Nosso Nome Na Lista.

60 Capítulo 60 – Montando a Ratoeira


Notas iniciais
Oláaaaaaaa Vamos tentar terminar essa história? Vamos tentar? Vamos.... Sei lá, eu estou hypada para escrever e vou tentar continuar essa história. Sinto muito pela demora, pelas paralisações, pelas ilusões que causam... Espero que vocês me perdoem e que continuem me apoiando aí :c PS: Metade desse capítulo já havia sido postado então vou postar outro para compensar ^ ^ Bisou ♥ Belle.Époque

Capítulo 60 – Montando a Ratoeira

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Brigar com Quentin abalou visivelmente o meu humor.

Eu chego furiosa da escola, apesar de ter tido um desmaio não tem muito tempo. Martha pergunta porque voltei cedo e demonstra muita preocupação, o que só me deixa ainda mais irritada. Tão irritada que tenho outra crise de pressão e tenho que me apoiar na cadeira para não beijar o chão. Ela esboça um movimento para tentar me ajudar, mas eu apenas faço um sinal para que ela não se mexa.

— Eu... to bem – consigo murmurar, entre arfadas de ar.

Minha respiração.... Por algum motivo, estou ofegante. Não consigo respirar.

— Não, você não está – ela retruca com firmeza, parecendo preocupada.

Ignorando o sinal que eu havia feito, ela caminha até mim e de repente, pega os meus braços e apoia nela. Assim, ela me guia até o sofá e isso me dá muita vontade de chorar, mas não sei se tenho forças até para fazer isso. Talvez eu só precisasse descansar.

— Não, você precisa comer – ela responde com severidade. – E eu vou preparar alguma coisa para você. Bem reforçado e gostoso.

Eu me sinto horrível. Queria me esconder em algum lugar onde as pessoas parassem de me encher o saco e de tentar me empurrar comida. Queria empurrar Martha para longe e me trancar no meu quarto, mas não era como se eu tivesse muita escolha.

— Bem que eu suspeitei quando seu pai me contratou dizendo que eu teria duas pacientes – ela resmunga, indo para a cozinha.

Apesar de estar pálida, acho que eu seria capaz de corar.

Bem que eu desconfiei que ele pediu para ela ficar de olho em mim.

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O dia seguinte é um inferno.

Martha grudou em mim como se fosse minha enfermeira e ficou me trazendo comida de três em três horas e me forçando a comer. Ameaçando me delatar para o meu pai se eu não o fizesse. Até mesmo antes de ir para a aula, ela me forçou a tomar seu café da manhã nojento de ovos e bacon. Fiquei tão furiosa com a intromissão dela na minha vida que não me despeço quando vou para a escola e nem me preocupo em ser educada.

Para piorar, há o bônus: Quentin não está falando comigo.

Ele não me mandou uma mensagem e nem uma ligação ontem, e quando cheguei no colégio, ele fingiu que não me viu no meio dos seus amiguinhos populares que me olham torto. Eu fico puta. Puta por ele estar me trocando por eles. Por ele ter deixado a lista nos separar, então eu passo reto. Fingindo que eu não o vi... mesmo que isso parta o meu coração em pedaços muito pequenos e frágeis.

Paloma e Olivia obviamente percebem o clima, mas não comentam nada.

Elas nunca souberam lidar com minhas cargas emocionais e preferem fingir que não as vêm. Não que eu acho que isso a torne más amigas. Acho que cada pessoa age de uma forma... ninguém é obrigado a saber como agir quando sua amiga está puta com o namorado babaca dela. Elas se limitam a passar o braço pelas minhas costas e prometer que vai tudo ficar bem.

Sabe quando como você está mal do estômago e sua mãe acaricia suas costas depois de você ter quase vomitado as suas tripas? Era tipo isso. Admito ser reconfortante. Não que eu soubesse muito disso... minha mãe era do tipo que terceirizava seu trabalho. Deixando essa situação para Julie, a empregada.

Então, quando eu acho que não há como meu dia ficar pior, sou chamada na diretoria. Para conversar sobre “O que Brucena Letterman fez para ganhar uma lista dedicada à ela? ”. O que mais irrita é que a diretora não diz nada de útil.

