Nossa Canção

2 Capítulo 1 - Refeitório


Notas iniciais
Obrigada pelos comentários. Se puderem opinar neste também eu pularia de alegria o/


O reformatório Serdin; Um lugar camuflado, que abriga baderneiros e crianças que os pais não suportam mais. Muitos que são trancafiados naquele lugar nem sequer mereciam este destino, mas sabem o que dizem; Pague bem, tenha o que quiser. A promessa de ajeitar crianças mimadas e transformá-las em reis da educação eram um atrativo e tanto à familiares ricos e sem paciência. E o super ídolo Ronan, que entrou como um marginal e saiu como um disciplinado astro do rock, é citado aos montes nos slogans e propagandas do lugar.


Um lugar injusto, mas não para os três patetas.

Os três, provavelmente, eram os mais encrenqueiros dali. Mereciam ser presos, com a chave jogada fora, alimentados a pão e água. Jin, o santo apaixonado, já mandara tantos discípulos de seu dojo ao hospital, que o lugar que estava indo à ruína prosperou e hoje é gigantesco. Ryan tinha fama de "O caçador de carteiros", os pobres homens, quando não traziam correspondência, corriam sete quarterões para afugentá-lo. E Mari? Quando descobriram os seus testes com urânio o governo não ficou nem um pouco contente.

Eles eram conhecidos como "O trio de encrenqueiros", e o fato de serem amigos surpreendia a todos.


– Jin! Seu desgramento! — A azulada bufava como um touro.


Bem, não tão amigos.


– Mari, minha doce e gentil amiga que não consegue falar palavras de baixo calão — O ruivo cor de fogo voltava sua atenção ao seu bife acebolado. Ambos estavam no não mais pacífico refeitório — Repita comigo; De-s-gra-ça-do.


– Você me deixou vigiando a porta por duas horas! Duas horas! — A garota não sabia alterar o tom de voz, então, reclamava com raiva como se estivesse lendo uma bula — Só para ouvir aquela cantorazinha de araque.


– Ihh, pisou no calo... — Sussurrou o terceiro amigo que também estava lá, comendo uma salada nem um pouco prejudicial à sua amada natureza.


Jin pegou uma parte de seu suculento bife e presenteou o prato esverdeado do amigo. Isso seria algo agradável se não fosse considerado insulto ao menino da floresta, e se o lutador não tivesse dado uma bela cuspida antes de colocar. Os três se fitavam faiscando, prontos para mostrar o quão merecedores de seus títulos eram, até que um inspetor passou por perto.


É incrível a habilidade deles de disfarçar, pareciam três anjos conversando.


– Jin, isso foi sacanagem, cara! — Ryan sentia-se enojado com o pedaço salivado de bife em seu prato. O garoto era vegetariano desde que nascera, vivera com os animais no zoológico da família até então; Para ele, carne se assemelhava à... canibalismo! — Já não basta eu suportar você comendo... esse troço aqui noite e dia?!


– Foi mal, eu te pag-


– Tudo bem, a gente pode trocar — A azulada inverteu os pratos, dando a sua salada praticamente igual e pegando a dele — Eu gosto de bife, pra mim é até bom.


Naquele momento, Jin pensou em impedi-la, pensou em incrementar um "Gosta de bife salivado?", pensou em pegar o prato da garota e salvá-la de degustar sua baba. Mas, bem, uma pequena partezinha dele achou que a visão daquilo seria interessante...


E, pela cara do Ryan, ele tinha esta mesma partezinha, com a mesma opinião.


– O que foi? — O bife entrou, o estrago estava feito, e a visão foi incrivelmente excitante. O ocorrido deve ser abafado.


– Nada. — Os ruivos, sincronizadamente, disseram.


Os três voltaram a comer em silêncio, vez ou outra sussurrando sobre os outros alunos, ou tirando sarro das situações que ocorriam nas outras mesas. Mesmo após terminarem suas refeições, mesmo sem assunto, o time continuava sentado na mesa, como se esperassem algo. E, de fato, eles estavam esperando; O anfitrião e real motivo da maioria dos encrenqueiros não comerem isolados em seus cantos estava vindo. O cara que burlava toda e qualquer segurança, cuspindo e desafiando aquele lugar. O cara que deixava todos felizes...

Todos menos Mari... ele a deixava feliz também, mas de outras formas.


– Ele chegou! — Gritou um aluno aleatório. Tão aleatório, que outro um pouco menos também teve que gritar para chamar a atenção.


E caminhando pelo corredor como um rei, carregando com facilidade um saco três vezes maior que si, o moreno era aplaudido de pé. Os viciados em tabaco choravam de emoção, pois ele podia lhe proporcionar pulmões ainda piores. Os com o fígado dilacerados faziam reverências a sua pessoa, pois ele podia levá-lo à morte mais rapidamente. Os gordos suados lambiam o chão que ele pisava, pois o seu divertimento noturno dependia disto. Ele era o Deus dos fracos e oprimidos. Ele era Sieghart!


E Jin dependia dele!


O campo de batalha estava formado. Aquilo era uma guerra, e ele era um guerreiro! Todos praticamente voaram até o moreno para serem os primeiros da fila; Jin estava em vantagem, seus inimigos eram fracos. Olhou para seu amigo Ryan; Ele era perigoso. Olhou para Mari; Ela era astuta. Se excluísse ambos, de perigo, só restaria outros três.


