Nosso Nome Na Lista.

43 Capítulo 43 – Uma Mala.


Notas iniciais
OLÁAAAA!! FELIZ NATAL GENTE!! Eu sei que hoje é véspera, mas também é quarta-feira e estou postando de tarde para ninguém ficar lendo enquanto a festa de natal rola a noite u.u Agradeço aos reviews de: > Escritora de Araque > Ester > rosexavier > Beatrice Gr > Halloween Soul > Karry > Born to Die > LilyEvansPotter > Delicate > Cleozinha > Zabelita > Slipcom > Elizabeth > Lay > Miss Herondale > Lizz > Miss Me > Sely Walker > Chionn > Lizzie > Moz > brandi > Elidabfr > Marii > LuuhRocha > Patriciamelo > allinegmar > Sheila Rayane > Bia Rodrigues > liliansantos > Lanny Puckett > I am Hungry Sobre a resposta, vou responder assim que tiver tempo xD Postar cedo mexeu com o meu tempo de respostas de reviews kkkkk Bisou

Capítulo 43 – Uma Mala.

Quando voltamos para a sala de ensaio, Ginie me olhou com uma cara... Que fez com que eu me perguntasse se estava escrito na minha testa o que Quentin e eu estávamos fazendo. Acho que meu namorado, entretanto, não percebeu nada, pois me deu um beijo na testa e me passou para Helena, cuja expressão era de diversão.

Novamente, eu me perguntei se estava escrito “vadia” na minha testa.

– Eu pareço desarrumada? – perguntei para Helena, não passando de um sussurro.

Ela me olhou decima a baixo e riu.

– Só está com as roupas amassada – ela respondeu. – Quer dizer, vocês dois estão...

Eu corei, esperando que “roupas amassadas” não quisessem dizer que parecíamos ter acabado de transar... Não que isso tivesse ocorrido de verdade, mas é desagradável ter as pessoas olhando para você como se soubessem de toda a sua vida sexual.

Sinceramente, acho vulgar eu sair me vangloriando para cima de todo mundo (principalmente na frente de Ginie) que eu havia dormido com tal garoto ou que havia pegado ele bonito. Já acho vulgar ver garotos fazerem isso! Imagine eu sair espalhando para todo o teatro que acabei de fazer um boquete no Quentin.

– Ginie tá morrendo de inveja – Helena sussurrou, divertida. – Afinal, não é todo mundo que pode dar uns pegas no Quentin... Meu amigo é moço de família, agora.

Eu lhe lancei um olhar atravessado, mas não disse nada.

Se ela conhecesse aquela faceta do Quentin que eu estava conhecendo, podia desafiá-la a dizer isso novamente. Por achar vulgar expô-lo dessa forma, somente mordi o lábio inferior, mostrando um meio sorriso, e concordei com a cabeça. Soltando um “claro” nada convincente, procurando Quentin que estava com seus parceiros de atuação e sendo instruindo pelo diretor.

Meu celular apitou no meu bolso, chamando a atenção de Helena.

– Uma mensagem... da minha mãe – eu disse, surpresa.

– Se isso não for um indício de que vai nevar no inferno... não sei mais o que é – Helena comentou, erguendo as mãos sem acreditar.

Eu dei de ombros, e sai da sala para checar a mensagem.

Era raro minha mãe me procurar, mas, mais raro ainda, era ela mandar mensagem. Não gostava das teclas pequenas dos celulares.

“Venha para o hotel do seu pai” era o que dizia.

Franzi o cenho, tentando decifrar qual era a charada. Por que eu deveria ir para o hotel do meu pai e porque Victoria havia mandado aquela mensagem? Será que havia acontecido alguma coisa com ele? Ou será que ele me procurou em casa e, como não me encontrou, pediu para que ela me dissesse para procurá-lo? Se bem que papai jamais me mandaria ir atrás dele em tal lugar.

– O que foi, Letty? – Helena perguntou da porta.

Eu dei de ombros.

– Sinceramente, não sei. Mamãe me pediu para ir ao hotel do Micha... – eu lhe disse. – E eu estou com um mau pressentimento... Acho que aconteceu alguma coisa.

Helena deu um sorriso e pôs a mão sobre meu ombro.

– Provavelmente não deve ser nada – ela disse, então acrescentou num tom sarcástico: — É a “rainha do drama” afinal.

Eu suspirei, concordando com a cabeça.

– Mesmo assim, acho melhor eu ir – eu disse, mesmo que ela me reprovasse com o olhar. – Não vou pela minha mãe... mas pelo meu pai! Você... pode explicar pro Quentin?

