Notas iniciais
Boa leitura!

Adam

— Adam Hall Johnson, duque de Hillton, você aceita Helena Crawford, que virá a ser duquesa de Hillton, como sua legitima esposa? Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias de sua vida até que a morte os separe? — o sacerdote indaga, encarando-os por baixo dos óculos, como se não soubesse que a resposta seria sim.

Adam fica em silêncio por um minuto, observando cada detalhe no rosto de sua noiva, “como é bela”, pensa, sorrindo com os devaneios que invadiram a cabeça como uma torrente em dia de chuva, seus sonhos e planos tocaram as nuvens. O celebrante pigarra e cochicha:

— Filho, pode dizer.

O rapaz acorda de seu torpor, sem graça, temendo que a garota pense que há dúvida em sua resposta.

— Desculpe — sussurra, enquanto treme. — Sim, eu aceito — diz em alto e bom tom, colocando a aliança no anelar.

— Muito bem — prossegue o senhor. — Helena Crawford, aceita Adam Hall Johnson, duque de Hillton, como seu legitimo esposo? Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias de sua vida até que a morte os separe?

— Sim, eu aceito — ela responde, ávida, deixando uma lágrima escapar.

— Deste modo, o que Deus uniu, o homem não separa. Os noivos podem se beijar.

Adam retira o véu do rosto dela, agora sim, pode vê-la de maneira mais clara, as maçãs do rosto rosadas, os lábios delicados e seus olhos, ah, como é bom enxergar todas as cores neles, os tons de azul, ocre e verde, as pupilas negras dilatadas e brilhantes, todo infinito e história que eles guardam. Aproximou-se, beijando-a como se fosse o fim de seus dias.

Eles saem da igreja ao som de aplausos e chuva de pétalas de rosa, Helena estava com o braço direito atrelado ao do marido. O homem encara o céu azul de verão, gaivotas passam sibilando, o sol traz uma luz confortante e o parece ter sido purificado pelos anjos. Adam olha a radiante Helena Hall Johnson, duquesa de Hillton, pela última vez.