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34 Capítulo 34 – A Reunião de Ginie.


Notas iniciais
Gente, um capítulo grande e um pouco esclarecedor he he he Agradeço aos reviews de: > Kika Pichsterzy > V Maria > Sheila Rayane > Lizz > Cleozinha > Born to Die > Prin > vamp > Lanny Puckett > vic > Kami > LuuhRocha > Nay Castellan > Delicate > Laladhu > sweet Serial Killer > Senhorita GDragon > allinegmar > Cherry Valdez RESPONDEREI A TODOS ASSIM QUE POSSÍVEL!!! BISOU!! CURTAM AEW MEU POVO!!

Capítulo 34 – A Reunião de Ginie.

Como não sabia com que roupa aparecer numa festa dos colegas de teatro de Quentin, eu vesti aquela com a qual eu me sentia mais confortável: era um vestido azul que parecia ter sido atacado por tintas amarelas e cinzas e depois metido dentro de uma centrífuga. Eu adorava aquele vestido, apesar de ele ser tão curto que eu tinha que vestir um short por baixo só para me sentir mais “segura”.

– Quem você está tentando seduzir vestindo essa blusa como vestido? – Quentin me provocou quando veio me buscar.

Ele também estava vestido meio casual arrumado, apesar de Quentin sempre andar arrumado. Até mesmo na escola. Nós dois abominávamos essas pessoas que iam de chinelo para St. Justine. Jogando meus braços em torno dele eu respondi:

Você! É claro. Está dando certo?

Quentin mordeu o lábio inferior.

– Você sabe o quanto eu adoro as suas pernas... – ele murmurou para mim.

– Oh, sabe que eu tinha me esquecido? – confessei divertida. – Obrigada por me lembrar deste detalhe. E só para você saber, estou usando shorts por debaixo.

Quentiu riu e abriu a porta do carro para mim, enquanto dizia algo sobre não estar surpreso. Imaginei o que ele quis dizer com isso. Que eu era uma mulher prática? De fato, eu não gosto de ficar me preocupado se minha calcinha tá ou não aparecendo.

Entrei no carro e coloquei o cinto de segurança. Quentin deu a volta em Christine e fez o mesmo. Até metade do caminho até a casa de Ginie, nós ficamos em silêncio. Fiquei observando-o dirigir porque, até então, eu nunca havia percebido o quanto era másculo um homem atrás do volante... Com os bíceps contraindo e relaxando.

Tive que reprimir um suspiro alto.

– Eu não falei para o meu pai que estava namorando – eu lhe confessei, querendo quebrar o silêncio. Quentin olhou para mim parecendo preocupado.

– Por quê? – ele perguntou.

– Não me leve a mal... Não é que eu ache que o nosso namoro não é sério, nem nada assim... É só que passamos dez anos afastados. Quando ele foi embora, deixou uma criança e, quando voltou, eu já tinha crescido... Não sabia como ele iria reagir se eu dissesse logo de cara que estou namorando – expliquei.

Quentin desfez o cenho franzido e deu um sorriso de canto. Sua mão, que deveria estar no câmbio ou no volante, foi para a minha perna. Seu toque era leve e macio, mesmo depois de ter apertado minha pele. Foi quando senti um arrepio estranho percorrendo pela minha coluna, que eu percebi algo estranho: nós quase nunca nos tocávamos assim, pele com pele.

Nos abraçávamos quase o tempo todo, mas porque tudo pareceu tão diferente depois que ele acariciou a minha perna? Por que seu toque pareceu tão estranho de repente? E, ainda mais preocupante, por que seu toque era tão prazeroso?

– Acho que entendo – ele respondeu a algo que eu já nem me lembrava mais.

E ficamos em silêncio de novo. Por uns dez minutos.

– E com você? – perguntei. – Está tudo bem?

Ele olhou para mim meio desconfiado, pelo canto do olho, e sua mão voltou para o volante. Quase que eu reclamei, pois não queria que ele deixasse de me tocar.

– Por que a pergunta? Pareço mal? – ele perguntou.

– Não... Só quero saber – respondi, sorrindo. — Você é tão calado para falar de si mesmo... Hum... Me explica essa história do Brian!

Quentin pareceu cansado.

– Sério? Você quer ouvi-la agora? – ele perguntou.

