Nossa História

2 Tudo Está Diferente


Notas iniciais
Desculpem pelo um ano de atraso, mas voltei a me motivar em escrever a estória, então vamos em frente xD Acho que não consegui retratar Dipper do jeito que eu queria aqui, mas espero que gostem. E como podem perceber, o narrador varia de capítulo para capítulo. Terá só mais esse e o próximo cap sobre o passado, mas no quarto já irão aparecer os outros personagens e terá um pulo de dois anos.

Não precisava ouvir de ninguém de que havia algo de errado comigo, eu já sabia disso, e também sabia o que era. Houve alguma razão, que desconheço, pela qual parei de sentir dor física. Às vezes me pergunto se o motivo foi mais pela tortura psicológica do que a que maltratava a minha carne naquele dia. Nem a temperatura do ambiente eu conseguia mais distinguir, somente, por incrível que pareça, um pouco do tato. Dava até para disfarçar muito bem, era só me agasalhar igual à Mabel, ao menos ela sabia quando é que fazia frio ou calor.

Foi por isso que fui essencial ao matarmos nossos pais. Eles conseguiram me perfurar com a única ferramenta que conseguiram alcançar, uma chave de fenda, e aquilo não os ajudou nem um pouco, na verdade, atrasou-os, eu e Mabel conseguimos apagá-los à tempo. Depois de tudo, foi incrível ver a polícia ser enganada por somente duas crianças e darem o veredito de que foi suicídio, escondemos os nossos ferimentos muito bem, assim como a ferramenta.

E a próxima etapa era nos mandar para uma assistência social, que tentaria localizar o parente mais próximo para não termos que ir para o orfanato.

Eu e minha irmã fizemos as malas com a ajuda de um bando do caminhão da mudança, afinal, herdávamos tudo na casa, até a casa em si, mas esta teria a propriedade passada para o nome do nosso novo "guardião", que se oficializaria dentro de algumas semanas. Porém, éramos obrigados a nos mudar para a casa dele antes desse prazo, até porque alguém precisava cuidar da gente para não morrermos de fome. Tch, como se não soubéssemos cuidar de nós mesmos.

Não ouvi o que falavam sobre esse tal guardião, minha mente estava longe demais para ouvir o discurso, de volta para o momento em que nossos pais perderam a vida diante dos meus olhos, não conseguia parar de pensar no quanto eu me senti... feliz. Mabel havia se assustado com a minha gargalhada quando terminamos o serviço, ela deve ter pensado que enlouqueci, mas na verdade, eu só estava contente de que tudo havia acabado, nunca imaginei que a liberdade teria aquele gosto, e o assassinato também.

No entanto, ver nossos pais amarrados, prontos para o abate, não me deixou satisfeito, eu quis mais na hora e acabei ferindo eles, antes de Mabel me dar um empurrão e me lembrar que deveríamos fazer com que se parecesse como se eles tivessem se matado, portanto, marcas de tortura não poderiam ser encontradas em lugar algum.

Foi insatisfatório nesse quesito, na pouca dor que eles sentiram comparado com o que fizeram conosco. Pode ter sido por isso que comecei a sentir a urgência de subjugar e machucar qualquer pessoa que víamos, da polícia à juíza, queria vê-los todos gritando, morrendo.

—Irmão, faça sua mala logo.

Suspirei de cansaço, sentado no sofá que logo seria colocado no caminhão, mas eu não tinha vontade de levantar ainda. Mabel, que não se importava com o que eu queria, parou na minha frente de braços cruzados, com o jornal de hoje na mão. Quando é que ela começou a se interessar por esse tipo de coisa? Bem, é a cara dela tentar bancar a adulta, e a inteligente, e a corajosa, eu nem conseguia mais saber até onde era verdade e até onde era fingimento.

Ignorei-a e levantei o olhar para o teto, encostando-me no sofá com tédio. Isso a irritou.

—Pare já com isso, eu não vou fazer a sua mala para você, vão acabar colocando no caminhão e você só vai ver as suas coisas daqui alguns dias.

