Notas iniciais
P.O.V May
Já estamos no mês de agosto. Não dá pra acreditar como tudo passou rápido. Lucy e Pâmela foram embora em maio. Lembro de como a despedida foi difícil.
* Flash Back on *
– Vou sentir tanto sua falta – Lucy choramingou enquanto me abraçava.
– Vou sentir mais – Respondi choramingando também – Enzo me disse que vou embora de volta para o Brasil em setembro. Não vai dar nem pra sentir falta você vai ver.
Ela me abraçou ainda mais forte e quando ela ia se afastar, puxei ela um pouco e sussurrei:
– Não fique brava com Pâmela por favor. Nem comigo. Ela me contou que você não passou no vestibular para pediatra e ficou muito chateada com isso.
– Não tem problema.
– Serio? — Perguntei e ela assentiu. E eu pensando que ela começaria a ficar revoltada e maluca – Só me diz uma coisa. Por que esse seu interesse por pediatra? Você nunca foi tão chegada em crianças.
Ela olhou para um lado e para o outro. Depois viu que Pâmela ainda estava na fila pra comprar algo pra viajem e se direcionou pra mim.
– Sabe… é que… bem… — Ela se embaralhou – É que eu pensei que eu estivesse grávida.
Olhei pra ela e arregalei os olhos.
– Como assim grávida? Por que não me contou?
– Calma eu não estou grávida – Falou revirando os olhos – Dá pra parar de falar alto?
Me acalmei e pedi pra que ela continuasse.
– Fiz o teste de gravidez mas eu não estou. Eu suspeitava. Por isso decide ser pediatra por que eu não sabia cuidar de criança e sempre fui filha única por isso achei que seria melhor assim. Assim eu iria poderia me dedicar a meu filho. Mas graças a Deus eu não estou! — Falou respirando fundo – E agora que não passei como pediatra vou tentar o vestibular de jornalismo.
Adorei saber que ela decidiu fazer uma profissão tudo a ver com ela. Ela fala muito e por isso não tem profissão melhor
– Gui ficou sabendo disso? — Perguntei curiosa.
– Claro que sim. Ele que pediu pra mim fazer o teste. Você tinha que ver a cara dele quando eu disse que suspeitava – Ela começou a rir e eu me ajuntei com ela na risada.
– Imagino – Falei me acalmando – Mas você não deveria ter escondido isso de mim e nem de Pâmela.
– Eu sei – Revirou os olhos mas uma vez – Só queria ter certeza antes de contar qualquer coisa.
Pâmela se aproximou com duas sacolas na mão.
– Lucy tem como você colocar na sua mala?
Lucy revirou os olhos achando aquilo um sacrifício.
– Quero me despedir da May – Falou – Você já teve a sua vez.
Lucy pegou as sacolas e saiu de perto.
– Não me faça chorar – Falei a abraçando.
– Eu que tenho que te pedir isso.
Nos abraçamos por alguns segundos e logo ela me soltou.
– Preciso te falar uma coisa antes de ir embora -Falou.
– Vai me dizer que também está guardando algum segredo?
– Como assim? Que segredo?
– Lucy te conta depois. Mas o que você tem pra falar?
– É sobre você – Respondeu – E Alex.
Revirei os olhos e cruzei os braços impaciente.
– Logo na sua despedida temos que falar dele?
– Me escuta por favor – Respondeu também impaciente – Não gosto de ver vocês assim. Quero que tudo volte a ser como antes. Quando vocês voltarem para o Brasil nós todos podemos ser aquele grupinho de antes. Esperei tanto para que esse dia chegasse. Por favor.
– Ele me traiu com a vaca da Nayara que ele sabe que eu odeio e ainda teve coragem de mentir!
– Será que eu vou ter que te mostrar o lado dele de novo?
– Nem precisa – Revirei os olhos – Você vai fazer um grande discurso. Agora que está virando psicóloga tem mania de falar muito.
– Não exagera.
– Não complica.
Pronto. Tenho mais raiva de Alex ainda agora. Estou discutindo por causa dele na despedida da minha melhor amiga.
Ela se aproximou e me deu mais um abraço.
