Nossa Química - Segunda temporada.
15 May e Alex
Notas iniciais
Eu estou me sentindo péssima.
Uma traidora.
Depois que beijei Alex na piscina é assim que me sinto. Não acredito que fiz isso com Eric. Eu fiz a mesma coisa que Alex fez comigo. Mas eu pretendo contar tudo pra Eric, não posso guardar isso como Alex fez sem ao menos me contar.
Estava levantando da cama quando a porta do quarto se abriu exageradamente. Vi Anne entrar e ordenar ao monitor Robert para colocar suas malas na cama da frente.
Fiquei boquiaberta. Mas que droga tá acontecendo aqui?
No quarto dorme eu e mais duas meninas que são estranhas e não falam com ninguém só cochicham uma com a outra o tempo todo e era isso que elas estavam fazendo ao ver Anne reclamando com o monitor por ter derrubado uma de suas bolsas caras no chão.
– Que droga é essa aqui? — Perguntei apontando pra mala em cima da cama.
– Uma mala — Falou revirando os olhos como se eu tivesse perguntado a coisa mais idiota do mundo.
– Eu sei que é uma mala, mas estou me referindo o porquê delas estarem aqui.
Anne me analisou por um instante dando um sorriso ao caminhar até mim.
– Vamos dividir o quarto aqui em Stanford agora querida.
Fiquei sem palavras. Estava mexendo abrindo a boca e fechando tentando encontrar as palavras certas. Se Anne dormir no mesmo quarto que o meu eu estou no inferno.
– Mas por quê? E o seu antigo quarto?
– Aquele quarto só tinha meninas babacas e metidas, acham que podem mais do que eu.
Soltei um riso deixando Anne irritada.
– O que foi querida? Estava sofrendo bulling? O que elas estavam fazendo? Comparando Barbie verdadeira com a falsa?
Ela revirou os olhos.
– Sou bem melhor do que aquelas meninas, isso eu não tenho duvidas — Falou dando um sorrisinho calmo e irritante — Agora que sei que você é ex do Alex vou poder ficar de olho em você.
– Pode ficar com ele inteirinho pra você!
Respirei fundo antes de sair e fechar a porta de maneira exagerada assim como Anne havia aberto agora pouco.
**
No intervalo sentei-me à mesa dos cantos e esperei Eric chegar. Precisa falar com ele antes que eu desista.
Ele chegou me dando um beijo na bochecha e sentando ao meu lado. Ele me encarou de cima em baixo e depois me olhou nos olhos. Eu estava tremendo e sentia um frio no estomago.
– Você estava tão estranha na aula hoje — Falou cravando os dentes no cupcake de sempre que ele comprava pra mim e pra ele — Aconteceu alguma coisa?
Deixei escapar um suspiro atordoado e nervoso. Limpei minha mão na calça para tirar o suar da palma da minha mão que foi causada pelo nervosismo.
Estava a ponto de chorar, até que ele levantou meu rosto.
– Alex fez alguma coisa com você? — Perguntou cerrando os punhos, mas eu o segurei.
– Na verdade foi que fiz — Respondi me lembrando do momento em que tomei o impulso de beija-lo e sem recuar do beijo me arrependendo só de lembrar.
Ele me encarou confuso.
– Eu sinto muito — Falei deixando escapar uma lagrima e limpar na mesma hora — Eu beijei Alex.
Senti uma onda de dor e culpa percorrer por dentro de mim.
Olhei para Eric e não consegui definir a sua expressão. Ele estava calado e olhava para frente como se pensasse.
– Não tem problema — Falou por fim depois de vários minutos calado.
Franzi o cenho e olhei confusa pra ele.
– Não está magoado? — Perguntei enquanto ele me envolvia em um abraço e passava a mão em meu cabelo.
– Sim, estou muito. Mas você me contou May, não mentiu pra mim e está arrependida.
– Estou me sentindo horrível, você sabe que eu nunca te trairia, foi um impulso...
Ele me calou com um beijo rápido sem que ninguém visse por que estávamos em um internato.
– Eu sei que você odeia traição e eu também — Falou colocando a mão em meu rosto fazendo eu o olhar nos olhos — Você sabe que eu nunca te trairia não é mesmo?
