Notas iniciais
Pronto, o último capítulo de apresentações, com os últimos personagens! Agora, a história irá começar de verdade XD Já teremos o Expresso de Hogwarts no próximo capítulo, e os alunos irão enfim se conhecer e... Ah, estou animada! Boa leitura!

Theodore Bones

Já fazia um tempo que Theodore estava sentado de pernas cruzadas no chão de sua sala, assistindo à televisão de perto. Aquela era a única coisa que ele andava fazendo nas férias de verão daquele ano, já que não tinha amigos e nem muitos passatempos.

Ele também poderia ir conversar com o pai, que estava em outro cômodo da casa, mas não faria aquilo pois estava praticamente em greve de silêncio com ele desde que este lhe contara que era um bruxo naquela manhã, tendo escondido aquilo durante a vida inteira do filho, esperando ele completar onze anos, idade onde ele supostamente iria para uma escola de magia e bruxaria. Fora uma notícia empolgante, mas Theodore não podia aguentar seu próprio pai lhe escondendo algo.

Felizmente, já era final de tarde, e o significado daquilo logo se fez notar: sua mãe chegou do trabalho. Ela era dentista, nada sobrenatural, e aquilo era reconfortante. Theodore correu para abraçá-la, pronto para contar tudo o que o pai lhe dissera, quando ela falou:

– Ele já conversou com você, Theodore? Sobre Hogwarts?

O menino ficou de queixo caído.

– Mamãe, você sabia dessa história? – E depois, mais espantado: – Você é uma bruxa também?

– Não, eu não sou. – A Sra. Bones suspirou. – Mas você é, assim como seu pai. E por isso achei que seria melhor ele contar, já que tentamos tanto tempo criá-lo como um menino trouxa comum...

– Ei! – Protestou Theodore. – Vocês já mentiram muito para mim! Não precisa me xingar também! – E foi para seu quarto, deixando a televisão ligada.

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Melinda Williams

Não foi agradável para Melinda entrar no quarto que dividia com sua a irmã um ano mais nova, Isabella, e encontrar um rato cinzento sobre sua cama, naquela tarde.

Ratos eram comuns para bruxos. Melinda se sentia quase boba por ter aversão a eles, mas não podia evitar. Irritada, gritou pela irmã, que foi para o quarto com ar de falsa inocência.

– Algum problema, Linda?

– Por que você deixou esse seu rato de estimação solto?! Já disse para não fazer isso! Que nojo!

– Nojo? – Isabella pareceu ofendida – Pois eu dei banho nele ontem!

– Melinda, venha até aqui agora. – Chamou a mãe das meninas, de seu quarto, quando ela ia retrucar.

Depois de garantir que Isabella iria recolher o rato, a garota seguiu até o quarto dos pais. Temia que a mãe estivesse brava com ela, por causa do tom que tinha usado, mas ela parecia tranquila, deitada em sua cama descansando. Melinda se sentou na beirada, esperando que ela dissesse o que queria.

– Por que você estava brigando com a sua irmã?

– Ela deixou aquele rato nojento na minha cama! Anda tão esquisita, esses dias!

– Talvez porque você vai para Hogwarts neste ano, e ela apenas ano que vem?

– Ah. – Disse Melinda. Fazia sentido.

– Temos de ser sempre pacientes com nossos irmãos mais novos.

– Sei que sim. Mas, sabe... Não vai ser ruim dormir em um quarto onde não tenha aquele rato, nos próximos meses.

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Jeremy Krieger

Muitas pessoas se amontoavam para ver a vitrine da loja de artigos para Quadribol, e Jeremy era uma delas. Um modelo de vassoura novo, chamado Lightning, havia estreado poucas semanas antes, e todos queriam vê-la em exposição na loja, mesmo que poucos tivessem o dinheiro para comprá-las.

– Jeremy – Falou o Sr. Krieger, que estava perto do filho –, eu preciso passar em um lugar na Travessa do Tranco. Vamos logo com isso?

– Pai, eu posso ter uma Lightning? – Perguntou ele, sem prestar atenção às palavras do pai. O homem olhou para a vitrine também.