– Não quero brigar – Respirou fundo – Mas quero te dar um conselho.
– Qual?
– Vai a uma psicóloga. Você vai entender o por que de eu falar tanto. Porque que eu quero te dar tantos conselhos. Ela vai te ajudar com o que está sentindo.
– Ficou maluca? Psicologa é pra quem tem problemas mentais.
Ela riu.
– Você está enganada. Psicólogos não são para loucos. Eles ajudam com os sentimentos que estamos lidando por dentro. O que você está se referindo é psiquiatra. Eles sim cuidam de pessoas com problemas mentais.
Assenti sabendo que eu não cumpriria com esse conselho. Lucy se aproximou e as duas começaram com mais abraços e despedidas. No final nós já havíamos derramado um balde de lágrimas quase transbordando.
* Flash Back off *
Assim que tocou o sinal fui até o meu armário para trocar alguns materiais. Quando estava quase fechado abri de novo me dando conta que havia algo de diferente. Um pequeno pedaço de papel meio amassado mas que tinha algo escrito. Achei estranho já que o armário era trancado mas logo me dei conta das pequenas frestas que tem no armário. Peguei o papel e li mentalmente.
“Sei que você não quer saber de mim. Preciso que você me dê uma chance de esclarecer as coisas. De colocar um ponto final. Talvez você não aceite oque vou pedir. Mas se aceitar prometo te deixar em paz e te esquecer pra sempre. Quero que me encontre no restaurante Eat Well ás 14h30 no sábado.
Te espero invocadinha.” Alex.
Senti um aperto no peito. Já faz três mês e meio que Alex nunca mais me procurou ou falou comigo. Desde que as meninas foram embora e eu não sei por que. Pensei que ele poderia até ter desistido de mim. E admito que isso me abalou muito nesses três meses.
Sinto falta dele. Sinto todos os dias. Eu não o esqueci e quando comecei a me dar conta que ele estava desistindo de mim senti uma dor e mágoa tão profunda que senti vontade de implorar pra ele voltar. Mas acho que ainda não estou preparada para perdoá-lo. Eric tem de se mostrado fiel comigo. Ainda por cima vejo Anne indo atrás de Alex na escola. Cheguei pensar que estariam juntos.
Amassei o papel e joguei na lixeira próxima. Não estou preparada para voltar com ele. Não depois de ter mentido pra mim. Se tem duas coisas que eu mais odeio é traição e mentira. Nunca posso me esquecer de Eric que tem ficado ao meu lado em todo esse tempo. Ele sim me merece. Eu iria a esse encontro e deixaria de uma vez por todas que nunca mais teremos nada.
**
Sábado chegou mais rápido do eu esperava. Confesso que fiquei um pouco ansiosa para esse encontro. Talvez fosse a ansiedade de esclarecer tudo. Mas as vezes vinha um sentimento de que eu não queria isso. Não quero que Alex me esqueça. Mas também não quero voltar pra ele e sofrer de novo. É meio difícil de entender.
Estava caminhando em direção ao restaurante Eat Well. O restaurante é pouco movimentado mas também tem uma comida ótima.
Olhei para o céu e vi enormes nuvens cinzentas que ameaçavam derramar chuva. Em um momento chegou uma memoria em minha mente.
Eu e Alex.
Nosso primeiro beijo.
Chuva.
Droga. Tudo me faz lembrar ele. Não vou aguentar ficar assim por muito tempo.
Alguns pingos começaram a cair e eu acelerei o passo até entrar no pequeno restaurante.
Olhei em volta mais não avistei Alex. Sentei em uma mesa dos fundos enquanto olhava para os lados para ter certeza de que Alex ainda não tinha chegado ainda. Droga. Eu fiz questão de me atrasar para esse encontro os minutos mais necessários possíveis para ele não pensar que eu estava desesperada pra esse encontro e ele que chega atrasado.
5 minutos se passaram.
10 minutos.
15 minutos.
Chega! Cansei de esperar.
