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45 Capítulo 45 – Uma Besteira de Bebedeira.
Notas iniciais
Capítulo 45 – Uma Besteira de Bebedeira.
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– Minha mãe queria me dizer que, por um tempo, nós vamos “morar” num hotel – eu contei, dando um gole no Sprite com Vodca. O gosto do álcool era muito bem disfarçado pelo gás do refrigerante. – Ela brigou com Walter e eles decidiram dar um tempo. Por isso ela mandou a mensagem.
Helena piscou atônita. Quentin fez o mesmo.
– Mas eles só estão casados há um ano! – Argumentou minha amiga.
Eu dei de ombros.
– Vai-se entender o que passa na cabeça de Victoria – eu comentei, acabando o copo sem perceber. – Na verdade, nem consigo entender o que se passa na cabeça dos caras que se casam com ela.
Estendi o copo para alguém me servir. Quentin quase entupiu o meu copo de Sprite e Helena colocou só um pouco de Vodca. Olhei para ele, divertida, vendo-o fazer o contrário com o seu próprio copo. Será que eu veria Quentin bêbado outra vez? Seria um vergonhoso se tivéssemos Helena como plateia.
– Sua mãe é bonita – Quentin respondeu, dando de ombros. E comentou com sarcasmo: – Para um cara como meu pai, isso seria mais do que o suficiente.
Eu soltei um suspiro, e saí do lado de Helena para me sentar ao lado de Quentin.
– Ela tem o dom de aparecer justamente no momento em que estou me sentindo muito bem – eu comentei. – Como naquela vez em que eu dormi aqui... E ela me veio com aquele papo de “terapia familiar”.
Helena fez uma expressão chocada. “Você dormiu, aqui?” eu li em seus lábios, mas tudo o que eu vi, foi a confusão no rosto de Quentin.
– Terapia familiar? – ele perguntou.
Então eu me lembrei de que eu não tinha contado para ele.
– É... – eu respondi. – Mamãe e papai vieram com essa ideia. Mas enfim! O que eu quero dizer é que ela tem um dom todo especial para arruinar minha felicidade.
Helena olhou para mim com um sorriso divertido e malicioso. Quentin não disse nada, apenas sorriu e colocou um dos braços sobre meus ombros.
– Sabe... Quando Augustus disse: “eu estou numa montanha-russa que só sobe” em “A Culpa é das Estrelas” eu sempre achei... Que ele estava sendo sarcástico porque ele estava muito ferrado... Mas estou começando a acreditar que ele disse isso pensando na quão devastadora seria a queda – Comentei, observando os olhos claros de Quentin. – Afinal, quando a “montanha-russa” parou de subir naquela altura... Ela desceria devastadoramente rápida... O cara morreu quase logo depois disso.
Quentin deu um sorriso amargo e deu de ombros.
– Essa é uma boa metáfora para vida. Às vezes, eu estranho quando tudo começa a dar certo... Como se fosse irreal demais essa paz – ele concordou, parecendo incomodado com alguma coisa. Então acrescentou em tom mais leve: – Principalmente nos livros!
Quando ergui o olhar para vê-lo no rosto, percebi que ainda estava incomodado. E pelo modo com que desceu a mão pelo meu braço, também notei que ele queria me dar apoio... Perguntei-me se algo parecido havia acontecido com ele. Mesmo que tivesse, eu estava falando de Quentin, provavelmente, eu nem saberia.
Isso me deixou triste. Magoada... Queria que ele soubesse que eu estava ali e se sentisse confortável para falar o que quer que fosse comigo... Mas como fazer isso sem pressioná-lo? Sem parecer uma garotinha mimada que quer atenção?
– Ou filmes! – Helena atalhou, rindo, sem perceber meu clima reflexivo. Servindo-se de outro copo de Sprite com Vodca... Ou melhor, Vodca com Sprite. – Não sou boa leitora como vocês. Parem de me esnobar!
– Ah, qual é – Quentin brincou. – Todo mundo leu “A Culpa é Das Estrelas” nem que seja para postar foto do livro no Instagram e escrever: “alguns universos são maiores que outros” para pagar de intelectual.
Eu tentei rir. Concordando com a cabeça, bebendo um gole do terceiro copo.
