Corremos o mais rápido que pudemos até a delegacia, meu coração estava a mil, não podia acreditar.

Chegamos na delegacia em poucos minutos. Na delegacia havia uma rodinha de policiais que estavam vendo algo, não tinha ninguém na recepção e um choro de bebê bem alto dominava o lugar. Fomos até a rosinha onde vimos duas policiais no centro da rodinha, cada uma com um bebê no colo, meus bebês, Laís e Theo bem na minha frente.

—Sr. e Sra. Vargas! –Um policial nos olhou.

—Aqui estão seus filhos. –Peguei a Laís e o Leon o Theo.

—Minha pequena. –Beijei a testa dela. –Sh... Pronto meu amor, é a mamãe. –Eu tentava faze-la parar de chorar.

...

—Eles são lindos. –Olhava os bebês no berço.

—Vamos combinar de nunca mais mentir um para o outro, pode ser? –O Leon perguntou rindo.

—Claro. Mas fique calmo, um segredo como este não vai mais ter, porque a linha de produção fechou. –Informei-o. –A Minha intenção era ter só a Dani e o Dani, por mim eu parava ali.

—Mas foi bom, eu sempre quis ter bastante filho. –Ele falou.

—Não foi tão ruim assim... –Fui interrompida.

—Mãe? –A Jennifer me chamou.

—Sim, querida. –Virei para a porta e olhei-a.

—Você viu a Dani? Ela sumiu.

—Ela estava meio estressada, ela deve ter ido andar um pouco. –Falei. –Ela adora andar quando está estressada.

—Tudo bem. –Ela assentiu. –Os bebês dormiram? –Ela perguntou.

—Sim. –O Leon respondeu. –Estavam cansados.

—Mãe posso falar com você? –A Jenni perguntou meio sem graça.

—Claro meu amor, vou no banheiro e já te encontro no seu quarto.

—Obrigada. –Ela se despediu e saiu do quarto.

...

POV JENNIFER

Estava no meu quarto sentada na cama tentando me controlar de ansiedade, eu estava batendo o pé no chão descontroladamente enquanto brincava com a minha bola de futebol. Tinha recebido uma proposta hoje e prometi responder amanhã e eu quero a opinião da minha mãe e da Dani.

—Cheguei. –Minha mãe entrou. –O que queria falar comigo?

—Hoje no treino de futebol um menino, Scott veio falar comigo. –Comecei. –E ele me pediu em namoro.

Vi a expressão da minha mãe mudar de alegre para preocupada e orgulhosa ao mesmo tempo.

—O que foi? –Perguntei.

—Nada. –Ela fechou os olhos rapidamente e mexeu a cabeça. –Estou feliz por você.

—Obrigada.

—E você disse o que? –Ela parecia mais animada que eu.

—Nada, vou responder amanhã, queria sua opinião, e a da Dani.

—Minha opinião, querida. –Minha mãe pegou em minha mão. –É as sua, você gosta desse menino? –Ela olhou fundo em meus olhos.

—Sim. –Senti minhas bochechas queimarem um pouco.

—Então diga isso a ele. –Ela sorriu.

—Obrigada, mãe. –Sorri.

—De nada querida. –Ela beijou minha bochecha.

—Vou ir descansar um pouco. –Ela levantou e se retirou do quarto.

POV DANIELE

Após dar uma caminhada pelo bairro, eu voltei para a casa um pouco melhor, cheguei em casa por volta das 21:30, cheguei tarde e sabia que ia levar bronca por isso, mas não estava ligando muito, não hoje.

Abri a porta de casa calmamente sem pressa. Olhei para a sala e vi meu pai se levantar do sofá de braços cruzados e expressão brava.

—Daniele Castillo Vargas, posso saber o que a Senhorita estava fazendo fora de casa? –Ele me encarou.

—Fui andar, papá. –Andei dois passos para frente.

