Nossa Amável Justiça Vingativa
2 Início da Aventura Infernal
Kori
–Oh, vocês dormiram juntos! – Tsumi me assusta pela manhã, nos acordando com um grito.
–O quê? Não! – nega Hikari totalmente corada.
Ah, é. Eu tinha dormido aqui com ela.
–Você dormiu bem? – pergunto – Me desculpa se fui um pouco brusco com você ontem à noite, mas eu precisava disso. Espero que tenha tido uma boa noite.
–Kori, falando assim parece até outra coisa! – exclama ela indignada.
–Vocês dormiram no telhado? Que coisa louca! – comenta Tsumi rindo maliciosamente.
Do que ela está falando? Eu dormi com. a Hikari?!
–O quê? Será que eu estava bêbado?! O que aconteceu ontem?! – indago apavorado.
–Nada – responde Hikari – Você quis dormir aqui, eu aceitei ficar junto e você me abraçou por algum motivo...
–Te abracei? – fico envergonhado lembrando – Foi mal. O que será que tinha acontecido pra eu ter feito isso?
–Ah, foi só isso que aconteceu – Tsumi faz uma cara emburrada – Preciso colocar mais daquele pó nos refris.
–T-Tsumi!
Mais tarde, estamos prontos para nossa aventura tenebrosa, no Inferno;
Chiyo abre um tipo de portal que é um buraco sem fundo no chão, ele puxa Aoi e diz pra ela “se comportar” enquanto ele estiver fora. Suas atitudes me deixam com raiva, antes ele gostava da Dely e nem sequer se importa com a morte dela. Idiota. Vai saber o que ele não faz com Aoi quando estão sozinhos? Preciso cuidar isso.
Antes de entrar no buraco me pergunto se a casa abandonada ainda vai estar inteira quando voltarmos, e me preocupo com Aika. Seria melhor deixá-la? Esqueço essa ideia e pulo.
∞
Só o que vejo é escuridão, escuto as respirações ofegantes de Hikari e Aika enquanto o vento nos tira o fôlego. Esse buraco nunca vai acabar?
–Já estamos chegando – Chiyo responde minha pergunta, ele já deve estar acostumado. Quantas vezes não foi pra cá?
Uma mão agarra meu braço dando-me um susto.
–Sou só eu, desculpe – a voz é de Aika – Posso te segurar um pouco?
–Ah – suspiro – Você está com medo?
–Um pouco – responde ela – Afinal, é o Inferno.
–Podia ter ficado com os outros – comento arrependido de tê-la deixado vir.
–Não gosto de Gekkou e daquela garota dos olhos vermelhos – diz ela.
Só por isso... Ah, por que eu a deixei vir? Espero que essa garota não morra.
–Tomem cuidado, aqui...
Não deu para ouvir o resto da frase de Chiyo, aterrissamos em uma água fervente que me faz gritar. É horrível, como se até minha alma pegasse fogo. Não consigo ouvir nada e ouço tudo, meus ouvidos ardem como todo meu corpo queimando em agonia. Preciso de água, água fria ou gelo. Preciso de ar. Mas como abrir os olhos num lugar desses?
Mãos grandes e fortes agarram minhas roupas me deixando em pânico. Pessoas na água? Demônios? Era só o que faltava!
No entanto, as mãos me puxam para cima e logo estou na superfície. Tossindo trêmulo e de olhos arregalados.
–Vocês estão bem? – indaga Chiyo.
A princípio não consigo falar, mas quando recupero o fôlego digo:
–Desgraçado! Por que nos trouxe aqui?!
–É o rio menos horrível do Inferno – fala ele – Agradeça por não ter morrido de novo.
–Kori! – chama Hikari.
Aika tosse sangue como uma condenada deixando-nos preocupados.
–Sabia que trazê-la não era uma boa ideia! – reclamo.
–Eu... estou bem – assegura ela se segurando em Hikari – Estou bem.
–Vamos? – questionou Chiyo – Eu sei o caminho, mas vamos encontrar uns contratempos.
Ainda estou trêmulo por causa da água quente, quase não consigo andar, preciso de um banho de água fria. Mas Aika certamente está pior do que eu, fico até com pena de Hikari que tem de ajudá-la.
–Quer que eu a carregue? – me ofereço – Sou mais forte do que você.
–Quem disse?! – Hikari se irrita – Só porque eu sou uma garota?!
–Sim – afirmo sorrindo em desafio – Deixe que eu a levo.
