Nossa Academia de Heróis

3 Capítulo 3: A adaptação


Notas iniciais
Desculpa a demorinha haha

Ray´s pov:

Minha tia nos deixara na porta dos dormitórios da UA para fazermos nossa mudança, deveriam ser cinco da tarde, não podia me tardar em começar a arrumar tudo. Júlia estava observando a mãe ir embora, ela certamente me pediria ajuda. Eu tinha uma mala média com uma bolsa presa em seu puxador, uma mochila em minhas costas e uma caixa na mão esquerda, o que seria simples de carregar. Já Júlia tinha uma mala grande com uma bolsa no puxador, uma mochila em cada ombro, uma bolsa atravessada e três caixas para levar. Obviamente saí antes que ela percebesse.

Meu quarto era no terceiro andar, tendo o térreo como área comum e os andares seguintes com quartos. Eu possuia o mesmo de número cinco. Como havia elevador não tive grandes problemas e logo cheguei na porta do quarto e entrei no mesmo sem cruzar com nenhum aluno no caminho.

Meu quarto era simples, eu havia deixado a base do quarto do dormitório intacta, apenas pondo alguns móveis meus como minha televisão, mesa de estudos e estante. Começei logo trocando de roupa e desencaixotando as coisas, afinal seria um trabalho árduo e demorado. Quando terminei de arrumar o conteúdo da maioria das coisas já haviam se passado três horas, meu estômago roncava, então desci para a cozinha pra procurar algo comestível.

Júlia estava lá conversando com a uraraka-san animadamente, era muito bom ver que ela fazia amigas. Ela também havia trocado de roupa, usava um short jeans curto demais na minha opinião e uma regata vermelha decotada, estava dessa vez de chinelos e cabelo preso em rabo de cavalo.

—Raaaaaay, sente aqui conosco!- ela gritou do balcão e fui em direção delas, mas quando me aproximei ela fechou a cara e completou — você me deixou sozinha com as malas, não tem coração não?- questionava com um bico na cara

—Tem que aprender a se virar pirralha- eu dizia rindo- Quantas viagens você fez?- perguntei me referindo a quantas vezes ela foi e voltou para levar tudo ao quanto.

—Uma!-ela retrucou vitoriosa- A Uraraka-san me ajudou- e sorriu

-Não foi nada, é um prazer ajudar- disse Uraraka sorrindo também.

Riamos e conversávamos um pouco, resolvemos fazer algo para a janta, omelete foi a escolha. O clima estava muito bom até que o menino de cabelos loiros espetados entrou na cozinha.

"tsc" eu pude ouvir mesmo com ele de costas, realmente ele era muito anti-pático. Ele passou calmamente e disse algo no ouvido de Júlia, que travou na hora, mas logo seu rosto estava com um sorriso.

—Se eu quisesse chutava sua bunda aqui mesmo- ela respondeu ríspida.

Foi a minha vez e de Uraraka-san a travarmos, eu mal conhecia o tal Bakugou mas sabia que ele era um tanto perigoso, não acredito que Júlia arrumaria confusão em seu primeiro dia. Eu sabia que nada aconteceria a ela, mas discussões assim não são necessárias.

-Eu vou te explodir vadiazinha, depois não reclame- ele xingou e levantou o punho, mas nada aconteceu.

Ele observava as mãos incrédulo com o que acontecia, não controlava e não expressava sua individualidade. O sorriso de Júlia apenas aumentava, como essa menina é convencida. Sinto o ódio do menino crescer e ele direciona um soco direto em Júlia, mas não o acerta, uma barreira fina com aura roxa parou o punho do loiro, causando dor no mesmo.

—Como?!- ele reclamava já fora de si

—Já falei pra parar de me encher garoto, me deixa comer- Ela dizia sem nem olhar para o mesmo, que saia da sala com um olhar matador.

