Nossas Horas Escuras

2 CAPÍTULO II - Catástrofe Iminente


Notas iniciais
Eu adorei escrever esse capítulo! Espero que gostem :,)... Sou super aberta à sugestões, viu? BOA LEITURA, gente!

Os Potter chegaram à sua primeira escolha de local seguro, a residência de Olho Tonto Moody. Thiago calculara, na verdade, que o impassível chefe do Departamento de Segurança Mágica não estaria em casa. Mas alguém melhor estaria.

Lílian dava passos curtos e nervosos com o bebê no colo quando Thiago bateu os nós de seus dedos na porta marrom e desgastada do número 34. Os dois ouviram cliques baixos, o feitiço inicial contra intrusos se desfazendo momentaneamente. Mesmo assim, Thiago ainda teve que fazer complexos movimentos de varinha e sussurrar a senha da Ordem para a maçaneta.

"Testrálios Tagarelas me Trouxeram à Tottenham" ele disse, seus lábios se mexendo quase imperceptivelmente. A porta foi destrancada, finalmente, e os três entraram tão rápido que ninguém pensaria que a porta sequer fora aberta. As trancas clicaram mais uma vez e a magia ali direcionada voltou prontamente.

"Vamos!" chamou Lílian, que já seguia para a cozinha. A casa estava escura, e o dono, ausente, obviamente não facilitaria em nada qualquer possível visita (especialmente de Comensais da Morte) à sua casa.

Atravessando o corredor, os dois se viram ombro a ombro numa cozinha que poderia ser descrita como o sonho de qualquer dona de casa. Da bancada aos eletrodomésticos, a cozinha de Olho Tonto Moody era surpreendentemente linda e organizada — o que talvez tenha colaborado ainda mais para o desconforto de Thiago.

Lílian, assertiva, passou Harry para o colo de Thiago e seguiu direto para a parede oposta ao fogão onde o papel de parede setentista estava se descolando. Em um dos lugares onde o papel de parede estava mais destacado, Lílian tateou até achar um buraco minúsculo. Sem hesitação, Lílian tocou sua varinha ali, e um fraco brilho percorreu da ponta de sua varinha até a parede, traçando em luz o contorno retangular de uma porta. A bruxa empurrou, e a porta secreta se abriu revelando uma escadaria de madeira que levava ao porão. À indicação da esposa, Thiago desceu na frente enquanto Lílian selava a porta atrás de si.

Thiago estava uma pilha de nervos, é claro. Na sua cabeça, ele desejou desesperadamente que algum membro da Ordem estivesse ali, que eles encontrassem alguém. Que ninguém tivesse morrido esta noite. Ele desceu os degraus rapidamente, e da metade da escada Thiago avistou logo de cara um enorme cachorro preto dormindo sob o longo tapete persa ao lado do aquecedor.

Thiago sentiu seu coração palpitar e o sangue voltando a circular pelo seu corpo.

"SIRIUS!" Thiago chamou.

O porão consistia em uma sala de leitura antiquada com sofás e estantes cheias de quinquilharias. No meio do caos, o cão estava com o focinho levantado, suas orelhas atentas e direcionadas à escada. Seus grandes olhos pretos brilharam, e em um piscar de olhos o que antes era pelo, agora se transformara num emaranhado de cabelos que caíam com teatralidade contornando o rosto de Sirius Black. Os dois homens se abraçaram como dois irmãos se abraçariam depois de uma longa temporada sem se ver, o pequeno Harry firme entre o abraço dos dois.

Sirius e Thiago se viraram a tempo de observar Lílian descer os últimos degraus da escada, sua aparência obviamente desconcertada quando ela se posicionou perto de Thiago. A bruxa suspirou audivelmente.

"Ah, Sirius, graças a Deus que você tá aqui. Cadê os outros?"

Com uma seriedade inquestionável, Sirius perguntou: "Na Toca. O que aconteceu, por que vieram pra cá?"