– Por favor – eu pedi e brinquei: – Acho que, como sua namorada, tenho o direito de saber do seu ex-namorado gay.

Meu namorado não riu, mas mostrou um sorriso de quem achou divertido. Soltando um suspiro de derrota, Quentin disse:

– O.K. Para começar, Brian não era meu “ex-namorado gay”. Como eu já te disse, eu não sou gay e muito menos bissexual... Gosto de garotas, principalmente uma em particular que está sentada do meu lado; enquanto Brian gosta de garotos e ponto.

Eu sorri de orelha a orelha na parte em que fui referida.

– E o que aconteceu para vocês terem “uma história”? – eu perguntei.

Um pouco desconfortável e hesitante, Quentin me contou a história.

– Se lembra de quando eu te falei que entrei numa festa para maiores e peguei meu pai com outra mulher? – ele perguntou. Assenti com a cabeça, lembrando-me que era para ser engraçada, mas não foi. – Bem... Brian estava comigo. Éramos amigos e ele me pôs para dentro porque o pai dele era sócio da boate. Eu havia bebido muito. Muito mesmo. Fiquei pior do que você com aquele copinho de vodca.

“Quando encontrei meu pai traindo minha mãe e depois soltando aquela frase ridícula, óbvio que eu fui para cima dele puto da vida. Quando os seguranças nos afastaram, ameaçando tirar a gente da festa, Brian e uns amigos nossos que estavam lá me puxaram para longe dele antes que eu avançasse de novo.”

“Como eu estava muito mal, Brian se ofereceu para me levar para casa. Mas eu não queria que a minha mãe me visse daquele jeito – bêbado e puto -, então pedi para Brian me levar para a casa dele que eu iria passar a noite lá.

– Cara, você sabe que eu sou gay, né? – ele havia brincado.

Não era segredo para ninguém que Brian gostava de garotos.

– Eu estou topando qualquer coisa para não encarar meu pai amanhã de manhã quando eu estiver morto de ressaca – eu havia respondido, ou algo do tipo.

Ele não insistiu mais e me levou para a casa dele. Ele praticamente cuidou de mim a madrugada toda... Confesso que não sei o que deu em mim para fazer o que eu fiz. Talvez fosse o álcool ou a emoção dele ter cuidado de mim o tempo todo... Só sei que eu disse:

– Brian, eu te amo cara.

E o beijei.”

E foi nesse momento, em que as lágrimas que eu estava prestes a derramar... Secaram. Pois fiquei estarrecida.

– Você... Beijou o garoto?! – repeti, não conseguindo mais visualizar a cena.

Quentin ficou vermelho. Muito vermelho. Não sei se era por estar desconfortável, ou se era por ter vergonha de responder a minha pergunta. Soltei um suspiro.

– O.K. Não precisa responder. Prossiga com a história, por favor – eu pedi.

Ele me olhou de soslaio novamente e sua mão veio para o meu colo. Acho que procurando a minha para saber se estava tudo bem. Para a sorte dele eu: não tinha preconceito e eu sempre achei que era melhor ser trocado por um garoto do que por outra garota. Mesmo que, no caso, aparentemente, Quentin trocou Brian por várias outras garotas que devem ter vindo antes de mim.

Mesmo assim, acho que era plausível eu ficar... Tensa ao imaginar (ou nem isso, porque eu não conseguia) meu namorado com outro garoto. Tipo... Quem seria o passivo e o ativo? Quentin tinha meio cara de passivo, apesar de agir como um ativo... Mas, ai! Que merda, será que ele ainda gostasse de garotos? Será que ele havia gostado de beijar Brian e eles namoraram depois disso?

– Letty... Para... Deixa eu continuar – ele pediu, pegando a minha mão sobre o meu colo. Eu corei, porque parecia que ele havia lido minha mente.

– Continua – pedi, desconfortável.

Quentin suspirou.

– No dia seguinte acordei me sentindo super mal... Não pelo beijo, mas pela ressaca em si. Eu nem me lembrava do que havia feito até que Brian me perguntou, depois que eu estava melhor, em suas palavras: “O que diabos havia sido aquilo?”. Pedi desculpas a ele e disse que havia sido o álcool e porque eu estava muito mal com tudo o que aconteceu. Ele as aceitou, e deixamos essa história de lado como se nunca tivesse existido...

