Nosso Nome Na Lista.

58 Capítulo 58 - 9 Verdades e 1 mentira sobre Letty.


Notas iniciais
HEEEEY Ola, eu sei. Faz muito tempo. Mas ultimamente eu tenho tentado voltar a escrever essa história (sem sucesso) e percebi o que havia de errado: eu não estava gostando do rumo que dei para as coisas. Então, estou "repostando" os capítulos 58 e 59 para que a história continue coerente e mais realista. Com personagens críveis e fazendo coisas que fazem sentido. Sinto muito pelo incomodo à todos os que acompanham. Sei que queríamos que continuasse a história de onde eu havia parado com capítulos verdadeiramente novos (e não reciclados)... mas eu sentiria que se continuasse, não ficaria sincero. Não ficaria crível. Não me agradaria. Espero a compreensão de todxs. Obrigada a quem comenta, acompanha, manda MP por capítulos. E sinto muito por fazer vocês sofrerem ♥ Bisou ♥ Belle.Époque

Capítulo 58 – 9 Verdades 1 Mentira sobre Letty

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A suspensão de Quentin acabou na Segunda-feira.

Para a alegria de todas as garotas do colégio St. Justine e para a alegria do próprio Quentin, uma vez que ele estivesse perto de “definhar de tédio até morrer” (em suas próprias palavras). Às vezes, quando ele era dramático assim, ficava bem óbvio o porquê ele gostava tanto de teatro.

E como estávamos voltando à “programação normal”, ele havia me mandado uma mensagem dizendo que viria me buscar em casa. Na nova casa. E eu não vou tentar contar quantas vezes eu já havia mudado de casa desde que me entendo por gente.

— Você parece alegre hoje – A enfermeira da minha mãe comentou.

Franzi o cenho, enquanto observava a rua da janela da cozinha.

— Por que eu sinto um tom de surpresa na sua voz? – Perguntei.

Ela passou por trás de mim, dando com os ombros. Seu nome era Martha e era uma mulher simpática. Não uma enfermeira bonita, não uma enfermeira que parecia enfermeira... era apenas uma mulher em roupas confortáveis que preparava a comida especial da minha mãe.

— Desde que comecei a trabalhar por aqui você não parece ser uma garota muito feliz – ela disse. Talvez eu tenha esquecido de mencionar que ela era nem um pouco cuidadosa com o que dizia.

Acho que meu pai escolheu a pessoa certa para controlar a minha mãe. Mas não para dividir o mesmo espaço que eu, certamente. Quer dizer, aparentemente era crime você não estar sorrindo à toa pela sua casa.

— Vou me lembrar de parecer mais alegre quando você está por perto – eu resmunguei dando uma mordida na maçã que eu segurava.

Mas não consegui engoli-la. Mastiguei-a, saboreei o seu suco doce... mas não consegui engolir a polpa. Nas últimas semanas, ficou difícil engolir. A sensação era que tudo me enjoava. Que tudo... parecia demais para engolir. Por isso larguei a maçã sobre a pia e peguei minha mochila sobre a cadeira.

— Tenho certeza que eu já disse isso... mas minha avó costumava dizer que saco vazio não para em pé – Martha reclamou. – Você tem que comer alguma coisa.

Seu sermão me causa uma onda de irritação.

— Ainda bem que não sou um saco então – eu respondi com sarcasmo, indo para a sala. Querendo fugir da intromissão dela.

Não que isso tenha dado certo. Ela me seguiu e continuou falando.

— Você não quer uns ovos? Ou bacon? Acabei de fazer e estão quentinhos... – Ela continuou mostrando-me um prato com uma gororoba que cheirava bem, mas que ainda fazia meu estômago revirar.

Soltei um suspiro irritado.

— Eu não sou a sua paciente, Martha – eu disse condescendentemente. – E estou atrasada para a escola, então... se me der licença.

Abri a porta da frente... e encontrei Quentin.

