Nosso Nome Na Lista.
9 Capítulo 9 - Somos Sexys.
Notas iniciais
Capítulo Nove – Somos Sexys.
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Quentin parecia bastante divertido quando apoiou as mãos nos joelhos e ficou me encarando como quem queria rir. Que bom que eu tinha um amigo tão prestativo... Eu poderia estar me afogando e morrendo, e ele estaria me encarando como quem prende a risada.
– Diga que não está bêbada agora – ele desafiou.
– Qualquer pessoa pode escorregar! – respondi, nadando até a borda. – O que vai ser? Vai rir primeiro e me ajudar depois, ou me ajudar e depois rir da minha cara de pinto molhado?
O cretino riu, ou melhor, gargalhou de mim, para depois me estendeu a mão e me ajudar a sair de lá. À contra gosto, pois me sentia ofendida, aceitei a sua ajuda, mas minha verdadeira vontade era de jogar água na cara dele... Opa, ideia melhor.
Segurei a sua mão com as minhas duas e o puxei com força para a água gelada. Talvez por ele não esperar, Quentin caiu certeiramente na piscina. Fazendo-me rir e dar pulos de vitória. Ah-há, não era tão engraçado agora, era?!
– E aí, Quentin? A água está boa para você, lindo?! – provoquei.
Quentin emergiu arfante e me olhou com aqueles olhos sexys reluzindo com instintos assassinos. E o pior era que eu estava em desvantagem, porque não sei se conseguiria bater em um rosto tão bonito. Nem se fosse preciso... Parecia um crime contra a natureza.
– Ah, está ótima! Prova mais! – ele respondeu jogando-me água.
– Prova você! – eu disse jogando água nele também.
Começamos uma batalha inútil e sem sentido. Ele riu, agarrando os meus pulsos, e jogando água na minha cara. Esquivei-me dele e ataquei por trás, pulando nas suas costas e tentando afundar sua cabeça na água. Mas Quentin era forte e alto, dois pontos a seu favor.
– Ah, olha eles dois... Parecem até duas crianças! – Olivia comentou divertida, aparecendo de repente na borda da piscina.
Quentin e eu erguemos o olhar, encontramos Olivia se matando de rir e Paloma segurando um copo com água. Acompanhadas por Ellen, minha querida meia-irmã, e pelo seu namorado, que parecia muito intrigado com essa cena estranha.
– Ela ainda vai precisar de água? – Paloma perguntou divertida.
– Ah, vai. Sem dúvida, vai – Quentin respondeu. – Bora, Letty. A piscina fechou.
Desci das suas costas e nadamos até a borda novamente, porque enquanto tentávamos nos esquivar dos esguichos d’águas um do outro acabamos nos afastamos, para ele sair da piscina e me estender a mão para me tirara depois. Mas quando eu fui aceitar a sua ajuda, ele recuou.
– Sem me puxar dessa vez – avisou, tentando parecer zangado.
Concordei com a cabeça e aceitei a sua ajuda para sair da água. Sinceramente, arrependi-me meio segundo depois. Por algum motivo, a água parecia estar mais quente do que o ar do quintal. Estremeci de frio. Prevejo uma gripe tremenda para nós dois. Ou talvez só para mim, já que ele ao menos veio de casaco.
– Merda, tá frio aqui! – reclamei, estremecendo.
– Eu até te emprestaria o meu casaco... Mas você o encharcou. Parabéns, Letty – Quentin disse com sarcasmo, tirando o agasalho e mostrando o quanto ele pingava.
Mostrei um sorriso amarelo e dei de ombros.
– Eu também estou encharcada – comentei.
Ele desviou o olhar, parecendo constrangido.
– É... Está mesmo – ele concordou. – Alguém tem um casaco para ela, aí?
Ellen, sempre prestativa, tirou o seu casaco (ficando só de cardigã e regata) e me emprestou. Ela parecia, como fora dito antes, preocupada.
– Que ideia, Letty! Você está bem? Nossa! Mamãe vai me matar se te vir assim – ela disse.
– Duvido muito que ela se importe – eu respondi um pouco irritada. – Será uma grande novidade se ela ao menos perceber.
Ellen franziu a testa para mim, mas tentei não prestar atenção. Sinceramente, encarar o rosto bonito de cachorrinho preocupado da minha meia-irmã perfeita era meio irritante naquele momento. O que a minha mãe via nela? Além do jeito doce e paciente, do rosto de anjo, e do corpo esbelto e perfeito...
Por um momento, eu desejei que Ellen fosse uma nojenta.
Se ela fosse uma garota nojenta, poderia odiá-la sem me sentir culpada.
– Er... Então, Letty, que tal você ir para casa agora? Sabe, antes que você faça algo do qual você realmente se arrependa – Paloma sugeriu como se eu fosse uma criança do maternal.
Olhei para ela com deboche.
