Nossa História

1 Nossa História - Ato 01


Notas iniciais
* Oi! 8D Sim, estou atrasada com muitas fics... Mas estas próximas que farei são especiais por serem dedicadas a pessoas muito, muito, mas muito especiais que conheci por causa do Nyah! e tive o imenso prazer de conhecer pessoalmente ainda este ano! * A primeira fic será dedicada a Tinúviel. A grande responsável pela descoberta do meu OTP em Saint Seiya: ( não, nem é Sorento x Shun por mais que eu adore eles -q ) Aiolos x Shura. ♥ ♥ * Espero que você possa gostar da fic, por que além de presente de Natal, é presente de aniversário ♥. * Boa Leitura a todos que aqui vierem ♥

Em meio à tempos de paz, Shion, o ainda Grande Mestre do Santuário, sentia uma leve oscilação de cosmo vinda de algum lugar na Europa, que concluiu ser uma região pertencente à Espanha. Essa ponta de energia, entretanto, não parecia ser hostil e ainda era pequena se comparada a muitas outras descobertas recentemente. Decidiu então enviar dois Cavaleiros de Ouro para averiguar e relatar o ocorrido. Os escolhidos foram Aioros de Sagitário e Shura de Capricórnio. De início, o antigo Cavaleiro de Áries cogitou mandar apenas Shura, que, por ser espanhol, deveria conhecer bem aquelas terras. Mas à pedidos insistentes de Aioros, aceitou que os dois fossem juntos.

Em outras circunstâncias nenhum deles veria problema nisso. Estariam até muito animados por irem em uma missão na companhia agradável um do outro, porém o capricorniano estava, particularmente, inquieto. Nervoso por saber que passaria bastante tempo a sós com o mais velho. Afinal, para Shura, as coisas não estavam bem entre eles. Não poderiam estar depois de tudo o que houve. A culpa ainda o corroía com tanta tenacidade que, mesmo gozando da vida novamente, o espanhol não se dirigia, diretamente, ao grego. Não olhava fixo para ele, desviava todas as vezes que o outro aparecia no mesmo recinto e fazia de tudo para encurtar suas conversas. No fundo, não conseguia entender como Aioros o perdoara. Pois ele mesmo jamais se perdoaria pelo o que aconteceu naquela fatídica noite.

Em mais de dez anos, ele imaginou como seria passar os dias, mais uma vez, ao lado do melhor amigo. E como gostaria que aquele remorso por ter sido o responsável pela morte do sagitariano não o acompanhasse dia e noite, o consumindo ferozmente sempre em que teimava em respirar. Se não fosse por esse fato incômodo, talvez no momento, ambos estivessem se divertindo. Aproveitando a vida e observando as estrelas, juntos. Como costumavam fazer quando mais novos.

Por outro lado, Aioros agia como se tivesse esquecido completamente tudo ou mesmo que não se importasse mais com isso. Seguia tratando o mais novo como sempre o fez desde que se conheceram. Ele tinha consciência de que Shura não teve escolha naquele dia. Que era a sua palavra contra a de todo o Santuário e que mesmo um amigo que o considerava irmão podia duvidar de suas ações, embora relutante. Ele só queria que as coisas fossem como antes e que Shura sorrisse como quando era uma criança. Doía vê-lo tenso todas as vezes em que ia falar com ele e por isso resolveu que o acompanharia até a Espanha. Iria descobrir o porquê de tanta estranheza consigo.

Do tempo em que zarparam da Grécia até atracarem na Itália, o espanhol permaneceu hora calado, hora monossilábico. Só falava quando era realmente necessário e seu semblante estava mais sério do que nunca. Quando chegaram à estação da qual pegariam o bendito trem para a Espanha, Aioros ofereceu-se para comprar um lanche para eles, já que ainda não haviam comido direito. Deixou Capricórnio esperando em um banco enquanto procurava pela lanchonete do lugar. Comprados os sanduíches, voltou alegre e satisfeito para onde estavam.

— Aqui está! – O sagitariano sorria, esperando o amigo aceitar o lanche.