Claro que ele estaria do outro lado da porta, porque é isso o que acontece em filmes e livros quando você está perdendo a cabeça com alguém. Seu par romântico está do outro lado da porta, pronto para tocar a campainha... porque de algum jeito o destino decidiu que justo naquele momento ele precisava ver você quase perdendo a cabeça com alguém.

O que também pode ser chamado de coincidência, é claro.

Martha bem que tentou arruinar o meu dia logo cedo, mas a minha sorte era que Quentin estava tão impecável que toda a raiva que eu senti naquele momento, se transformou em borboletas no meu estômago. Okay, talvez não borboletas. Mas mudou para um arrepio gostoso que subia pela mina espinha.

Eu não seria capaz de descrever com palavras a perfeição do seu rosto, ou o modo como as suas roupas caíam com perfeição em cada curva e ângulo naquele corpo esculpido pelos Deuses.

— Oi, Letty – Ele disse, dando aquele meio sorriso.

Ah, sim. Aquele. Sem dúvida é aquele.

Seu sorriso me faz sorrir de volta.

E ficamos um tempo em silêncio até eu me lembrar que devia responder.

— Quentin! Chegou cedo...

— Cedo o suficiente, pelo visto. Cheguei a tempo de ver você perdendo a cabeça – Ele respondeu, divertido, olhando por sobre o meu ombro.

Seu olhar me lembrou que Martha ainda estava parada no meio da sala de estar, com aquela panela cheia de ovos e bacon. E o modo como ele acena para ela me faz corar por algum motivo que eu não saberia explicar. Assim como a expressão surpresa dela (de olhos arregalados e boca entreaberta) me incomodam mais do que deveriam. Ouso dizer que me ofendiam. Afinal, o que havia de tão chocante em eu namorar com Quentin? Apesar de toda essa capa que deslumbra os seres femininos... ele era só um cara normal, afinal. Certo?

— Podemos ir? – Eu pedi, querendo desaparecer dali. – Vamos nos atrasar.

Sem lhe dar tempo para protestar, fechei a porta de casa e o puxei pelo corredor até o elevador. Uma atitude “mal-educada”, eu sabia, mas não conseguia lidar com aquilo. Toda aquela situação era um pouco constrangedora para mim. A começar pelo olhar de incredulidade no rosto de Martha.

Quase como... se eu não fosse boa o bastante para ele.

— Quem era ela? – Quentin perguntou com curiosidade.

— Martha, a... enfermeira da minha mãe – eu respondi, à contragosto.

Quentin assentiu com a cabeça, num sinal de que entendia. Então ficamos em silêncio por um momento... até ele quebrar o silêncio novamente, se virando para mim e perguntando:

— Por que você está tão nervosa?

— Não estou nervosa – eu rebati.

Apesar de, no fundo, saber que sim, eu estava nervosa.

Minha atitude infantil não o deixou bravo. Na verdade, ele ri. E eu cogito que só assim para ele aturar alguém como eu mesmo. Achando graça de mim. Então o elevador chega e nós entramos. E eu me sinto parcialmente mal porque não era daquele jeito que eu imaginava que reveria Quentin depois de alguns dias sem vê-lo direito.

Então eu respirei fundo e olhei para ele.

— Meu pai a contratou para tomar conta da minha mãe... mas às vezes ela se confunde de paciente e fica me espionando também – Eu lhe contei, cruzando os braços. – Pergunto-me... se Micha a contratou por causa da minha mãe... ou se foi para ficar de olho em mim também.

Um meio sorriso divertido aparece no canto do seu rosto.

— Tenho quase certeza que ele a contratou para ficar de olho em você também – Quentin respondeu, sem titubear. Fazendo-me arquear uma sobrancelha para ele. – Você é uma garota perigosa, Letty. Deve ser vigiada.

Como sei que ele está me provocando, dei-lhe um soco no ombro.