Na verdade, se trocassem ela por um saco de batatas, tenho certeza que poucas pessoas perceberiam a diferença (já que na maior parte do tempo ela fica trancada em seu escritório fazendo sabe-se lá o quê). Quer dizer, ela não é um Deus onipresente, ela é somente... Uma mulher que estava pouco se fodendo para as merdas que rolavam ali.

Pergunto-me porque os adultos nunca diziam nada de útil numa situação como aquela? Será que eles nunca foram adolescentes e nunca viram gente fazendo maldade, contando mentiras? Só sei que, de uma coisa eu tenho certeza: a diretora Plinmouth não sabia de nada. E isso ficou bem claro quando ela perguntou se eu sabia quem era que estava espalhando aquelas coisas sobre mim e como faziam.

Não consigo evitar o tom de raiva na minha voz, quando digo:

— Se eu soubesse, essa pessoa teria parado na primeira palhaçada.

E há tanta raiva, tanto rancor, em minha voz que eu sei que era verdade. Se eu pusesse minhas mãos nessas filhas da puta, eu as espremeria até não sobrar nada delas.

Ela obviamente não sabe o que fazer, e é com muita insistência que eu consigo fazê-la não ligar para a minha mãe para comentar sobre o ocorrido. Eu, literalmente, tenho que dizer: “Minha mãe está no meio de um tratamento para câncer e isso pode fazer mal para ela. Você não quer que ela tenha uma recaída, quer?”. E eu sei que isso é um golpe baixo, mas funciona.

E então ela decide ligar para o meu pai... E eu tenho que lhe dizer que ele está morando na Alemanha e nada pode fazer para dar um jeito naquela situação. Pelo olhar que ela me lança, de repente eu sinto que ela não sabe como agir, já que sua única cartada de “vou chamar seus pais” não iria dar certo.

— Então o que vamos fazer? – Ela pergunta para si mesma, reflexiva.

E é assim que eu percebo que eu tenho que fazer alguma coisa.

Por mim mesma.

— Quer saber? – Eu digo, recolhendo minhas coisas e me levantando da cadeira. – Não faça nada. Só fique aí, acomodando esse seu traseiro gordo na sua cadeira, fingindo que manda em alguma coisa. Como você já faz há três anos, desde que isso começou.

— Letty! – A psicóloga protesta, mas não presto atenção.

Decidi que estou pouco me fodendo para aquilo tudo.

Se ela me desse uma suspensão, eu, literalmente, sairia dançando dali com prazer.

Saio da diretoria mesmo que ninguém tenha dito que a conversa acabou, mas estou enfurecida com toda aquela situação (e nessa merda de dia! PUTA QUE PARIU HEIN!). E em pensar que não era eu quem deveria ter ido parar ali, mas sim as responsáveis por aquela lista. E isso é o que mais me irrita, serem incapazes de descobrir quem estava fazendo aquilo.

Bem, vou provar que consigo fazer o que ninguém conseguiu... Assim que eu descobrir como fazer isso... Sozinha.

— Letty! Eu estava te procurando!

Dou um pulo, como um gato escaldado.

E me surpreendo muito quando vejo Ellen e Luc, seu namorado badboy (o zica das tretas) ao seu lado.... Matando aula, já que o sinal já tocou. Parte de mim pensa que ele está arrastando minha irmãzinha para o mau caminho; para o caminho de matar aula para fumar maconha. Mas sei que estou somente sendo protetora. Até onde eu sei, Luc não fumava maconha. Até onde eu sei.

E pensar que eu havia ajudado esses dois afinal.

— O que você faz aqui fora? – Eu perguntei esperando não parecer severa. – Devia estar na aula... E você também.

Apontei para Luc, que apenas ergue uma sobrancelha.

— Nós descobrimos uma coisa, e precisamos vir falar com você – Ellen disse com a voz tomada por uma urgência que eu desconhecia. – Vamos falar em outro lugar. Algum inspetor pode nos ver por aqui e aí vou estar em problemas.

— Conheço um lugar – Luc diz.