—Mas isso não é hora de voltar! –Ela falou um pouco mais alto. –Nós já jantamos e seus irmãos estão no quarto se preparando para dormir.

—Desculpa, papá. –Mexi na minha pulseira.

—Você nem atendeu o celular, Daniele! –Ele estava bravo, muito bravo.

—Eu desliguei. –Olhei para o chão.

—Olha pra mim! –Ele mandou.

Ergui a cabeça rapidamente.

—Nunca mais desligue o celular e nunca mais chegue em casa depois das sete, a não ser que você esteja com um adulto, entendido?! –Ele me olhava bravo.

—Sim, papá. –Assenti.

—Pra cama, já! –Ele apontou para cima.

Subi um pouco mais rápido do que gostaria.

No meu quarto, larguei minha bolsa em cima da escrivaninha e me joguei na cama, não fiquei relaxada por muito tempo pois logo alguém bate na porta e entrou.

—Oi. –A Jenni entrou.

—Oi... –Levantei da cama sem ânimo.

—Ouvi a bronca do papai. –Ela riu.

—Ele estava bem bravo. –Falei. –O que foi?

—Preciso perguntar uma coisa pra você. –Ela se sentou atrás da escrivaninha.

—Fala. –Sentei na cama olhando-a.

—Hoje o Scott veio me pedir em namoro. –Meu coração voltou a se despedaçar. –O que eu devo responder?

—Eu?

—É. –Ela assentiu.

—Por mim, eu faria o que você sente, responda o que você acha que é certo. –Falei sem ânimo nenhum para falar desse assunto.

—A mamãe falou a mesma coisa. –Ela sorriu. –Eu vou dormir, obrigada, Dani. –Ela me abraçou e eu retribui o abraço.

Ela levantou após o abraço e foi na direção da porta com um sorriso no rosto.

Fiquei novamente solitário no meu quarto que pela primeira vez parecia extremamente depressivo e entediante. Resolvi dormir para ver se esse pensamento de que o garoto que eu sou apaixonada desde o sexto ano está pedindo em namoro minha irmã gêmea, tentei, juro, tentei ficar feliz pela Jenni, mas isso do Scott estar apaixonado pela minha irmã não saia por nada da minha cabeça.

Acordei às seis da manhã com meu despertador tocando, acordei ainda com o mesmo pensamento, fui tomar meu banho matinal. Enquanto deixava a água e temperatura perfeita escorrer pelo meu corpo, tive uma ideia, que prejudicaria uma pessoa que amo muito, mas que estava me fazendo sofrer. O pensamento em me “fantasiar” de Jennifer e dar um fora no Scott rodeou minha cabeça por um bom tempo. Eu sabia que a Jenni gosta dele e ele dela, mas eu amo o Scott e não sei se suportaria vê-lo com outra pessoa.

Ao final, corri ao quarto da Jenni enquanto ela tomava o banho dela, em silêncio, cuidado e cautela abri seu armário e peguei uma muda de roupas dela, nós usamos o mesmo tamanho então ia dar certo. Não ia vestir a roupa agora, coloquei-a em minha mochila, iria coloca-la só para o momento em que eu fosse falar com o Scott.

Como toda manhã normal tomei meu café da manhã e meu pai nos levou para a escola indo direto ao trabalho depois.

Tive meu dia normal de escola e ao final das aulas fui ao banheiro e me troquei, deixei minha mochila no armário e fui encontrar o Scott.

Ele estava na quadra (como sempre), estava jogando basquete, mas parou para falar comigo, quer dizer, com a Jenni.

—Oi, Jen. –É assim que ele a chama.

—Oi. –Não sabia como ela o chamava então não comentei nomes.

—Então, sobre ontem, o que você me diz?

—Scott...

Meu coração me dizia, metade para eu dizer não pelo garoto que eu amo e sim para minha irmã ficar feliz com o garoto que ela ama.

—Então... –Ele me encarou.

—...