Nossa história
1 Irmãs de sangue
Notas iniciais
Eles não moram mais em San Fransokyo mas sim em Tokyo por causa do trabalho do Hiro(por incrível que pareça isso não é algo relevante pra história. Por enquanto pelo menos.
Mas vamos começar?
Capítulo 1
“Eu acho que o papai está escondendo algo da gente.” – Disse Sora pra sua gêmea mais nova, Kawori.
“Hein?” – Kawori respondeu sonolenta. – “Sora, eu to com sono...” – Ela respondeu colocando um travesseiro no rosto pra abafar o som da voz da irmã.
“Kawori, é sério. Ele ta escondendo alguma coisa da gente.”
“Amanhã a gente conversa...” – A Hamada mais nova murmurou.
Sora olhou no relógio que ficava na parede do quarto e viu que marcava 00:05.
“Já são meia noite e cinco. Já é amanhã.”
Sora jogou um travesseiro na irmã que o jogou de volta, com raiva.
“Tem que ser sempre agora com você, não é? Ta bom...” – ela sentou na cama, ficando de frente pra irmã. – “fala. Rápido.”
“Ta bom. Hoje eu ouvi o papai conversando com alguém pelo telefone. Foi uma conversa meio estranha...”
“Como assim?”
“Ele tava falando com alguém sobre a gente.”
“A gente?”
“É...”
*Algumas horas mais cedo...*
Sora tinha acabado de chegar em casa, vindo do colégio. Kawori tinha ficado no colégio pra terminar um trabalho escolar atrasado.
“Como sempre...” – Pensou Sora quando a irmã lhe explicou porque não iriam pra casa juntas.
Chegando em casa, percebeu que o pai estava na sala falando com alguém pelo celular. Ele acenou quando ela passou por ele e ela, não querendo incomodar apenas sorriu e foi direto pra cozinha tomar um copo de água, estava morrendo de sede.
Pegou um copo, colocou água e quando ia beber, ouviu o pai dizer algo que chamou sua atenção.
“É, eu sei, eu vou falar...” – pausa – “Eu sei que eu tive doze anos, mas...”
Nisso ele se levantou e foi pra outro cômodo, provavelmente pra evitar que Sora ouvisse o resto da conversa. Mas mesmo assim ela ainda conseguiu ouvir uma última frase.
“Eu tenho medo de como elas vão reagir. Não é todo dia que você descobre que você é filha de outra pessoa...”
Ela não ouviu mais nada. Nem que seu pai continuasse na sala ou até mesmo do lado dela ela seria capaz de ouvir qualquer coisa. Ela quase derrubou o copo que estava segurando.
“Filha de outra pessoa? Como assim? Eu devo ter entendido errado... Não, eu não entendi errado. Eu ouvi o que eu ouvi. Eu sei que ouvi, mas como assim? Filha de outra pessoa? Ele não pode estar falando... de mim e da Kawori não é? Não é?”
“Sora?” – Era Hiro chamando.
“Eu, hm, o que foi?”
“Tudo bem?” – Ele parecia preocupado.
“Eu to bem, pai. Por que não estaria?” – Ela deu uma leve risada tentando provar que estava falando a verdade.
“Você ta encarando o copo de um jeito meio estranho. E onde está a sua irmã?”
“Colégio. Ela tinha um trabalho pra terminar.”
“Ok... tem certeza de que você está bem?”
“Tenho sim. Eu vou... fazer minha lição de casa. Até depois.”
E saiu correndo em direção ao quarto que dividia com a irmã.
*De volta ao presente...*
“Então você acha que ele estava falando da gente? Que a gente é filha de outra pessoa? Que outra pessoa?” – Kawori bocejou no final da pergunta, mas agora bem mais interessada no que a irmã estava dizendo.
“Eu não sei. Eu não consegui ouvir mais nada. Ele não ia esconder uma coisa dessas de gente... iria? Não só ele, a tia Cass também. Se a gente é adotada ela sabe.”
Kawori ficou quieta por alguns momentos, parecia estar refletindo em algo. Depois contou alguma coisa nos dedos, como se estivesse fazendo alguma conta. Sora ficou esperando que ela respondesse algo.
“Por que ele iria adotar a gente?” – A gêmea mais nova perguntou séria.
“Como assim?”
“Ele tem 27 anos. Isso quer dizer que quando a gente nasceu ele só tinha 15. Por que alguém de quinze anos adotaria dois bebês?”
“Eu não sei... Eu não sei. Talvez eu tenha entendido tudo errado. É, eu entendi tudo errado, foi isso.”
“Ou não. Perguntamos pra ele de manhã. Mas agora eu posso voltar a dormir?” – Kawori esfregou os olhos, deitando na cama.
“Claro...”.
Sora sabia que ia ser difícil dormir aquela noite. Olhou mais uma vez pra sua irmã, que parecia já estar no vigésimo sono, fechou os olhos e tentou dormir, só pra sentir alguém balançando seu ombro poucos minutos depois.
“Sora, posso dormir com você?”
Esse era o jeito de Kawori dizer que havia alguma coisa errada ou que ela não estava se sentindo bem. Ela não costumava chorar ou ficar emburrada pelos cantos, muito menos falar sobre o que estava deixando ela naquele estado. Tudo que ela fazia, desde pequena era pedir pra dormir com a irmã, como se isso fosse ajudar a resolver os problemas de alguma maneira. Se bem que Sora já a havia ouvido chorando bem tarde da noite, provavelmente pensando que ninguém estava ouvindo. Sora não era muito diferente. Nenhuma das duas era muito boa quando o assunto era demonstrar emoções, mas mesmo assim ela fazia o melhor que podia pra ajudar sua irmãzinha. Elas tinham nascido com apenas 15 minutos de diferença, mas mesmo assim Sora se sentia responsável por proteger Kawori.
“Claro, vem cá.”
Ela chegou um pouco mais pro lado, dando espaço pra Kawori, que a abraçou, enquanto Sora alisava seus longos cabelos negros.
“To com medo, Sora. E se não formos irmãs? E se só uma de nós for adotada?”
“Shhh, não vamos pensar nisso agora. Não vai mudar nada entre nós, irmãs de sangue ou não.”
“Promete?”
“Prometo.” – Sora deu um leve beijo na testa da irmã, que fechou os olhos e em poucos minutos havia adormecido.
Sora ficou mais alguns minutos observando a irmã. Ela nunca iria admitir, mas lá no fundo, uma pequena parte dela até que queria que elas não fossem irmãs. Não que não gostasse da irmã, não era isso. Era exatamente pelo motivo contrário.
“Eu te amo...” – Sussurrou antes de ela mesma cair num sono profundo.
Notas finais
Ah e se não deu pra entender alguma coisa, perguntem nos comentários.
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