Nossa Última Noite

1 Capítulo único


Era madrugada. Um céu sem estrelas e com uma tímida meia lua era a única testemunha do meu – nosso – luxurioso desejo. O vento, que vez ou outra soprava, congelava e arrepiava, e alguns chuviscos ameaçavam se transformar numa chuva. Naquela noite, a única coisa quente era meu corpo colidindo ao seu, meu Frank.

Eu sentia sua falta com cada minúsculo pedaço meu. Sua morte foi uma lança em brasas direto no meu peito, uma lança afiada como o diabo, que foi torcida e retorcida a cada memória sua que minha mente insistia em não ignorar. Meu menino, perdoe-me... Desde que nos conhecemos, eu sequer fui suficientemente esperto para perceber que eu transformei o começo de sua vida no fim dela. Eu transformei um doce garoto em um ser humano frio e insensível. Eu fui incapaz de notar que o brilho dos seus olhos, daqueles seus olhos verdes hipnotizantes, era por mim. Fui, também, cego por não notar que meus olhos, antes tristes e vazios, resplandeciam quando encontravam os seus. Fui surdo por não ouvir nossos corações batendo ao mesmo tom, numa melodia que soava como um desesperado pedido um do outro. E, principalmente, meu coração foi mudo por não dizer – não saber dizer – o quanto precisava do seu. Por isso, quando você se foi, eu morri também. Quando você se foi, meu coração gritou com todas as forças por você, meu amor, por nós.

Eu trazia comigo uma pá e uma única flor: uma rosa murcha, de ponta-cabeça. Deitei a rosa sobre a grama úmida que rodeava seu túmulo e, então, peguei a pá com as duas mãos, apertando-a com força. Cavei e cavei, com uma pressa incansável que me dava um frio agoniado na barriga. Até que o som oco da pá cutucando seu caixão soou como uma música para mim. A mais bela música que meus ouvidos já teriam ouvido.

E lá estava você, deitado estirado com os olhos fechados, num sono eterno e sem sonhos. Sua pele parecia-me mais pálida e você não tinha mais seu calor característico, você estava frio. Entretanto, você continuava perfeito aos meus olhos.

Abracei-te, colando um beijo demorado na sua testa. O choque de temperaturas entre você e eu era assustador e encantador ao mesmo tempo. Eu te despi e o fiz comigo mesmo, também. Mesmo alto e ávido por você, eu me contive por alguns instantes para nos ver. Era esse o momento que nós sonhávamos, não era? Eu aproveitei, então, para fotografar mentalmente cada momento que eu pudesse levar comigo. Minha intuição gritava-me que você estava ali junto de mim, nos assistindo, por isso eu sussurrei no pé do seu ouvido:

— Certamente nós iremos nos encontrar no inferno, Frank. Eu vejo meu nome ao lado do seu na próxima chamada para o submundo: Gerard e Frank. Mas, como um último desejo, eu te levarei ao céu antes.

Cobri seu gélido corpo de beijos. Percorri lentamente seu pescoço com minha língua, fazendo pequenas pausas para mordê-lo. Atrevi-me a descer mais um pouco, até seu peitoral. E mais um pouco, até sua barriga. E mais um pouco... Beijos não me satisfizeram o suficiente, eu queria mais. Eu lambi você. E te chupei. Na minha cabeça, eu ouvia seus gemidos aumentando. Eu ficava cada vez mais alto, sentindo ondas de prazer subindo e descendo e percorrendo meu corpo inteiro de forma rápida e ávida, até que me esgotei. Pingando por entre minhas pernas, meu leite molhou o fundo do seu caixão, deixando algumas gotas do nosso sedento desejo eternizado. Eu beijei você mais uma vez e, finalmente, te prometi minha vida:

— Eu estou logo atrás de você, meu amor. Nós encontraremos nos confins do inferno e lá teremos outras noites. Eu te amo.

Fim.

Notas finais
Eu não escrevo a um bom tempo, então não é uma das melhores fanfics que eu já fiz. Minha escrita tá um pouco enferrujada... Mas é uma boa fanfic, um pouco incomum, mas eu gostei dela. O que você achou? Me mande um review comentando, aceito até mesmo críticas negativas! E um super ultra hiper motherfucking mega obrigada por ler ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!