Nossa Química - Segunda temporada.
9 May e Alex
Notas iniciais
P.O.V May
Corri em direção a saída com Eric logo atrás. Olhei a rua deserta e escura e de longe o vi andar apressado.
– ALEX — Gritei na esperança de que ele me ouvisse e parasse.
– Espera ai — Eric falou passando a mão no lábio inferior que sangrava por eu ter mordido em meio ao beijo para que ele me soltasse — Esse é o tal Alex? Espera que eu vou atrás dele e acabar com que ele chama de vida.
– Você não vai a lugar algum — Falei colocando a mão em seu peito o impedindo de passar — Eu vou falar com ele e não quero que você venha atrás.
– Pra que? Pra ele te iludir novamente?
– Esse é um assunto MEU — Falei irritada quase gritando.
Corri em direção a Alex e vi que Eric não insistiu em vir atrás. Corri o máximo que pude, mas Alex andava apressado. Ele pisava fundo como se descontasse a raiva que estava sentindo nos pés.
Teve um momento em que ele parecia estar realmente cansado e começou a andar mais devagar. Olhei pra trás e vi que estávamos longe da festa. Longe de tudo. Estávamos apenas nós dois e um acertos de contas que eu não quero que dure pra sempre. Corri mas um pouco e consegui puxar seu braço para que ele me olhasse.
– Me solta — Falou tentando parecer calmo, mas transbordava raiva em seus olhos. Logo depois ele socou um poste ao seu lado, murmurando um "Droga". Ele continuava com a sua mania de socar as coisas quando ficava com raiva. Tinha toda a certeza que havia machucado, mas ele se manteve firme.
Os olhos que vira há poucos minutos atrás estavam sem vida e pareciam ter se machucado com o que viu. Se machucou profundamente. Mas foram esses mesmos par de olhos que me iludiram há um ano atrás.
Ele se soltou mais o agarrei novamente.
– Deixa eu te explicar... — Falei com a voz embargada pelo choro sem se lembrar de quando havia começado a chorar.
– Eu sabia — Falou diretamente em meus olhos e percebi que sua voz estava seca, provavelmente chorava por dentro, mas ele esfregou a manga da blusa fortemente em seus olhos impedindo que qualquer lagrima se derramasse, a sua mania de sempre se manter forte, diferente de mim — Eu sabia que você me trocaria pelo primeiro otario que você encontrasse no novo país.
Essas palavras me fizeram lembrar o dia em que contei a ele que viria para os EUA, ele havia me dito essas mesmas palavras. Logo veio a lembrança da nossa despedida no aeroporto. Mas eu não deixaria Alex falar assim comigo.
– Você queria oque? — Perguntei o olhando diretamente nos olhos e tentando ser totalmente fria — Que eu te esperasse como uma otaria sendo que você nem responder os trilhões de mensagens que eu te mandava no dia? Que eu te recebesse de braços abertos quando nos encontraríamos de novo? Você sabe como eu fiquei aqui pensando que algo poderia ter acontecido com você? Você sabe oque eu fazia com o meu dinheiro? Gastava uma fortuna pra te ligar do exterior, pra você não me atender. Você sabe quantas lagrimas eu derramava no dia por não ter você por perto e por não me responder? — Perguntei enxugando as lagrimas que ele não merecia, mas elas eram insistentes — Você tem noção de quantas horas eu me trancava no quarto pra ficar olhando pra sua foto enquanto você podia estar com outra? Você sabe quantos dias eu levei pra tentar te esquecer? Com certeza você não sabe, POR QUE EU NÃO TE ESQUECI ALEX — Falei as ultimas palavras praticamente berrando e esfregando em sua cara.
Virei-me para ir embora, não aguentava mais olhar em seus olhos. Eles me faziam desabar. Finalmente eu falei tudo oque eu aguentei em um ano. Pra mim que ele que se dane de agora em diante, eu posso não amar Eric, mas vou aprender a ama-lo.
Dessa vez ele que segurou meu braço e me puxou para perto de si, a única coisa que nos separava era a nossa respiração ofegante uma na outra. Recuei um passo, não conseguia ficar perto dele.
– Acho que temos muito oque explicar — Sussurrou.
– Eu não tenho nada pra explicar, tudo oque eu tinha pra falar eu já falei. Eu nem sei o porquê eu vim até aqui, passei um ano tentando te esquecer, mantendo um ódio profundo. Mas agora já está tudo resolvido, eu tenho um namorado que me ama, uma vida profissional e uma casa ótima, esse era o seu sonho não era? Acho que ele esta comigo agora — Falei esfregando na sua cara, para que se sentisse o mais fracassado possível, para recompensar toda a dor que me fez passar.