— Obrigado. – Ele respondeu com uma leve reação dos músculos faciais, simulando um sorriso muito contido.

— Estamos indo para a sua terra natal, não está animado? – O empolgado rapaz de cabelos castanhos perguntou se sentando ao lado de Shura, de maneira bem espaçosa.

— Não sei. A última vez que estive aqui foi para completar meu treinamento e logo depois voltei para a Grécia e... – E em poucos dias, o caos tomara conta do Santuário. Aioros foi chamado de traidor e Shura incumbido de assassiná-lo. Concluiu a frase em pensamento, o que o fez se fechar em um silencio tão repentino que preocupou Aioros.

— Shura...? Você está bem? – Ele perguntou esperando alguma resposta sólida.

— Hm? Ah, estou sim. – Foi a resposta do mais novo, voltando a si depois de segundos preso em más recordações. – Coma logo antes que o trem chegue. – Shura abria o pacote do sanduíche enquanto terminava de falar e pronto para manter a boca ocupada, mordeu um pedaço. Assim Aioros também comeria, e não se daria ao luxo de conversar. Comida era algo que deixava o grego muito bem entretido.

Obedecendo, Sagitário começou a comer e com muito gosto. Apesar do sanduíche não ser totalmente fresco, ainda mantinha o sabor e estava apetitoso. Principalmente com aquele molho adicional que escorria e lambuzava o rosto do rapaz. Shura, vendo a criancice do amigo, pegou um guardanapo e ofereceu para ele.

— Aioros, sua boca está suja. Limpe.

— Ah! Valeu, Shu!

Aioros, à primeira vista, não tinha nada a ver com um heróico guerreiro. Ele era extrovertido demais, animado demais, comilão e um bobo que chegava a ser atrapalhado. Ria de qualquer piada, estava sempre sorrindo e parecia estar continuamente de bem com tudo e todos. Mas isso não significava que ele seria desleixado com seus deveres. O que fez Shura admirá-lo foi a força de vontade, a bondade e os ideias que ele seguia. Aioros sempre seria o melhor de todos aos seus olhos.

Quando enfim o trem chegou, mais que depressa eles adentraram no vagão, cada qual com o ticket em mãos. Não iria demorar muito para pedirem, o que era irritante por mais que os homens de uniforme só estivessem fazendo seu trabalho (Shura sempre ficava nervoso por pensar que iria perder o ticket e ser expulso do trem). A cabine onde iriam ficar possuía mesa e camas retráteis, mas o assentos já pareciam aconchegantes por si só.

— Nossa! Por mim, eu dormiria nesses bancos. São muito macios! – Disse Aioros, admirado com o conforto da cabine.

— Faça isso e sua coluna amanhecerá dolorida. – Shura respondeu deixando a pouca bagagem, que servia de disfarce para as urnas das armaduras, guardadas próximas aos assentos e sentando. Focando o olhar para o lado de fora da janela não querendo muito contato visual com o castanho.

Vendo que ele não falaria mais nada depois disso, o guardião da nona casa zodiacal sentou-se a sua frente, também olhando para o lado de fora. Quando o trem começou a andar e a paisagem mudar, Aioros lembrou-se da primeira vez em que pôs os pés na Espanha. Era uma missão similar a que estavam executando na ocasião. Foi na época em que viu Shura pela primeira vez, quando o capricorniano não passava de um garotinho de sete ou oito anos de idade. Seus cabelos já eram arrepiados e seus olhos verdes, apesar de distantes, muito expressivos. Aioros recordou também que fora esse olhar que o atraiu, que chamou sua atenção para o menino. Shura era tal qual um gato arisco, desconfiado e não foi fácil se aproximar dele. Apesar de Aioros ter tido a grande idéia de chegar sorrateiramente por detrás dele, jogando um “Oi, qual o seu nome?” tão alto que foi capaz de fazer o pequeno Shura se assustar e cair de onde estava sentado. Mais tarde o jovem Cavaleiro de Sagitário descobrira que o garoto vinha de uma família humilde e que constantemente ficava andando a esmo pela região rural onde morava. Contudo, Shura tinha um potencial muito grande para estar fadado a viver como um gato de rua. E sabendo disso, Aioros o levou consigo para o Santuário. Algo que ele jamais se esqueceria eram as palavras que saíram da boca daquele espanholzinho. “Uma boca a menos para meus pais alimentarem será de grande ajuda”. Isso comoveu o grego, passando então a tratá-lo como um irmãozinho e levou-o para morar em sua casa e com o tempo, Aiolia também se apegara a ele.