“O que eu havia me esquecido era que a irmã de treze anos dele curtia muito histórias de garoto com garoto e saiu espalhando para a escola toda que eu era namorado do irmão dela... Então, todo mundo da escola achou que eu fosse gay, Brian ficou mal por isso, porque ele achou que se não tivesse tocado no assunto, ninguém saberia... E foi isso” ele terminou com um sorriso amarelo.

E esse era o fim do mistério. O fim do caso Brian.

Fiquei mais tranquila. Eles não haviam namorado e não havia acontecido mais nada. Quentin gostava de garotas, ele de garotos, e ponto.

Fiquei um tempo, pensando se valeu a pena eu saber dessa história, ou se ela não me acrescentara em nada... Depois de um tempo, decidi que valeu a pena. Agora eu entendia o porquê Quentin não gostava de beber tanto em festas. E o porquê ele havia se transferido para o St. Justine tão passivamente. Ops, escolha errada de palavra.

– Hum... Bem, saiba que hoje à noite, se você ficar muito bêbado eu vou cuidar de você. Então pode beber à vontade – eu comentei, tentando brincar.

Quentin olhou para mim de novo, parecendo surpreso.

– Não te incomoda isso? – ele perguntou. – Saber de toda essa história?

Eu neguei com a cabeça.

– Incomodou no início... Mas se você diz que não aconteceu mais nada entra vocês dois... Então não tem porque me incomodar, certo? – Perguntei, pedindo uma confirmação que foi quase imediata. Soltei um suspiro aliviado. – Hum... Posso perguntar como sua relação com o seu pai ficou depois dessa noite?

Quentin umedeceu os lábios e olhou para a estrada pensativamente.

– Ficou conturbado – ele respondeu. – Quer dizer, nós nunca nos gostamos muito... Ele dizia que teatro era coisa de mulher, e que eu deveria fazer algum esporte... Foi só para agradá-lo que eu comecei a fazer Pakour... Mas depois dessa noite e do dia seguinte a ela... Eu não quero mais vê-lo nem pintado de ouro na minha frente.

Quentin não percebeu, mas cerrou os punhos com força. Tanta força que os nós dos seus dedos ficaram brancos e quase amassou meus dedos.

– Somos um casal engraçado – eu disse, levando sua mão à minha boca e beijando aquela parte tensa. – O cara com problemas com o pai, e a garota com problemas com a mãe.

Eu não ri, mas ele, com seu humor deturpado, sim.

Mesmo assim, quando saímos do carro, eu quis me socar. Havíamos saído de casa em bom humor, e agora eu havia abaixado o astral de Quentin até o ponto de cogitarmos voltar e arrumar um programa mais “light” que uma festa agora.

Eu segurei seu rosto entre minhas mãos e ele me olhou, parecendo curioso.

– Ei, a conversa lá no carro... Ela vai ficar no carro, tá?

Ele sorriu e me puxou pela cintura, até que eu estivesse espremida contra o seu corpo, e me beijou do seu jeito. Aquele jeito que era meio selvagem e a mesmo tempo muito doce. Daquele jeito que me fazia bagunçar os seus cabelos e perder o controle porque o calor do corpo dele parece sempre migrar para o meu.

Quando Quentin me afastou de seus lábios, ele respondeu com um “O.K.” que me deu vontade de beijá-lo mais uma vez. Ele estava ofegante, e o movimento do seu peito subindo e descendo era sexy.

– Ah, vocês chegaram! – Helena disse, saindo da casa e vindo até nós. E acusou: — Vocês demoraram!

Quentin deu um sorriso safado.

– Pegamos o caminho mais longo – ele respondeu.

Apesar de ser mentira, eu corei muito.

– O.K... – Helena disse, fazendo uma expressão de: “essa foi demais para mim”. – Bem, vamos entrando? Ginie está para subir para as paredes porque Quentin não está lá.

Acho que senti algo quente correndo pelas minhas veias. Nunca pensei que sentiria ciúmes de Ginie, mas o fato de ela investir em cima de um cara que todo mundo sabia que tinha namorada era revoltante.

