Nosso Nome Na Lista.

44 Capítulo 44 – E Quando me dou conta...


Notas iniciais
Geeeente, Hoje é quarta-feira e é o último dia do ano!! Feliz ano novo!! Tudo de bom para vocês que são mto da hora u.u Agradeço aos reviews de: > Born to die > Zabelita > Elizabeth > LilyEvansPotter > Lizzie > Slipcom > brandi > SheylaRayane > HaloweenSoul > Delicate > LuuhRocha > Allignegmar > Karry > Lizz > Elidabfr > katp > Miss Herondale > rosexavier > shittx > I am Hungry > Iderlane Querioz > Raissa Melanie Santoso > Lanny Puckett > Liih > Gio MTO OBRIGADA! E DESCULPEM O CAPÍTULO MEIA-BOCA, O PRÓXIMO VAI ESTAR MELHOR!!

Capítulo 44 – E Quando me dou conta...

Quando saí do banheiro, para encarar a atmosfera pesada e nada amistosa no quarto, decidi que eu ia para a casa do Quentin. Apesar de achar que ele ainda deveria estar no teatro, eu achava que seria humilhante demais voltar para lá sem estar escoltada por ele ou por Helena. Sendo assim, eu ia esperar na casa dele.

Caminhei até a mala e cacei dentro da bagunça, que eu já havia feito nela, um casaco quente. Como estávamos perto do outono, as noites já estavam começando a ficar muito frias. Ou talvez fosse o olhar glacial da minha mãe.

– Aonde você vai? – ela perguntou, parecendo cansada.

– Ficar com pessoas que tem o mínimo de consideração comigo – eu respondi com sarcasmo. Jamais diria que estava saindo com Quentin, só por birra mesmo. – Meu carro ainda está na casa dos Freeday?

Ela fez uma expressão azeda.

– Está. Eu é que não dirigiria aquilo – ela respondeu.

– Você não gosta de dirigir nada além da vida dos outros – retruquei. – Tchau.

Ela abriu a boca para dizer alguma coisa, mas antes que dissesse eu saí do quarto e fui para fora do hotel. Teria que pegar um táxi, mas graças ao nível daquele lugar, já tinha um praticamente me esperando lá na frente. Então, quando o taxista me deixou na porta de Quentin, eu rezei para que um dos irmãos legais dele ou a mãe estivessem.

Não sei se conseguiria lidar com Gilliam. Ele era muito... arrepiante, para mim.

Para minha sorte (ao menos alguma desde que eu saí da cama naquele dia), quem atendeu a porta foi o irmão magrelo e com cara de drogado. Sua expressão de surpresa foi quase impagável. Ele enfim pareceu ter olhos!

– Oi... É a namorada do Q, certo? – perguntou como se não se lembrasse.

E não fazia nem bem uma semana que eu estivera ali. Além do mais... Q?

– É – eu disse. E me senti corar diante da idiotice daquele plano. – Eu sei que ele está no ensaio... mas vocês se importam se eu esperá-lo aqui? Acabei de sair de lá e seria constrangedor voltar...

Ele abriu a boca para responder alguma coisa quando a Christine apareceu logo atrás perguntando quem era. Quando ela me viu, a mulher deu um sorriso largo e pediu para que eu entrasse, pois estava frio. Quando lhe repeti o pedido, ela sorriu e disse:

– Claro que pode esperá-lo aqui. – Então olhou para o pesado relógio cuco pendurado na parede. – Ele deve estar voltando dentro de vinte minutos. Quer comer alguma coisa?

Neguei com a cabeça e sorri.

– Eu estou bem, obrigada – respondi.

Ela franziu o cenho para mim e disse:

– Você parece abatida. Aconteceu alguma coisa? – perguntou.

– Se tivesse sido apenas uma coisa – eu disse com sarcasmo. – Mas eu estou bem, obrigada, por perguntar.

– Quentin e suas namoradas problemáticas – o garoto suspirou dramaticamente, caminhando de volta para a sala de estar.

Senti vontade de perguntar o que ele quis dizer com aquilo quando Christine pediu desculpas pela grosseria e sugeriu que eu esperasse na sala também porque (mesmo eu dizendo que não estava com fome) ela ia trazer um suco de morango para mim. Eu sorri, agradecida. Sinceramente, só conhecendo a família de Quentin para entender o porquê ele é tão especial.

O garoto estava jogando videogame sentado no chão (porque o cabo do controle não chegava ao sofá) e, sentados ao seu lado, encostados no móvel, estavam Annelise e Roland. Observando e comentando o jogo de maneira conspiratória.

Meu coração quase soltou um grito de alivio ao perceber que Gilliam não estava.

– Hey, Letty! – Roland me saudou muito agitado.