Não era ruim beber Sprite com Vodca. Na verdade, talvez por Quentin e Helena não colocarem muito álcool para mim, eu mal sentia o gosto do álcool. De qualquer forma, eu praticamente sentia um leve frescor no fundo da garganta, um gosto de limão bem ameno e as bolhas do gás.
Começamos a falar besteiras por um instante. Falando sobre metáforas de um jeito que Augustus ficaria orgulhoso – se ele existisse e se ele estivesse vivo – e livros. Aquela, apesar de Quentin já estar começando a dar seus primeiros sinais de bebedeira, foi a conversa de bêbados mais mórbida e intelectual de todos os tempos.
– Quentin ganhou na loteria. Tem uma namorada gostosa e intelectual – Helena brincou. – Enquanto eu tenho dedo podre para minhas namoradas.
Quentin revirou os olhos.
– Sem querer denegrir os não-presentes... O que diabos você viu em Olivia? – ele perguntou. – Sei lá... Não consigo imaginar aquela garota fresca com você...
Helena deu uma risada sem humor.
– Por que você só consegue me imaginar com uma garota que pareça um garoto? – ela provocou com sarcasmo. – Sou muito bonita para ser lésbica, né?
Não sei porque, mas algo em suas palavras, me fez acreditar que aquelas perguntas deviam ter sido comentários que já fizeram sobre a sexualidade dela. De fato, Helena tinha capacidade de ser daquelas gostosas que mandam no colégio. Com seu carisma, humor sarcástico e personalidade maldosa.
– Desculpe, Helena, mas eu só consigo te imaginar com uma garota-garoto – eu confessei. Helena era feminina demais para mim. – Mas você é quem sabe da sua vida amorosa, certo? Pegue quem você quiser.
Ela riu.
– Se eu fosse homem. Eu seria galinha. Simples assim – ela respondeu. – Pego qualquer uma que eu ache bonita. Eu até mesmo te pegaria se você me desse uma chance, acredite.
O.K. Isso deveria ter sido o álcool falando.
Olhei para Quentin, querendo saber se ele ficou incomodado com o comentário. Ele não sorria mais e quando me olhou havia um pouco de ciúmes reluzindo em seus olhos claros. Quase fiquei encantada, mesmo sabendo que eu não deveria. Não sou do tipo que provoca ciúmes só para me sentir valorizada.
– Eu não te falei? – ele disse seco.
Eu corei.
Graças a Deus ele não brigou com Helena ali mesmo. Seria desagradável que uma amizade de anos se acabasse por conta de uma brincadeira sem graça – feita sob o efeito de uma garrafa de vodca. Mesmo assim, Helena teve que insistir um pouco mais no assunto (maldito álcool) e cutucar a onça com vara curta.
– Você já beijou uma garota, Letty? – ela perguntou.
– Não... – eu respondi, na defensiva. Olhando atravessado para Quentin. – Mas imagino que não seja tão diferente do que beijar um garoto.
– Mas... Você nunca teve essa curiosidade? – perguntou Helena, parecendo realmente curiosa. – Sabe, quando você se assume homossexual sem nunca ter namorado, a primeira coisa que dizem é: “você nunca experimentou, como pode dizer que não gosta?”... Bem, eu te faço essa mesma pergunta agora.
Eu corei e observei Quentin. Ele estava sério.
Deus. Ele poderia matá-la agora.
– Você está dando em cima da minha namorada, na minha frente, Helena? – Quentin perguntou, tentando disfarçar sua raiva sob um tom glacial.
Não deu muito certo. O clima que emanava de Quentin era tão tenso e frio que era quase papável e me deixou toda arrepiada. Mas tudo o que Helena fez foi fitá-lo de volta, com os olhos claros cheios de inocência.
– Não... Só acho que... Você já beijou um cara antes...
– Eu estava bêbado – lembrou-lhe Quentin.
–... Acho que Letty deveria ter os mesmos direitos – ela completou.
Por algum motivo, me peguei pensando que aquela brincadeira não tinha nada a ver comigo. Tem mais a ver com irritar o meu namorado, do que me dar um beijo... Pensei também, que o único motivo para Helena estar indo tão longe, era por causa da bebida.
Sendo assim, saí debaixo do braço de Quentin e rastejei para perto da garota. Tirando-lhe o copo da mão, eu disse brincando:
– Acho que já deu para você, Helena. Tá falando besteira.