Caminhei até a porta para me retirar e ir embora com a cara mais invocada possível quando eu ouço:
– Let me inside where the stars they won't find everything
Cramped in a space
It's my kinda race though you're feeling me chase you down
Put on a nicer change of clothes I'm
Casual inside but no one knows I fall into this craving
And these wonderfully dull days
They all feel so far away
And I've stretched my skin to the nail
But no, way, out from the inside of trains, wreck
All we remember, you hope
It's just where we left it through your window pane
All of my definite choices all seem to slap me
Feels good at first, you fit nicely without one material thing
Put on some better tunes you know I'd listen in
To hear the best of you cry more, no I'll save you
And these wonderfully dull days
They all feel so far away
And I've stretched my skin to the nail
But no, way, out from the inside of trains, wreck
All we remember, you hope
It'sjust where we left it through your window pane
Now the hurt just feels fine
Then comes your favorite red wine
Now you're turning the pages
Over and over again
No way, out from the inside of trains, wreck
All we remember you hope, it's
Just where we left it through your window pane
But no, way, out from the inside of trains, wreck
All we remember, you hope, it's
Just where we left it through your window pane
I said through your window pane
I said through your window pane
Virei e vi Alex sorrindo enquanto terminava de tocar. Pronto agora ele esta se declarando na frente de todo mundo. Não era o que eu esperava. Cruzei os braços com os olhos semicerrados enquanto vejo ele descer do palco e vim até mim com um sorriso de orelha a orelha pra ver se eu gostei do que vi.
Ele e chamou para sentar e eu fui revirando os olhos pra que ele visse que eu não me importei com a musica.
– Se lembra dessa musica? Foi a que eu cantei pra você pela primeira vez quando quis me ouvir tocar e cantar.
Não tinha como esquecer. Essa musica de alguma forma marcou minha vida. A historia que eu e Alex tivemos um dia mas que não existe mais.
–Your Window Pane, sei qual é – Falei dando de ombros como se não me importasse. Eu faria questão de trata-lo na maior frieza possível para ver que não adianta nada o que ele for falar, eu não vou voltar com ele – Por quê chegou atrasado?
– Na verdade eu estava aqui o tempo todo só que eu tive que convencer muito o dono pra deixar eu cantar. Eu disse que você tambem sabe cantar e se quiser pode ir cantar tambem, eu tenho todo o tempo do mundo pra gente conversar.
Assenti.
– Vou cantar, me espere aqui – Falei já sabendo qual musica que iria cantar para mostrar para Alex como eu estou magoada com tudo que ele me fez passar.
Subi no palco e afinei o violão enquanto anunciava o nome da musica para todos os que estavam ali presente no restaurante:
– Cicatriz da cantora brasileira Manu Gavassi.
Resolvi cantar uma musica brasileira por que a maioria dos EUA adimira musicas em português apesar de não entenderem nada do que significa. Mas não é pra eles entenderam, é apenas para Alex entender.
– Só segure a minha mão um pouco
E feche a porta quando sair
Só me deixe aqui, porque eu cansei de tentar entender
Eu queria que suas palavras pudessem de fato mudar
O que eu não consigo apagar, o que virou a minha cicatriz
Não sei, quando foi que perdemos a cor
Quando foi que acabou
Pedi ao tempo pra te ter pra mim
Mas não sei se vai adiantar
Há tanta coisa por falar; parei o tempo só pra esquecer
O vazio que eu sei está por vir
Como eu posso sentir saudade com você aqui
Só afaste o cabelo do meu rosto quando
Eu começar a chorar
Não quero mais conversar, eu só quero te lembrar assim
Quem me dera que o seu abraço pudesse de fato mudar
O que eu não consigo apagar, o que virou a minha cicatriz
Não sei, quando foi que perdemos a cor
Quando foi que acabou
Pedi ao tempo pra te ter pra mim
Mas não sei se vai adiantar
Há tanta coisa por falar; parei o tempo só pra esquecer
O vazio que eu sei está por vir
Como eu posso sentir saudade
Depois de tanto tempo é difícil te ver
Difícil respirar o mesmo ar que você
Eu nunca mais vou esquecer, eu nunca mais vou esquecer
Você me olha chorando e segura a minha mão
Voou até aqui pra me pedir perdão
Eu não tenho nada a dizer, é a última vez que vou ter ver
Pedi ao tempo pra te ter pra mim, mas não sei se vai adiantar
Há tanta coisa por falar; parei o tempo só pra esquecer
O vazio que eu sei está por vir
Como eu posso sentir saudade com você... aqui
Só segure a minha mão um pouco
E feche a porta quando sair
Só me deixe aqui, porque eu cansei de tentar entender…
Talvez a musica não tivesse muito sentido em relação a mim e a Alex mas eu queria deixar claro pra ele que foi grande a cicatriz que ele deixou em mim. Desci no palco e sentei na mesa enquanto eu encarava. Alex estava mais uma vez vestido todo de preto, assim como no dia da nossa apresentação. Eu já sabia o que aquilo significava. Ele esta de luto por me perder. Foi isso que ele disse no dia da apresentação.
