Nosso Nome Na Lista.
11 Capítulo 11 - Letty na Lista.
Notas iniciais
Capítulo 11 – Letty na Lista.
Quentin McCullogh
Joshua Furey
Duncan Gifford
Brucena Letterman
Yvonne Tybolt
Meu pesadelo era real: eu estava na lista. Não em último lugar, mas acima de uma pessoa. A pior de todas: Yvonne. A vingativa, cruel e calculista, Yvonne Tybolt. Agora a nossa briga ia ser séria. Uma coisa era ficar com o ex-namorado dela e, como ela dissera, “monopolizar a atenção” de Quentin. Outra coisa era me meter na sua preciosa lista.
– Como isso foi acontecer? – resmunguei.
– Acho que foi quando você transformou a festa de Josh numa festa da piscina – Paloma respondeu, divertida.
– Ou quando sua blusa ficou transparente e todo mundo pôde ver o seu sutiã de renda... E você nem se deu conta... – Olivia comentou com maldade.
Oh, sim. Eu só fui perceber aquilo quando cheguei a casa e me olhei no espelho... Agora, o pedido de Quentin por um casaco, e suas tentativas frustradas de me tirar da piscina, faziam muito sentido... “As pessoas vão comentar a segunda” ele dissera. Cretino! Por que ele não virava logo um vidente ou um puto? Ele parecia ter nascido para essas duas coisas...
Dei uma olhadela para a lista dos odiados, como se ela fosse uma velha amiga. Acolhera-me ali duas vezes e, agora, eu me sentia uma traidora por aparecer na sua gêmea maquiavélica de pessoas perfeitas e carismáticas.
Sentia que eu estava no lugar errado.
– Por que ninguém dá importância para a lista dos odiados? – perguntei de repente.
Paloma e Olivia me olharam com surpresa e curiosidade, antes de olharem para a esquecida lista que estava ao lado da famosa.
– Não sei – Paloma respondeu. – Acho que ninguém dá a mínima para as pessoas ali...
– Acho que é porque todo mundo quer aparecer naquela outra lista – Olivia opinou. – Fique uma vez naquela lista... E todo mundo sabe quem você é. Fique um mês inteiro, e você é quase uma lenda...
Ok. Eu não precisei ter mais de dois neurônios para sacar que a indireta era para Quentin. O garoto que ficou um mês encabeçando a lista... E que de um modo estranho, eu considerava mais meu amigo do que Paloma ou Olivia. Bizarro, porque eu só o conheço há uma semana.
...
Quando voltei para a sala de aula, com o meu humor maravilhoso, tive de me deparar com a agradável cena de uma galinha, com o peito estufado, empoleirada na minha cadeira. Claro que a galinha era a maldita da Yvonne Tybolt. Quase oferecendo seus peitos para Quentin, que parecia realmente ter perdido alguma coisa no decote dela.
Pelo amor de Deus, até tu Brutus?!
E depois, eu sou quem não tem “amor-próprio”...
– Ty, você está no meu lugar – avisei pacientemente.
Ela me olhou como quem queria me estrangular, mas eu sabia que ela não ia. Apesar da ferocidade de seus olhos (oh, sim, ela vira a lista) felinos, ela sorriu. Um sorriso duro e esforçado, mas ainda assim, um sorriso... Dirigido a mim...
– Ah, oi, Brucena – cumprimentou-me a cobra, muito fingida. – Você deve estar muito feliz.
Ergui uma sobrancelha.
– Não muito, na verdade – confessei.
A morena bufou e se levantou do meu lugar.
– Essa é a nossa Letty. Sempre modesta – ela disse, com uma voz falsamente amigável e divertida. Por algum motivo, seu veneno estava mais corrosivo do que o normal. – Você enfim conseguiu o que queria... Vai poder descansar em paz agora, não é?
Ela não me deu tempo para responder, passou por mim sem dizer mais nada e foi para o seu lugar de costume, onde começaria a arquitetar um plano para me tirar do meu “novo lugar”. Meu sangue ferveu de novo. Novamente, de raiva. Sério, ela e Duncan se mereciam! Dois idiotas sem miolos... Mesmo se eu atirasse na cabeça dos dois, acho que só sairia bolinhas de isopor.
Irritada, sentei-me no meu lugar, sem nem olhar para Quentin ou sem fazer a infantilidade de dizer: “Urgh, aqui está infectado agora”.
– Relaxa, isso é só inveja – o moreno ao meu lado disse.
– Cala a boca – mandei com secura.
“Seu baba-seios da Yvonne” acusei mentalmente.
Quentin ergueu as sobrancelhas em espanto. Eu estava irritada com ele sim, e me sentia muito traída, mas preferiria não explicar por que. Por isso agradeci quando o professor se levantou da sua mesa e começou a dar sua ótima aula.
