Nossa existência
1 1º
Notas iniciais
1.
A primeira vez que eu o vi ele estava caído na calçada, parecia morto, mas não estava. Eu caminhei ate ele, não estava passando ninguém na rua aquela hora.
Era uma bela tarde de verão. O vento batia nas arvores, parecia que elas dançavam ou talvez elas só estivessem tentando se soltar da terra e das raízes que as prendiam nela.
Pensei no que fazer. Por um momento pensei em pegar meu celular e ligar para os bombeiros mas eu cheguei perto dele, o olhei e vi como seu rosto era bonito. Por um momento eu pensei como aquela era a chance que eu estava esperando. Como aquele era o garoto que eu tinha esperado por tanto tempo. Era ELE. Em um momento de egoismo não liguei para os bombeiros e me aproximei mais, sentei na calçada, coloquei sua cabeça em meu colo. Chamei por ele, sussurrava em seu ouvido e de repente ele acordou, lentamente abriu seus olhos. Assim que os vi eu mergulhei em um oceano profundo e confuso. Ao perceber onde estava e se perguntar mentalmente quem eu era ele disse:
–O que aconteceu?
–Você desmaiou.
–Quem é você?
–Eu sou uma desconhecida, mas me chamo Eliza. Me preocupei se ele tinha batido a cabeça. Você sabe quem é?
–Sou...Thomas. Ele disse por um momento eu senti duvida em sua voz. Voltei para a realidade tinha que ligar para os bombeiros mas eu não queria aquilo.
–É melhor eu ligar para...
–Não. Por favor me leve para sua casa.
–Esta bem. Acha que pode se levantar? Ele acenou com a cabeça. Me levantei a ajudei ele a se levantar. De repente percebi que ele sabia que eu morava por perto. Já ia perguntar para ele quando ele levantou a mão fazendo sinal para que eu não perguntasse. Ele era muito estranho e misterioso. Começamos a andar em direção a minha casa. Ele levantou sua cabeça e começou a olhar para o céu. Comecei a olhar para ele decorando cada detalhe do seu rosto. Ele tinha cabelos cor de mel, iguais ao meu cabelo. Sua pele era bem pálida e fazia contraste com seu olhos azuis. Um azul profundo como o mar. A confusão que havia neles antes havia sumido e em seu lugar estava um brilho fraco de felicidade. Ele devia ter passado por muitas coisas. Ele vestia um sobretudo preto com botões azuis assim como seus olhos, por baixo do sobretudo ele vestia uma camisa social branca e uma calça social preta. Parei de observar ele e comecei a olhar para o céu. Sempre amei o céu. Também sempre amei a ideia de voar como os pássaros, sempre quis pular nas nas nuvens para ver se elas eram mesmo macias( mesmo sabendo que elas não são) Sempre amei tudo que ha no céu e eu sempre desejei morar lá. Comecei a prestar atenção nas nuvens e em suas formas quando de repente sou puxada de meus pensamentos pela sua voz suave.
–Repare nas nuvens. Se você só olhar superficialmente não vera nada demais, mas se você olhar com atenção, aos poucos elas se tornaram únicas, interessantes. Elas ficarão tão belas, que não poderá se comparar a nada igual. Eu olhei para as nuvens como ele me disse e elas realmente pareceram muito mais bonitas. Voltei a olhar para ele, ele me encarava e completou seu pensamento dizendo:
–As nuvens me lembram as pessoas de uma certa maneira. Assim como as nuvens se você não olhar atentamente, não olhar por dentro você nunca vera a verdadeira beleza.
Eu encarava os olhos azuis dele, me perdendo naquele mar. Tudo que ele dizia era verdade. Ele sabia observar as coisas. Ele as olhava como eu olhava. Eu nunca havia achado uma pessoa assim ate o momento. Ele parecia saber cada pensamento meu. Parecia me conhecer como eu me conhecia. Mas como isso era possível? Eu havia acabado de conhecer ele. Eu não o conhecia mas sentia poder entender ele.
–As nuvens mudam de cor e de aspecto dependendo de cada situação assim como nós mudamos de humor e aparência. Eu disse. Talvez nos sejamos nuvens no fim das contas. Nuvens que aparecem crescem e somem no céu.
–Talvez. Ele disse sorrindo suave, frágil. Ao ver seu sorriso eu sorri também.
Chegamos em minha casa e nos sentamos na sala. Não tinha ninguém em casa mas minha irmã logo iria chegar. Ficamos em silencio comecei a ficar nervosa, então decidi puxar assunto o que não era a minha especialidade.
–Então Thomas você sabe por que desmaiou?
–Acho que foi por causa do calor, mas eu já estava fraco de manha.
–Ah. Disse sem saber o que dizer em seguida mas ele resolveu meu problema dizendo:
– Mas já estou melhor agradeço por ter me ajudado. Mas Eliza você tem irmãos?
Tenho uma irmã e um irmão mas velho mas eu não o vejo a algum tempo, já que ele só nos visita nas férias-Minha irmã se chamava Júlia já meu irmão se chamava Marcos-Júlia tinha 19 e Marcos 22- E você? Você tem irmãos?
–Tenho três, todos mais velhos e todos meninos.
–Então você é o quarto filho?
–É eu sou.
–Poxa não deve ser fácil
–Não,não era.
Eu ouvi ele dizer era? Ele deve ter se confundido.
–Quantos anos você tem?
–Eu tenho 17. ele disse. E você?
–Eu tenho 15. De repente minha irmã abriu a porta de casa eu olhei para ela um pouco assustada.
–Oi Liza ela disse. Tudo bem?
–Tudo.eu respondi sem entender como ela não estranhou a presença dele em casa. Ele se dirigiu para a cozinha.
–Júlia ta tudo bem com você? por que... nesse momento Júlia saiu da cozinha e foi para a copa simplesmente atravessando Thomas que havia me seguido até a cozinha sem que eu percebesse. Eu me assustei mas ele parecia achar aquilo normal.
–O que você disse Liza?
–Nada. Ela foi para o banheiro. Eu peguei a mão de Thomas e levei ele para cima onde ficava meu quarto. Chegando la eu fechei a porta e disse muito pasma com tudo que havia acontecido.
–posso te perguntar uma coisa?
–Claro
–Por acaso você não existe
–Sim
–Então por que raios eu posso te ver? Eu disse nervosa
–Isso é simples. Por que eu sou um garoto imaginario que a sua mente criou.
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