Ele segurou a minha mão e me puxou para si. Para me beijar. E seu beijo continua tendo aquele efeito de fazer as coisas parecerem bem. Parecerem encaixadas no lugar certo. Mesmo depois desses meses de namoro. E era a coisa mais bizarra que já me aconteceu.

Ter alguém que me fazia sentir menos bagunçada do que eu achava que era. Uma garota bagunçada de família confusa e sentimentos confusos.

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— Eu estava pensando... Numa escala de 1 a 10 o quão feliz está Quentin McCullogh hoje? – Eu perguntei, do banco carona do carro de Quentin.

Meu namorado inacreditavelmente bonito deu um sorriso largo.

— Um milhão – ele respondeu.

— E numa escala de 1 a 10 o quão maluco você é por estar feliz de ir para a escola depois de três dias de suspensão? – Eu perguntei.

Quentin estreitou seus olhos claros, num olhar excitante que fez todo meu corpo se arrepiar, mas não retrucou. Como se aceitasse a minha observação e não fosse capaz de contra argumentar. Tínhamos que admitir que era estranho alguém estar feliz por ir à escola, quando passamos a maior parte do tempo querendo estar fora de lá.

— Okay, sei que é bizarro, mas gosto de ir para a escola – ele respondeu, dando de ombros. – Quer dizer... É tão animado e... ah, tem biologia e literatura... e tem gente. E tem sempre coisas acontecendo... – Ele soltou um suspiro. – Quando isso acabar, tenho certeza que vou sentir falta.

Novamente, o modo como Quentin fala me faz sorrir.

— Você é um cara estranho, McCullogh – eu disse.

Sua resposta é um dar de ombros, sem graça, e um sorriso que não deixou o seu rosto pelo resto do caminho até a escola. Ficamos em um silêncio confortável, preenchido apenas pela música que eu não conhecia tocando no rádio. No caso, uma música suave e melodramática.

If you could look into the future, would ya?

(se você pudesse dar uma olhada no futuro, você iria?)
If you could see it, would you even want to?

(se você pudesse ver, você ia ao menos querer ver?)
Got a feeling that there's bad news coming

(Tenho um sentimento que há más notícias vindo)
But I don't want to find it out

(mas eu não quero descobrir)

Estendi a mão e aumentei o volume.

Quentin observou, Quieto, e deu um sorriso de canto.

— Não sabia que você gostava de Mika – Ele comenta.

— Então é ele quem canta? – Eu pergunto. – Bom saber. Essa música é absurda.

Ele faz uma careta.

— É meio triste – ele comentou.

— Mas é tocante – eu a defendo. – Eu me sinto tocada.

Ele concorda com a cabeça, tira uma mão do volante e então aumenta um pouco mais o volume. Na volta, ele segura a minha mão. E a deixa ali durante todo o caminho até a escola.

Quando chegamos ao colégio, havia algo estranho no ar.

Um clima inquieto que certamente devia ter algo a ver com a lista, já que as pessoas me olhavam estranho. E sempre que elas me olhavam daquele jeito, geralmente tinha a ver com a lista. Depois de algum tempo era possível distinguir os olhares das pessoas. Eles eram diferentes. Quase como se conspirassem.

Quentin e eu trocamos olhares antes de sairmos do carro, como se pensássemos seriamente em ficar lá para sempre. Até mesmo ele, que estava ali há alguns meses, sentia aquela diferença.

O ensino médio parecia mais bonito lá de dentro.

— Eu quase havia me esquecido dessa parte chata.

Quentin disse, parecendo receoso.

Eu dei um suspiro cansado.

— Eu gostaria de poder me esquecer – resmunguei. – Da próxima vez, eu bato na Yvonne para ganhar esse privilégio de ser suspensa desse inferno. Acho que ela não vai se incomodar, eu espero.

Quentin ri e segura a minha mão.

— Pense pelo lado positivo: estou de volta – ele murmurou, antes de me beijar suavemente nos lábios e sorrir largamente depois disso.