Ela me fitou, parecendo aturdida. E antes que eu pudesse prever o seu movimento, Helena me puxou pelo pulso, derramando o pouco de bebida que ainda restava no fundo de seu copo, e prensou seus lábios nos meus.
Aí a pessoa diz: “E por que diabos você não a afastou logo?”.
Por que eu simplesmente fiquei chocada! Não sabia que Helena era capaz de ir tão longe. Parecia que aquilo era uma alucinação do que qualquer outra coisa. E a única coisa que me fez perceber que era real, foi quando ela forçou seus lábios a abrirem os meus. Aí eu a afastei, assustada. Sem entender o que deu nela.
Helena me olhou de volta... Parecendo... Magoada? Pareceu, pela primeira vez, uma garota vulnerável. Perguntei-me se a ofendi ou se fiz besteira... Mas então, fiquei com raiva. Revoltada. Puta merda! A garota me beijava do nada e esperava que eu ficasse aproveitando aquilo lá?!
– Eu gosto de garotos – respondi não conseguindo parecer menos puta do que eu estava. Afastei-me de imediato. – Gosto de Quentin. E isso o que você fez foi errado.
Olhei para ele, sobre o ombro.
Quentin estava, mentalmente, planejando o assassinato da minha amiga, pelo modo com que estava tenso e ele meneava com a cabeça como se não acreditasse. Ele trincou o maxilar e respirou fundo para não fazer uma loucura... Então se levantou e saiu quase à passos largos.
Primeiro pensei que só Quentin mesmo para sair do ambiente depois de ter visto o que aconteceu. Só ele mesmo para não brigar, gritar e ir para cima de Helena, como qualquer outro cara territorialista faria... Depois, me senti mal. Mal por ter sido tão estúpida e por Helena ter ido tão longe.
– Helena... Por que diabos você fez isso?! – perguntei, levantando-me do chão. – Quer provocar quem agindo assim?! Você foi longe demais!
Caminhei até a porta, para ir atrás de Quentin, mas seu riso sem humor me fez parar com a mão na maçaneta.
– Provocar? – ela perguntou, levantando-se e cambaleando. – Você realmente acha que eu só quero “provocar”? Você nunca parou para pensar... Em nenhum momento... O que eu posso sentir por você?
Franzi o cenho, sem compreender, e isso a fez soltar um suspiro exasperado e fitar o teto. Seus olhos ficaram irritados, mas ela disse com a voz arrastada:
– Eu juro Letty que fiz de tudo para não me apaixonar por você... Mas é simplesmente tão difícil. Quer dizer... Você é tão... Argh! Decidida no que quer da sua vida! Você é tão... Você!
Arqueei uma sobrancelha.
– Helena, não estou entendendo-...
– Eu sei... Sei que provavelmente arruinei uma amizade antiga por algo que desde o começo eu sabia não ter nenhuma chance... Mas eu tive que tentar! Por que eu não conseguiria viver comigo mesma sem ter tentado uma única vez – ela disse, pela primeira vez desde que a conheço, chorando.
Suas lágrimas me incomodaram mais do que eu poderia pôr em palavras.
– Você... Gosta de mim? – perguntei confusa.
Apesar dos alertas do Quentin, eu jamais pensei nela desse jeito. Jamais achei que eu tivesse que tomar cuidado com o que eu dizia ou como a tratava para que ela não me interpretasse errado... E talvez nem precisasse. Ela sempre soube que eu gostava de Quentin, certo? Ela mesma disse que sabia que não teria uma chance...
Mesmo assim ela o fez.
– Tem como não gostar? – ela perguntou, parecendo desamparada. — Você... Pensa diferente de todo mundo. Você... Sabe dos podres de uma pessoa, e simplesmente não a julga por isso. Você soube que eu era lésbica, e você simplesmente disse: “Que se foda, é minha amiga”... “Não vou deixar de tratar como minha amiga só porque gosta de garotas”. Isso é muito atraente em você. Muito mesmo.
Eu respirei fundo. Tentando controlar algo, que eu não sabia bem o que era, mas estava crescendo dentro de mim. Uma angústia profunda que eu não saberia explicar porque era causada por aquelas palavras. Acho que eu me sentia culpada.
Senti como se a culpa fosse minha. Como se esse tempo todo eu a estivesse tentando e nem me dado conta.