– Não vejo porque não, parece ser uma boa vassoura. Mas podemos voltar para comprá-la em um outro dia. Preciso resolver aquilo ainda hoje, e a loja já vai fechar se continuarmos perdendo tempo.

– Mas eu quero uma vassoura agora.

– Eu compro algo para você na Travessa do Tranco. – O Sr. Krieger já estava impaciente.

– Feito.

Ele segurou o pulso de Jeremy e o guiou para fora da multidão, olhando com repulsa para qualquer um que quase esbarrasse neles.

– Esses sangue-ruins... – Murmurou, conforme se afastavam,

– Por que esses trouxas e mestiços são chamados para Hogwarts, papai?

– Não pense muito nisso. Na Sonserina, você estará livre de toda essa gentinha. E de qualquer forma... – Ele fez uma pausa, como se refletisse sobre se deveria ou não falar algo, e então completou: – Do jeito que as coisas andam, logo não haverá mais deles para poluir nosso mundo.

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Ethan Johnson

Artemis, a coruja de Ethan, tinha saído para entregar uma carta dois dias antes e ainda não tinha voltado quando ele acordou naquela manhã. O garoto já estava terrivelmente preocupado – ele tinha ganhado ela recentemente e já a adorava. Algo ruim não podia simplesmente ter acontecido com ela. Não podia.

Ele foi até a cozinha de sua casa, e encontrou a madrasta lendo o Profeta Diário, parecendo preocupada também. Ethan não queria incomodá-la, mas aquilo não podia esperar:

– Megan, não teve sinal da minha coruja hoje?

Ela baixou o jornal para olhar para o enteado.

– Não, querido, ela ainda não apareceu. Mas corujas fazem isso às vezes, não se preocupe. – E voltou-se à leitura.

– E se colocarmos um aviso de coruja desaparecida no Profeta Diário? Quero dizer, o papai é jornalista, ele pode fazer isso, não é?

– Ethan, Artemis vai voltar. – Megan respondeu, dessa vez sem deixar o jornal de lado.

O menino suspirou, derrotado, e foi se sentar perto da janela para ver se a ave voltasse. Era bem cedo ainda, e ele acabou pegando no sono sentado, sem sequer perceber até sentir uma coruja bicando seu dedo.

– Artemis! – Exclamou, feliz, acordando imediatamente.

Artemis, que podia não ser a melhor opção de coruja para enviar correspondência, mas que era um excelente animal de estimação, também parecia feliz ou ver Ethan. Ou pelo menos ele poderia imaginar que sim, afinal, não sabia diferenciar as expressões faciais das corujas.

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John Miller

John observava mãe atentamente enquanto ela preparava o jantar. A Sra. Miller, por sua vez, pareceu simplesmente alheia à presença do filho na cozinha por um bom tempo, mas ficou claro que estava apenas ignorando-o até então quando perguntou:

– O que foi, John?

– Você está brava? – O garoto perguntou. Não pretendia dizer algo do tipo, mas escapou-lhe na hora.

– Brava?

– Sim. Por eu ter sido chamado para estudar naquela escola de bruxos, e pelo papai ser um bruxo e nunca ter lhe contado.

Fez-se o silêncio por um tempo até a mulher responder:

– Eu realmente não quero que você vá, se quer saber. Nem um pouco. – Sua voz, até então quieta, foi adquirindo um tom maior de desespero a cada palavra, até ela dar às costas ao jantar para olhar para ele. – John, se você ficasse...

– Eu quero ir. – Ele disse, como se desculpasse. Não gostava que a mãe se sentisse mal. – Vai ficar tudo bem comigo!

– Não é questão de ficar tudo bem! É questão de que isso... não é natural! É quase errado!

– Não é errado. – John disse, suavemente, e só não repetiu que tudo estaria bem porque ele mesmo não podia estar completamente certo de que estaria tão bem em um universo de que até então nunca ouvira falar.

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Atenna Grace

Mesmo que fosse considerada velha demais para ler um livro de contos de fadas, Atenna folheava saudosa as páginas de um que pertencia à pequena biblioteca do orfanato onde vivia.