– Oi – eu disse, sem graça.

Anne me observou com seus grandes olhos claros e permaneceu assim. Só me observando como se eu fosse um bicho curioso. Eu fiquei encarando-a também, querendo saber se ela esperava que eu fizesse alguma coisa. Isto é, até Roland dizer:

– Senta aqui.

Eu sorri e me sentei na pontinha do sofá, com as pernas ao lado de suas costas.

Apesar de ele voltar a brincar com Anne, e ambos continuarem com seu complô para arruinar a concentração do outro McCullogh, a garotinha hora ou outra voltava a me encarar. Sinceramente, eu já estava começando a ficar tímida e sem graça com seus olhos claros McCullogh me fitando com curiosidade.

Abaixei o olhar para digitar uma mensagem para Quentin de que eu estava esperando por ele em sua casa, um pouco aliviada por me livrar do olhar da garota. Ao erguer a cabeça, porém, Christine se materializou do meu lado com um copo cheio de suco de laranja e um sorriso afável.

– Você vai ficar para jantar, Letty? – ela perguntou, entregando-me o suco e parando um minuto para reprovar os filhos com o olhar.

– Hum... Se não for muito incômodo – eu respondi com um sorriso amarelo.

Ela deu um sorriso largo.

– Nenhum! – exclamou genuinamente contente. – Graças a Deus só Joseph e Roland estão aqui esse fim de semana. Às vezes, eu sinto que preciso de umas férias dos meus próprios filhos!

Eu ri. Se tivesse cinco filhos e uma neta eu também sentiria essa necessidade... E duvido que continuasse em tão boa forma quanto ela. Só não perguntei seu segredo porque poderia ser muita falta de delicadeza minha. Ela ainda sorria de orelha a orelha quando deixou a sala de estar.

Joseph e Roland soltaram um suspiro audível, que fizeram Anne rir.

– Não se preocupe que nossa mãe não é psicótica nem nada do tipo – ele me disse, sem tirar os olhos de seu jogo de estratégia. Alguma coisa com guerreiros chineses.

– Ela só gosta de conhecer nossas namoradas... Sei lá por que. Quanto mais atenção você der a ela, mais ela vai gostar de você – Roland explicou, dando de ombros. – E depois vai ficar difícil fugir, hein. Considere-se avisada.

Pela primeira vez, Joseph pausou seu jogo e olhou para mim, dizendo:

– Minha teoria com Charles, é de que ela sempre quis uma filha garota.

– A de Gilliam, é de que quanto mais tempo nossa mãe passar com nossas namoradas, menos elas vão querer... – Ele olhou para a filha. – Aquilo com a gente e ai as chances de acontecer um “acidente” são menores.

Eu pisquei, atônita.

– Ignore Gilliam. Tudo para ele gira em torno do sexo – Joseph comentou, revirando os olhos com ênfase e voltando ao seu jogo.

Roland soltou um suspiro ofendido.

– Joseph! Estou tentando manter uma criança pura aqui! – ele reclamou, apertando a filha junto ao peito de um modo protetor. – Eu hein... Essa atmosfera masculina ainda vai fazer mal à Anne. Ainda bem que mamãe cuida dela quando não estou, se não...

– Você deveria comprar logo um apartamento para vocês dois. Não é saudável um homem formado em marketing ainda morar com a mãe – retrucou o outro.

Os dois começaram a discutir sobre a “idade adequada para se deixar o ninho” quando Quentin voltou para casa, acompanhado de Helena. Quase soltei um suspiro de alívio porque os dois pararam de discutir e porque meu mundo pareceu apenas um sonho ruim novamente.

Como se, com Quentin, tudo não passasse de um pesadelo. Ele era real. Ele era como aquela sensação boa de acordar sem preocupações, de se dar conta que tudo passou e que está tudo bem. Ele sorriu quando seu olhar encontrou o meu na sala de estar. Então eu me dei conta do quão ferrada eu estava: eu amava aquele garoto... E em tão pouco tempo que era assustador.

– Letty – ele me cumprimentou, ignorando os dois irmãos e me beijando suavemente nos lábios. – Fiquei preocupado quando você saiu do teatro sem se despedir.

Eu assenti com a cabeça e o abracei. Respirando fundo. Querendo guardar dentro de mim aquele sentimento bom e seguro de: “foi só um pesadelo e está tudo bem agora”.

– Desculpe – eu pedi, envergonhada. – Pensei que alguma coisa podia ter acontecido com o meu pai porque... Ele está sozinho aqui e mamãe nunca me manda mensagem... Mas está tudo bem.

Ele franziu o cenho e me beijou na testa.

– Então porque essa ruga aqui? – perguntou.

Levei minha mão à testa e corei.

