Notas iniciais
P.O.V Alex
As ferias passaram mais rapido do que eu esperava. Já faz alguns dias que não vejo a May, quando nos vemos apenas trocamos alguns olhares e continuamos a nossa rotina de sempre. Nós já estamos no internato de Stanford e ainda não cai na real que estou naquele lugar maravilhoso, acho que qualquer um sonharia estar ali. Quando eu vi fiquei completamente empolgado com as aulas de musica e outras artisticas. Já a May ficou um pouco empolgada como se demostrasse que estivesse acostumada com aquilo.
As aulas de lá são otimas e tenho aprendido mas do que em uma faculdade popular do Brasil.
Como eu e a May estamos seguindo o mesmo rumo, estamos na mesma sala que é a de musica. Dizem que eu tenho mais talento para tocar do que cantar, mas dizem que eu tambem não canto mal. Então acho que vou ser apenas um instrumentista.
Enquanto isso a May pode ser uma instrumentista e cantora. Ás vezes me sinto pouca coisa ao lado dela.
O unico problema é que aquele tal de Eric tambem foi para Stanford no objetivo de ser o chiclete da May. Já nos encontramos antes e ele sempre me manda aquele olhar provocativo, mas apenas fico quieto pois a hora dele está chegando. Por enquanto ele manda o olhar provocativo, depois serei eu que vai mandar o sorriso provocativo. O dia da May terminar com esse babaca está proximo.
Tomei um banho demorado e coloquei um Jeans com uma blusa azul royal. Baguncei um pouco o cabelo, pois a May diz que adora ele assim. Peguei uma caixinha que continha dois objetos dentro e coloquei no bolso da calça.
Peguei o BMW preto e fui dirigindo pelas ruas de Seattle. Eu havia juntando uma boa quantia para compra-lo.
Estacionei o carro em frente da casa da May e toquei a campanhia com receio de que ela ainda estivesse dormindo. Com certeza em uma manhã de domingo ela estaria dormindo. Mas já fazia bastante tempo que não tinha um momento a sós com ela. E queria ser mais rapido do que aquele Eric.
Vi ela olhar sonolenta pela janela e sorrir ao me ver. Ela demorou pra descer e reparei que ela havia se trocado.
– Oquê acha de tomar café da manhã comigo? — Perguntei.
– Ficou louco? — Perguntou com a voz rouca por conta do sono que havia acabado de despertar.
– Qual o problema?
– E se alguem ver a gente? Esqueceu de Eric? Ele costuma me chamar pra sair nos domingos.
– Diz que você tinha outro compromisso e não se preocupe o lugar que vou te levar é pouco movimentado.
– Meu pai e Julie ainda não acordaram.
– Você nunca quebrou regras? — Perguntei estampando um sorriso.
– Só com você — Respondeu rindo e logo entrou.
Entrei junto dela e vi que ela escreveu um bilhete e deixou em cima da mesa para que seu pai visse assim que acordasse.
Saimos da casa dela e vi a cara de espanto dela assim que viu o meu BMW.
– Meu Deus! — exclamou — Oque é isso?
– Um BMW preto — Respondi rindo e demostrando ironia na voz.
Ela fez uma careta para minha resposta e passou a mão pelo meu carro.
– É seu? — Perguntou.
– Claro.
– Você roubou?
– É... não — Respondi achando graça em sua pergunta — Você acha que eu não sou capaz de comprar um?
– Não é isso, é que tem pouco tempo que você está aqui — Respondeu enquanto eu abria a porta do carro para que ela entrasse — Enquanto isso eu estou aqui com o meu Miata que ganhei de presente do meu pai e de Julie.
– Não é tão ruim — Falei para anima-la enquanto virava uma rua.
– Para onde está me levando?
– Para tomar café — Respondi novamente com ironia.
Percebi ela revirar os olhos e dar uma risada.
– Eu sei seu idiota. Estou perguntando o lugar.
– Você nunca costumou ser tão curiosa .
– E você nunca costumou ser tão misterioso.
Olhei para ela e dei uma risada.
– Já estamos chegando.
Ficamos em silêncio por um tempo e percebi que sua expressão que antes estava agradavel se tranformar em uma irritada.
– Oque foi? — Perguntei — Ficou irritada de repente.
– É que lembrei de algo que Eric me contou.
Só de ouvir o nome desse babaca estragou todo o momento mas preferi insistir.
– Oque ele disse?
– Que a estupida da Anne Benson está indo para Stanford — Falou.
– E quem é essa Anne Benson?
– É uma outra loira patricinha que entrou na minha vida para me infenizar — Falou fazendo cara de emburrada — Serio, é o clone da Nayara.
Ergui uma sobrancelha e não contive o riso.
– Do que está rindo? — Perguntou ainda emburrada.
– Porquê se incomoda tanto dela ir para Stanford?
Ela balançou os ombros.
– Porquê tenho medo dela roubar oque é meu assim como fez a Nayara.
– E oque a Nayara roubou de você?
– Você.
Estampei um sorriso no rosto e me inclinei um pouco para abraça-la.
– Você nunca me perdeu pra ela e nem pra ninguem — Falei lembrando de um dia depois da viajem dela para cá, algo que me arrependo e guardo só pra mim.
Estacionei o carro e abri a porta para que ela saisse.