Assenti sei que ele não é capaz disso.
– Alex me disse que viu você beijando Anne, mas eu não acreditei é claro.
– Esse idiota está passando dos limites — Falou se afastando do abraço e cerrando os punhos, mas logo suavizou a expressão — Não acredite em nenhuma palavra que ele disser e, por favor, promete que vai manter distancia?
– Prometo — Falei não tendo certeza disso.
**
P.O. V Alex
Não consegui deixar de sorrir o tempo todo desde que beijei May na piscina. Pra mim não conta a parte em que brigamos depois mais sim a parte em que a beijei.
Pensei que ela estaria se sentindo péssima por ter traído Eric mas, quando a vi derramando uma lagrima no intervalo tive a certeza que estava falando a verdade pra ele por quê ela não conseguiria esconder isso dele e nem de ninguém.
Mas logo em seguida Eric a abraçou e começou a sussurrar no ouvido dela e eu tive certeza que ele a perdoou sendo que quem é o maior traidor nessa historia é ele e isso fez meu sangue ferver.
Levantei da minha cama do internato. Não conseguia dormir. Parecia que algo me atormentava e dizia pra sair da cama.
Estava tudo escuro e o monitor já havia passado pra ver se todos estavam em seus quartos.
Abri a porta devagar e peguei meu celular para usar como uma lanterna pra enxergar o corredor vazio. Fiquei vagando por horas até que alguns passos ecoaram em meus ouvidos. Eram passos próximos e saiam do lado direito do pátio que subiam a escadas para os quartos.
Vi Eric e pensei que mais uma vez ele estava com Anne engando a May bem debaixo do seu nariz, mas, me surpreendi quando vi que a garota que ele estava não era a Anne.
Era a própria May.
Eles estavam tarde da noite juntos.
Fora dos seus devidos quartos.
E eu espero que não seja o que eu estou pensando.
– Acho que não devíamos estar aqui — Ouvi May falar e me escondi do lado de umas mesas do canto do pátio.
– Fala serio, você não cansa de ser perfeita demais? — Falou e ela sorriu — As vezes você tem que passar das regras.
– Mas é muito tarde e se o monitor pegar a gente aqui você já sabe o que ele vai pensar...
Ele colocou o indicador na sua frente como se pedisse pra ela ficar quieta. Logo ele passou uma trilha de beijos na sua boca, queixo, pescoço e depois eu virei o rosto de tanto que meu sangue fervia só de ver aquilo.
Voltei a olhar de novo e vi que continuavam a se beijar. Até que ele colocou a mão por dentro da sua blusa e ela tirou rapidamente parando de se beijarem.
– Eric... — Falou em meio a um suspiro envergonhado.
– O quê foi? Você não... — Tentou falar — Não acha que devemos dar um passo a mais no nosso namoro?
Sim, era o que eu estava pensando. Ele a trouxe até aqui para usa-la e depois trai-la. Eles só tinham dois meses e meio de namoro e ele queria dar mais um passo? Que tipo de cara ele é?
Mesmo com o escuro que estava fazendo e havia apenas uma pequena frecha de luz refletia o seu rosto pude a ver corar muito.
– Eu ainda não estou preparada — Falou com a voz falhando e olhando para os lados pra ver se ninguém a estava ouvindo — Você anda insistindo muito e não é isso que eu quero.
Espera... Ele está a forçando?
– Ah fala serio May! Eu não quero um namoro assim, serio. Se você me ama de verdade você tem que estar preparada.
– E se você me ama de verdade tem que aceitar minha decisão e esperar.
Eric soltou um suspiro longo e estressado e pela maneira que May reagiu com o seu suspiro ela ficou se sentindo culpada.
– Ok, já que você não me ama de verdade... — Falou se afastando dela e negando com a cabeça para ir embora.
Ela o puxou pelo braço e eles começaram aquela trilha de beijos novamente.
Não, eu não vou deixar ele a forçar dessa maneira sendo que ela não está preparada e ainda depois a enganando desse jeito.
Quando ele já estava subindo as escadas para ir ao quarto em meio a um beijo eu puxei a manga da blusa de Eric dando um soco que fez sua mandíbula soltar um estralo.
– A-alex — May gaguejou arregalando os olhos.