–N-não precisa – fala Aika – Estou bem.
–Não está não – nego – Sobe aqui.
Aika sobe em minhas costas, felizmente ela é bem leve e consigo carregá-la mesmo fraco.
Hikari me encara mal-humorada.
–Eu não sou fraca! Seu machista! – reclama.
Por algum motivo sorrio, desde ontem à noite que eu a abracei, me sinto mais próximo dela, é engraçado provocá-la. Nunca tive amigos e nunca fui de ficar provocando garotas com flertes silenciosos, mas talvez seja divertido. Não que eu goste dela...eu acho que não. Droga! Hikari é bonita!
∞
O Inferno é um lugar quente, certo?
À medida que avançamos, Aika vai se tornando pesada demais para eu carregar.Não no lugar onde a gente está, o frio deste lugar me faz desejar voltar àquele rio fervente, neve em tudo quanto é lado, gelo (caramba, meu nome significa “gelo”) e um frio de deixar até a aula tremendo. Fora os gritos dos espíritos mortos sendo torturados neste lugar horrível, não os enxergo bem por causa da neblina e do vento nos olhos, só consigo seguir Chiyo porque ele está vestido de preto, Me preocupo com Hikari já que sua roupa e seus cabelos são brancos acinzentados, espero que ela não se perca.
–Não precisa mais me carregar, estou bem – diz ela gritando por causa do vento.
Não hesito em largá-la no chão, estou exausto e congelando.
–Fique por perto – aviso.
Ela segura minha mão pra não cair com a ventania, sei lá, isso é estranho. Mas não me afasto dela pra não nos perdemos.
E não é que nesse pouco tempo nos perdemos dos outros?! Maldito Chiyo! Onde ele está?!
–Chiyo! – grito, mas quase não se ouve minha voz – Chiyo! Hikari!
–Me desculpa, eu fiz a gente se perder! – lamenta Aika.
Não sei por que essa garota me dá tanta raiva. Por que ela quis vir? Eu sabia que ia ser um problema!
Olho para todos os lados, só há neve, neblina e gritos de agonia. O que eu faço agora? Será que vou morrer de novo? E no Inferno?
–Desculpa Kori! Desculpa – Aika se agarra em meu braço como uma criança chorona e irritante.
–Cala a boca! – ordeno – Precisamos pensar! Chorar não vai adiantar nada!
Pense Kori, pense. Deve haver um jeito de achar o caminho.
–Vamos continuar andando – decido – Era sempre em frente, não?
Começamos a andar e de repente o chão estremece, caímos numa armadilha.
–Você se machucou? – pergunto à Aika na escuridão de uma caverna.
–Não – nega ela – Caí em cima de você.
–Estou bem – digo apesar de estar todo dolorido – Agora precisamos achar a saída deste buraco.
–Estou sendo apenas um estorvo, não é? – choraminga ela enquanto adentramos um tipo de túnel.
–Pare de chorar! Por que veio então?! – resmungo.
–Algo me disse que eu devia vir – responde.
–A voz da loucura – debocho.
–Você gosta da Hikari? – indaga ela do nada me envergonhando.
–Não! De onde você tirou isso?! – me altero.
–Você fica flertando com ela e sorrindo, fora que vocês dormiram juntos ontem. Não aconteceu nada? – questiona intrometida.
–Claro que não! Somos... Nem amigos nós somos – falo – Não diga besteiras!
Ouvimos um barulho que nos tira a atenção.
–O que foi isso? – Aika se segura em mim.
–Como é que eu vou saber?!
–Sabia que a Hikari tem um namorado? – conta ela desviando do assunto.
–Isso é hora pra falar dessas coisas?! – fico incrédulo com essa bobagem.
Algo acerta meu rosto dando-me um susto.
–Ei! Quem foi o...
–Vocês são vivos! – dois olhos brancos como leite se abrem na escuridão.
–Quem é você? – questiono preparado pra lutar.
–Vocês não deveriam estar aqui! – diz a criatura.
Então uma luz ilumina o túnel me permitindo ver quem estamos enfrentando, é uma garota. Uma linda garota de cabelos loiros longos e lisos, sua roupa é preta, uma blusa rasgada que cobre somente os seios e um short curtíssimo que despertam meu lado pervertido.
–Uau! – exclamo sem querer.
–O que está olhando? – ela aponta um arco para meu olho – Por que está aqui, humano?
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