— Shura, você se lembra de quando nos conhecemos? – O mais velho indagou, quebrando o silêncio que havia se estendido por quilômetros.

— Lembro. Eu pensei que você fosse de outro mundo.

— Como um alienígena?

— Bem... Quase... – Mesmo relutante, Shura riu. Aioros era incrível por conseguir isso na maioria das vezes em que conversavam. E então um breve diálogo surgiu entre eles, finalmente.

— A sua reação naquele dia foi tão hilária que só de lembrar eu começo a rir!

— Mas claro... Você me assustou, oras.

— Não, eu te surpreendi! É diferente.

— Aioros, não se chega por de trás de uma criança distraída e grita no ouvido dela.

Se para Sagitário aquela reação havia sido engraçada, para Capricórnio fora alarmante. O susto que levou foi tão grande que quando se levantou, saiu correndo para se esconder achando que seu coração iria saltar do peito e que algum monstro iria devorá-lo. Aioros, sem entender muito se aproximou, e de novo Shura se afastou até compreender que aquele garoto mais velho com cara de palhaço não apresentava perigo nenhum. Era só um bobo muito alegre de dentes estranhamente perfeitos... E que tinha asas. Aioros recebera a honra de vestir a armadura de ouro de Sagitário não fazia muitos dias e sua primeira missão como Cavaleiro era recrutar aspirantes e por alguma razão ele encontrou Shura sentado e observando melancólico as estrelas. Sua pele rosada possuía alguns hematomas, arranhões e seus joelhos expostos estavam cobertos de terra...

— Se a criança for como você, é óbvio que sim! – Aioros pulou de seu lugar para ao lado de Shura, enfiou os indicadores na boca do outro e puxou simulando um sorriso – Desde quando você se tornou tão sério, hein? Onde foi parar aquele Shura com riso divertido?

Aquele Shura morreu. Morreu no dia em que fora mandado para caçar o melhor amigo. Lembranças amargas, muito amargas. Como ele poderia sorrir? Agradecido estava por Aioros estar vivo ali e agora, mas o que não se encaixava ali era ele. Shura não se sentia a vontade consigo mesmo. Não se via no direito de estar ao lado do companheiro mais uma vez. Tudo aquilo era desconfortável. Um mísero sorriso se fez presente em seu rosto e suspirou , calando-se mais uma vez.

Sabendo que não obteria mais nenhuma palavra além das já ditas, Aioros resolveu ficar quieto. Ajeitou-se ao lado para também apreciar a paisagem do mesmo ponto de vista do espanhol, mas não demorou muito para ser atingido pelo sono. Tentou resistir, mas em vão. Tombou sua cabeça no ombro esquerdo de Shura e dormiu. Isso foi o suficiente para Capricórnio entrar em um verdadeiro pânico. Seu coração acelerou e batia feito louco. Há quanto tempo mesmo ele sentia coisas assim em relação ao sorridente grego sempre que este o tocava acidentalmente? Shura arriscaria dizer desde que o conhecera. Aioros mexia com ele. De uma maneira absurda e insana.

A viagem de trem seguiu completamente muda. Aioros dormindo e Shura acordado. Imerso em pensamentos, o Cavaleiro de Capricórnio passou a noite em claro.

— Aioros, se você soubesse o que acontece na minha cabeça creio que pararia de sorrir. Por isso rezo para que nunca saiba.

Notas finais
* Por enquanto é isso. Agora eu vou trocar de roupa *está de pijama* e dar uma andada lá fora. ( Ainda não posso sair pras ruas ;^; q) * Até ;D