– Oque você tem pra falar? — Perguntei para não deixar o momento constrangedor com o silêncio mais do que já está.
– É sobre nós.
– Não existe nós.
Ele engoliu em seco e me encarou por um tempo sentindo a dor das palavras que eu dissera.
– Tudo bem – Falou – Vamos falar sobre tudo o que aconteceu com a gente no passado.
Revirei os olhos e dei de ombros.
– Sei que te magoei muito e não queria isso – Disse cabisbaixo.
Ele tentou pegar na minha mão mas eu tirei ele bruscamente.
– Eu preciso de você May, entende?
Serio mesmo que ele veio pra ficar falando isso? Pensei que viria para esclarecer as coisas, não falar coisas melosas que só me deixam mais pra baixo.
– Dá pra ir direto ao ponto? Não vim aqui pra ouvir suas melações – Falei com frieza.
Ele respirou fundo tentando manter a mais pura calma possível como se tivesse torcendo para que suas próximas palavras surgissem algum efeito em mim.
Sem chance.
– Sei que Lucy que te contou do beijo – Falou e eu o encarei surpresa – E não acredito que você acreditou em uma única palavra dela. Você sabe que Lucy é meio doidinha e euforica.
– Doido é você se continuar a falar assim dela – Falei dessa vez com muito raiva – Lucy não mentiria pra mim. E você mesmo confirmou que existiu esse beijo no dia em que brigamos.
– Não nego que existiu – Disse levantando as mãos na altura dos ombros, sua voz saindo falha – Preciso apenas que me escute.
Em um ato de impulso tampei os ouvidos.
– Não seja infantil – Falou calmo enquanto retirava minhas mãos das orelhas.
– Não quero ouvir suas mentiras muito menos como foi o seu beijo com a vadia da Nayara.
Ele revirou os olhos mas tentou manter a calma.
Ok, eu estou sendo infantil e todos estão olhando pra gente. Respirei fundo e tentei manter a calma.
– Tudo bem, termine com essa tortura logo – Sussurrei para que todos parassem de olhar pra gente.
– Naquele dia eu estava no patio e Nayara me chamou para conversar. Tentei recuar por um instante mas ela me provocou falando um monte de coisas ruins sobre você eu te defendi.
Já era de se esperar que aquela vaca fosse falar trilhões de coisas ruins sobre mim.
– Ela falou que precisava falar uma coisa muito importante comigo mas tinha que ser em particular.
Arqueei uma sobrancelha.
– E você caiu na dela? Serio mesmo isso? Nayara é oferecida e faria o de tudo pra se encontrar com você a sós.
Ele suspirou sabendo que aquilo é verdade e como foi idiota por ter aceitado.
– Nós nos encontramos na divisoria da escola e lá eu deixei claro que não queria nada com ela mas ela me beijou do nada e com certeza Lucy deve ter visto nessa parte e não viu que no final eu a empurrei e falei pra ficar longe de mim.
Fiquei um tempo em silêncio assimilando tudo o que ele me contara.
– Acredita em mim? — Perguntou se aproximando e afastando minha franja que caia do olho – Eu te amo invocadinha, nunca te trairia. Preciso que me perdoe por que não aguento mais viver sem você. Minha vida e minha historia só fizeram sentido quando eu te conheci.
Ele passava o indicador pela minha mandibula e por todo o meu rosto em um gesto de carinho. Peguei sua mão e a tirei com calma do meu rosto e a coloquei sobre a mesa enquanto balançava a cabeça negativamente.