– Você me trouxe pra tomar café da manhã em um parque abandonado?
– Não é qualquer parque — Falou — E não está abandonado, nós dois estamos aqui.
– E os donos dos briquedos — Falou olhando em volta.
– Pensei que iriamos tomar café da manhã.
– E vamos — Falei a pegando pela mão e levando para a padaria que ficava em frente.
– Você vem aqui sempre? — Perguntou.
– Ás vezes.
– Então oque você recomenda para mim comer?
– Eu acho o donut uma otima ideia.
Ela pediu oque recomendei e sentou em uma das mesas que dava para ver o parque do outro lado.
– Você tem razão esse donut é muito bom — Falou com os dentes cravados no glacê.
Beberiquei um pouco do meu suco e concordei com a cabeça.
– Vamos para o parque agora? — Perguntei assim que vi que ela terminou de comer.
Ela concordou e eu a conduzi até o parque. Quando chegamos lá a levei até a roda gigante. Ela olhou para a roda gigante e depois para mim.
– Oque foi? — Perguntei.
– Vamos em outro brinquedo.
– Porquê? — Perguntei franzindo o cenho.
– Bom é que tenho meio que trauma de roda gigante — Falou cabisbaixa — Tenho medo de altura e um dia vi uma menina ficar pendurada lá em cima gritando e pedindo ajuda.
– Todo mundo tem um trauma.
– E qual é o seu? — Perguntei e percebi certa curiosidade em sua voz.
– Perder você de novo.
Ela deixou escapar um sorriso junto com um suspiro aconchegante e cansado.
– Então porquê não tenta perder esse trauma? — Perguntei colocando uma parte de seu cabelo atrás da orelha.
Ela mordeu o labio inferior e começou a estralar os dedos. Havia me esquecido de que ela tinha essa mania quando ficava nervosa.
– Por favor! Prometo que não deixo você cair, eu vou estar do seu lado.
– Tudo bem — Concluiu depois de um tempo — Mas não ligue se eu começar a gritar lá em cima.
P.O.V May
Ele caminhou até o dono do brinquedo e conversou algo com ele. Algo bem demorado se quer saber. Os dois conversavam e direcionavam os olhares para mim.
Ele voltou e pegou minha mão para me conduzir a dois assentos vazios na roda gigante. Algumas pessoas chegavam ao parque aos poucos, por isso deduzi que não era um parque abandonado mas não muito conhecido. A roda gigante foi subindo devagar, e Alex segurou em minha mão para que me sentisse segura. Uma onda de calor percorrer por todo o meu corpo com apenas o toque de sua mão na minha. Quando cheguei lá em cima engoli em seco a altura que eu via. Era possivel ver de longe as colinas e sentir o ar gelado.
Quase me joguei de verdade quando pela segunda vez lá em cima eu percebi que a roda gigante havia parado lá no topo comigo e Alex em cima.
Minha mão começou a suar e quando iria começar a gritar Alex me interrompeu.
– Não é necessario gritar — Falou calmo.
– Essa roda gigante está QUEBRADA — Falei quase berrando quando disse a ultima palavra.
Dei uma olhada rapida para baixo e vi o dono do brinquedo sorrir como se nada estivesse acontecendo.
– Só vai demorar uns minutinhos — Alex falou — Não está quebrada.
– O dono do brinquedo nem se move, ele está se divertindo com tudo isso — Falei para que Alex olhasse para baixo e visse o sorriso debochado do homem que nem se importava.
Alex riu e manteu seus olhos fixos nos meus. Era como se ele conseguisse evaporar com todo o meu medo.
– Fui eu que pedi que ele parasse a roda gigante bem aqui no topo, pequena — Falou mais calmo que nunca mesmo com o meu olhar de furia que lançava a ele.
– Você ficou MALUCO? Eu te contei que tenho trauma disso aqui.
– Achei que você deveria perder o seu trauma.
– Eu não quero perder o meu trauma e sim descer daqui.
– Não pedi só por isso.
Olhei sem entender pra ele. Quem em sã consiência pede pra parar uma roda gigante bem no topo, com uma louca que tem trauma de roda gigante sendo que nunca aconteceu nada com ela, e sim apenas viu uma menina quase cair de cima de uma?
– É porquê queria te dar uma coisa — Falou enquanto revirava o bolso da calsa e pegava uma caixa. Ele abriu a caixa com cuidado e vi que se tratava de dois colares; os dois continham a nota musical chamada clave de sol como pingente, um dos colares era prateado masculino e o outro era um dourado bem refinado — É um presente que eu quero que você use sempre com você.
Ele pegou o colar dourado e colocou em meu pescoço. Senti meu corpo arrepiar apenas com os seus dedos em minha nuca.
– São lindos — Falei enquanto colocava o dele — E bem caros pelo jeito.
– Promete que vai sempre usar.
– Prometo — Falei segurando o pingente.
Ele sorriu e me abraçou.
– Alex... — Murmurei enquanto ele ainda me abraçava.
– Oquê foi? Perguntou e eu recuei do abraço e olhei para ele.
– Dá pra gente descer agora?
Ele riu e fez um sinal para o dono do brinquedo. Enquanto a roda gigante se movia lentamente para descer eu só sabia olhar para aquele pingente e adimirar a importância dele que agia dentro de mim...
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