Uraraka-san parecia que tinha visto um espírito, estava pálida como papel e nos encarava surpresa, então contei alguns atributos da peculiaridade de Júlia, acalmando a mesma.

—Isso é incrivel, mas tenha cuidado com Bakugou. Apesar dele ser assim não é má pessoa- dizia calmamente.

—Isso eu percebi, deixa mais interessante- respondia Júlia com um sorriso que eu conhecia muito bem.

"não, isso não" eu pensava comigo mesma. Quando ela punha algo na cabeça era muito difícil de tirar.

—Júlia Rosa nem pense nisso- cortei sua linha de raciocínio, pois sabia muito bem onde isso iria dar.

—Mas tem muito tempo que eu não escolho um favorito- respondeu ela manhosa.

"isso vai dar merda" era tudo o que eu pensava.

Após jantarmos me despedi das duas e subi para meu quarto, eu precisava descansar para manhã.

Júlia´s pov:

Após ser largada com as minhas malas, dei de cara com a Uraraka-san que se solicitou em me ajudar, com sua individualidade foi muito mais facil levarmos as coisas ao meu quarto, que ficava no segundo andar, tendo como número, o oito. Nós conversamos um pouco enquanto eu desencaixotava minhas coisas, ela era uma garota muito simpática, gostaria de manter sua amizade. A morena me explicava um pouco mais sobre os demais alunos até que eu perguntei – E Bakugou?- ela me fitava semicerrando os olhos.

-Bom, ele é amigo de infância do Deku, tem um péssimo temperamento e comportamento mas tem ótimos resultados nas lutas e apesar de não parecer, é muito inteligente. Algo a mais que queira saber?- ela parecia curiosa e estudava minha possivel resposta.

—Qual o problema dele comigo?- questionei séria

—Acredito que nenhum, ele gosta de implicar com os outros, principalmente com quem ele considera mais fraco, ele vive me chamando de ´cara redonda´- ela disse fazendo uma careta ao citar o apelido, e não pude conter uma risada.

Descobri que a mesma já teve uma queda pelo Deku mas havia superado, agora focava apenas nos exames e aulas. Ela falava empolgada sobre a vida na UA quando ouvi seu estômago roncar, e a mesma corar bruscamente.

—Vamos comer alguma coisa- eu disse sorrindo, já eram quase oito horas- eu faço algo pra nós- disse já levantando e estendendo a mão para a nova amiga.

Eu já tinha trocado de roupa, essa sim era mais confortável, um short jeans e uma regatinha vermelha. Chegando na cozinha começamos a ver o que jantaríamos quando minha prima desceu, provavelmente também com fome. Decidimos fazer omelete e sirvo á elas, que parecem estar gostando. A noite que estava ótima parecia piorar quando vi Bakugou se aproximando, e na volta sussurrou em meu ouvido – se amanhã nos ferrarmos eu juro que te explodo-.

Na hora eu pensei que ele estaria falando sério, mas lembrei que ele nunca conseguiria por as mãos em mim, então as palavras de Uraraka-san sobre eu parecer mais fraca ecoaram em minha cabeça, resolvi então ver onde essa brincadeira levaria e respondi seriamente, o deixando irritado. Quando vi que o mesmo partiria para briga resolvi dar-lhe um susto, retirando a chance dele usar sua peculiaridade.

Nossas peculiaridades estão diretamente ligadas ao nossos corpos, então pode-se dizer que são controladas por impulsos nervosos emitidos em nossos cérebros, e o que eu fiz foi inibir esses impulsos, deixando-o sem sua individualidade enquanto eu o oprimia com a minha, deixando-o incrivelmente agressivo. Na mesma hora que vi seu punho vindo em direção ao meu rosto criei uma barreira de energia a centímetros de meu rosto, por ela não passaria. E assim meu plano foi concluído, com o mesmo derrotado subindo as escadas respirando pesadamente.