Enquanto caminhamos para casa, com a mão firme de Quentin na minha cintura me fazendo sorrir feito uma idiota, perguntei-me o porquê, diferente da festa de Josh, aquela não estava parecendo tão barulhenta. A música que tocava era um pop rock de alguma banda famosa que eu não conhecia, mas não estava tão alta até o ponto de nos deixar surdos do lado de fora.

E também, diferente a festa do gay encubado, aquela não estava cheia de carros lutando por garagem ou lotada de pessoas em todos os cantos. Aparentemente, descobri quando entramos na sala de estar, aquela era uma reunião para uma quantidade seleta de pessoas. Havia muita gente do teatro, e alguns amigos deles.

– Quentin! – Ginie apareceu, feliz da vida, quase ameaçando se jogar em cima dele.

Minha presença foi um balde de água fria na sua animação fogosa.

– Oi, Ginie – Quentin a cumprimentou, sorridente. – Lembra da Letty, minha namorada? Espero que não se incomode, você disse que eu podia chamar quem quisesse.

– Hum... Claro – ela disse, parecendo realmente satisfeita com a minha presença. – E aí, Letty? Tudo bem?

– Tudo. E com você? – respondi educadamente.

– Uma montanha-russa – ela disse. – Estava bom... Ficou melhor... E voltou ao bom.

Nossa, para uma garota que tem o maior jeito de santa, nunca pensei que ela fosse tão direta. Sempre acreditei que havia uma linha muito tênue entre “ser livre” e “ser vadia”. E ser vadia não começava com uma garota dormindo com um bando de gente porque ela quer, mas começava quando a garota sabia que o cara tinha namorada e mesmo assim dava em cima dele.

Conclusão: Ginie é uma vadia. Mas não tão vadia quanto Yvonne, que dormiu com todos do time de futebol, até aqueles que namoravam.

– Nossa... Isso deve ser um saco – eu comentei, fingindo solidariedade.

Quentin percebeu meu estado de hostilidade, pois logo me puxou para ir cumprimentar os garotos que conheci semana passada. Olhei por sobre o ombro, desejando poder dizer que eu estaria de olho nela. Eu tinha uma espiã competente afinal.

Helena me seguiu, dando risadas silenciosas.

Eles estavam jogando alguma coisa numa mesa na cozinha. Um dos balcões estava repleto de bebidas alcóolicas, algumas já estavam até na metade. Era um jogo engraçado com um dado no copo... Sei lá, era confuso também. Mas de algum modo envolviam doses de algum xarope nojento num copo de tequila.

– Olha quem chegou seus bêbados! – Helena gritou, passando por mim e se jogando em cima do homem de cabelos longos estilo heavy metal.

Infelizmente, eu havia me esquecido o nome deles. Então decidi que passaria a chamá-los pelo nome dos personagens que eles fariam na peça: Van Hellsing, o anjo e Jonathan Hacker. E, depois de um tempo, percebi que Helena não estava brincando ao chamá-los de “bêbados”.

– E aí? – eles disseram, quase juntos, com a voz embargada pela bebida.

– Olá... – Quentin disse, parecendo surpreso. – Vocês se lembram da Letty?

Eu dei um aceno tímido.

– Claro. Ela é tão gost-... – O anjo começou, mas foi interrompido quando o Van Hellsing deu um tapa na cabeça dele.

– Encantadora – completou o Jonathan Hacker, com um sorriso simpático. Então se virou para Quentin e perguntou: — Vocês estão a fim de se juntarem a nós?

– O que diabos é isso aí? – meu namorado perguntou, pegando o copo e cheirando. Ele fez uma careta e colocou-o de volta a mesa.

– Sei lá... Alguma bebida alemã... – O Van Hellsing respondeu. – Vocês tem que provar isso. É simplesmente muito bom. Mais que isso: maravilhoso. Mas tem que beber de uma vez só.

Antes que eu e Quentin tivéssemos tempo para recusar, ele já estava enchendo mais um copo com aquele xarope espesso e escuro. Olhei para o meu namorado, perguntando silenciosamente se aquilo era “bebível”. Ele olhou para mim de volta, com a expressão mais fofa dizendo: “não faço a mínima ideia”.

Quando pegamos os dois copinhos, com os olhares daqueles garotos e de Helena vidrado na gente, não teve como não nos sentirmos como Romeu e Julieta antes de beber o veneno. Tudo bem que não foi assim. Até onde eu sei, Romeu bebeu o veneno primeiro, Julieta acordou, o encontrou morto e se matou com o punhal dele.