Thiago o olhou, a mandíbula tensa. Quando Thiago falou, sua voz saiu rouca "Fomos atacados no chalé, Sirius. Ele veio atrás de Harry, como Dumbledore disse."

Sirius e Thiago trocaram um olhar de cumplicidade por um instante, o tipo de olhar que apenas Marotos, com uma conexão tão forte quanto a deles, reconheceriam. Pânico não-falado desceu sob o ambiente. O amigo se inclinou para frente, de repente.

"Voldemort? Espera, se vocês conseguiram fugir... Ele seguiu vocês até aqui?!"

Lílian interviu. "Não, ele... se foi. " A mulher fez uma pausa e umedeceu seus lábios, e então continuou "Escuta Sirius, nós fomos atacados. Isso significa que alguém provavelmente está atrás de Alice e Frank também! Precisamos encontrá-los, Neville está em perigo."

Nesse instante, Harry, que até então mordia sua chupeta com tranquilidade, começou a choramingar. Ele bateu suas pequenas mãos rechonchudas no ombro de Thiago em protesto. Embalando seu filho, Thiago pensou no pequeno Neville, seu afilhado.

As palavras de Lílian foram o bastante para assustar Sirius Black. Lílian andou até o aquecedor e enviou uma mensagem de alerta via rede de Flu: "Atenção! Liverpool em perigo. Eu repito, Liverpool em perigo."

"Liverpool", é claro, é o codinome dos Longbottoms. Tentando melhorar a segurança dos membros da resistência que possuem crianças pequenas por perto, Alice Longbottom sugeriu a criação de codinomes meses atrás. Os codinomes eram nomes de cidades cuja letra inicial é a mesma do sobrenome da família, e assim os Potter viraram Perth, os Bones viraram Belfast e os Weasley, Westminster.

Percebendo a gravidade da situação, Sirius deu três largos passos e parou diante de um grande mostruário de estatuetas. De figuras míticas até cachorrinhos fofos, Olho Tonto tinha uma bizarra coleção de criaturas em bronze. É claro, as estatuetas só eram simples criaturas em bronze para o olhar desatento. Sirius pegou uma estatueta gasta e feia de coelho e olhou para os Potter.

"Acho que Remo e Fabian estarão lá a qualquer segundo agora, mas mais varinhas é sempre melhor." disse Sirius.

"Eu vou com você." declarou Thiago imediatamente. Ele então se virou para Lílian, cujos olhos espelhavam toda a determinação que queimava no coração de Thiago. "Vocês dois fiquem aqui, eu mando notícias assim que puder. Eu já volto, Evans."

Se inclinando, Thiago beijou rapidamente a bochecha de Lílian, passando o bebê para o colo da mãe. Em seguida, Thiago colocou sua mão espalmada sob a estatueta de coelho. O bronze desapareceu sob o brilho roxo que a chave de portal emanava.

Em um segundo Thiago e Sirius estavam num porão mal-iluminado, e no outro o mundo era um borrão de manchas e vento.

—--

Sirius e Thiago aterrissaram em um beco de tijolos vermelhos. Uma conclusão veio imediatamente a Sirius: ele nunca estivera num lugar parecido com aquele. Na extrema margem de Londres, as casas eram todas espremidas entre si e possuíam uma arquitetura colonial típica de um vilarejo agrícola e bucólico como Chesham. Sorrateiro, Sirius se apoiou na parede à sua direita e falou ao amigo enquanto os dois espiavam a rua.

"Eles estão morando naquele apartamento com a porta azul. É o prédio com número 10, tá vendo?"

"Tô. Então a gente faz o disfarce clássico. E Sirius?"

Sirius olhou por cima do ombro na direção de Thiago, seus olhos claramente expressando um mudo "O que?". Com o rosto sério e a voz levemente irônica, Thiago disse:

"Não morra."