– Mas o que... — Eric tentou falar se levantando, mas eu o encostei na parede.
– Você NUNCA vai forçar a May a fazer nada, entendeu?
Senti May corar mais uma vez.
– O que foi? — Debochou Eric rindo passando a mão em seu queixo tentando se recompor — Ela estava fazendo isso por que ela quer, por que ela me ama. Coisa que você nunca vai conseguir dela.
Peguei ele pela gola da camisa o jogando no chão e o chutando ouvindo os seus gritos até May me segurar.
– Alex sai daqui agora, estamos em um internato — Falou e logo sussurrou em meu ouvido atrás de mim — Você e eu sabemos muito bem que Eric é mais forte que você e pode acabar com você em segundos. Não é nada do que você está pensando e eu não vou fazer nada eu juro.
Olhei para ela bem nos fundos dos seus olhos. Seus olhos revelariam se estaria falando a verdade ou não, mas assim que olho pra ela e a vejo vermelha querendo chorar Eric puxa a minha camisa me dando um soco no olho e me jogando no chão dando vários socos em meu rosto quase me deixando inconsciente.
**
P.O. V May
Conseguia ouvir apenas os estalos em seu rosto e os meus gritos para que ele pare até que ele sai de cima de Alex e tenta me embora, mas eu fico.
– Eric olha o que você fez! — Falo querendo gritar, mas lembrando de que ninguém pode saber que estamos aqui em baixo.
– Ele mereceu, vamos embora daqui — Falou me puxando pelo braço, mas me soltei novamente.
Lembro que Lucy me disse uma vez que adoraria que meninos brigassem por ela, mas se ela visse o que eu estou vendo agora, nunca mais iria querer passar por isso. Alex estava sangrando e por minha culpa.
Agachei ao lado de Alex e vi Eric negar com a cabeça enquanto subia para o quarto revoltado. Sei que teríamos uma grande briga depois por causa dessa minha decisão de ficar aqui cuidando de Alex do que subir com ele.
Mas não posso deixar Alex assim. Nunca.
– AI! — Ele gritou de dor assim que coloquei a mão embaixo do seu olho machucado.
– Desculpa — Sussurrei.
– Desculpa por ter que te fazer passar por isso, eu só não queria que ele te forçasse com uma coisa que você não quer.
– Nunca mais faça uma coisa dessas, você quase me matou de susto quando eu vi você apanhando...
Ele deu um sorriso.
– Então você ainda me ama, por que ainda se preocupa...
Revirei os olhos.
– Não complica — Falei rindo.
Ele se aproximou colocando sua testa na minha e fechando os olhos.
– Por que as coisas tem que ser assim? — Perguntou sussurrando.
– Por que você as tornou assim. Eu também queria que tudo fosse diferente, mas você não colaborou preferiu ficar com Nayara.
– Eu já te expliquei, mas você não quis me ouvir, eu ainda te amo May sempre vou amar o que eu preciso fazer pra você entender?
– Quem ama não traia e a melhor solução pra você fazer isso é manter distancia.
Afastei meu rosto do dele, mas nossos rostos ainda estavam próximos. Olhei seu rosto com as linhas e os traços tão perfeito que parecia que nem existiam.
– Eu sinto muito por ter que te fazer sofrer tanto.
– E eu te odeio tanto por você me fazer sofrer.
– Nossa onde estão os modos? — Perguntou rindo.
– Na onde você deixou a confiança.
Ele fez uma careta de dor como se a resposta que eu havia o dado tinha causado efeito no fundo da alma.
Comecei a rir.
– Seu abusado! — Falei empurrando seu ombro de leve.
– Minha invocadinha — Falou colocando uma mecha do meu cabelo pra trás.
Minha respiração estava curta e desesperada. Não podia deixar isso adiante, apesar desse único momento de paz que estamos tendo não significa que o perdoei.
–Ainda me odeia? – Perguntou sussurrando em meu ouvido fazendo-me arrepiar toda.
–Sempre vou te odiar e nada vai mudar isso – Falei me levantando e sentindo uma pontada por dentro por trata-lo assim.
Continuei a cuidar dos seus machucados enquanto chorava por dentro por tudo ter que acontecer assim.
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