Mas Quentin, como sempre, não quis esperar.
– Dá para você me explicar o que eu fiz de errado? – ele sussurrou, escondido atrás do livro.
Dei-lhe uma olhadela, irritada. Como eu não conseguia sussurrar – pois minha voz sempre falhava como se ela fosse grossa demais para essa proeza – rabisquei no verso do livro:
“Você estava olhando para os seios dela. Seu puto pervertido!”
Quentin prendeu o riso e escreveu de volta.
“Não, estava não”.
“Não minta para mim, Quentin McCullogh!”.
“Não estou mentindo!” ele escreveu, e depois refletiu. “Ok, talvez eu tenha dado uma olhada de surpresa, mas...” Arranquei-lhe a caneta.
“Olhada de surpresa?! Isso existe agora?! Ah, conta outra seu baba-seios da Yvie!” escrevi revoltada, e novamente ele achou engraçado.
Ele tirou a sua caneta de mim, mas quando ia responder, o professor percebeu o que estava acontecendo e puxou o meu livro de nós dois.
– Srta. Letterman, Sr. McCullogh... Sem recadinhos na minha aula. Ou durmam ou prestem atenção – o professor pediu, pacientemente. – Francamente, vocês dois são os meus melhores alunos...
Ele deu uma olhadela no que nós estávamos escrevendo... E eu fiquei vermelha de vergonha. Naquele momento, eu desejei que, na hora da raiva, minha letra houvesse ficado ilegível nas palavras vulgares. Merda, por que eu havia escrito e sublinhado “pervertido”, mesmo?
O professor ergueu uma sobrancelha para mim e para Quentin. Devolvendo-me o livro ele disse à nós dois:
– Sem D.R.s na minha aula.
Meu coração quase parou. George Drummond havia mesmo dito: “D.R”? Tipo, com “Discussão de Relacionamento”? Tipo, como se Quentin e eu fôssemos... Um casal?
Agora que eu pensava nisso, eu me sentia uma terrível namorada ciumenta. Quentin era só o meu amigo. Ele podia olhar para o decote de quem ele quisesse... Mas, aparentemente, ele não gosta de ver o meu decote, já que na festa de Josh, ele lutava para tentar esconder e não encará-lo à todo custo...
Espera, foi isso o que me perturbou? Ele preferir os seios de Yvonne aos meus?
Assenti timidamente com a cabeça para o professor, desejando morrer ali mesmo, e o homem voltou a dar a sua aula... E eu não consegui voltar a fitar Quentin pelo resto do horário.
Na verdade, achei uma benção quando a aula acabou e eu pude dar um jeito de sair voando de lá de dentro, todavia, como sempre, Quentin parecia estar um passo a minha frente. Como se prever meus movimentos fosse simplesmente muito fácil para ele. Então, logo que a aula acabou, ele agarrou o meu braço e começou:
– Letty, olha...
– Desculpa! – a palavra pulou antes que ele continuasse. Oh, merda, agora eu odiava o término da aula. – Eu agi como... Uma daquelas garotinhas de treze anos que dizem: “ou você está comigo ou está contra mim”. Então... Desculpa. Pode babar o quanto quiser nos seios de Yvonne. Eu não ligo.
Ele franziu o cenho.
– Sério? – perguntou com desconfiança.
“Não, seu imbecil! Como é que você pode dizer o tempo todo que eu sou bonita e se recusar a dar uma boa olhada em mim quando eu estava bêbada! Argh, que ódio desse cretino falso!”.
– Claaaaaaro – eu disse com um sorriso sereno.
Ele me olhou, agora mais desconfiado ainda.
Mas antes que ele pudesse fazer alguma observação, escapei para a minha próxima aula, ciências biológicas, e o deixei seguir o seu caminho. Argh, que momento constrangedor! Parece que todo mundo tirou o dia para me irritar... Quentin, mamãe, Duncan, Lista, Yvonne e Quentin... O que mais viria a seguir?
Mas o que mais me preocupava... Era essa raiva que eu tinha por ele preferir o corpo curvilíneo e tonificado de Yvonne ao meu... Tudo bem, eu não gostava de academia (era a coisa mais chata que eu já tentei fazer em toda aminha vida), mas eu fui abençoada com uma boa dose de peito e bunda, obrigada meu Deus.
Como ele poderia preferir aquela coisa sarada ao invés de algo mais “normal” do que eu?
Aff, quem eu estava querendo enganar? Espere... Por que eu iria querer enganar alguém?! E por que diabos eu estava me aborrecendo tanto com isso?
Eu não podia estar gostando de Quentin, certo?