Apesar da expressão contrariada, de quem não aprovava nenhum pouco a ideia, Helena concordou com a cabeça e soltou um suspiro. Despedimo-nos com um abraço apertado – afinal, não nos víamos com tanta frequência – e eu fui procurar a saída daquele teatro novo, pensando que estava bom demais para ser verdade.

...

De dentro do táxi, mandei uma mensagem avisando minha mãe de que eu estava chegando, logo, quando cheguei ao luxuoso hotel executivo onde meu pai estava hospedado há um pouco mais de quinze dias (engraçado porque ele dissera que passaria quinze dias aqui. Pergunto-me o que sua família pensa sobre isso), encontrei-a me esperando no Hall. Ao seu lado, algumas malas que me deixaram confusa.

Aproximei-me, sem conseguir parar de encarar aquelas malas.

– O que aconteceu? – perguntei, parando à sua frente.

Victoria soltou um suspiro e se levantou do sofá. Os cantos de sua boca tremeram, como se estivesse entre rir e chorar. Ambos eram estranhos para a minha mãe: ela não costumava demonstrar sentimentos. Nenhum e nem outro.

– Pensei que você ia me deixar esperando – ela comentou. Antes de perguntar caminhando até a recepcionista. — Vamos fazer o check-in?

Pisquei, atônita. Ela não ouviu a minha pergunta?! Pior que isso: ela decidiu ignorar a minha pergunta. Como ela sempre faz quando lhe convém. Nada me irritava mais do que a pessoa simplesmente fingir que eu não disse nada.

– Mãe, eu perguntei: “o que aconteceu?” – eu insisti irritada. – Porque temos que fazer check-in? Temos uma casa, sabia?

Ela só foi me responder depois de pedir um quarto para a recepcionista simpática, bem penteada e maquiada. Enquanto esta providenciava tudo, ela se virou para mim e respondeu de um jeito condescendente que me deu nos nervos:

– Walter e eu... Andamos nos desentendendo ultimamente.... Então decidimos “dar um tempo”. Por esse tempo, ficaremos aqui no hotel em que seu pai está.

Eu pisquei para ela. Apesar de ter ouvido, não acreditava.

Mesmo quando ela se virava para a moça da recepção, assinando documentos e tudo o mais, eu não conseguia acreditar. Quer dizer... Para começar, ela só estava casada com Walter há um ano! Apenas um ano não é tempo o suficiente para ela e ele começarem a se “desentender”. Depois... Como ela achava que podia decidir essas coisas – sair assim da casa do meu padrasto – sem me contar nada? Ela achava que eu era como uma daquelas malas que ela pode sair arrastando de um lado para o outro?

Apesar de sentir, a cada segundo que passava, um sentimento de indignação e frustração – impotência mesmo – crescer dentro de mim. Eu o engoli. Engoli porque disse a mim mesma que o problema era entre minha mãe e Walter e eu não tinha nada a ver com isso. Era briga de marido e mulher... Mas eu agradeceria muito se, essa mulher em questão, me avisasse de antemão que a qualquer momento poderíamos não ter mais uma “casa” por um tempo.

Como eu ia ficar agora? Ficar sem Ellen – a quem eu já me apegara como uma irmã caçula – e sem Riot! O cachorro ao qual eu já reivindiquei como sendo meu! Pensar nisso gerou um peso no meu peito maior do que eu podia esperar. Os Freeday são gente boa.

– Bruce – Victoria me chamou, estendendo um documento para eu preencher também. Ela fez uma expressão irritada ao perguntar: — Que foi? Que cara é essa?

Eu não respondi. Mordi o lábio inferior, muito puta, e preenchi as perguntas idiotas de praxe. Assinando logo em seguida e entreguei a recepcionista, que parecia genuinamente preocupada com a minha expressão furiosa. Eu não podia controlar. Se minha mãe abrisse a boca e me dirigisse a palavra, juro que iria surtar.

Eu sentia aquilo novamente. Sentia como se fosse algo borbulhando dentro de mim. Sentia aquele veneno corrosivo nadando em minhas veias, queimando-as de dentro para fora, novamente. A raiva era podre. Eu sentia vontade de gritar, como se estivesse sufocada.

– Odeio você – soltei, em um tom estrangulado.

Victoria se virou para mim.

– Hã? – perguntou. Não havia ouvido direito.

Ergui o olhar para ela. Sentia meus olhos ardendo.

– Odeio você – disse, mais alto e mais forte. – Odeio você... Odeio como você me trata, como se eu fosse uma mala que você é obrigada a levar para todo canto. Odeio quando você fica tão empolgada que acaba se casando com qualquer um, aí, quando eu começo a me acostumar com aquela vida... Você simplesmente decide que não quer mais! E me obriga a mudar tudo novamente! Você é tão egoísta!

Ela me fitou. Muito atônita com minhas palavras.