– Helena... – Eu disse, tentando parecer calma. – Nem em mil anos... Com todo o ciúmes que Quentin tinha de você.... Eu poderia prever que você ia gostar de mim assim. Eu sinto muito... Mas eu amo o Quentin.
Ela revirou os olhos inchados e vermelhos.
– Você só o conhece há dois meses! – ela soltou.
– E daí?! O amor é algo que pode se medir em tempo? – eu perguntei. – Ele tem validade também? Tem um limite mínimo para surtir efeito?! Há quanto tempo eu te conheço? Três ou quatro meses?! Um semestre, no máximo...
Ela abaixou o olhar.
– Desculpe – ela murmurou, parecendo constrangida.
– Não é a mim a quem você tem que pedir – eu disse, cruzando os braços. – Ele é seu amigo de infância... O cara que te apoiou quando você saiu de casa depois de se assumir, se lembra? O cara que foi atrás de Olivia só porque ela te deixou sem uma explicação plausível... Você não deveria ter chegado a esse nível... Pode ter magoado ele.
Helena se encolheu. Dando-se conta do quanto ela havia sido egoísta. Magoar Quentin, mais do que eu esperei, a deixou ainda mais abalada do que ter sido rejeitada por mim. Uma expressão mais profunda de culpa surgiu em seu rosto.
– Tenho... Que me desculpar – ela disse, dando um passo trôpego em direção à porta. Gente, ela estava muito bêbada.
Tive que segurá-la quando ela quase caiu.
– Você vai ficar aqui e beber muita água, ouviu? – eu mandei, guiando-a para a cama de Quentin. – Eu vou falar com ele primeiro, tá?
Helena me olhou, com aqueles olhos vermelhos e brilhantes pelas lágrimas, e assentiu com a cabeça. Como se percebesse (e aceitasse) que não estava bem o bastante para ter uma conversa normal com seu amigo. Sendo assim, ela se deitou na cama e lá ficou. Como se quisesse se fazer de morta e esquecer a burrice que tinha feito.
Saí do quarto, fechando a porta atrás de mim e desci as escadas. Eu queria saber aonde Quentin iria se estivesse com raiva. Se estaria em algum lugar de sua casa ou se havia saído pela rua, mas ao descer as escadas, encontrei Gilliam no Hall, observando-me com uma sobrancelha arqueada.
– Onde é o funeral, cunhada? – provocou.
Respirei fundo. Era a última pessoa que eu queria ver. A imagem do beijo apareceu no fundo da minha mente, como se dissesse: “esse é o cara que não perde tempo de fazer piada com o seu engano”. E isso me deixava desconsertada perto dele.
– Você viu o meu namorado? – perguntei, tentando não fitá-lo muito.
Ele ponderou, fazendo o seu sorriso cafajeste. Esperei alguma provocação ou insinuação do beijo que parecia ter ocorrido há milênios... Quando ele respondeu apontando para a porta da frente:
– Lá fora... Querendo matar Helena.
Franzi o cenho, perguntando-me do que ele poderia saber. Sinceramente, com o sorriso de Gilliam, eu quase arriscaria dizer que ele sabia de tudo. Mas também arriscaria dizer que ele só estava blefando. Esse cara era um jogador.
– Helena está lá em cima, no quarto de Quentin... Ela bebeu demais... Então você poderia... Ficar de olho nela? – eu pedi desconfortável.
A imagem que eu tinha dele, era a pior possível, tanto que faria Helena voltar atrás sobre o seu comentário sobre “eu não julgar as pessoas”. Todavia, achei que não haveria nada demais em pedir aquilo. Quentin dissera que Gilliam e Helena eram muitos próximos e eu mesma achara os dois muito parecidos.
Ele sorriu, entretanto.
– Tudo por você, linda – ele respondeu, indo para as escadas.
Encolhi-me, incomodada com o “linda”, antes de abrir a porta e encarar a silhueta esbelta de ombros largos de Quentin. Ele estava sentado na escada da varanda, ainda muito tenso. Com a cabeça baixa e uma mão bagunçando os seus cabelos escuros e, eu sabia por experiência própria, macios.
Aproximei-me e me sentei ao seu lado, de vagar. Ele me olhou.
– Tudo bem? – perguntei suavemente.
Quentin não respondeu de imediato. Só soltou um suspiro e apoiou os cotovelos sobre os joelhos da calça jeans gasta. Ele fitou a rua quase vazia antes de enfim dizer:
– A sensação de ter brigado com meu melhor amigo por uma garota, é horrível.