Porém ele não era de todo mal, seria um ótimo favorito, havia meses que eu não escolhia um. Meus favoritos são meninos que escolho a dedo para serem meus amigos, resolvo ter uma grande conexão de algum modo com os mesmos, muitas vezes querendo fazer com que se apaixonem por mim, a parte mais divertida na minha opinião.

Após as devidas explicações a Uraraka-san sobre a minha peculiaridade minha prima me corta sobre transformá-lo em meu favorito, ela sempre reclama quando faço isso. A mesma sobe pro quarto e converso mais um pouco com a Uraraka-san, subindo logo depois.

Vou para o meu quarto e separo um pijama, como está calor pego um curto, uma toalha e meus itens de higiene pessoal, me dirigindo ao banheiro do andar. Tomei um banho quente relaxante e segui para meu quarto novamente, ainda um pouco molhada e com o cabelo pingando pela péssima mania se não secá-lo direito. Ao chegar na porta do quarto sinto alguém esbarrando em mim, não pode ser, era ele novamente.

—Tá me seguindo tampinha?- ele resmungou ao me ver

—Pra que eu faria isso?-retruquei de braços cruzados..

Vi seu rosto ficar um vermelho que nunca julguei possível e segui seu olhar até o decote do meu pijama, que realçava meus seios, ainda mais com meus braços nessa posição. Eu realmente não esperava que ninguém me visse com esse pijama curto, e tinha que ser justamente ele? Seus olhos percorriam todo meu corpo, como se aventurassem em minhas curvas.

—O que faz aqui?- ele perguntava ainda corado fitando o chão dessa vez

—tentando entrar no meu quarto se você deixar- respondi ainda em tom autoritário

—Pera, seu quarto?- ele agora me olhava de novo, dessa vez em meus olhos enquanto apontava para minha porta, apenas assenti com a cabeça. O mesmo pigarreou e falou logo em seguida – o meu é esse- apontou para a porta em frente ao meu.

Ótimo, morávamos em frente ao outro

Bakugou continuava me encarando seriamente, como se analisa-se uma equação matemática. Sua mente estava uma confusão, tanto que eu não identificava palavras conexas. Resolvi em um segundo de coragem testar se ele serviria para meu favorito

—Você até que fica uma gracinha com vergonha- disse já bem próxima dele fitando-o diretamente nos olhos e o prendendo contra a parede. Logo pus a mão em seu peito que estava desnudo e fui descendo até a metade de seu tanquinho á mostra.

O loiro que apenas trajava uma bermuda e toalha pendurada no ombro se arrepiou com o toque molhado na pele, andando um passo para trás e chegando na parede.

—O que você está fazendo garota?- ele perguntou entre respirações profundas, eu sentia seu coração um pouco acelerado.

—Apenas testando uma coisa Bakugou-kun- respondi manhosa e me aproximei mais- E eu tenho nome –disse em seu ouvido ouvindo-o soltar o ar tenso

—Rosa-san...certo?- perguntou sem tirar os olhos dos meus e eu assenti com a cabeça.- E o que você planeja?- perguntou com um leve sorriso e olhar levemente malicioso.

—Agora nada- eu dei um sorriso ao sentir sua mão apertando minha cintura, me aproximando um pouco mais dele — Você serve, vou te fazer meu escolhido Bakugou Katsuki- disse o surpreendendo com um beijo na bochecha.

—O que?-ele estava sem entender o que eu dizia, mas me prendia contra seu peito

—Vamos ver em quanto tempo você começa a pensar em mim- disse e pisquei, me libertando de sua mão.

Ele me encarava sem entender o que eu queria dizer, mas parece que começou a sacar quando selei meus lábios nos seus por alguns segundos, deixando-o sem reação. Até que era divertido brincar com ele. Me afastei e entrei no meu quarto, deixando-o sozinho no corredor. Fui dormir lembrando das palavras que ouvi da mente de Bakugou após nosso beijo, "Puta que pariu", nada mais do que eu esperava do loiro.