Nosso Destino Começa
8 Castigo...
Notas iniciais
NOTAS FINAIS E INICIAIS
Terminei de ler o bilhete com o rosto vermelho pelas terríveis lágrimas que escorriam dos meus olhos. Deixei meu celular na escrivaninha, não sabia o que fazer. Pensei um pouco, limpei as lagrimas que ainda escorriam molhando minha face e respirei fundo. “Não pode ser” pensei “Ele não faria isso comigo, não faria isso com os filhos dele”, mas ele tinha feito, eu tinha acabado de ler aquilo.
Queria naquele instante acordar as crianças e fugir com eles, mas não podia, estava tarde não podia fazer isso com eles, falaria com eles quando acordássemos.
Fui dormir, bom, pelo menos tentar dormir o que não foi possível pois fiquei acordada a noite toda chorando pensando como seria da minha vida daqui pra frente. Mãe e sem um pai para eles, mãe solteira.
...
Acordei as seis, horário normal de qualquer dia. Levantei rapidamente sem muita frescura, queria sair o mais rápido possível daquela casa. Corri ao quarto da Dani, o mais perto do meu.
—Filha levante! Acorde Dani! –Abri sua cortina enquanto falava em claro e alto som.
—O que foi? –Ela acordou e olhou em volta apertando os olhos.
—Levante vamos!
Fui ao corredor.
—Vamos Dani!!! –Bati na porta do quarto do Daniel.
Fui ao quarto do Pedro, tirei sua coberta e comecei a chacoalha-lo. Ele me viu e colocou o aparelho auditivo.
—Vamos querido! Levante! –Ajudei-o a levantar. –Coloque uma roupa e arruma suas coisas.
—Não vamos para a escola? –Ele perguntou.
—Não, hoje não. –Falei pegando uma roupa para ele.
—Oba! –Ele comemorou.
Se eu estivesse em um bom dia até ligaria para isso, mas hoje não.
Deixei uma muda de roupa em sua cama e fui ao quarto da Jennifer que era o do lado, mas pelo barulho ela já havia acordado.
—O que está acontecendo, mãe? –Ela perguntou.
—Depois explico, querida. –Beijei sua testa. –Agora se troque e coloque suas coisas na mala.
—Por quê? –Ela perguntou.
—Depois eu explico.
Fui até meu quarto e fui colocando roupa por roupa em uma mala, peguei toda as malas que encontrei e as enchi com as minhas coisas, acho que nunca, nunca fiz minhas malas tão rapidamente. Em meia hora coloquei todas as minhas coisas em todas as malas que eu encontrei.
Quando terminei ouvi alguém batendo na porta, levantei e olhei para ver quem era. Eram os trigêmeos e o Pedro, estavam me olhando.
—Mamma, por que temos que fazer as malas? –A Dani perguntou.
—Vamos ir ver o papai? –O Pedro perguntou esperançoso.
Soltei um breve suspiro e sentei nas ponta da cama.
—Venham aqui. –Falei chamando-os.
Eles vieram e se sentaram, os gêmeos do meu lado e o Pedro no meu colo.
—Nós não vamos ir ver o pai de vocês, na verdade vamos fazer exatamente o contrário. –Falei.
—Como assim? –O Daniel perguntou confuso.
—Ontem recebi uma mensagem de seu pai. –Comecei. –E ele disse na mensagem que quer se divorciar. –Contei-os.
—O quê? –A Dani perguntou com os olhos já vermelhos.
—Eu e o seu pai vamos nos divorciar quando ele voltar.
—O papai vai deixar a gente? –O Pedro perguntou tristonho.
—Sim querido. –Passei a mão pelo cabelo escuro dele.
—Você ligou pra ele? Tentou conversar com ele? –A Jennifer perguntou.
—Não, ainda não quis fazer isso. –Falei.
—E o que vamos fazer agora? –O Daniel perguntou logo em seguida.
—Vamos ir morar em outro lugar, por isso quero que arrumem suas coisas para irmos o mais rápido possível, vou falar com a imobiliária, eles tinham nos oferecido uma cobertura em um bairro perto da casa da tia Camila. –Falei.
—Mas é longe. –A Dani criticou.
—Eu sei, mas vai ser melhor agora, vocês não vão precisar mudar de escola, fiquem calmos. E lá é um bairro ótimo. –Falei olhando-os.