E como ele parece ter experiência em ser fora-da-lei, Ellen pega o meu braço e me puxa para o “lugar” (que na verdade, trata-se de um depósito que fica debaixo da escada). Tem cheiro de detergente e produto de limpeza, ao invés de “esconderijo ultrassecreto dos delinquentes de St. Justine”, mas acho que dava para o gasto.

— Eles sempre deixam isso aqui aberto – o garoto diz.

Eu apenas ergui uma sobrancelha, mas não ouso dizer nada.

O lugar é apertado para nós três, mas isso não os incomoda quando eles fecham a porta e acendem a luz, que só dá mais um ar de que há algo de errado com aquele lugar. Ainda mais porque ele parece a cena de um filme de terror... Algo a ver com o lugar onde matam as vítimas e escondem os corpos.

— Então... O que tá pegando? – Eu perguntei.

O casal troca olhares e então Ellen diz:

— Primeiramente, sinto muito por dizem aquelas coisas horríveis de você! Eu, mais do que ninguém, te conheço e sei que não é verdade... – Ela segura as minhas mãos, como se quisesse me dar algum apoio. – Então, Luc e eu estávamos pensando e decidimos que isso tem de parar. Já deixou de ser engraçado há muito tempo.

Não pergunto o que ela quer dizer com "Isso tem de parar". Eu sei exatamente ao que ela se referia e parte de mim se surpreende o como a vida é cheia de coincidências e ironias. Talvez, eu não precisasse fazer isso sozinha, afinal. De qualquer forma, não lhe digo o que havia pensado minutos antes.

— Nunca foi – seu namorado disse com sarcasmo.

— Ah, qual é, era emocionante, vai! – Ellen insiste.

— Para você, que ficava do lado legal da lista, devia ser – ele retruca, num tom tão suave que nem parecia discordar dela. – Eu nem sempre fui um cara pau, tá Ellen? A lista montou meu papel e eu só o abracei... Para os “odiados” queria dizer: trabalhos sozinhos, poucos amigos e, às vezes, bullying mais pesado... Como o que aconteceu com Helena.

Ele olhou para mim, como se esperasse que eu o entendesse, e o pior era que eu entendia. Depois que eu havia parado naquela lista, muita coisa havia mudado. Eu havia perdido alguns amigos, pessoas como Yvonne passavam a implicar comigo (porque eu havia quebrado o nariz de uma de suas amigas) e, se eu tivesse uma aula sem Paloma e Olivia, eu simplesmente era a ignorada.

E quando descobriram que eu era bulímica então... Tudo se tornou mais cruel. Como se eles resolvessem usar sua fraqueza contra você. "Ela é bullimica? Vamos jogar isso na cara dela 24/7. Afinal é só verdade. Ela não pode se ofender com a verdade, né?".

Quando ele fala em Helena, me sinto pior ainda: ela perdera Olivia (sua namorada secreta até então) por causa daquela lista. E tentara se matar por causa disso. Pior que isso, ela teve que sair da escola porque não suportava mais as pessoas olhando para ela, ou mandando bilhetes rindo dela e falando que ela era uma lésbica nojenta.

A escola tornara-se um ambiente hostil para ela. Mais do que para mim.

Eu nunca perguntei a Luc como foi que ele foi parar na lista, mas o comentário dele faz com que eu me sinta mal. “A lista montou o papel e eu só o abracei” fica martelando na minha cabeça. Só então percebo que era parte como eu me sentia também. Eu sabia como as pessoas do colégio me viam: como uma maluca agressiva e bulimica... E eu, sabendo disso, apenas me tornei mais agressiva ainda.

— Você tem razão – Ellen concorda, quase arrependida por ter gostado daquilo.

— De qualquer forma. Fizemos umas perguntas para alguns dos amigos de Ellen – Luc continuou, num tom de desgosto, como se falar com aquelas pessoas o desagradasse. Sério, se ele não me desse tanto medo, acho que poderíamos ser bons amigos. – Eles disseram... Disseram que as coisas que estavam escritas... Eram pedaços de bilhetes que eles se mandavam na sala de aula.

Eu franzi o cenho.

— Quê?