—Não temos muita coisa, de qualquer jeito — Falei baixo

—E não pense que eu não estou percebendo o que há com você — Aquilo capturou a minha atenção, brevemente. Mabel estava séria — Aquele fogo nos seus olhos quando outras pessoas falam com a gente? É raiva, não é? O que passa pela sua cabeça estúpida, uh?

Eu odiava quando ela me analisava assim, ser minha gêmea não queria dizer que podia se meter nos meus assuntos pessoais. Encarei-a por um momento. Valia a pena respondê-la? Nem que a resposta fosse rude? Mas, de novo, escolhi ignorá-la e saí do sofá para fazer minha mala, era uma opção melhor do que ter ela me enchendo o saco.

No entanto, ela me seguiu.

Mas não falou mais nada, embora isso não me deixasse menos desconfortável, principalmente quando ela se inclinava demais para ver o que eu estava colocando na mochila. Tentei não ligar, ignorá-la era sempre a melhor opção, melhor do que me irritar à toa.

Olhei para a porta do quarto, aberta... Havia uma agonia que não me deixava enquanto eu estava ali, de que aquela porta poderia fechar a qualquer minuto e nos mandar de volta para aquele pesadelo. Eu juro, se alguém fechasse aquela porta agora, eu iria entrar em pânico, aposto que Mabel também, embora ela não parecesse tão preocupada com essa possibilidade quanto que eu.

—Irmão.

Ela sentou-se ao meu lado, ainda séria.

—Você já pensou se... — Começou, sussurrando — Se nosso tio-avô pode ser alguém tão ruim quanto os nossos pais?

Não sei se entendi o que ela queria dizer.

—Tio-avô?

—Sério que não ouviu nada do que a juíza disse?! É nosso tio-avô que vai cuidar da gente agora, idiota, presta mais atenção quando as pessoas estão decidindo o nosso futuro por nós. Mas enfim, se esse homem for ruim... — Começou a sussurrar — Acho que não podemos matá-lo também, seria muito suspeito.

—Espera, o que...? Não vamos matá-lo.

Ela revirou os olhos.

—Se toca, o que mais podemos fazer se ele quiser nos machucar?

Não acreditava que ela não via a possibilidade que eu via, era uma resposta tão simples, fiquei irritado de que ela pensasse que a morte fosse a única solução, depois de tudo o que passamos... Voltei a arrumar a mala e sussurrei.

—Podemos machucá-lo primeiro — Sorri com a ideia — Claro que ele vai querer se aproveitar de crianças recém órfãs, ele terá poder sobre duas pessoas mais fracas que ele, quem perderia a oportunidade? Então vamos fazê-lo nos temer primeiro, vai facilitar muito para a gente, ele fará tudo o que dissermos e teremos a nossa liberdade, não há opção melhor do que essa.

Mabel pareceu impressionada.

—Nossa. Você até que é mais inteligente do que eu pensava.

—Tch.

Honestamente, eu não ligava mais quando ela dizia esse tipo de coisa, costumava a me machucar, mas agora parece só... patético. Foi difícil ter alguma autoestima desde que nasci, só que agora tudo estava diferente, eu me sentia mais confiante, sabia o que eu era capaz de fazer para me defender.

Com esse tipo de pensamento novo, cheguei até a me sentir superior à Mabel, mas foi só por um instante, ela é confiante e orgulhosa demais para ser passada para trás tão rápido assim, ela é incrível.

Até preocupações que antigamente me atormentavam, agora me cansam, e eu eventualmente desistia de pensar sobre elas, eram estúpidas demais para valerem a pena.

Qualquer obstáculo que aparecesse no futuro, eu conseguiria passar com facilidade. Ou pelo menos escolheria o caminho mais fácil, porque sei agora que sempre há um, assim como foi fácil matar aqueles dois ratos.

Notas finais
Esperam que tenham gostado do capítulo! Vou postar o próximo em breve, está quase pronto e acho que ficou muito grande... Enfim, comentem, favoritem e acompanhem, tenho grandes planos para esta fic ♥3 Obs.: Reli o primeiro capítulo e fiquei surpresa com o quanto ficou pesado, uau, como consigo escrever essas coisas quando passo mal lendo? Haha, tão estranho.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.