– Eu sou egoísta? – ela perguntou, como se não acreditasse. – Por Deus, Bruce, é você quem está reclamando que eu estou “arruinando” a sua vida só porque eu estou cuidando da minha! Você não tem nada a ver com meu casamento com Walter!

Eu pisquei, tentando afastar as lágrimas.

– Simples, então, não me envolva! Se a coisa não é séria, se você não consegue manter um relacionamento duradouro... Por Deus, não se case! Ou me mande para morar em algum lugar estável! Porque estou cansada de me apegar a alguma coisa e ter que me afastar dela! – soltei. – Sabe, como você me obrigou a me afastar do meu pai!

Victória estreitou os olhos para mim. Quase senti que ela quis me estrangular naquele momento... Mas então a recepcionista estendeu os cartões do nosso quarto para nós, e eu senti o seu medo em estar no meio daquele confronto, eu puxei o meu e caminhei para a porta do elevador.

– Aonde você vai? – perguntou Victoria.

– Falar com o meu pai, posso? – respondi com sarcasmo.

Ela fez uma expressão emburrada para mim, quase teria medo se não a conhecesse mais, todavia até parece que eu me importava com a sua raiva. Apertei no botão do quinto andar e não quis nem saber. Encostei-me contra a parede de metal e lutei contra a vontade de socar alguma coisa.

Era tão injusto. Ela era tão injusta! E depois meu pai perguntava o porque eu não me metia num consultório com ela... Como ele podia ser tão ingênuo? Ainda mais depois de tudo o que ela fez conosco... Como ele podia esquecer assim? Como ele podia perdoá-la por nos manter afastados durante dez anos?

Talvez eu jamais seria capaz de entender o que se passa na cabeça dos adultos.

Apesar de eu saber perdoar algumas coisas – como eu soube perdoar o segredo de Olivia e Paloma –, havia coisas, como aquelas, que eram imperdoáveis. Ela manipulou a minha vida. Ela decidiu que rumo eu tomaria, sem me perguntar ou parar para pensar no que era melhor para mim.

Quando saí do elevador, caminhei até o quarto 502 e bati na porta.

– Letty?! – ele exclamou surpreso.

Forcei um sorriso e o abracei com força. Por um instante, eu quis chorar, mas não chorei porque eu já não era mais aquela criancinha que chorava por tudo em seus braços. Ele beijou meus cabelos e perguntou:

– O que houve? O que você tá fazendo aqui?

Eu soltei um suspiro.

– Mamãe decidiu do nada que ela e Walter precisavam “dar um tempo” e viemos para cá – respondi, não conseguindo mascarar a minha raiva. – Só fiquei sabendo, literalmente, agora. Para fazer o check-in.

Ele franziu o cenho.

– Ela não me falou que estava mal com o novo marido – ele comentou.

Eu dei um sorriso amargo. Não havia nada de feliz nele e nem no que eu sentia.

– Claro que não. “Isso não tem nada a ver conosco”, afinal – eu respondi cruzando os braços. – Mas é sempre assim de qualquer forma... Só sabemos o que se passa quando temos que sair da casa.

Micha franziu o cenho e pediu para que eu entrasse ao perceber que ainda estávamos no corredor. Sorri e adentrei. Seu quarto era frio e moderno, como todo quarto de hotel. Não gostava disso. Sentiria falta da minha cama rabiscada e de um quarto para chamar de “meu”. Só de pensar que eu dividiria um quarto com Victoria, senti a bile subir a garganta. Mal conseguia suportar dividir uma casa, imagine um quarto.

– Ah, você chegou numa boa hora... Vem cá – ele disse, me puxando delicadamente pelo braço até uma mesa redonda perto do frigobar, onde um notebook estava aberto. Sentando-se na cadeira, percebi que ele estava no Skype. – Hazel, essa é sua meia-irmã, Letty. Letty, minha enteada, Hazel.

Na larga tela do programa, percebi que uma garota muito loira – de cabelos quase brancos – e olhos claros me observava de volta. Eu a reconheci do facebook, pois ela havia me adicionado havia pouco tempo, desde que meu pai voltara. Estava com os cabelos ralos presos num coque frouxo e com uma blusa larga que a fazia parecer muito pequena.

– É um prazer enfim te conhecer, Letty – ela disse sorrindo. – Papa fala muito de você. Mal posso esperar para te conhecer pessoalmente.

Eu corei, pois aquilo era estranho. Seu inglês tinha um leve sotaque.

– Prazer te conhecer também, Hazel – eu respondi, tentando sorrir também. – Papai também falou de você e da sua mãe. Espero poder visitar vocês na Alemanha algum dia.

Ela sorriu largamente.

– Seria fantástico! – exclamou parecendo realmente animada. – Vou te mostrar tudo o que os alemães têm de bom!