Eu mordi o lábio inferior e passei o meus braços pelo dele.
– Ela estava bêbada... – argumentei.
– Você acha que isso é desculpa?! – Ele respondeu irritado.
Eu pisquei para ele.
– Bem... Foi a desculpa que você usou quando beijou Brian – eu retruquei.
Quentin abriu a boca para questionar, mas voltou a fechá-la, sabendo que seria muita hipocrisia dizer que havia sido algo totalmente diferente. Então ele somente abaixou a cabeça novamente e respirou fundo. Sua mão foi para cima da minha e ele voltou a procurar os meus olhos.
– Eu quis matá-la só pelo que ela fez – ele confessou.
– Eu vi nos seus olhos – respondi dando algo próximo de um sorriso. Então respirei fundo. – Mas Quentin... Eu já falei com ela... E ela se sente muito mal por isso. – Pelo menos, eu espero que ela se sinta, pensei mentalmente. – Você acha que pode perdoá-la?
Quentin franziu o cenho, parecendo incerto. Vi que ele ainda estava muito chateado pelo beijo que ela tinha me dado... Todavia, eu também via que ele não queria ficar mal com ela. Quem iria querer perder um amigo por causa de uma besteira de bebedeira? Mas, claro, isso dependia do quanto Quentin achava que aquilo era besteira.
– Acha que pode, amor? – eu insisti.
Quentin franziu o cenho.
– Você nunca me chamou de “amor” antes – ele comentou surpreso.
Eu corei. Dei de ombros, tentando parecer indiferente.
– Bem... Eu nunca tive que te pedir nada antes – eu brinquei.
Quentin forçou um sorriso e soltou um suspiro que parecia estar preso em seu peito; fazendo-o parecer menos tenso do que antes. Encolhi-me contra ele. Quentin me envolveu com um braço e beijou minha têmpora.
– Você deveria me pedir coisas com mais frequência – ele me provocou, com os lábios perto do meu ouvido. – Posso tentar... Mas juro que se ela triscar em você, eu irei ressuscitar meu lado de “garoto problemático” e fazê-la se arrepender disso pelo resto da vida dela. Você está avisada.
Eu sorri, esticando o pescoço e beijando bem abaixo de sua orelha.
– Sabe... Se tivéssemos contado onde minha boca esteve hoje mais cedo... Talvez ela pensasse duas vezes antes de querer me beijar – zombei. – Sabemos que ela não gosta daquilo, então...
Quentin riu. Ficando um pouco corado.
– Deus, Letty... De onde você tira esse espírito? – ele perguntou.
– Eu só... Queria que você risse um pouco de tudo isso.
Ele sorriu e se inclinou para me dar o beijo mais cálido de toda a minha vida. Começava suavemente com um leve roçar de nossos lábios gélidos. Um atrito suave que foi se tornando gradativamente mais quente. Depois, sua língua quente e aveludada pediu passagem vagarosamente, antes de investir contra a minha numa dança sensual.
Seu hálito mentolado e quente era um conforto naquela noite fria. Um conforto que fazia com que meu sangue fluísse mais rapidamente pelo corpo, e mais quente. Até que ele roubasse, completamente, todo o ar de meus pulmões e tivéssemos que nos afastar para respirarmos.
– Eu definitivamente gosto de garotos... Mas só amo você, Quentin — pensei.
Quentin se afastou, parecendo surpreso... E então me dei conta que eu havia dito em voz alta! Ai que merda... Alguém me enterre, por favor!
Eu nunca achei fácil falar que amava alguém.
Na verdade, por mais que Quentin deixasse subentendido que me amava – antes de me beijar pela primeira vez – eu nunca tive coragem de dizer a mesma coisa ou algo parecido. Aquela frase, entretanto, simplesmente pulou da minha boca como se tivesse vida própria. Malditos pensamentos que não ficam na cabeça!
Será que era muito cedo? Como eu podia saber que o que eu sentia por Quentin era de verdade? Era amor, ou será que era apenas uma ilusão causada por sua boa aparência e a pessoa maravilhosa que ele era? Sinceramente, parecia confuso.
Quentin segurou minha mão com um pouco mais de força e beijou meu pescoço. Sussurrando no meu ouvido um “Eu te amo também” que me deixou arrepiada... E um pouco menos constrangida.
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