– Você mentiu pra mim – Falei com os olhos marejados -Tudo teria sido mais facil se você não tivesse mentido.
– Não queria te fazer sofrer.
– Mas me fez sofrer do mesmo jeito e pode ter certeza que eu ter descoberto a verdade foi o que mais doeu. Esquece Alex, não tem volta. Estou feliz com Eric, ele me ama.
– Ele não te ama, está te traindo.
Neguei devagar.
– Você é o único traidor aqui.
– Por que não me perdoa?
– Eu posso até perdoar Alex – Falei me levantando – Mas não sou idiota pra confiar novamente.
Virei-me de costas pronta pra ir embora. Lagrimas já escorriam pelo eu rosto e eu não fazia questão de limpá-las.
Assim que sai pela porta vi como a chuva havia piorado e estava forte, me arrependi na mesma hora sabendo que eu deveria ter levado um guarda-chuva.
Comecei a caminhar pela chuva e ouvi Alex gritar por meu nome. Minha roupa estava começando a ficar encharcada e mais lagrimas escorriam. Não queria que Alex me esquecesse mais tambem não quero voltar pra ele. Não estou preparada e acho que nunca mais vou estar. Limpei uma lagrima que escorria pela curva do meu nariz quando vi a luz do farol de um carro velho que mal conseguia enxergar com a escuridão da rua.
O carro passou estava em alta velocidade e vi pela fraca e faiscante luz do poste o rosto de um homem moreno com a aparencia de uns quarenta anos e pelo jeito que se movimentada parecia estar completamente bebado.
Arregalei os olhos assutada quando tarde demais percebi que o carro vinha em alta velocidade em minha direção.
– MAY! — Ouvi Alex gritar.
A ultima coisa que vi foi o farol do carro iluminando o meu rosto e eu sendo empurrada com força para o lado.
Uma dor forte se espalhava por todo o meu corpo e sentia meu tornozelo latejar enquanto eu soltava uns gritos de espanto.
Mordi a bochecha para conter um grito agudo quando vi um liquido vermelho escorrer por minha testa e cair no chão asfaltado e molhado.
Foi então que eu me dei conta de tudo.
Carro em alta velocidade.
Alex me empurrando.
Ele sendo atropelado no meu lugar sem tempo de se desviar.
Virei com dificuldade para o lado e vi Alex jogado no chão um pouco distante. Seu corpo estava coberto de seu sangue e ele respirava para cima e para baixo com dificuldade.
Arrastai-me pelo chão em busca dele. Isso não podia estar acontecendo. Meu coração acelerava a cada vez que eu me aproximava.
Coloquei minha mão sobre o seu rosto para ter algum sinal de que ele ainda poderia estar acordado.
–Alex – O chamei enquanto uma lágrima que escorria do meu rosto caiu sobre ele – Por favor fala comigo, eu preciso de você.
Seus olhos abriram com dificuldade e meu coração ficou mais calmo ao ouvir sua voz.
– Tudo vai ficar bem, pequena – Sussurrou sua voz estava falha e cortante e parecia que tinha muita dificuldade para respirar – Desculpa por ter te empurrado mas era melhor eu ter sido atropelado do que você. Não suportaria te perder. Não consigo nem imaginar isso. Por favor procura ajuda. Não aguento te ver assim tão machucada.
– Não posso te deixar aqui, você está pior do que eu.
Ele tentava alcançar ar mas não conseguia. Ele fazia um som estranho por busca de ar e isso o deixava com mais dificuldade. Mais lagrimas brotaram dos meus olhos ao ver tudo aquilo. Ele me salvou, e agora está morrendo por minha causa.
– Obrigado por ter feito parte da minha vida. Nunca se esqueça que sempre vou estar ao seu lado mesmo você não podendo me ver. Vou estar ao seu lado como um anjo da guarda. Me perdoe por tudo que eu fiz, eu não queria te magoar. Te amar fazia parte da minha vida.
– Pare de dizer isso – Falei o olhando no fundo de seus olhos. Minhas larimas caiam sobre o seu rosto ensanguentado.
