Nosso Nome Na Lista.

30 Capítulo 30 - Descontar a Raiva.


Notas iniciais
Oláaa! Então, tenho uma boa notícia para vocês: estou bem adiantada no meu word!! Logo, vou poder postar um capítulo por semana sem atrasar ^.~ Essa é uma boa notícia, né???? Então, toda quarta-feira, depois das seis e pouco podem aparecer que vai estar atualizado!! Agradeço aos reviews de: > Donnuts > LuuhRocha > Senhorita Foxface > Laladhu > Clara Benidez > Born to Die > katp > GiovannA > Sheila Rayane > Gabrielle Chase Jackson > Cleozinha > Elizabeth > Lanny Puckett > Tomato > Lara Levesque Blue MUITO OBRIGADA!! CURTAM ^.~ BISOU

Capítulo 30 – Descontar a Raiva.

Eu não havia feito o trabalho.

Eu havia, na verdade, me jogado na minha cama nostálgica e encarado o meu teto até conhecer todas as famílias de aranhas que eu tinha como inquilinas. Não, elas não me incomodavam. Meu teto tinha quase três metros de altura, logo, elas estavam a uma distância segura de mim.

As palavras da minha mãe ecoavam pela minha cabeça.

Ela nunca falara assim comigo antes.

Eu entenderia (e até estava esperando) se ela se fizesse de vítima ou de sonsa; que mentisse de seu jeito teatral sobre meu pai e que dissesse que ele só falara aquilo porque queria que eu brigasse com ela... Mas nem isso ela fez. Ela havia admitido que mentira para mim e parecia não se arrepender disso. Ela também deu a entender que eu era uma decepção para ela, até aí, nenhuma novidade.

Mas agora eu me encontrava diante um paradoxo: se eu era tão decepcionante, porque ela quis ficar comigo? Por que não me deixar viver minha vida (feliz) com o meu pai? Por que ser tão má?

Meus olhos começaram a arder e, logo depois, lacrimejar. Preferi acreditar que a dor deles tinha algo a ver com ficar encarando corpos quase microscópicos daquela distância, a admitir que minha mãe continuasse sendo o meu “calcanhar de Aquiles”. Mas, no fundo, eu sabia a verdade: Victoria Freeday ainda podia me infligir mais dor do que eu esperava, talvez, mais do que eu pudesse suportar sozinha.

Puxei o meu celular do bolso e encarei minha lista de contatos. “Micha Letterman” eu havia salvo o número do identificador de chamadas. Por que eu não salvara “papai”? Era mais curto e rápido... Lembrei-me rapidamente da nossa conversa. Ele não parecia ter mudado muito... Mas também não parecia o mesmo.

Meu pai jamais pareceria tão desesperado.

Eu sei que deveria ligar, mas... E se tudo, de alguma forma, não passou de um engano? Parece impossível, mas a vida tem dessas coisas às vezes. Coisas que só servem para causar dor e mágoa sem motivo.

Como que invocado dos meus pensamentos, meu celular começou a vibrar na minha mão. Mas não era o nome “Micha Letterman” que brilhava na tela.

– Você realmente ligou – eu disse, fingindo animação.

...

No dia seguinte, contei a Quentin sobre o problema de Ellen.

Acho que eu poderia ter contado por telefone na noite passada, todavia, esse tipo de assunto deveria ser falado cara-a-cara, não? Planos de reconquista não podem ser bolados via telefone.

– Preciso encontrar esse cara e dizer que foi tudo mentira da mamãe... Para variar – eu disse pensativamente, enquanto dividíamos um cupcake.

Sim, eu estava comendo um cupcake. E isso pode parecer um absurdo tanto para vocês quanto para mim... Mas Quentin havia sido bem persuasivo ao pedir para que o comêssemos juntos. O gosto era maravilhoso. Era como um pedacinho de felicidade. Aos poucos, o açúcar deixava de me enjoar ou de me causar arrepios.

– Se você quer saber, eu acho que... – Ele disse mais alguma coisa... Que eu não consegui mais prestar atenção.

Quem consegue prestar atenção quando Quentin Gostosão McCullogh está lambendo a cobertura do cupcake de um modo tão sensual que atrapalha todo o seu controle metal? Quer dizer, ele estava praticamente “estuprando” o cupcake: sugando a cereja para dentro da boca, depois puxando o talo... Logo depois lambendo a cobertura branca decorada com coraçõezinhos cor-de-rosa...

Um arrepio percorreu a minha espinha enquanto encarava sua boca esculpida perfeitamente por Apolo seguindo as ordens de Afrodite. Não teve como não associar aquele movimento de língua à outras coisas... Coisas que eu supostamente não deveria saber como funcionavam porque era virgem.

