

Olivia e Paloma engoliram em seco, assim como todas as pessoas ali, e eu saí do banheiro. Caminhando para fora em passos largos e rápidos, por algum motivo, eu só queria desaparecer ou ignorar as pessoas me olhando como se eu fosse a pior pessoa do mundo. Elas nem sabiam o que diabos eu havia feito... Ou melhor, eu não havia feito nada.

A única coisa que me fez foi parar, foi Duncan.

Ele se meteu na minha frente e preguntou preocupado:

– Você está bem?

Pisquei atônita. Fazia tempo que ele me evitava... Mas obviamente sabia o que aconteceu e me procurou para saber como eu estava. Surpreendente.

– Claro que estou! – eu respondi. – Até parece que eu ligava para aquela merda!

Ele arqueou as sobrancelhas, surpreso pela minha resposta energética.

– Então por que você está brava? – ele perguntou divertido.

– Oras! Porque eu não fiz nada! Eu estava simplesmente cuidando da minha vidinha quando uma filha da puta resolveu fazer isso! – eu respondi, disparando as palavras. – Se tivesse ao menos uma justificativa, eu nem diria nada...

Ele ergueu uma mão para mim e eu respirei fundo, para me acalmar.

A verdade é que me lembrar de que havia alguém “julgando” a minha vida me irritava. Irritava-me ainda mais porque minha vida deveria ser só minha e porque eu duvidava que essa pessoa soubesse por tudo o que eu passei.

– Por que você está falando comigo, afinal? – eu perguntei muito mais calma.

Duncan deu um sorriso sem graça.

– Porque eu sei que você é uma pessoa que não merece esse título – ele respondeu.

Meu coração não saltou no peito. Na verdade, um bolo se formou em minha garganta. Incomodada por ouvir esse tipo de frase, tão íntima e dita de uma maneira quase sussurrada, que deixaria qualquer garota maluquinha... Menos eu. Eu tinha um namorado que me faria corar com uma frase dessas. Obrigada.

Dei um sorriso amarelo e disse:

– Obrigada, Duncan. Mesmo.

– Letty!

Olhei para o lado e encontrei Quentin se aproximando. Parecia preocupado. Mas ele não disse muita coisa. Olhando rapidamente para Duncan (como se só percebesse a presença dele ali), meu namorado espalmou suas mãos em meu rosto e me beijou.

Todo o fôlego e energia que eu usei para gritar, pareceu ter se direcionado para aquele beijo. Passei um braço por seus ombros e, fincando minhas unhas em seu casaco, beijei-o com paixão. Quentin, obviamente, me beijou daquele jeito também. Puxando-me pela cintura contra o seu corpo e devorando meus lábios.

Quando nos afastamos. Eu incrivelmente estava me sentindo ótima.

Quando olhamos para o lado, Duncan já tinha ido embora. Dei um sorriso travesso para Quentin e lhe dei um soco no peito. Nem doeu nele. Ele até riu.

– Você é cruel – eu disse.

– Eu só estou fazendo minha parte daquele trato – ele respondeu, beijando-me mais uma vez. Então perguntou ciumento: – O que vocês estavam conversando?

Eu ri e disse:

– Ele queria saber se eu estava bem e disse que eu não merecia aquele título.

Quentin pareceu relaxar um pouco e voltou a parecer preocupado. Perguntou:

– Você está bem? Falaram-me da lista...

– Se eu não estiver, você vai me beijar de novo? – eu pedi.

Ele sorriu, meneando com a cabeça, e me beijou na testa.

– Vamos para a nossa aula? Juntos? – ele perguntou.

Eu concordei com a cabeça.

Eu deveria estar bem. Para o Quentin e para os meus amigos, eu não era a “pessoa mais odiosa do St. Justine”. Isso deveria me bastar para mandar aquela maldita lista se foder. Eu nunca dei tanta importância para ela, de qualquer forma.

Notas finais
PREVIEW: "- “A arte é um dos meios que une os homens” Tolstoi – Quentin murmurou. Ergui o olhar, confusa. - “Se queres vencer o mundo inteiro, vence-te a ti mesmo” Dostoievski – ele disse, respirando pesadamente. – É o que está escrito na tatuagem... São duas frases."