– Pelo amor de Deus, minha gente! É só eu cair na piscina que eu estou bêbada? Tudo bem que eu me senti meio tonta... E sinto como se tivesse andando em nuvens... Mas vá, né? Isso é uma festa, e pessoas bebem em festas. Nem que vocês me amarrem e me amordacem eu vou embora agora que tudo parece divertido – eu disse.
Olivia, Paloma e Ellen ficaram boquiabertas. É, elas me conheciam bem. Era raro o dia em que Brucena Letterman recusava uma proposta julgada como “sensata”, mas de tempos em tempos, ele vinha. Quentin estava de braços cruzados, fitando-me sem demonstrar outra coisa que não fosse diversão. Só para constar, Oh! Que maldito sorriso de diversão.
– Quentin, dê um jeito nela, por favor? – Ellen pediu de repente.
– Por que eu? – ele perguntou.
– Você quebrou, você conserta – ela disse apontando para mim.
Revirei os olhos. Agora eu era uma coisa “quebrada”?
Quentin me mediu com o olhar.
– Não me parece que ela está quebrada. Além do mais, não fui eu quem meteu o copo de vodca na mão nela. – Ele alfinetou Paloma Olivia com os seus olhos sexys. – Mas, não se preocupe Ellen, se algo acontecer com a sua irmã, eu me responsabilizo, certo?
Ellen soltou um largo suspiro e sua resposta foi um dar de ombros, relutante. Sinceramente, a única pessoa que poderia ficar zangada com a minha “bebedeira” (e coloco entre aspas porque eu não estou bêbada) era o pai dela, mas eu sei que Walter entenderia. O máximo que ele faria, era dar um cansativo sermão sobre o fato de eu não ter vinte e um anos.
– Ah, quê isso! – Quentin brigou com Ellen, Olivia e Paloma (que por algum motivo, estavam tensas pela minha situação alegre). – É uma festa. Vamos nos divertir, tá? Eu fico com Letty.
– É isso mesmo. Se eu ficar parada aqui, vou começar a ficar com sono – reclamei cruzando os braços. – Já que vocês já escolheram a minha babá... Tem uma festa rolando lá dentro e eu não estou nem um pouco a fim de perdê-la aqui fora.
Todo mundo concordou com a cabeça e entraram na casa de Josh-Sei-Lá-O-Quê. Quando eu me virei para ir até lá também, Quentin segurou o meu braço de leve. Novamente, entre aquele limite tênue de segurar o meu braço muito fraco ou segurar muito forte.
– Espera aí, mocinha – ele disse autoritário. – Você já viu que está ensopada?
– Ah, sério? Pensei que eu estava fria e grudenta porque minhas roupas haviam magicamente sido transformadas em algas – debochei revirando os olhos. – Tudo faz sentido agora. Obrigada por esclarecer.
Ele não me soltou.
– Você não pode voltar para a festa – ele insistiu.
– Por quê? – desafiei, irritada.
Ele desviou o olhar para cima, enquanto pegava a borda do casaco de Ellen e fechava com mais força para mim. Não sei por que, mas parecia estar pensando em alguma coisa constrangedora naquele momento.
– Bem, você está molhada e, consequentemente, vai molhar tudo por lá. Segundo, as pessoas vão acabar falando de você segunda-feira. Terceiro, nesse seu estado, ninguém vai querer dançar contigo – ele completou, voltando a me olhar logo depois.
Olhei para ele e percebi que... Ele estava (muito gato com as roupas molhadas coladas ao seu copo de ótimo físico) coberto de razão. Sinceramente, a razão é uma vadia. Nunca está do nosso lado quando mais queremos ou precisamos.
– Então... Você me deixou ficar na festa, mas não me deixa entrar na festa?
Quentin assentiu vigorosamente com a cabeça.
– Você é um puto McCullogh – bufei.
Ele explodiu numa gargalhada gostosa e inesperada, que me fez arrepiar completamente. Maldito. Maldito de voz sexy. Maldito de olhar sexy. Maldito de corpo sexy. Maldito e personalidade sexy. Quatro vezes maldito!... E quatro vezes sexy.
– Bem... – eu disse recuperando meu fôlego. – Se vai ser assim Quentin... – Eu tirei o casaco de Ellen. – Eu vou jogar sujo também.
– L- Letty... – ele me chamou, constrangido.
Esse tom de voz ficava estranho nele, mas não dei atenção e disse:
– Duas palavras para você: Festa-na-piscina!
E então, eu pulei na piscina de Josh-sei-lá-das-quantas. E de propósito.
...
– Letty... Ei, Letty... Acorda.
Quentin estava com a mão no meu ombro e o rosto muito próximo do meu. Eu podia sentir o seu hálito, com uma leve pitada de álcool, batendo contra a maçã do meu rosto. Abri os olhos, sonolenta, e mal consegui distingui-lo na escuridão do seu carro, Christine.