De repente, ele parou e me encarou. Esperando uma resposta para alguma coisa que eu não havia ouvido por estar olhando para a boca dele.

– Er... Oi? – perguntei confusa, desviando o olhar da boca dele para os olhos. Péssima ideia: eles eram tão desconcertantes quanto, pois estavam divertidos. Quentin havia percebido que eu o devorava com o olhar. – Argh. Você é um puto McCullogh! – Briguei, puxando o doce da mão dele. – Pare de sensualizar com o Cupcake!

Olhei ao redor para ver se tinha alguma outra garota enfartando com a cena. Felizmente, havíamos escolhido comer no pátio ao invés do refeitório, o que significa que estávamos quase sozinhos, se não fosse por um grupo de garotos jogando bola na quadra e outro grupo, mais escondido, fumando, não me pergunte o quê.

Ele gargalhou e pegou a minha mão. Fitei-o novamente e ele me deu um beijinho. Fiquei fora do ar por uns cinco segundos. Acho que o seu poder em me confundir o deixava feliz da vida. Era a única explicação que eu tinha... além daquela em que ele poderia achar fofo quando eu ficava perdida.

– Bem, eu disse para você deixar isso comigo. – Pacientemente, ele havia esperado eu voltar a este planeta para responder. Como eu estava lenta, ele explicou: — Descobrir quem é esse Lucien... Até o fim das aulas eu te digo quem ele é.

Olhei para ele com desdém.

– Tá se achando o Sherlock Holmes, né? – zombei, desviando o olhar.

Quentin deu um sorriso petulante.

– Tá se esquecendo com quem você está falando? Sou o cara que está encabeçando a lista. Se esse garoto estuda no colégio, descubro até o tipo sanguíneo dele!

Eu revirei os olhos diante sua autoconfiança, mas um sorriso divertido brincava em meus lábios.

– Ótimo, o problema de Ellen já está quase resolvido – eu disse aliviada, dando uma mordida no bolo quase sem glacê graças a Quentin Língua-Nervosa McCullogh.

– Certo... – ele concordou, olhando para os garotos do primeiro ano que jogavam futebol. Depois de um tempo, ele voltou a me encarar: – E os seus problemas?

Quase me engasguei.

– Que problemas?! – questionei.

Quentin ergueu uma sobrancelha para mim. Como se ele quisesse dizer que eu tinha tantos problemas que não adiantava enumerá-los. Eu cruzei os braços, irritada.

– Você já ligou para o seu pai? – ele perguntou casualmente.

Eu fiquei vermelha, perguntando-me quando foi que eu havia contado isso para ele. Ou “se” eu havia falado disso para ele. Depois, eu corei também porque era bem vergonhoso dizer algo do tipo: “não, não liguei porque eu não tive coragem”.

– Meu pai deve estar ótimo, obrigada – respondi incomodada. – Quando foi que eu virei o assunto, mesmo?

Quentin estreitou os olhos para mim.

– Não precisa ser tão defensiva. Só perguntei porque, como Helena, eu me preocupo – ele respondeu defensivo, pegando na minha mão. – Parece que você cuida dos problemas de todo mundo menos os seus próprios... E eu nunca teria notado até Helena ter comentado ontem.

– Helena tá fazendo fofoquinha pra você agora, é? – perguntei com sarcasmo, tirando minha mão da sua.

Era incômodo quando as pessoas falavam assim comigo. Como se eu não visse o que eu fazia ou como se só o que elas vissem fosse verdade. Sendo que eu nem contava a história toda para eles... Quer dizer, Quentin sabia a história, mas acho que Helena não.

– Não seja sarcástica comigo – ele pediu pacientemente, como se eu fosse só uma criança fazendo tolice. – Só falei isso porque, como eu disse, me preocupo contigo... E Helena também...

– Então diga para ela também: eu já falei com a minha mãe e minha conclusão é de que ela é superficial, vazia, materialista e uma cretina pirada. – Eu me levantei com raiva. – Vou para a minha próxima aula, tá? Falamo-nos depois.

Quentin me olhou surpreso, sem acreditar que eu havia ficado realmente chateada por ter tocado nesse assunto. Ele tentou me dizer alguma coisa, mas não dei ouvidos e fui para a minha próxima aula, deixando-o sentado na grama sozinho.

Ai você diz: “mas isso não foi uma grande coisa, ele só estava preocupado com você por isso comentou”, mas eu odiava quando as pessoas faziam isso. Metiam-se assim na minha vida que, convenhamos, não é muito fácil de lidar. Eu me sinto invadida. Exposta. É estranho e bizarro, é até difícil falar disso para Rebecca! Mas gosto de guardar meus “draminhas” só para mim, na maior parte do tempo.

Odiava admitir que eu era inútil e vulnerável quando se tratava da minha família.

– Que cara é essa, Letty?