Era por causa daquele livro que ela não tinha esquecido suas origens, que seus pais eram bruxos. Que eles tinham sido assassinados quando ela tinha quatro anos, obrigando-a a ir para um orfanato trouxa por ser considerado “mais seguro”. Lendo incansavelmente aquele livro com o passar dos últimos sete anos, ela ainda se sentia próxima do mundo bruxo.

E agora, mais ainda com sua carta de Hogwarts. Ela estava particularmente feliz que um professor do colégio estivesse naquele exato momento na sala do diretor do orfanato, convencendo-o a deixar Atenna ir. Sentada na salinha de espera, ela podia ouvi-los.

– Não há lugar melhor para uma jovem bruxa do que Hogwarts...

– Espera sinceramente que eu acredite nesta história de bruxos?

– Senhor, com todo o respeito, vamos acabar por levá-la de qualquer jeito, então a melhor opção seria que deixasse logo. A Srta. Grace pertence ao nosso mundo, não ao seu.

Atenna sorriu consigo mesma. Tinha gostado da utilização das palavras “qualquer jeito”. Finalmente tinham reconhecido o que realmente era seguro para ela – e iam tirá-la dali.

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Matthew Campbell

– Matt, Matt, faz alguma magia para eu ver? – Perguntou, animada, Rachel, a irmã mais nova de Matthew, olhando-o com olhos arregalados.

– Não posso. – Desculpou-se o menino, que arrumava em sua mala as coisas de Hogwarts. Ainda faltava alguns dias para a ida dele, mas não custava nada adiantar aquilo. – Ainda não sei nenhuma.

– Então, faz alguma magia para eu ver quando você vier para as férias de Natal?

– Não estou certo sobre se eu posso fazer magia fora da escola. – Disse Matthew. Por ser nascido trouxa, não entendia muito sobre o mundo bruxo, mas tinha quase certeza de que tinha ouvido algo do tipo quando fora para o Beco Diagonal comprar seu material.

– Então todas as vezes que um bruxo quiser fazer magia, ele tem de ir até a escola?

– Será? – Ele parou que estava fazendo, considerando a hipótese estupefato. Não tinha pensado naquilo.

– Rachel, deixe o seu irmão fazer as malas. – Falou a Sra. Campbell, que passava pela porta do quarto dele.

– Deixe-a ficar, não me importo. – Matthew piscou para a irmã, que foi até ele e o abraçou.

– Quando eu crescer eu quero ser uma bruxinha como você!

– Mas eu vou ser um bruxo. – Retrucou ele, serenamente, rindo de leve quando Rachel lhe mostrou a língua.

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Adelie McGloven

Enfim, era a última noite. No dia seguinte, todos os alunos estariam indo para a estação King’s Cross, embarcar no Expresso de Hogwarts e ir para o colégio.

Adelie já tinha checado se estava tudo certo com a sua mala e separado a roupa que usaria no dia seguinte – era sugerido que fossem para o trem com roupas trouxas, para não chamar a atenção quando estivessem na estação, ela mas não iria fazer isso, porque não queria se misturar com aquelas pessoas. Ela podia ir dormir agora, mas não iria sem antes dar boa noite para sua tia, com quem morava, e foi até seu quarto.

– Tia Madina? Boa noite. – Disse, entrando sem bater, já que a porta estava entreaberta.

A mulher, que era assustadoramente parecida com Adelie tanto física quando psicologicamente, olhava através da janela, e se virou para a sobrinha. Havia um ar de orgulho e tristeza em seu rosto.

– Já é a última noite da menininha que eu criei aqui em casa?

– Eu não queria ter de ficar longe de você. – Admitiu Adelie. – Mas vou. E vou seguir seus passos quando estiver em Hogwarts também.

– Um futuro grandioso lhe aguarda. – Tia Madina disse. – Mesmo longe de mim, os próximos anos serão os que vão determinar a sua vida.

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E assim, rápido para alguns e devagar para outros, a última noite se passou, cada novo aluno que Hogwarts receberia no dia seguinte com suas histórias, esperanças, e futuros sem dúvidas emocionantes e maravilhosos, lhes aguardando de braços abertos...

Notas finais
E então? Ansiosos? XD Até o próximo capítulo!