– Ruga?! Sou jovem de mais para ter ruga, Quentin McCullogh! – retruquei.

– Caramba... Você falou igual a sua mãe agora – Helena comentou assombrada, como eu mesma fiquei, indo até Annelise e pegando-a no colo. – Vamos Anne. Ninguém é obrigado a assistir seu tio com a namorada dele. Vamos acabar vomitando aqui.

Roland riu de seu lugar, no chão, enquanto Helena levava a garotinha para outro lugar. Acho que era a cozinha, onde Christine deveria estar preparando o jantar. Quentin não me soltou, apenas me apertou um pouco mais forte e se jogou no sofá junto comigo.

Incrivelmente, meu namorado não perguntou o que minha mãe queria e muito menos pediu para que eu me explicasse melhor. Não sei se foi porque ele sentiu que eu não queria falar do assunto ou se era porque seus dois irmãos estavam ali. De qualquer forma, fiquei tocada com a sua sensibilidade para com os meus sentimentos.

Ficamos aninhados no sofá falando bobagens sobre livros e vídeos do Youtube, enquanto Joseph jogava e Roland dava teco, até Christine nos chamar para jantar.

– Você é doida em ter aceitado ficar – Quentin me provocou.

Eu dei de ombros.

Sou doida por você, afinal.

Quando ergui o olhar, percebi que novamente eu tinha pensado numa coisa que não ficou somente no meu balão de pensamento. Eu corei. Gostaria de continuar filtrando o que digo do que penso. De qualquer forma, Quentin sorriu e beijou-me nos lábios.

– Sou doido por você também – respondeu, antes de me levar para a sala de jantar.

O jantar com eles não foi tão ruim assim. Tirando a minha descoberta que a mãe de Quentin era a “tia” que visitava Helena no hospital. Encontramo-nos apenas uma vez, enquanto eu estava meio grogue com os remédios, então não havia como eu me lembrar bem dela. Para a minha sorte, ela não perguntou nada sobre o que me levou ao hospital, muito menos seus filhos – apesar de eu saber que eles estavam curiosos.

Quentin ficou tenso por mim, mas fiz uma piada sobre a hiperatividade de Helena no hospital para ele não se preocupar.

– Amanhã nós vamos fazer um piquenique no parque para comemorarmos o aniversário de Annelise, você quer vir junto, Letty? – a mãe dele perguntou enquanto recolhia os pratos. – Vai ser só os garotos e Helena, que é quase minha filha.

Minha amiga, pela primeira vez, ficou bem corada. Fazendo-me querer rir.

Olhei para Quentin, para saber o que ele achava da ideia. Com um sorriso de canto, ele deu de ombros. Ele jamais iria querer eu me sentisse obrigada a ir.

– Eu preciso falar com meus pais... mas por mim está tudo bem – eu disse.

Christine sorriu.

– Que legal! Por que você não os convida também? Adoraria conhece-los – ela comentou sorridente.

Eu só mordi o lábio inferior e assenti com a cabeça.

– Claro... Vou falar convidá-los – eu disse.

Mentalmente, pensava que jamais ia chamar minha mãe para vir comigo. Meu pai até que passava, mas ninguém precisava ver minha mãe nos showzinhos dela.

– Helena, vem me ajudar com a louça? – Christine mudou de assunto, gesticulando para as louças nas próprias mãos.

– Eu posso ajudar se... a senhora quiser – eu ofereci, constrangida por não tê-lo feito antes. Onde estava a minha educação?

A mulher sorriu.

– Obrigada, mas quero falar a sós com Helena, de qualquer forma.

Eu corei, concordando com a cabeça. Minha amiga muito obviamente não queria ajudar com a louça, mas mesmo assim o fez. Quentin pousou a mão no meu braço e disse:

– Vem. Bora pro meu quarto.

Concordei com a cabeça novamente, tentando dissipar o sorriso malicioso que queria surgir no meu rosto. Minhas lembranças da última vez que eu havia pisado naquele quarto ainda pareciam muito nítidas na minha mente, apesar de parecerem ter sido uma eternidade e de eu estar um pouco bêbada na ocasião.

Nada havia mudado desde a última vez. A parede de seu quarto ainda era a coisa que mais me fascinava naquele ambiente. Quentin me deixou na sua cama e foi até o notebook, tirando os fones que estavam plugados.

– Acho que não sei bem de que tipo de música você gosta – ele disse, trazendo o notebook para a cama também. – Mas você tem que ouvir isso. Eles são incríveis.

Eu sorri.

– O.K. Bota a música aí, DJ – eu brinquei. – Qual a banda?

Van Canto – ele respondeu, dando play. – O nome da música é “The Last Night of the Kings”.