Quer dizer, eu o conhecia a uma semana... E era óbvio que eu ficava atraída por ele, mas aparentemente não era mútuo. “Trate de matar esses ciúmes e essas coisas, Letty. Ele não nasceu para você” mandei a mim mesma. Ele era bom demais para mim e... Nascera para ficar com uma gata selvagem como Yvonne, não com um ovo (amarelo e branco) como eu.
– Letty, tudo bem? – Paloma me perguntou, preocupada.
Ergui o olhar com surpresa. Espera, quando eu havia entrado na sala? E quando eu havia me sentado no meu lugar de sempre? Pelo visto, meu modo “automático” atacou enquanto eu me perdia em dilemas confusos e, urgh, amorosos.
– Tá... Tá sim... Quer dizer... Não sei – respondi, terminando com um suspiro. – Não se preocupem. Só estou preocupada com a lista.
Elas sorriram, entendendo, e não me perturbaram mais. Por que eu havia mentido? Sinceramente, não sei. Mas me pareceu muito ridículo comentar que já estou com sentimento de posse para o cara que eu conheci há uma semana.
Soltei um suspiro solitário e senti meu celular vibrar no bolso, fazendo-me dar um pulo.
Sério, odeio essa parte da tecnologia.
Discretamente, puxei-o e encontrei uma mensagem de Helena.
“Esqueceu-se totalmente de mim, né, sua ingrata?”
Oh, merda. Estava tão confusa no meu dilema, que não me lembrei de ligar para ela.
“Desculpa! Andei ocupada xP Ia ligar para você esse sábado. Juro =D”
Com sua habilidade de alguém bem sociável, ela respondeu rápido:
“E quem é a desgraçada que está roubando sua atenção de mim? Paloma?!”.
“Hm, está frio. Muito frio. Para começar é um puto desgraçado”.
Pela primeira vez desde que eu a conheci, ela demorou em responder.
“Mesmo? Quem é o ‘puto desgraçado’?”
“É uma looooooonga história. Te conto mais tarde. Quando eu ligar” prometi.
“E eu vou cobrar!! Ò.Ó” digitou ela, finalizando sua cobrança de atenção.
Soltei um suspiro divertido e me deparei com Olivia fungando no meu pescoço. Olhei para ela com curiosidade e constrangimento (pedia logo para ver, filha!) quando ela gesticulou para algo além do meu celular na minha cadeira. Quando segui seu olhar, me deparei com um bilhete dobrado. Meu coração perdeu uma batida.
Fora das garotas, eu nunca recebi um bilhetinho. Nunca.
Eu me senti tão descolada agora...
Peguei o bilhete e o abri com nervosismo e falsa indiferença.
Almoça com a gente?
Dei uma olhada ao redor, tentando descobrir de onde partira o bilhete. Quem me indicou o remetente foi, Olivia, que me cotovelou o braço e indicou com o queixo para uns dois lugares à minha diagonal... Onde estava sentado um garoto loiro, de pele corada e olhos azuis. Possuía um rosto doce e angelical, com covinhas quando sorria.
Oh, sim, eu me lembrava dele. Festa de Josh. O cara que me ofereceu um segundo copo de bebida. O cara que sorriu e, por muito pouco, quase dançou comigo.
De todo modo, eu não sei o seu nome nem quem ele é.
Por que almoçaria com ele? Ele nunca falou comigo antes, o que mudou agora? Além do fato de eu estar na lista, é claro?
Comecei a escrever o “Não” da minha resposta, quando Olivia pegou o papel de mim numa agilidade e numa força que eu não espera. Olhei para ela, com ódio, quando a vi apagar minha resposta e escrever que “sim, eu ansiosamente aceitava” – em suas palavras.
– Olii! – sibilei, quase chamando a atenção do professor.
– Se você não sair dessa sua concha, você nunca vai se enturmar. Aproveita, filha! – ela respondeu, jogando o papelzinho para o garoto cujo nome nem sabia.
Meu rosto ficou vermelho. Oh, merda. Como eu podia me enturmar com um cara que eu nem sei como se chama?! Seria constrangedor... Muito constrangedor!
– Lembrando que foi gente assim, paga-pau da lista, que me empurrou para a concha! – murmurei, minha voz falhando de raiva e de como era comum acontecer.
– Amiga, a lista é um objeto. Não tem pau – Paloma interferiu.
– Diga isso para o vibrador que eu vou enfiar no meio do seu...
– Opa. Acho que irritei a gatinha... ‘Cê tá de mau humor, hein, bem? – Olivia comentou, rindo. – Recolha as garras. Não ataque seus amigos que só querem ajudar...
Bufei, irritada e cruzei os braços. Sem acreditar no que ela havia feito e ainda se nominava minha amiga. Essa era boa.
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