– Você já pode ter falado tudo oque queria mais eu não — Falou em um tom serio — Quer saber por que não te respondi? Vamos começar então — Ele se sentou na calçada e fez um gesto para que sentasse ao seu lado, mas preferi ficar em pé, quanto mais distancia, melhor vai ser — Minha vida mudou muito invocadinha.
Tive a impressão que aquele sorriso debochado que eu tanto amava brotaria em seu rosto, mas ele ficou guardado e continuou com a expressão seria.
– Assim que você foi embora eu fiquei super mal. Me distanciei de nossos amigos, mas continuava a falar um pouco com Lucas. Um tempo depois minha mãe e meu pai se separaram.
Fiquei totalmente surpresa. O senhor e a senhora Scaff sempre pareciam ser um casal firme. Essa era a imagem que mantinha dos dois.
– Minha mãe foi para Belo Horizonte e pediu que eu ficasse com o meu pai, por mais que eu quisesse ter ido com ela. Eu não sabia o motivo dos dois terem se separado por um bom tempo. Logo depois meu pai começou a sair com uma vagabunda chamada Ashley e colocou ela dentro de casa. Eu fiquei totalmente revoltado e não aceitava o fato de meu pai ter se separado de minha mãe e logo depois colocar uma vagabunda como Ashley dentro de casa. Eu e Ashley não nos dávamos bem e eu a desrespeitava a todo instante. Ela que não admitia que eu a tratasse daquela forma confiscou meu celular e apagava todas as suas mensagens. Quando eu tentei pegar o celular dela escondido, ela acabou me descobrindo e jogou o meu celular na água.
Fiquei pasma, a vida de Alex deveria ter sido um inferno. Sentei ao seu lado sem me importar, eu sabia que aquela historia duraria mais. Agora sentia uma raiva profunda dessa mulher e era como se minha raiva por Alex sumisse se transportando pra ela.
– Um tempo depois encontrei com Enzo. Ele me contou que você estava muito mal no outro país por causa do meu sumiço. Ele fez com que eu cantasse pra ele, e foi oque eu fiz. Ele também gostou da minha voz e fez a oferta de que eu viesse para cá, ele achava que fazeria bem pra você. Isso significa que todos os passos que você seguir com a produtora eu também vou seguir. Mas eu teria que esperar um ano, por causa do período escolar. Eu aguardei um ano ansioso para te ver, e um tempo atrás eu descobri o motivo por meus pais terem se separado. O meu pai traiu minha mãe com Ashley e a mesma ficou gravida. Eu vou ter um irmão May.
Por um instante senti vontade de abraça-lo, mas meu orgulho impedia.
– Depois de descobrir isso eu sai de casa e fui para a casa de Enzo, até eu vir pra cá. Ele me contou dessa festa e que eu poderia cantar. Quando estava na casa de Enzo eu poderia ter me comunicado com você, ou então nesse ano em que eu estava sem um celular, eu poderia ter pegado o de Lucas ou de qualquer outro amigo, mas achei melhor fazer uma surpresa, esperar o momento em que eu te visse. Estragaria tudo me comunicar com você. Eu compus a musica a alguns dias atrás e marquei a viajem. Eu deixei tudo lá, inclusive o meu irmão nas mãos de desnaturados, pra te ver May — Falou cabisbaixo — Desculpa.
Ouvi-lo dizer aquilo me fez me sentir uma tremenda idiota. Eu o odiei em todo esse tempo sendo que ele tinha os seus motivos.
– Eu que preciso pedir desculpa — Falei com a voz vacilando sem acreditar em tudo que estava acontecendo.
– Há quanto tempo estão juntos?
– Quê?
– Há quanto tempo você e o vassoura estão juntos? – Perguntou e eu soltei um riso.
– Fala serio Alex, ele é bem mais forte que você — Falei rindo.
– Ele pode ser mais forte, mas eu tenho mais estratégia — Falou fazendo seu sorriso debochado sair enquanto erguia uma sobrancelha.
Dei risada e pude perceber que ele continuava o mesmo.
– Eu e Eric começamos a namorar ontem — Respondi sua pergunta e o vi erguer uma sobrancelha novamente.
– Mas você não gosta dele.