Mas enfim, nenhum de nós dois queríamos beber aquilo.

– Juntos? – ele perguntou.

Assenti com a cabeça. Contamos até três e viramos aquela bebida espessa e nojenta... Era difícil descrever o gosto daquilo, mas não era tão ruim quanto parecia. Quando engoli, ela parecia ir deixando um rastro “quentinho” pela garganta. A sensação era boa, apesar do gosto não ser tanto.

Por fim, arrepiei-me toda, fazendo Quentin colocar um braço em volta dos meus ombros como se quisesse me proteger do frio. Mas fora só um restinho meio amargo (acredito que fosse do álcool) que fizera eu me contorcer um pouco.

Os caras bêbados e Helena pareciam intrigados, divertidos e tudo o mais... Rindo porque Quentin e eu conseguimos virar aquela coisa nojenta, mas boa.

– Vocês são tão fofinhos juntos! – Nathalie, a garota gorda do cabelo cor-de-rosa, soltou, entrando na cozinha pela porta dos fundos. Junto dela estava aquela que parecia um travesti, Mia. Ela fez um sinal para a amiga musculosa: – Foto! Foto!

E “Flash”. Ela bateu uma foto que quase me deixou cega, e acredito que a Quentin também, já que ele ficou piscando inúmeras vezes. Sim, eu também senti como se minha pupila nunca mais fosse dilatar novamente.

– Hey, onde vocês estavam? – Quentin perguntou malicioso, depois de recuperado.

Seu tom causou outro arrepio pelo meu corpo. Desta vez, um bom.

– Hum, seu safadinho. Sempre pensando besteira hein? – criticou Nathalie.

– Estávamos batendo foto do jardim de Ginie – Mia respondeu fazendo um gesto para a câmera pendurada em seu pescoço. – Ela tem um belo jardim de inverno... Achei que seria interessante para a minha aula de fotografia.

Quentin concordou com a cabeça.

– Hey, pessoal que canta nessa merda de musical, e quem não canta também – o Van Hellsing acrescentou piscando para mim. — Vocês não querem jogar com a gente? – Apesar do tom grosseiro, ele dissera com bom humor.

– Ah, nós vamos entrar também – Ginie se apresentou, arrastando o cara moreno de expressão sombria que eu vira de relance com ela.

– Ah, Letty, acho que não te apresentei... Esse é Holder, o bailarino que faz o papel do Drácula – Helena disse, gesticulando para o moreno.

Sorri e o cumprimentei educadamente. Ele... nem tanto.

Meu namorado olhou para mim como se esperasse uma resposta para a pergunta do Van Hellsing cabeludo. Eu me senti corar porque eu não queria que ele sentisse como se eu estivesse mandando nele.

– Eu não sei jogar isso... Seja lá o que isso for – eu confessei.

– É fácil! – disse o garoto do anjo, parecendo bem animado. – É assim...

– Deixa que eu explico – o Jonathan disse. Ele parecia estar melhor ali. – É assim... Cada pessoa vai jogar o dado uma vez, e, ao fim da rodada, quem tirou o mesmo número da pessoa que começou a partida vai beber uma dose. Se ninguém tirar o mesmo número, o cara que jogou primeiro vai ter que beber duas doses. Entendeu?

Sim, eu havia entendido. E, apesar de parecer divertido, também parecia assustador... Olhei para Quentin.

– E aí? Você topa? – provoquei.

Ele era quem tinha problemas com bebida.

– Sua proposta de cuidar de mim quando eu estiver bêbado ainda está de pé? – ele perguntou, erguendo aquela sobrancelha sexy para mim. – Eu sou muito azarado.

Eu sorri e assenti com a cabeça.

– Ainda bem. Uma coisa na qual você não é bom – zombei, sentando-me à mesa e puxando Quentin para se sentar ao meu lado. – Estamos dentro, então.

Notas finais
"- Deita comigo – ele pediu. Ele me puxou pelo braço, mas não foi para a cama; foi para os seus lábios. Não sei porque, mas eu hesitei Por algum motivo, estar ali, no quarto dele (na cama dele) às quatro da madrugada, com nós dois bêbados, me deixava nervosa."