— Aquele item que dizia que você tinha brincado com Duncan e agora ia brincar como Quentin, Yvonne tinha escrito... Ela mandou para suas amigas numa aula de História, quando vocês haviam começado a sair... Ela me contou, e disse que havia estranhado quando o bilhete havia sumido – Ellen contou.

De repente, parece que aquilo era muito para eu processar.

— Alguém andou juntando os bilhetes que falavam de mim...? – Pergunto.

Se sim, havia uma pergunta que eu não entendia a resposta: “Por que eu? ”.

— Não só de você – Luc se apressou em dizer. – De todo mundo.

Minha boca se abre só um pouco, em surpresa. Não consigo sentir alívio ao descobrir que não estavam me espionando, em particular. Ao invés, meu estômago se embrulha com a proporção que isso está tomando. No início, obviamente não se tratava só de mim, mas agora...

— Isso é doentio – eu murmuro.

— Também achamos – Ellen disse. – É quase como espionar a nossa escola inteira. Quem sabe quanta coisas os nossos colegas fofocam entre si por bilhetinhos?! E se tivesse coisas sérias em um deles? Fofocas pesadas?

Luc olha para a namorada com desconfiança.

— Quem fofocaria sobre coisa séria por meio de bilhetes? — Ele contesta.

— Sei lá. Você sabe que o Justine tem uma regra rígida com celulares em sala de aula — Ela diz. E tinha razão, já houvera casos de alunos que perdiam o celular para sempre por usar eles em sala de aula. Os professores confiscavam e a diretora não os devolviam, nem para os pais. — Ninguém espera que tenha uma pessoa doente o suficiente para ler todos os bilhetes e roubá-los também.

Um arrepio percorre a minha espinha.

— Se aquilo se tratava de bilhetes que alunos se enviavam... — Eu digo, lentamente, como se digerisse aquela informação. — Então isso quer dizer que as pessoas realmente falam muito mal de mim.

Sinto que um sorriso amargo se forma na minha boca, contra a minha vontade, porque tudo o que eu consigo pensar era que a pessoa que disse “Falem bem ou falem mal, mas falem de mim” era uma pessoa imbecil. Alguém que obviamente não entendia o significado de suas palavras. Obviamente não sabia o que era “falar mal”.

— Quem disse que uma vez você ficou bêbada numa festa e que havia dado para todo mundo foi Josh. Naquela festa que você não foi. Ele ficou puto, e espalhou isso. Não que muita gente tenha acredito – Luc diz. – Todo mundo sabia que você não tinha ido, mas ninguém diria isso na cara de um cara “legal”... Então, não leve a sério tudo o que disseram de você. Tenho certeza que a maioria foi de pura inveja.

Nunca pensei que Luc fosse tentar me dar alguma moral e isso me surpreende. Mais do que a informação que ele acabou de dizer.

— Tá, Luc, já entendi que nós não somos tão legais quanto achamos – Ellen disse, pessoalmente ofendida por ele expor mais um dos privilégios que gente como Ellen teve. — Desculpa por isso.

— Não. Você me entendeu errado. Você é legal. Você é muito legal. Mais legal que a maioria. Mas aqueles lá? Não. Nem um pouco.

Ellen faz uma careta para ele.

— Então eu tinha razão quando percebi que as frases não tinham as mesmas caligrafias. – Eu disse, voltando ao que importava. – Realmente não pertenciam.

Minha irmã loira e bonita concordou com a cabeça.

Eu respirei fundo.

— Preciso dar um jeito nisso – murmuro.

— Nós precisamos dar um jeito nisso – Luc me corrige, com um sorriso meio sombrio. – Eu adoro me meter em problemas e se você quer desmascarar seja lá quem escreva essa lista... Eu estou dentro.

— Eu também! – Ellen disse empolgada. – Isso vai ser divertido!

Eu fico surpresa com a vontade dos dois de se meterem em problemas para me ajudar... Mais da parte da Ellen do que do Luc, porque, como ele havia dito, ele gostava de se meter em problemas; segundo, porque, tecnicamente, ele me devia uma. Por terem se entendido e por estar com a minha irmã neste exato momento.

— Não sei nem por onde começar – eu admito.