Deitei minha cabeça sobre o seu peito sem me importar com o seu sangue que me manchava.
Nosso sangue esta se ligando.
Somos só um.
– Eu prometo que vou nos tirar dessa, Por favor não fecha o olho, não vai embora, fica aqui comigo – Sussurrei com a voz embargada pelo choro. Podia ouvir os soluços abafados de Alex a sua força para conseguir respirar – Vou chamar a ambulância.
Procurei pelo meu celular no bolso mas não o encontrei lá. Eu havia perdido na hora em que cai. Comecei a chorar ainda mais, agora de desespero. Preciso salvar Alex, não posso deixá-lo.
De repente avistei uma pessoa vindo em nossa direção e logo depois várias outras, formando uma roda em nossa volta. A chuva ainda caia e minha dor aumentava. Não estou falando da dor física apesar de sentir muita, mas a dor de saber que estou perdendo Alex.
–MAY! — Ouvi alguém gritar no meio da multidão.
Estremeci ao reconhecer a voz.
– ERIC! — Gritei o procurando sem conseguir me levantar.
Não me importei em saber como ele foi parar ali, minha única preocupação no momento é Alex.
Eric veio ao meu encontro e me abraçou forte manchando sua camisa de sangue.
– Vamos sair daqui – Falou me afastando de Alex.
– Não vou sair daqui – Ele me olhou surpreso – Alex está mais machucado que eu e está MORRENDO.
– Você também está muito machucada, preciso te levar para o hospital.
– Leve Alex.
– Só tenho dois bancos na minha picape, só cabe duas pessoas.
– Eu fico.
– May – Ouvi Alex me chamar com dificuldade – Vai com ele.
– Não posso te deixar, nunca vou fazer isso.
Eric se aproximou e agachou ao lado de Alex.
– May estou me sentindo péssimo por te ver assim, já chamaram a ambulância, por favor vai com Eric.
Eu estou horrível. Eu sei disso e estou com certa dificuldade de respirar também, mas Alex está pior.
Alex vendo minha resistência de ir, com suas únicas forças que tinha pegou Eric pela gola da camisa.
– Leve ela daqui agora. Se algo acontecer com ela, você morre. Se a ama de verdade como a diz, tire-a daqui. Ela é mais importante no momento.
Ele soltou a gola da camisa de Eric e me puxou pelo braço mas eu gritei de dor.
– Não consigo levantar, estou sentindo muita dor no tornozelo.
Ele me pegou no colo me colocando em seu ombro, mas eu comecei a gritar para que ele parasse.
– NÃO POSSO DEIXAR ALEX! — Eu chorava lutando sem sucesso.
Uma dor profunda dentro do meu peito aumentava quando eu o havia ainda no chão com pessoas em volta, com dificuldade para respirar. Não podem fazer isso com ele, eu que devia estar no seu lugar. A ambulância vai demorar e não vai ter tempo dele viver.
Eric me sentou no banco de sua picape.
– Se acalme tudo vai ficar bem.
– NÃO VAI DROGA! — Gritei e me arrependendo na hora por causa da dor que foi causada. Eu inspirava a todo instante e o suor do esforço causado se misturava com o meu sangue – Alex está morrendo, eu aguentaria ficar ali esperando a ambulância, mas ele não.
– Você não ouviu o que ele disse? Ele pediu pra mim provar que eu te amo te tirando dali, e é isso que estou fazendo.
– Larga de ser estúpido! Ele está sendo orgulho e te testando, mas você~só pensa em você e na raiva que tem um pelo outro. Ele só disse isso por que era o único jeito de você me tirar dali. Fique sabendo que você não está provando que me ama só por ter me tirado dali, pelo contrário só mostra como você é egocêntrico!
Eric abriu e fechou a boca, mas não disse nada. Minha cabeça começou a rodar e minha visão ficou turva. Ainda respirando com dificuldade tudo ficou embaçado e sem sentido. A última coisa que ouvi foi o barulho da sirene indo em alta velocidade para onde eu havia acabado de ser tirada. Do local do acidente. Eles foram buscar Alex.
Desmaiei endo que a partir daquele momento tudo mudaria.
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