Notas iniciais
P.O.V May
As últimas duas semanas se passaram muito rápido. A melhora de Alex foi surpreendente. Em um pouco tempo ele já havia recebido alta.
O bom de tudo foi que o internato de Stanford ficou sabendo da situação de Alex e resolveu lhe dar uma chance. Eu o ensinei tudo que ele havia perdido nesse um mês de coma e ele fez uma prova. Conseguiu passar na prova e também ganhou um diploma.
Ele conseguiu aos poucos recuperar as memórias que faltavam em sua mente.
Enzo me deu um bom prazo para continuar aqui nos EUA para poder ajudar Alex na sua recuperação. Só que o prazo acabou. Amanhã eu e Alex voltaremos ao Brasil.
Parei um pouco de caminhar para beber um pouco de água. Nessas suas últimas semanas tudo tem se baseado em:
1º Levantar bem cedo e tomar café da manhã. Tomo um banho para despertar.
2º Arrumar a casa e ir para a academia, por quê preciso voltar em boa forma para reencontrar a todos do Brasil.
3º Ir almoçar. Uma alimentação saudável é claro por que eu não estaria indo todos os dias para a academia á toa. Admito que uma vez ou outra eu não resistia e pegava um pouquinho de doce. E claro que depois da caminhada eu volta suada por isso tomo um banho.
4º Ajudar Alex em sua recuperação e estudos.
5º Tomar café da tarde e cochilar um pouco para recuperar o sono já que estou acordando cedo. E também porque eu não resisto a não me enfiar de baixo do cobertor nas tardes congelantes de Seattle.
6º Vou jantar e assistir um pouco de televisão. Coloco minha roupa de caminhada e vou caminhar. Amo caminhar um pouco de noite pra ficar em forma, ouvir música e colocar os pensamentos em dia. E é isso que estou fazendo agora.
Fechei minha garrafinha e voltei a caminhar. Agora eu iria pra casa por que já havia caminhado demais. Está na hora de tomar mais um banho e ir dormir. Por que amanhã será uma rotina diferente.
**
O dia está uma correria que só. Já estava sentindo falta da minha rotina. Estou arrumando as malas nesse exato momento. O pior é que é muito dificil colocar tudo em uma mala. Eu praticamente estou colocando todas as roupas do Brasil de quando eu vim pra cá fora as roupas que eu comprei no tempo que fiquei aqui nos EUA. Também temos presentes que eu comprei para os meus amigos e família do Brasil.
– Eu tenho uma mala no meu quarto sobrando se você quiser – Julie falou vendo meu sacrifico ao fechar a mala.
– Você vai me tirar um peso enorme das costas se me emprestar – Sorri – Sabe como é difícil ter que deixar as coisas não mesmo?
– E os livros não vai levar?
– Até parece que eu iria esquecer eles. Eu esqueço as roupas mas não esqueço os livros.
Ela riu.
– Vou pegar a mala.
Ela saiu e meu pai entrou. Ele me olhou mas parecia estar com o pensamento em outro lugar. Ele ando de um lado para o outro. Coçou a testa. Sentou na beirada da minha cama e poucos segundos levantou novamente.
– Aconteceu alguma coisa pai?
– Alguma coisa? Por que eu estou dando a impressão que aconteceu alguma coisa? — Ele coçou a nuca.
Franzi a testa.
– Está sim.
– Não – Ele respondeu rápido – Não aconteceu nada. O que poderia acontecer? Você acha que aconteceu alguma coisa?
– Pai – O encarei – Está assim por que vou ir para o Brasil hoje?
– Não. Eu vou para lá amanha não é mesmo? Só vamos ficar aqui porque…
– Você está nervoso por isso não é?
Ele assentiu.
– Você não me contou o porque que vão viajar só amanhã. Por que não vai comigo?
– Por que...Eu...Julie…
– Fala logo pai. É algo ruim?
– Não. É algo muito bom é só que… — Ele respirou fundo e sussurrou – Julie está grávida.
– FERNANDO! — Julie entrou irritada no quarto – Era pra ser uma surpresa!
– Desculpa é que você sabe que eu não aguento guardar segredo.
Eu não ouvia mais nada. Eu só estava paralisada e de boca aberta. Quando eu cai na real sai pulando e gritando por todo o quarto. Abracei e beijei meu pai Julie que ainda discutiam por meu pai ter aberto a boca.
– Gente dá pra vocês pararem de discutir? Eu acabei de receber a melhor noticia da minha vida. Caraca eu vou ser uma irmã muito babona!
Julie riu mais ficou seria novamente.
– Eu não entendo o por que de você ter ficado tão nervoso com a notícia e ter contado pra ela! — Reclamou ela mais uma vez.