Era só o que me faltava: Josh Esqueci-O-Sobrenome passar o braço em torno do meu ombro e me tratar como se eu fosse a sua melhor amiga. Demais.

– É cara de quem tá sem paciência, Josh – eu respondi, livrando-me de seu braço. – Tenho uma prova para fazer agora, então...

Ele me seguiu, ajeitando os seus cabelos castanhos arrepiados.

– Nossa, desculpe, mas posso ter uma audiência de cinco minutos com sua alteza real? – ele pediu fingindo polidez, metendo-se na minha frente.

Parei e o fitei sem paciência nenhuma para ser legal.

– Seja breve – respondi cruzando os braços.

Seus olhos castanhos claros sorriram.

– Ok. Duas palavras: Festa e Bebidas – ele disse.

Não comentei que, se ele contasse com o “e”, tecnicamente seriam três palavras. Só olhei para ele com a maior cara de paisagem. Lembrando-me da minha antiga vida antes de aparecer naquela maldita lista. Quando pessoas como Josh só sabiam que eu existia por ter quebrado o nariz de uma tal de Amber e pelo lance da bulimia.

Por que eu fui beber naquela festa? Quem diria que eu ficasse tão mais legal e aceitável depois de um pouco de álcool?

– Duas palavras: Estudo e Provas – eu respondi, contornando-o.

Dessa vez, ele não me seguiu.

– Uma palavra: Gabriel – ele tentou.

Eu me virei para ele com o cenho franzido e dei um sorriso incrédulo. E isso, senhoras e senhores, mostrava o quanto Josh Sei-Lá-O-Quê sabe da minha vida e é meu amigo. Toda a escola comentava que eu estava com Quentin, e ele estava atrasado.

Neguei com a cabeça, incrédula.

– Pensei que você fosse legal – ele disse, chateado.

– Bem, naquela noite eu estava bêbada... – eu respondi revirando os olhos.

– Bem, você deveria beber mais – ele retrucou como uma criança mimada. Eu não precisei ir embora: ele foi quem deu as costas e saiu batendo o pé. Virou-se apenas para dizer: — Quer saber, alguém que anda com aquelas duas lésbicas nojentas simplesmente não poderia ser legal, mesmo!

Eu fiquei estarrecida.

Não por ver que Olivia e Paloma passaram de “duas garotas legais e descoladas que podem ir à festa de Josh” para “duas lésbicas nojentas”... Mas por ele dizer isso para quem quisesse ouvir e na frente de todo mundo. Por ele dizer como se realmente as achasse repulsiva. Logo ele... Que até semana atrás dissera que elas eram como ele.

– E uma putinha que tem medo de sair do armário, só podia ser um porre também – eu respondi, raivosa. – Pior do que ser homofóbico, é ser um homofóbico gay encubado que odeia gente que se assumiu por simplesmente não poder ser tão feliz quanto eles!

Quem ficou furioso foi Josh. Ainda mais porque as pessoas que caminhavam para sua próxima aula, saídas do refeitório, paravam como se aquela discussão fosse uma cena reveladora de uma série adolescente.

– Ah, qual é? Falei mentira?! Você fica mexendo no seu cabelo toda a hora, você tira a sobrancelha e, sendo sincera, você tenta me empurrar tanto para Gabriel que acho que você é quem tem uma quedinha por ele – eu falei. Tudo bem, o lance do Gabriel foi exagero, coisa da minha imaginação e da raiva cega, mas eu só queria humilhá-lo como ele humilhou as minhas amigas.

Josh começou a respirar com dificuldade.

– Você é nojenta, Letterman – ele disse, furioso.

– Não, você é que é uma nojenta – eu provoquei. – Se olhe no espelho antes de falar que Olivia e Paloma são “duas lésbicas nojentas”. Quem é você para dizer algo?

Então eu encerrei. E eu me sentia muito bem.

Dei-lhe as costas e caminhei como uma Lady. Encontrei Olivia e Paloma me fitando no meio do corredor com os olhares arregalados. Tipo “o que você fez?”. Ignorei a pergunta e passei meu braço pelas costas das duas, levando-a para longe dali e deixando um rastro de burburinho para trás. Estudantes fofocando.

O que eu havia feito? Eu havia descontado a raiva verbalmente.

A sensação era ótima.

Notas finais
PREVIEW: "- Depois que seu irmão consegue convencer uma freira a largar a vida da igreja só para dormir com ela, você consegue imaginar todo tipo de coisa absurda – ele admitiu dando de ombros. Diante do meu olhar incrédulo, ele disse: - Histórias de Guilliam. Senti ânsia de vômito só por me lembrar de que eu beijei aquele cara. - Não se preocupe. A freira nunca se arrependeu – Quentin disse, interpretando o tom esverdeado no meu rosto de outra forma."