– Como sabe? Se eu aceitei foi por que sinto algo. Eu e Eric somos melhores amigos desde que cheguei.
– Eu sei por que agora pouco você me disse que não me esqueceu.
Senti vontade de estrangular a mim mesma por ter revelado isso.
– Eu também não te esqueci May, é por isso que estou aqui. E vou aonde você for — Falou se aproximando e me acolhendo em um abraço.
Aprofundei naquele abraço e senti o cheiro de seu perfume. Ele passou a mão em meu cabelo, mas logo recuei daquele momento tão perfeito.
– E você? Teve outras namoradas? — Perguntei já enciumada com a resposta.
– Não, eu te esperei esse tempo todo, apesar de ter varias gostosas me rodeando e perguntando se poderiam ser minha "Mayane" — Falou e eu fiz cara feia, mas logo ele pareceu assustado com a minha cara feia e começou a rir — Calma eu só estou brincando.
Ele se aproximou para me dar outro abraço, mas recuei novamente.
– Acho melhor a gente ir com calma — Falei sem coragem de olhar para os pares de olhos azuis — Como eu disse eu e Eric fomos amigos desde que cheguei aqui e ele sempre me apoiou em tudo. Começamos a namorar ontem e eu não posso apenas chegar nele e falar que tudo acabou. Eric tem sentimentos e não quero magoa-lo.
Alex suspirou sem saber oque dizer, mas logo achou algo para falar.
– Mas você vai ter que escolher uma hora ou outra. Eu te amo May — Disse — Amo muito. Por isso estou aqui.
– Eu sei — Respondi — Também te amo muito, mesmo nesse um ano. Mas acho que não vai dar, não posso fazer isso com Eric, acho melhor a gente se distanciar. Eu sei que você veio por mim, mas eu te peço desculpa por isso. Acho melhor deixar oque à gente teve no passado. Você pode voltar pro Brasil ou então pode ficar simplesmente para realizar o seu sonho. Mas não vai haver nada entre a gente.
P.O.V Alex
Ela se levantou e eu fiquei imóvel. Não queria deixa-la ir, e não com essa decisão.
Levantei e a segurei pelo braço a puxando para mais perto. Ficamos em uma distancia que apenas um palito nos separasse. Aprofunde-me nos seus olhos castanhos e esverdeados. No momento eles estavam mais verdes. Ela parecia-me hipnotizar apenas com os olhos.
Eu iria beijar os seus lábios rosados quando ela me impediu.
– Você sabe que eu odeio traição — Falou colocando sua mão em meu peito para me impedir — Estou com Eric.
Era impossível me lembrar daquele otario em um momento como esse. Sentir o seu perfume e o cheiro de xampu de morango impregnado em seus cabelos me enlouquecia.
– Eu não vou voltar para o Brasil. Vou ficar aqui pelo meu sonho e para lutar por você.
– Não adianta Alex, por favor — Falou com os olhos que pareciam implora-la para não a machucar de novo — Se você ficar por perto só vai piorar as coisas, só vai me deixar triste e com vontade de ficar com você.
– Você não pode ficar com uma pessoa que não ama você mesma vai acabar magoando esse tal de Eric, por que você está o enganando com um sentimento que não existe.
– Vou aprender a ama-lo.
Deixei escapar um sorriso.
– Do que esta rindo? — Perguntou com a sua cara de invocadinha.
– Ninguém aprende a amar ninguém, vem de repente — Respondi passando o meu polegar em seu queixo — Por que não diz para esse Eric que não pode ficar com um vassoura enquanto tem um irresistível atrás de você?
– Seu abusado! — Falou com o seu sorriso tímido.
– Abusado e gostoso — Sussurrei em seu ouvido e logo depois dando uma piscadela, mas aguentando os tapas em que ela me daria logo em seguida.
– Oque vamos fazer? — Perguntou — Não quero magoar ninguém.
– Se você não magoar ele vai magoar a mim.
Ela ficou cabisbaixa. Tenho certeza que eu estava tornando tudo mais difícil pra ela, mas eu não aguentaria ficar enquanto ela estiver com outro.
– Você precisa terminar com ele querendo ou não — Falei lembrando algo — Enzo me disse que agora nós vamos para o internato de Stanford, ou seja, você vai passar o dia lá, sem se verem.
– Eric também vai pra lá, ele convenceu o pai para ficar comigo — Falei — Ele também vai seguir musica.
