Nossas Sombras

5 Vítima do próprio jogo


Ao criar um vínculo com o sujeito, me divertia expressando meu desejo, de forma amigável e sem intenções, o que me valia era justamente a fantasia de estar em flerte, não tinha como acabar me influenciando, fiz os cálculos; hétero, evangélico, adolescente descontraído, não tinha como dar errado, não teria como aprofundar o vínculo, seria uma amizade efêmera, utilizando-o para satisfazer meus desejos fantasiosos.

Algo deu errado, ao passo em que me utilizava desse sujeito, algo em mim começava desejar que de fato, minhas fantasias fossem reais, enquanto a isso, sabia dos riscos os quais aceitei e poderia lidar da melhor forma. Mas não fui capaz de me manter consciente de minha própria mentira, de mim mesmo, sensível, empata e em sofrimento, meu vazio gritava.

Me tornei a vítima em meu próprio jogo, ao descobrir aos poucos que aquele sujeito, sustentava uma dor igual, até maior que a minha. Inconscientemente, eu começava a me mover subliminar, tentando alcançar sua dor, para confirmar minhas descobertas, e ao constatar os relatos desse sujeito, um desejo desconhecido surgia em mim, posso dizer que, estava apaixonado, pela sua dor, pela nossa dor, eu acabei encontrando um vazio que conseguia abraçar o meu vazio.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.