Eles me olharam, levantaram e foram em bora, estavam abalados pela notícia, eles não estavam acreditando que isso tinha acontecido, mas nem eu, estava acreditando.
...
1 Mês depois
Nós nos mudamos para o apartamento, é uma cobertura linda e bem espaçosa, acho que não precisaremos sair daqui. O Leon ainda não voltou a Buenos Aires, e nem me ligar vai, estou brava então mudei meu número de telefone.
A Jennifer começou a ir para a escola, ela não entrou nas líderes de torcida com a Dani, ela não quis, preferiu fazer a aula de futebol feminino, o Daniel tem um jogo importante hoje, e se eles ganharem irão para a final, e a Dani comandará a equipe de líderes de torcida no jogo, os pais nem ninguém podem ir, vai ser um jogo fechado, ninguém poderá ver, ao contrário das finais.
Estava em casa, descansando um pouco ansiosa pela chegada dos meninos.
POV DANIEL
Estávamos voltando para a casa, eu, a Dani e a Jennifer. Estávamos super-felizes, afinal, nós ganhamos o jogo. Passávamos por uma praça enquanto ríamos, mas fomos interrompidos por dois meninos e três meninas, os meninos eram do time adversário, o time que perdeu, e as meninas, líderes de torcida deles.
—Vocês trapacearam! –Um dos garotos falou.
—Aceite, o jogo foi justo, nós ganhamos legalmente. –Falei.
—Seu pé estava na linha Vargas, não valeu! –Disse o outro garoto.
—Engraçado que só vocês viram, o juiz não. –A Dani falou.
—Fica fora disso garotinha. –Umas das meninas empurrou a Dani.
—Não encosta na minha irmã. –Defendi a Dani.
—Que fofo, defendendo a irmãzinha. –O garoto zombou de mim.
—Você é sem noção ou só cego! –A Jennifer interrompeu atacando o menino.
—Ih olha, a menininha nova é intrometida. –A outra garota riu da Jennifer.
—Qual é a de vocês hein? –Empurrei um dos meninos pelo ombro.
—Você ousou tocar em mim?
—Toquei, e daí? –Fui pra cima dele.
—Quer briga Vargas?
Bom, ao final de tudo, nós começamos a brigar, era um soco aqui, um chute ali e todos estavam envolvidos.
A Luta só terminou quando nós resolvemos “fugir”, nós os deixamos lá e fomos para a casa, com a mochila nas costas e todos machucados.
—A mamma vai matar a gente. –Falei.
—Nós já estamos quase mortos. –A Jennifer disse.
—Concordo. –A Dani sorriu logo reclamando de dor.
Andamos mancando até em casa, quando chegamos em casa, abrimos a porta o mais cautelosamente possível para que a nossa mãe não nos ouvisse ou visse chegando. Entramos de mansinho na casa, fechamos a porta e fomos na pontinha do pé, mas ela estava na sala e nos viu.
—Por que estão entrando de mansinho? –Minha mãe nos olhou.
Quando ela bateu os olhos em nós, os arregalou e veio em nossa direção.
—O que vocês fizeram? –Ela passou a mão pelos nossos rostos.
—Nada. –Falei. –Só, au. –Ela passou a mão pelo machucado. –Só uma briguinha de rua.
—Não acredito! –Ela nos encarava. –Venham.
Fomos até o sofá e nos sentamos no mesmo. Ela foi até o banheiro e pegou o quite de primeiros socorros.
Ela se sentou na nossa frente e nos olhou com o quite de primeiros socorros ao seu lado.
—Deus. –Ela pegou um algodão úmido e começou a limpar nossos machucados, ela acabou gastando um saco inteirinho. –Por que foram se meter nisso? –Ela perguntou enquanto limpava.
—Não foi culpa nossa, mamma. –A Dani disse. –Ai, ai, mamma, cuidado...
—Vocês merecem. –Ela disse enquanto limpava um machucado na testa da Dani. –Por que vocês não podem tentar não arrumar confusões?
—Ai... –Foi a vez da Jennifer. –Nós sentimos muito, mãe.
—Eu sei. –Ela sorriu. –Só espero que os gêmeos que vão nascer não sejam iguais a vocês, espero que sejam mais calmos.
Depois de ela nos limar nós fomos para o quarto ficar de castigo...
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