Resmunguei um palavrão baixo querendo chutar o traseiro de Eric fazendo o ir para longe. Pensei um pouco, mas logo achei uma ideia que era boa mas também me deixaria enciumado.
– Você pode ficar com ele por um tempo e depois terminar.
– Isso é muito errado — Falou.
– Mas é a única solução.
Ela mordeu um lábio inferior como se pensasse.
– Por quanto tempo eu precisaria ficar com ele?
– Até o final de Janeiro em Stanford.
– Apenas um mês e meio?
– Você ficar mais? — Perguntei enciumado.
– Não, só acho que em um mês e meio eu não vou estar preparada para terminar com Eric.
– Você consegue — Falei passando o indicador nas costas de sua mão em um gesto de carinho.
– Acho que já está tarde — Falou — Melhor eu ir pra casa.
– Eu te levo.
– Eric está me esperando.
Suspirei com raiva de saber que teria que dividi-la com ele. Eu queria passar o máximo de tempo possível com ela. Já estava achando um absurdo ter que espera-la um mês e meio, ter que beija-la depois de um mês e meio.
Ela me abraçou como despedida e eu sussurrei em seu ouvido que a amava.
Olhei ela caminhar pela rua para os braços de Eric que a esperava e mais uma vez dei um soco no poste ao meu lado. Senti meus dedos latejarem de dor.
– Droga — Murmurei a vendo desaparecer na escuridão da rua.
**
P.O. V May
Deixa-lo é como se o pressentimento voltasse. É como se só ele conseguisse tirar esse frio que sinto aqui dentro quando estou longe dele.
Fui para o estacionamento da festa e vi Eric parado em frente a seu carro preto. Ele me encarava sério e vi que ele me fazeria um trilhão de perguntas.
– Tudo bem? — Perguntei me arrependendo de fazer uma pergunta tão idiota em um momento como aquele.
– Eu não, mas você parece ótima — Falou umedecendo os lábios — Não está chorando como eu imaginei, pensei que você desabaria ao rever o seu amor antigo. Por que não está com ele? Pensei que ele te levaria pra casa.
– Você é o meu namorado.
– Pensei que você já tinha me deixado. Você correu desesperada atrás dele — Respondeu e percebi que ele estava sendo sarcástico — Já que eu sou seu namorado então entra no carro.
Entrei e ele saiu do estacionamento. Ele estava sério, diferente de como eu o virá a algumas horas atrás.
– Então como foi o beijo? — Perguntou.
– Nós não nos beijamos — Respondi revirando os olhos irritada com a ironia dele — Você sabe que eu odeio traição.
– Que desculpa ele te disse para te iludir novamente?
Contei tudo pra ele que ouviu com atenção.
– Ele tem ótimas desculpas.
– Eu acredito nele.
– Você acredita em todos.
– Oque quer dizer com isso? — Perguntei o encarando irritada.
– Que você é ingênua, sempre foi.
Tirei o cinto pronto para sair do carro, mesmo vendo que minha casa estava um pouco distante.
– Eu não vou ficar aguentando desaforo seu Eric.
Ele me segurou impedindo de sair do carro.
– Me desculpa — Falou levando a mão a cabeça — Eu perdi a cabeça. Você precisa-me entender May. Como você acha que eu me sinto? Esse cara que você nunca esqueceu voltar justo quando estamos nos dando bem. Se você me deixar eu acho que entro em uma depressão — Falou me deixando assustada em pensar que ele poderia entrar em uma depressão — Você é muito importante pra mim, eu lutei muito pra que nós dois ficássemos juntos e não vou deixar esse otario atrapalhar.
– Eu não vou te deixar — Menti sentindo o peso das minhas palavras falsas. Eu odeio mentir, principalmente pra Eric.
Ele parou o carro em frente de casa.
– Ele vai ficar aqui ou vai voltar para o Brasil?
– Vai ficar e também vai para Stanford.
Eric chingou Alex baixo.
– Você vai ficar com ele não vai?
– Não — Menti novamente — Deixei claro pra Alex que não conseguia ficar com ele novamente.
A cada mentira eu sentia o peso na consciência. Não sei se suportaria mentir por muito tempo, ainda mais com Eric falando que poderia entrar m depressão. Não sei se ele falou da boca pra fora, mas preferia prevenir.
Eric se despediu de mim com um beijo. Imaginei Alex naquele beijo em vez de Eric, e senti nojo de mim mesma por pensar em outro, enquanto engano o que me beija de verdade.
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