Seu sorriso bonito, desperta o meu sorriso e um beijo com mais vontade.

— Eu senti sua falta na escola – eu confessei, apesar de não gostar de ter dito.

Eu não gostava de ser uma garota sentimental, por isso não gostei de como a frase soou. Como se eu não aguentasse a escola sozinha (mas eu aguentei, não é? Há). Tento não aparentar tão tensa quanto estou quando vejo aquele sorriso convencido e bonito surgir em seu rosto. Fico sem ar por alguns segundos, até me lembrar que tenho que me encontrar com as minhas amigas.

— Vou procurar Paloma e Olivia – eu aviso, pegando minhas coisas.

— Tá... – ele responde, ainda com aquele sorriso. Então ele diz: – Eu vou... Vou falar com os poucos amigos que ainda me restam.

— Ok – respondo abrindo a porta do carro.

Mas ele segura o meu braço delicadamente, antes que eu saia e me encara com intensidade, com aqueles olhos claros parecendo até mesmo mais vivos.

— Eu senti sua falta também – ele disse. – Eu te amo, Letty.

Há algo em suas palavras. Algo no modo como elas pesam no ar, que me arrepiam. Havia algo em seus olhos sexys, naquele sorriso de canto e naquela bolha de proteção que nos envolvia naquele momento... Que me fez corar até a raiz do cabelo.

— Eu te amo também, Quentin – eu respondo.

O sorriso que ele mostra é mais feliz do que convencido e então ele me solta e me observa caminhar para longe do seu carro. Eu sinto o seu olhar enquanto eu caminho, fixos em mim de tal maneira que parece fogo. Aquecendo-me por inteira.

Como era que se andava mesmo?

A sensação era de estar andando em nuvens e que tudo iria ficar bem. Não me importava mias com os olhares pelos corredores e nem com as pessoas cochichando sobre mim ao redor. Só consigo pensar na minha vontade de pular em cima de Quenitn e ficar com ele. E em transar com ele. Transar até cansar. Eu poderia convidá-lo para ficar comigo no meu quarto da minha nova casa (acho que mamãe teria sessão de Quimioterapia hoje), então ele poderia ficar por lá por um tempo... Ou por muito tempo.

Quanto tempo ele quisesse.

Eu entro no banheiro feminino, que estava incrivelmente lotado hoje. Como se as garotas houvessem decidido que veriam a lista no mesmo horário, todas juntas. Porém, isso só torna o lugar ainda mais desagradável. Não consigo encontrar Paloma e Olivia no meio da multidão e, o pior de tudo, todas me olham quando eu entro.

Sinto que há más notícias vindo.

Mas não quero descobrir.

Uma onda de nervosismo percorreu meu corpo, mas tento parecer calma e segura. Como sempre.

Ergui a cabeça e caminhei por aquele mar de garotas desocupadas até a lista do outro lado do banheiro. O assustador é que elas vão se abrindo, num silêncio assustador, com os olhares fixos em mim. Como se estivéssemos em um filme de terror. Um pesadelo. A qualquer momento, Fred Kruger apareceria e pegaria no meu braço com suas garras.

Ao invés dele, encontro Paloma e Olivia do lado da lista, ambas com as mãos cobrindo a boca e os olhos arregalados. Chocadas. Eu primeiro vejo a borda dessa lista: ela é toda trabalhada com fotos. Montagens vulgares de revistas da playboy com o meu rosto no lugar das garotas nuas. E no meio, quando me aproximo, eu consigo ler:

9 VERDADES 1 MENTIRA SOBRE A LETTY:

1 — Letty não passa de uma vagabunda.

2 – Ela adora se fazer de órfã, mesmo tendo toda família aí.

3 – Ouvi dizer que ela ficou bêbada em uma festa e ficou com Duncan... quando todo mundo sabia que ela estava com Quentin.

4 – Todo mundo sabe que ela trai Quentin com Duncan.

5 – Eu vi ela traindo ele com o próprio irmão.