– É que eu tenho medo de tudo se repetir.
Meu sorriso se desmanchou na hora. Eu e Julie sentamos ao seu lado. Nós já havíamos entendido oque ele queira falar com aquilo.
– Não é por que tudo aconteceu uma vez que vai se repetir – Julie falou.
– Tenho certeza que Julie vai ser bem forte durante o parto – Falei – E quem deveria ter medo é ela e não você.
Eles riram.
– Quando vamos saber se é menino ou menina?
– Em breve vou fazer o ultrassom.
– Não acredito que vocês iriam esconder isso de mim.
– Iriamos fazer uma surpresa para todos lá no Brasil. Mas o boca aberta e medroso do seu pai estragou tudo.
Julie continuou a discutir com meu pai e eu voltei a ficar eufórica. Que nove meses passe rápido!
**
Chegamos no aeroporto um pouco atrasados. Alex, Diana e Haven já estavam me aguardando. Despedi-me de Julie e do meu pai – Sim eu chorei – E fui para a sala de embarque.
Só iria viajar nós quatro por que o marido de Diana estava a trabalho e só viria quando ganhasse férias.
Não demorou muito para que entrássemos no avião e eu visse tudo pequeno pela janelinha do avião.
Sentiria falta desse lugar. Foram dois anos mas foi como se eu tivesse nascido ali. Minha antiga vida voltaria. Teria que me acostumar de novo. O bom disso tudo é que já estou quase maior de idade e formada em musica.
Como sempre eu deixei escapar uma lagrima. Sempre choro em momentos assim. Virei o rosto para esconder mas foi tarde. Alex esta sentado do meu lado e viu.
– Por que está chorando? Não está feliz de voltar e rever todo mundo? — Ele perguntou enxugando a lagrima.
– Estou é que só fico meio emocionada.
Ele sorriu.
– Tudo vai voltar a ser como antes. As únicas coisas que vamos nos acostumar agora é que todo mundo mudou um pouco. Cada um se formou em coisas diferentes e agora vai iniciar sua vida com um trabalho. Mas o resto tudo vai ser igual. Apesar de tudo acho que todos nós vamos continuar mantendo contato.
Não. Nem tudo estaria igual. Poderíamos até voltar a ter os nossos amigo e continuar a manter contato mas em relação a eu e Alex estaria diferente.
– Você vai para Belo Horizonte? Viver com sua mãe?
Ele me encarou. Um olhar triste. Ambos estávamos triste se isso acontecesse.
– Ainda não sei. Não quero viver com meu pai e minha madrasta. Minha mãe sente minha falta e eu também sinto dela. Mas agora fiquei sabendo que ela já está com outro homem também.
– Mas isso uma hora iria acontecer. Seu pai seguiu com a vida dele e ela com a dela.
– Por isso que não sei se quero viver com ela. Acho que já está na hora de eu seguir com minha própria vida. Vou comprar uma casa com o dinheiro que tenho. E seguir minha vida.
Eu tinha medo de como ele seguiria a vida dele. Ele iria comprar a casa, mas e em seguida? Arranjaria uma namorada, casaria com ela e teriam filhos?
– E você? Oque vai fazer? — Ele perguntou sorrindo pra mim.
– Eu acho que quando a gente chegar lá todo mundo vai ter mudado. Lucy vai estar formada em jornalismo e vai querer comprar uma casa com o seu dinheiro e viver sua vida com o cara que ela ama que eu tenho certeza que vai ser o Gui. A Pâmela também. E eu… — Olhei sem graça pra ele – Vou ter que me virar e comprar uma casa também. Só que acho que vou comprar só mais pra frente. Quando eu completar dezoito anos. Não vai demorar muito.
Ele suspirou fundo e fixou seus olhos azuis em mim.
– Está com medo?
– Do que eu estaria com medo?
– Eu acho que você está com medo de seus amigos seguirem a vida deles e você continuar na mesma. Com medo que cada um vai para um lugar e se esqueça de você.
O pior era que era exatamente isso que eu estava sentindo.
–Não tenha medo das mudanças May. Coisas boas se vão para que melhores possam vir.
– Você acha que meus amigos vão embora e novos virão?
– Não. Eu acredito que os seus amigos foram de um jeito e voltaram renovados. Eles vão estar ali. Do mesmo jeito de sempre. Te esperando. A mesma coisa vai ser comigo May. Eu posso ir pra qualquer lugar do mundo. Mudar de todas as formas. Me renovar completamente. Mas eu nunca me esqueço de que eu amo de verdade.
Senti minhas bochechas queimarem.
– Você tem razão – Conclui e senti sua mão pegar na minha em um aperto forte.
Virei o rosto para o lado e comecei a refletir tudo o que ele disse.
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