Deitei-me em sua cama e fechei os olhos. Escutando o que eu achei que fosse um cara cantando sons sem sentidos e um baixo. Quentin deitou-se também, com o notebook entre nós. Não sei por que, mas com aquele tipo de música, me veio um flashback dos filmes da saga do Senhor dos Anéis e afins, apesar da letra não ter nada a ver.

Quando abri os olhos e fitei a “parede da Escócia” dei-me conta que era porque aquela música parecia uma antiga canção medieval, ou celta.

– Essa parece uma música que... Sei lá, alguém cantaria em Senhor dos Anéis — eu comentei, divertida. — Eu gostei.

Quentin sorriu e cantou junto:

– It's the last nights of the kings We are the folk and we have de right to stand up and fight for a independent life. – Ainda sorrindo ele disse: — A sonoridade é toda com vozes, sabia? Tirando um baterista ou guitarra ocasionais, é apenas um grupo de pessoas cantando.

– Legal – eu disse. – Você geralmente curte essas músicas meio medievais?

Ele sorriu.

– Dentre outras coisas – ele abriu os olhos. – Sou eclético. Escuto do Visual Kei até o Power Metal do Sabatton.

Eu ri, negando com a cabeça.

– Você chama isso de eclético? Você basicamente gosta de bandas de rock pesado – eu provoquei. – Eu escuto desde Mika e Lady Gaga até o Heavy Metal romeno de Trooper.

Quentin riu, jogando o meu cabelo úmido na minha cara para me provocar.

– Nossa, você ganhou com seu alto nível de ecletismo – ele provocou de volta.

– Do que adianta se ainda não ganhei meu prêmio? – brinquei, rastejando até ele e beijando-o levemente sobre os lábios. – Agora valeu a pena ganhar.

Quentin sorriu e me beijou novamente.

– Mas para isso você não precisava ganhar de mim... – ele disse.

– E esse é o seu orgulho ferido de mau perdedor falando – brinquei.

Ele riu, balançando com a cabeça fitando o teto. Quando parou de rir, ele me olhou com seriedade. Eu senti seus olhos analisando os meus e depois descendo pelo meu nariz, e pousando nos meus lábios. Com o indicador, ele contornou minha boca e sorriu maliciosamente.

– No que você está pensando? – perguntei, tentando não corar.

Ele subiu os olhos para os meus novamente, mas quando ele ia responder, Helena entrou no quarto com uma garrafa de vodca e outra de Sprite e os olhos fechados.

– Estão todos vestidos? – ela perguntou com sarcasmo.

Quentin e eu rimos.

– Se você tivesse chegado dentro de dez minutos, provavelmente não. Eu já estava enfeitiçando a Letty – Quentin retrucou, fazendo-me dar uma cotovelada em seu peito. Ele riu então franziu o cenho: — Por que a vodca? Mamãe te chamou para você nos embebedar?

Sinceramente, nem eu entendi aquela garrafa na mão de Helena.

– Hã-hã... Claro. Aí ela vai poder arrancar tudo o que quiser saber da Letty – Helena brincou, sentando-se no chão com as costas apoiadas na cama. – Não. Eu só surrupiei enquanto estava na cozinha e ela fingiu que não percebeu. Amo a sua mãe, Quentin.

Saímos da cama e nos sentamos ao seu lado.

A música já havia acabado e agora tocava alguma sobre a segunda guerra e o dia D. Vai se entender o “gosto eclético” de Quentin. Apesar de ter um lado meio estranho, eu só conseguia achá-lo mais atraente a cada dia.

– Achei que a Letty iria querer um copo antes de nos contar o motivo urgente que a fez sair correndo para ver a mãe dela – Helena continuou, provocando-me com o olhar.

Sinceramente, não entendo o porquê as pessoas dizem que beber faz com que nos sintamos melhor. Da primeira vez em que eu bebi, foi sim legal, mas na segunda... Não gostei nenhum pouco. Eu fiquei toda sentimental só porque Ginie me provocou – como ela sempre faz. A única coisa boa foi o como a noite terminou: comigo e Quentin naquele quarto... Na melhor noite da minha vida.

– Letty? – Quentin me chamou, parecendo preocupado também. Quando ergui o olhar ele perguntou: — Aconteceu alguma coisa?

Eu ri. Não de felicidade, mas de amargura.

– Quando não acontece? – eu perguntei com sarcasmo. Quentin ergueu uma sobrancelha e eu disse para Helena: – Da pra abrir essa porra logo?

Notas finais
"Helena olhou para ele, inocentemente. - Não. Só acho que... Você já beijou um cara antes... - Eu estava bêbado – lembrou-lhe Quentin. -... Acho que Letty deveria ter os mesmos direitos – ela completou."