6 — Ela brincou com o Duncan. E agora brinca com Q também.

7 – Ela diz que tem baixa-autoestima para sentirem pena dela.

8 – Teria sido bem melhor se ela tivesse morrido de bulimia.

9 – Letty é a melhor pessoa desse colégio xD.

Eu virei estátua.

Meus olhos subiam e desciam pela lista, várias vezes. Tentando entender do que aquilo se tratava. Precisei de um momento para assimilar todas aquelas palavras. Um momento em que as palavras pareciam dançar diante dos meus olhos e me fizeram pensar “Hey, talvez isso seja um pesadelo. Eu devo estar dormindo”. Mesmo que tenha uma parte dolorosamente realista que diz: “para de viajar. É real Brucena”.

Mas aquilo não podia ser real.

Eu nunca havia dado motivo para alguém me difamar daquele jeito.

O pedaço de maçã que mordi naquela manhã se revirou no meu estômago e o chão sumiu sob meus pés. Foi quando Paloma e Olivia me seguraram. Mesmo assim, meus olhos continuavam vidrados naquelas palavras. Palavras em letras diferentes. Como se várias pessoas houvessem escrito aquilo. Não uma, duas, ou três pessoas... mas várias. Várias haviam escrito sobre mim.

Não foi apenas uma pessoa desocupada ou uma pessoa mimada fazendo algo para apimentar sua vida escolar... Havia sido um grupo de pelo menos nove pessoas escrevendo mentiras, apontando o dedo para mim e dizendo “não gostamos de você. Te odiamos”.

Eu estou em choque.

— Vem, vamos sair daqui – Olivia diz, me puxando para fora.

Eu não tenho mais força. Sinto-me esgotada.

— Você sabe que é mentira, Letty – Paloma diz, enquanto a ajuda a me levar para fora do banheiro.

Eu não respondo. Não consigo responder mais nada. Porque, pela primeira vez de que me entendo por gente... Estou pensando “hey, talvez seja verdade”. Talvez essa seja a imagem que as pessoas tenham de mim, mesmo sem me conhecer. Talvez por isso esse sentimento de torpor seja pior do que da outra vez. Por isso eu não consigo sentir raiva, vontade de gritar, nem vontade de ir até lá rasgar a lista...

Porque eu estou esgotada de sentir que estou lutando sozinha.

Sinto que Paloma e Olivia me sentam num banco quando eu começo a chorar. E o que me irrita é que eu não quero chorar. As lágrimas simplesmente começaram a transbordar. Enquanto penso: Por que as pessoas deixam a lista lá, falando mal de mim? Por que ninguém faz nada?

Eu não queria chorar, muito menos na escola. Onde as pessoas não hesitariam em usar isso contra mim... Não quero que elas me vejam assim. Quero voltar a ser a Letty que sai gritando, batendo, xingando, revidando, mas estou tão... Tão cansada. Tudo o que quero é me deitar na minha cama e chorar lá. Em paz.

— O que fazemos?! – Ouvi Olivia sussurrar à Paloma.

— Não sei! Nunca a vi chorando – ouvi a outra responder.

Eu quero parar de chorar, mas não consigo, porque me sinto humilhada, quebrada... As palavras rondam em minha cabeça recusando-se a irem embora, como urubus ao redor de uma carniça. As palavras, o ódio nelas, as mentiras... Estão cravadas à fogo. Ou melhor, nem todas eram mentiras não é?

Enxugo meu rosto com as mangas do meu casaco e respiro fundo, mesmo que isso seja inútil. Continuo tremendo e chorando e parece que não há nada que eu possa fazer para controlar os soluços que sacodem todo o meu corpo.

Então... eu senti as vozes de Olivia e Paloma se tornarem distantes. Como sussurros. E então o banco de repente pareceu se mover sob mim e todo o ar ao meu redor sumiu. A sensação era a de estar flutuando no espaço, sozinha, no escuro.

Tudo estava escuro.