Arme, a maluca. Zero, o robô. E Lin, a sedutora.


Precisava agir!


Com um movimento rápido o garoto cor de fogo disparou na frente. Usou meia duzia de alunos aleatórios como ponte, provocando dores nas costas da maioria por semanas. Seu corpo treinado driblava as damas com delicadeza e empurrava os marmanjos com ódio. Sorriu ao ver o primeiro resquício do moreno, mas foi surpreendido por uma rasteira vinda por traz. Caiu de nariz, sentindo seu amigo pisando em suas costas e mandando um beijinho de despedida. Maldito! Tentou se levantar para pegá-lo, mas Mari também decidiu usá-lo como tapete velho. Assim que a viu passar por si, o lutador segurou seu pé com precisão, provocando um efeito dominó e derrubando uns cinco consigo.


– Jin! — Grunhiu a garota com o nariz vermelho — E sua política de não bater em mulheres?


– Foi pro espaço! — Respondeu antes de, novamente, entrar na algazarra.


Aquilo estava difícil! Os gordos se uniram tirando suas camisetas e fazendo barricadas de corpos suados. Lin, que estava quase na frente, paralisou de nojo. Se quisesse passar, teria que se encharcar de suor e ser soterrado de sovacos sujos. Jin avançou com coragem por aquela provocação por estar acostumado, mas não podia negar o quão terrível fora a experiência. Quando se livrou dos pneus e banhas, viu uma visão que o agradou muito; Ryan estava detido por Arme que segurava um pedaço enorme de carne. Teve vontade de parar para apreciar a situação, talvez tirar umas fotos, mas tinha um objetivo no momento. Só precisava avançar e então...


– AMY! — De longe o grito de alguém foi ouvido. Jin sentiu seu coração parar, virando-se até a direção com uma ansiedade fora do normal.


Lá estava ela! Lá estava!


Lá estava a desgraçada da Mari o enganando bem a sua frente!


Tremeu de ódio por ter caído nessa. Maldita! Enganou o seu doce e inocente coração apaixonado, por bens materiais! E nem dava para revidar, ela já havia chegado.


Bem, pelo menos o segundo lugar era seu. Seguido pela Arme, Ryan, gordo, gordo, gordo, Lin, gordo, aleatório, gordo.


Cadê o Zero?


– Ora, se não é a minha doce Mari... Você venceu, pode pedir o que quiser. — A voz grossa e sedutora do moreno fez a garota corar. Ele estava sem camisa, jogado na cadeira, com o zíper aberto e parte da cueca a mostra. Perfeito! Claro, na visão dela. – O que vai ser? Ou você prefere a mim?


Ela corou ainda mais. Ele riu.


– E-eu... Er, bem... Eu — Mari gaguejava olhando para os lados. Ah, na verdade isso era mentira, ela olhava a cueca mesmo. Descaradamente! – P-prefiro... QUE VOCÊ MORRA IMBECIL!


E pela primeira vez ela gritou, correndo o mais longe possível. Jin comemorou alto.


– Bem feito! E EU CUSPI NO SEU BIFE SUA IDIOTA! — Gritou o ruivo, obtendo o seu tão merecido primeiro lugar. Estava radiante de tanta alegria. — Se fizer a piadinha comigo eu te mato, cara.


– Que perda de tempo. Fala logo o que você quer.


O ruivo fogo sorriu animado.


– Eu quero a revista doce garota, com a matéria especial da Amy!

O que todos fizeram a seguir seria a definição perfeita de “Facepalm”. Ryan, em especial, desejou nunca ter conhecido aquele anormal. Era difícil ser o mais normal dos três.


(...)


Longe dali, apoiada em uma porta, incrivelmente ofegante e sentindo sensações estranhas, Mari fazia de tudo para acalmar seu corpo. Sua mente, antes infestada de coisas úteis e pensamentos sádicos, agora se focava na cueca azul claro do moreno. O volume surpreendente aflorava sua imaginação e fantasia; Queria ver! Precisava! Desejava!


Mas, er... obviamente ela queria ver para... chutar e rir da cara dele! Óbvio.


Quem queria enganar? Estava completamente atraída por ele.


Suspirou fundo. O relógio central badalava anunciando que a garota devia se mexer; Estava há uma hora ali, parada.


– Uau, o que temos aqui? – Virou-se em choque ao ouvir aquela voz. – Minha doce Mari, ofegante e vermelha, apoiada na porta do meu quarto.


Olhou para a placa com os nomes; “Jin, Ryan e Sieghart”. O último nome a paralisou completamente. Estava tão acostumada com o quarto que, instintivamente, fora até ele; Normalmente entraria ali ofendendo os seus dois amigos, se apossaria das suas guloseimas, riria um pouco. Mas Mari, em hipótese alguma, os visitava com o terceiro integrante no recinto. Sieg sempre estava fora; Seja na casa de suas inúmeras namoradas, seja se aproveitando das vantagens de ser o filho do dono. Sua mente parecia ter lhe levado até ali de propósito. E, bem, nenhum de seus amigos estava presente para lhe salvar.

Ferrou.

Notas finais
Até o próximo ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.