– Sim – concordei, então olhei para Micha e disse: — Eu preciso ir arrumar minhas malas... Podemos nos falar depois?

Era mentira. Eu não tinha que arrumar mala nenhuma – pelo menos era o que eu pensava – todavia, eu não queria que Hazel achasse que eu estava tentando ocupar meu pai durante todo tempo para ele nem ter como conversar com a família alemã. Se ele percebeu que era mentira, não demonstrou nada. Só reclamou que eu tinha ficado muito pouco, prometeu que falaria com a minha mãe e me beijou na testa.

Acenei em despedida para Hazel e sorrindo e ela fez o mesmo.

Quando saí do seu quarto, eu não me sentia muito melhor. Pelo menos de uma coisa eu tinha certeza: ele não estava mais furioso como antes por eu ter me recusado a ir ao terapeuta com minha mãe. Isso já era um alívio.

Passei lá no quarto que eu teria que dividir com a minha mãe e a encontrei no celular, sentada na ponta de uma das duas camas de solteiro. Revirei os olhos, só sentindo que eu teria que lidar com aquela cena todos os dias por tempo indefinido.

– O que seu pai disse? – ela perguntou, num tom debochado.

Eu dei um sorriso amargo. Caminhando até uma mala que reconheci como sendo minha e peguei uma muda de roupa. Pensei em ignorar a provocação, mas não pude resistir em responder:

– Que ele vai conversar com você mais tarde.

Ela arregalou os olhos para mim e eu dei um sorriso vitorioso. Aproveitando, ao menos um pouco, o gosto doce da vingança.

Fui para o banheiro e tomei um banho, vestindo em seguida uma camiseta quente e shorts jeans com estampa de flores. Quando liguei para Ellen, só para saber como ela estava lidando com tudo aquilo, encontrei-a tão desamparada quanto eu mesma.

Não acredito que eles não falaram que estavam em crise para a gente – ela choramingou. – Só sei que Lucien e eu estávamos aqui na sala quando sua mãe mandou Tara arrumar as malas de vocês duas...

Eu dei um sorriso amargo.

– Lucien? Você continua levando ele para casa? Você é ousada, hein? – zombei e ela riu, percebendo que estava desafiando a paciência da minha mãe fazendo isso. – O que o seu pai disse sobre isso?

Ellen suspirou.

Nada. Ele ainda não voltou da empresa – ela respondeu, parecendo preocupada. – Pergunto-me até se ele sabe disso... Mas daqui a pouco ele deve estar chegando para jantar, aí eu pergunto.

Ficamos em silêncio. Sem saber o que dizer para nos consolar.

Letty? – ela chamou, preenchendo o silêncio.

– Sim? – perguntei.

Ela suspirou.

Será que... não seremos mais irmãs? – perguntou preocupada.

Um arrepio percorreu a minha espinha, mas me obriguei a não transparecer o quanto sua pergunta me abalou. Eu gostava de Ellen. Eu aprendi a gostar dela – apesar de ter lutado para não gostar – desde que ela me salvou, encontrando-me desmaiada e me mandando para o hospital. Desde que ela me ajudou a gostar um pouquinho mais de mim também.

– Não importa, importa? – perguntei, tentando soar normal. – Quer dizer... Tecnicamente, nós nunca fomos irmãs... Não de sangue. Apesar disso, nós nos consideramos assim. Por que teria que mudar?

Ellen soltou um suspiro aliviado.

– Eu gosto de ter uma irmã mais velha como você – ela murmurou.

Eu sorri.

– Eu gosto de ter uma irmã mais nova como você – respondi.

Sem saber como nos despedirmos, acabamos nossa conversa aí. E quando chequei minhas mensagens, percebi o ícone de balãozinho branco no canto do celular. Três mensagens de Quentin no meu Whatsapp.

“Hell me contou que sua mãe te chamou”

“Tá tudo bem?”

“Senti que algo tinha acontecido hoje mais cedo, mas não quis pressionar”.

Soltei um palavrão.

– Para de agir assim... Você só me faz querer sair correndo e te contar tudo o que está acontecendo – resmunguei, apesar do sorriso que estava em meu rosto.

Notas finais
PREVIEW: - No que você está pensando? – perguntei, tentando não corar. Ele subiu os olhos para os meus novamente, mas quando ele ia responder, Helena entrou no quarto com uma garrafa de vodca e outra de Sprite e os olhos fechados. - Estão todos vestidos? – ela perguntou com sarcasmo. Quentin e eu rimos. - Se você tivesse chegado dentro de dez minutos, provavelmente não. Eu já estava enfeitiçando a Letty – Quentin retrucou, fazendo-me dar uma cotovelada em seu peito.