– Me deixa dormir seu chato – resmunguei virando-me para a janela.
Ele riu de mim. Aff, gostaria de saber o que ele acha que eu faço de tão engraçado... Estou prestes a cobrar para ser seu bobo da corte.
– Você já está em casa – ele disse tirando o meu cinto de segurança.
Caramba, ele já havia deixado Paloma e Olivia na casa delas? Isso explicava o silêncio estranho que me fez adormecer no carro dele... De todo modo, ignorei o que ele disse e continuei sentada no banco do passageiro. De olhos fechados e quase embarcando num sono profundo...
– A festa realmente acabou com você, hein? – ele zombou.
Dei um meio sorriso, cansada.
– E você riu de mim e me chamou de louca quando eu me joguei na piscina – retruquei.
– Sinceramente, não esperava que um Josh bêbado fosse aparecer naquele momento e gritar: “festa na piscina” e ir te fazer companhia junto com o resto dos convidados – Quentin respondeu parecendo incrivelmente chocado.
Eu dei um riso fraco e soltei um suspiro cansado. Merda, que sono... E a única coisa que me impediu de dormir de imediato foi saber que Quentin estava me olhando. Acreditem, quando alguém com o olhar tão penetrante quanto Quentin está te olhando, você é capaz de sentir isso na pele como um formigamento ou um desconforto.
É como uma força mágica que ele emitisse com o olhar.
– Para com isso – resmunguei.
– Isso o quê? – ele perguntou, divertido.
– De me olhar com esses olhos pervertidos.
Ele riu de novo. Merda, o que eu digo que é tão engraçado?
– Tenho olhos pervertidos? – ele perguntou.
– Tem – bufei. – Muito pervertidos.
Quentin sorriu e então suspirou, recostando-se no banco. Senti que ele desviou o olhar de mim. Parte de mim ficou aliviada com isso e permitiu-se relaxar, outra parte, quis que ele voltasse a me olhar. Essa última parte, eu não soube entender muito bem.
– Algumas pessoas dizem que eles são sexys – ele comentou.
– Sexy... Pervertido... Dá quase no mesmo.
– Não dá não, — ele teimou. – Pervertido parece ofensivo. Como se eu fosse um velho tarado olhando para os seios de uma garota. Sexy, soa mais um elogio... Como: “Hum, que olhos sexys aquele cara tem”.
Eu prendi um sorriso e virei meu rosto para ele. Ele percebeu e voltou a me encarar, também prendendo um sorriso. Tudo o que eu pensava, era que aquela conversa estava se tornando uma coisa absurda.
– E então... – ele começou, inclinando-se para cima e mim. – Depois dessa explicação... Meus olhos ainda são “pervertidos”?
Dei um riso sem graça. De novo, eu sentia como se ele estivesse dando em cima de mim, com aquela proximidade que me deixava tensa e (ao mesmo tempo) confortável. “Mas por que ele daria em cima de você? Por sua beleza irresistível?” questionei-me com ceticismo. Mas, lembro-me de não acreditar nos flertes de Duncan, e vejam no que deu.
Namoramos por três meses.
Eu corei. Não é como se eu fosse namorar Quentin, não é? Não é como se Quentin estivesse dando realmente em cima de mim, não é? Queria poder saber mais sobre ele... Como ele pensa... O que ele acha de mim... Talvez tudo seria mais fácil e menos confuso para mim.
– O que foi? – ele perguntou.
Neguei com a cabeça.
– Você é sexy – respondi, meu coração bateu no meu peito como se dissesse: “O que você está dizendo, sua doida?!”. – Não só os seus olhos. Você todo é sexy.
Eu o peguei de surpresa. Foi tão de surpresa que ele sequer pensou em disfarçar isso. Se bem que, em minha defesa, eu mesma me peguei de surpresa. A prova disso foi o modo com que meu coração se debatia em meu peito e o jeito com que meu cérebro implorava por uma saída rápida antes que ele percebesse que, de algum modo, eu tinha uma forte atração por ele.
Eu ri, quebrando o silêncio tenso.
– Bem, já que você não vai me deixar dormir no seu carro. Vou para casa – eu disse, abrindo a porta do carro. – Valeu pela carona.
Sai do carro de Quentin e andei até a minha casa, brigando mentalmente comigo mesma. Era óbvia que ele esperava uma resposta divertida ou uma brincadeira, não uma resposta séria e sincera. Por que eu fui responder àquela pergunta daquele jeito? É claro que ele vai sacar que eu gosto (ao menos um pouco) dele...
– Letty!
“Não vira. Não vira. Não...”. Eu olhei para ele.
Quentin estava sorrindo, com a porta do seu carro aberta, e o tronco apoiado no capô de Christine. Engoli em seco. Estava estranhando o seu sorriso.
– Eu te acho muito sexy também! – ele gritou da rua.
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