— Hey, hey, hey... Calma aí. Você acha que está falando com quem? – Ellie diz, jogando seus cabelos loiros para trás, ela faz um sinal para Luc como se fosse assistente de palco de um mágico. – Nós temos um gênio do crime bem aqui. Não somos amadores.

Eu arqueei uma sobrancelha para os dois, e ele fez o mesmo para Ellen.

— Primeiro, precisamos descobrir com o que estamos lidando – Ele diz, pensativamente. – Afinal, é um grupo? É mais de uma pessoa? É só uma?

— Por que escolheu o banheiro feminino? – Ellen pergunta com a mão no queixo.

Luc acena para ela.

— Boa pergunta.

— Talvez... – Eu começo, pensativamente. – Talvez nós pudéssemos.... Começar vendo que alunos tiveram os bilhetes vazados... E em que aulas eles foram extraviados... Então poderíamos ver se há algum aluno em comum nas salas deles.

— Essa é uma boa ideia! – Ellen concorda.

— Pode dar certo, se for só um aluno que pegou os bilhetes... – Luc concordou. – Se for mais de um... Não faria diferença.

Ele tem razão, mas mesmo assim dou de ombros.

— Pelo menos teríamos um começo – eu suspiro. – Se pegássemos essa única pessoa... Ela poderia delatar todas as outras, se forem um grupo.

Eles pensam um pouco nisso e, como não temos mais pistas (não que a gente se lembre agora) eles concordam com a cabeça. Tinha uma chance de aquilo dar certo afinal.

— Vocês acham... Que só pegaram os bilhetes das pessoas “quentes”? – Eu perguntei. – Ou de qualquer aluno que estivesse fofocando?

Eles fazem uma expressão pensativa.

— Não sei. Acho que descobriremos perguntando às pessoas – Ellen diz.

— Mas precisamos ter cuidado com quem perguntamos – Seu namorado diz. – Temos que ser discretos. Não queremos que, quem esteja cuidado disso, se assuste e acabe correndo. Precisamos pegá-los em flagrante.

Eu concordo com a cabeça. Ele tinha razão.

— Estou preocupado com o como faremos para que essas pessoas respondam as nossas perguntas – Ele confessa, com o olhar enigmático. — Quer dizer, eles não dividiram essas coisas comigo ou com você...

Eu franzi o cenho. Ele tinha razão... de novo.

— Temos o Quentin – Ellen disse, sorrindo largamente para mim.

Bem, se havia algo que meu namorado era muito bom (quase tão bom quanto na cama) era em enrolar as pessoas, e conseguir tudo o que quiser com aqueles olhos claros e sexys. Duvido que houvesse uma alma que não respondesse àquelas perguntas se Quentin soubesse como fazê-las (e ele sempre sabia).

Como se entendesse, Luc deu um meio sorriso.

— E você tem a mim – Ellen completou erguendo os braços. – Eu interrogaria qualquer pessoa, por você, baby... Até mesmo meu ex-namorado.

Obviamente, minha ex-meia-irmã não me chamou de baby, mas seu namorado com cara de poucos amigos ficou com o rosto vermelho. Quase me fazendo lembrar de que (antes de ser um cara problemático) ele era um ser humano afinal. Ou algo perto disso.

— Você não vai falar com ele – O garoto disse com raiva... Ou com ciúmes?

Já havia um tempo em que eu observava o como eles interagiam entre eles e acho meio estranho (de um jeito fofo). Ellen e Luc não eram do tipo de casal que ficava de conversinha nos corredores, de mãos dadas por aí, e cantando como se a vida fosse um musical. Talvez, Ellen, mas Luc não era assim. Ele era discreto, sério... E sarcástico.

Mas havia algo, no modo como conversavam entre si, que deixava claro que eles eram um casal. Uma suavidade no modo com Luc falava com ela (mesmo que não concordasse com a mesma coisa, como antes ele o fez), e uma refreada na empolgação de Ellen, que deixava claro que eles davam muito valor para o que um e o outro tinham a dizer. Que eles se ouviam e gostavam disso.

Ele não seria grosso com ela de propósito.

Ela jamais deixaria sua empolgação passar por cima da opinião dele.

Ainda custo a entender o que minha ex-irmã viu nesse garoto, mas não era eu quem precisava entender certo?