Paramos em um lugar escuro, tudo em volta era completamente negro, mas eu conseguia ver meu corpo, sem cores, eu era inteiramente branca.

— Lana? — olho em volta procurando por ela

— Yo! — fala deitada no chão perto de meus pés

— Por que está no chão?

— Foi onde eu acordei e onde eu resolvi ficar. — junta as mãos sobre a barriga

— Onde estamos, afinal?

— Não tenho ideia

— É seu livro, você não deveria supostamente saber de todas as historias dele?

— É que algumas delas só existem nele, então eu não tenho como saber

— Como diabos vamos fazer uma historia acontecer se não sabemos o final?

— Talvez terminando da melhor forma possível?

— Tá. — suspiro e estendo a mão pra ela — Vamos começar procurando alguém ou alguma coisa por aqui

— Acho que não será necessário. — ela aponta para cima, onde uma luz branca começa a se expandir clareando o local. Uma grande mão aparece por onde a luz sai e puxa à nós duas.

Somos puxadas para um grande quarto cor de rosa, tudo em volta parecia absurdamente grande.

— Acho que combina com você. — ela fala me olhando, olho para baixo e vejo um vestido rosa que não estava em mim antes, eu estava vestida como uma boneca — As minhas também não aprecem nada mal. — estava vestida como um daqueles príncipes de contos de fada

— Eu odiei, que caralhos está acontecendo aqui?

— Talvez ela saiba de algo. — aponta para cima, uma enorme garotinha estava nos segurando, ela tinha o cabelo preso preso em marias chiquinhas e usava um vestido um pouco parecido com o meu, a menina sorria enquanto nos olhava

— Finalmente! — ela berra — Finalmente chegaram!

Ela corre até o outro lado do quarto, onde, encima de uma mesa, havia uma casinha de bonecas. Ela abre uma de suas paredes e me coloca dentro de uma quarto, deitada na cama, tento me mover, mas são poucos os movimentos que conseguia fazer.

— EI, LANA! — eu grito para ela enquanto ela é levada para outra parte da casa, ela acena para mim, aparentemente a garotinha não conseguia me ouvir

— Ding Dong. — a garotinha faz o som de campainha — "Estou indo". — responde me tirando da cama e me fazendo andar até a porta de entrada, abro a porta e Lana estava ali me esperando — "Ah, Eleanor! Minha querida, eu estou de volta!"

"Que raio de nome é esse que você me deu?", penso enquanto sou obrigada a abraçar Lana pelas mãos da menina.

— Abraaaaaço. — balbucia

— Você está se aproveitando disso, não está?

— Oportunidade única. — cantarola

— "Você não imagina o quanto pensei em você enquanto estava fora naquele navio, os acordos com reinos distantes, encontros com a realeza, eu trocaria tudo isso para ficar com você, meu amor!" — faz a voz de Lana — "Mas você está aqui agora, meu bem, podemos ficar juntos para sempre agora" — sinto raiva e tedio tendo que escutar aquilo — "Eu te amo, Eleanor!", "Eu também te amo, Edmund!"

Ela nos aproxima encostando nossos rostos, a empurro um pouco para longe o máximo que podia com o movimento limitado, apenas o suficiente para deixar nossos rostos a uma distancia segura de 2 centímetros mais ou menos.

— Você nunca disse que me ama antes, eu não sabia que você se sentia assim. — fala enquanto sua bochecha é empurrada pela minha mão

— Cala a boca, idiota! E como assim "nunca disse que me ama antes"? Nós nos conhecemos ontem!

— Não seja tão dura com sua amiga

— E QUEM DISSE QUE SOMOS AMIGAS?

Discutíamos enquanto a garota continuava empurrando nossos rostos um contra o outro. Ela logo nos separa quando escuta o barulho da porta do andar de baixo se abrindo com um barulho de chaves.

— Mamãe chegou! — nos larga na mesa e puxa um papel com um desenho, abre a porta e escuto seus passos apressados pela escada

— Ela parou da melhor parte.... — fala

— Calada. — dou um tapa em sua nuca e ela ri baixo

— Você é engraçada. — dá um leve sorriso

— E você é irritante. — me levanto — Me ajude logo a descobrir como fazemos pra sair daqui

Lana me puxa pra baixo de novo quando escuta a garota voltando para o quarto, ela volta cabisbaixa e joga o desenho encima da mesa perto de nós, ela reclama para nós de como queria que sua mãe passasse mais tempo com ela, suspira e volta a sair do quarto.

— Já sabemos o que fazer. — Lana fala

— O que?

— Entregaremos o desenho para a mãe

— Só isso?

Ela para e pensa um pouco, caminha até o atrás da casinha de bonecas e puxa um giz, pede ajuda e escreve "sinto sua falta" no desenho.

— Agora vai dar certo

— E como sairemos daqui?

— Essa é a parte mais fácil. — segura uma ponta do desenho e caminha até o outro lado para pegar a outra ponta — Se segure nas minhas costas

— Isso vai dar certo? — me seguro nela

— De jeito nenhum

Pula do alto da mesa, ela estava certa, não deu certo, mas a queda não me machucou, pois Lana amorteceu minha queda.

— Vá sem mim, eu não tenho mais muito tempo

— Larga de ser fresca! — a puxo pelo braço e corro pelo longo caminho até o corredor

Deixamos o desenho em frente a uma porta que especulamos ser o quarto da mãe e batemos o mais forte que conseguimos, correndo para longe logo depois para que não fossemos vistas. A mãe sai do quarto e pega o desenho, o encarando por alguns segundo em silencio, logo depois caminhando até o andar inferior da casa, não sei o que aconteceu depois, Lana falou que fizemos tudo que tínhamos que fazer, então imaginei que acabou tudo bem.

Abro os olhos vendo o céu escuro sob nós, o chão do lado de fora da escola machucando minhas costas me fez ficar de pé logo.

— Chegamos cedo. — vira seu celular pra mim mostrando 20:30

— Estou com fome

— Aqui. — abre sua mochila e retira um saco com donuts e me dá um

— Valeu. — o pego

— Vamos pra sua casa?

— Você não tem a sua?

— É solitário

— Eu não ligo

— Então pode me dar uma carona?

— Não

— Ok

Coloca sua mochila nas costas e vai andando para fora, subo na lambreta e vou dirigindo até o portão a vendo se afastar.

— Fica muito longe?

— Um pouco, mas à pé demora mais. — me olha por cima do ombro

— Tá, suba

— Vai me dar uma carona?

— De jeito nenhum, não vou sair da cidade por você, vou te levar pra minha casa

— Ótimo, seu sofá é macio

— Não se acostume a isso

— Você não disse isso ontem?

— Quer voltar pra casa à pé?

— Eu não disse absolutamente nada

Se agarra em minhas costas e eu vou nos levanto pela noite fria.