Sirius sorriu presunçosamente como sempre fazia, talvez para tentar passar uma confiança maior do que a que sentia no momento. Sirius não conseguia deixar de pensar que de alguma forma desde que Thiago e Lílian desceram aquelas escadas do porão, a situação nunca estivera tão crítica. A Ordem estava sob risco de perder quatro dos seus melhores, mais corajosos e mais confiáveis membros. Pessoalmente para Sirius, isso significava que ele quase perdera um irmão, uma cunhada honorária e o afilhado esta noite. Enquanto Thiago desdobrava e se cobria com a capa da invisibilidade, Sirius fez um voto silencioso de fazer de tudo para salvar Alice e Frank. Esse era o momento.

Com um leve giro, Sirius se transformou na sua forma animal: um grande cachorro preto. No momento em que os dois saíram de seu local de tocaia e começaram a andar discretamente calçada acima, Sirius e Thiago viram o momento em que dois bruxos encapuzados desaparataram no último degrau do número 10. Um dos vultos era mais baixo, provavelmente uma mulher, e Sirius assistiu quando ela arrombou a porta azul e entrou na residência dos Longbottom.

Quando a porta azul se fechou atrás dos dois vultos, Sirius não precisou olhar para Thiago para saber que o amigo estava em seu encalço, os dois galopando em direção à porta. Thiago foi na frente, e Sirius sabia que ele estaria de varinha a postos e sentidos atentos.

Apesar de ter visto dois possíveis Comensais entrando na casa, era claro para Sirius de que todo cuidado seria pouco. Os Longbottom e os Potter eram os alvos principais do Lorde das Trevas no momento. Se o próprio Voldemort prestara uma visita à Thiago e Lílian, era capaz de que os encarregados de acabar com Frank e Alice fossem os mais fortes e fiéis seguidores.

Os Lestrange, pensou Sirius. Prima.

Enquanto pisavam o hall de entrada deserto da casa, Sirius sentiu duas leves pancadinhas no seu ombro esquerdo. Ele sabia que isso era um sinal de Thiago. Á sua esquerda, foi o que o gesto quis dizer. Sirius ficou um pouco atrás com as orelhas alertas enquanto Thiago tomou a dianteira. De repente, os dois Marotos ouviram um barulho de vidro se quebrando.

Correndo para a porta aberta do cômodo à esquerda, Sirius se viu diante de uma modesta sala de jantar iluminada apenas por uma luz suave do abajur. Aparentemente, Frank Longbottom havia derrubado um copo dʽágua e se encontrava de cócoras catando os cacos do chão. Alguma coisa estava errada. Onde estão os Comensais da Morte que entraram segundos antes na casa?

Pelo portal da cozinha, Alice surgiu. Frank se levantou e se virou em direção à esposa. Sirius achou estranho que ela usasse vestes bruxas em casa enquanto Frank estava usando pijamas. Talvez ela tivesse saído e estava voltando agora.

"Frank? Tudo bem, querido?"

Frank olhou para ela e Sirius percebeu que ele parecia mais aliviado do que um instante atrás. Alice estendeu os braços em direção ao marido, que prontamente a abraçou. Ele parecia confuso.

"Tá tudo bem, foi só um copo... Na verdade, achei que você ia demorar mais no Beco. O plano não era fazer as compras cedo pra fugir dos olhares dos Comensais?"

Alice soltou uma risada bem-humorada. Nos braços do marido, a jovem bruxa arrumou afetuosamente os fios de cabelo loiro que caíam sob os olhos de Frank. "Ah, Frankie... Acho que já é tarde demais pra isso, não acha?" o homem loiro arregalou os olhos, abalado.

Em choque, Sirius percebeu tarde demais quando Alice, com sua varinha apoiada no peito de Frank, disse em alto e bom som: "Crucio!"

Notas finais
Desculpa por esse final! Comentem o que vocês acham que vai acontecer, estou curiosa!