Northern Lights
1 First Feast, First Kiss
O sol já deveria ter nascido, amarelo e brilhante nas terras do Sul, ou assim ela imaginava. Nunca havia visto o sol brilhante e quente do sul, mas era uma visão que gostaria de ter um dia. Limpou a testa com as costas da mão e seguia cada instrução que a mãe lhe dava, tirando do enorme forno a lenha, o pão da manhã. Numa panela que borbulhava gordura amarela, os bacons estavam sendo fritos junto com algumas salsichas gordas. Manteiga recém batida fora colocada perto das assadeiras de pão e jarros de cerveja e leite fresco esperavam pacientemente ao lado das frutas e do bolo de limão. Os cabelos trançados estavam bagunçados, o vestido estava sujo de farinha branca e as bochechas coradas pelo calor que vinha dos fogos.
“Você não precisava, Becca”
“Eu já disse que fico feliz em ajudar” Ela sorriu, terminando de tirar o último pão do forno, e olhou para a mãe, sentada numa cadeira de madeira ao lado do balcão.
“Ótimo, ótimo dia para eu estar assim” Elyn apontou para a perna e o curativo de linho que subia até metade de sua canela.
“Você caiu. Se tivesse como adivinhar, teria evitado” Becca disse enquanto tentava limpar a farinha de seu vestido. “Bom, acho que vou ter que trocar isso”
“Você deveria ter ficado para dormir mais e se arrumar. Hoje será um longo dia”
“E como você iria chefiar a cozinha sem andar?”
“Eu não preciso andar para chefiar a cozinha”
“Bem, precisava de ajuda para andar até aqui. Eu tinha que vir de qualquer forma” Becca sorriu teimosamente para a mãe e colocou uma amora roxa e doce na boca.
“Não coma nada das bandejas, Rebecca!”
“Tenho certeza que Lady Stark não sentirá falta de uma amora” Ela sorriu, lambendo o sumo avermelhado em seu polegar. “Vou me trocar enquanto o desjejum é servido”
A mãe balançava a cabeça enquanto ela saía das cozinhas de Winterfell e seguia pelo pátio até o portão leste, em direção à vila de Inverno. Quando entrou no pequeno cômodo que chamava de quarto, jogou-se na cama e fechou os olhos, sentindo um princípio de sono a dominar. Percebeu que se continuasse ali, logo dormiria, então pulou da cama e abriu um baú meio roído por cupins, no canto do quarto, e tirou de lá um vestido limpo. Despiu-se e desatou a trança do cabelo, refazendo-a em seguida e então vestiu a lã cinza escura que formava seu vestido. Era simples, mas tinha um corte elegante, parecido com os modelos que Sansa tanto gostava. Havia aprendido com ela a fazer o vestido, mas é claro que a pequena senhora possuía tecidos que Rebecca não podia comprar. Jogou a trança castanha sobre os ombros e jogou o vestido sujo num cesto, ouvindo o estômago roncar. Quando chegou à modesta cozinha de sua casa, Rebecca viu o pai coçar preguiçosamente o olho enquanto comia um pedaço de pão amanhecido, ajudando-o a descer garganta abaixo com um copo de cerveja.
“Já está pronta?”
“Sim, eu vim me trocar. Fui ajudar a mãe nas cozinhas” Ela sorriu, pegando um bolinho de aveia da cesta no centro da mesa e mordiscando. O pai tinha olheiras grandes abaixo dos olhos e sorriu ao analisa-la com mais cuidado.
“Está arrumada” Hallis Mollen, o segundo em comando da Guarda de Winterfell disse casualmente, então suas sobrancelhas arquearam-se de imediato. “É hoje, não é? Lady Mormont chega hoje! Como pude esquecer?” O pai levantou-se num sobressalto e Becca riu, balançando a cabeça negativamente.
“Se você correr ainda consegue chegar antes do desjejum de Lord Stark”
“Vamos logo, eu não posso perder tempo”
“Pai, eu consigo achar meu caminho até o castelo. É aquela coisa grande com muralhas, não é?”
Hallis não se importou em respondê-la e saiu apressado pela porta. Rebecca fechou os olhos e inspirou o cheiro úmido que tomava conta do ar, e lembranças intrusas invadiram sua mente. Balançou a cabeça e levantou-se, corando, mesmo que ninguém estivesse por perto. Por que aquilo havia acontecido ontem? Por que não semana passada? Então ela poderia apenas inventar uma gripe e ficar na cama por dias. Mas naquele dia ela teve que se levantar, fingir que havia dormido normalmente durante a noite e agir como a normal e desimportante Rebecca Mollen, filha do segundo em comando da Guarda de Winterfell e da chefe da cozinha do castelo. Porém, a última coisa que sentia naquele dia era normal. Relutantemente levantou-se, fechou a casa e caminhou dolorosamente até Winterfell. Por um momento queria que impedissem sua entrada no portão externo, mas então pensou no quão ridículo isso pareceria. Os guardas a conheciam desde que era um bebê de peito. Atravessou o pátio em direção às cozinhas para ver se a mãe precisava de ajuda. Elye havia machucado o pé naquela semana, o que dificultava seu trabalho. Porém, quando passou em frente à casa de hóspedes, Lady Catelyn a viu e chamou por seu nome, deixando Vayon Poole falando sozinho.
“Rebecca, esqueceu que dia é hoje?”
“Não, Lady Stark” Rebecca respondeu após uma breve reverência, juntando as sobrancelhas. “Coloquei meu melhor vestido” Ela alisou as saias de lã.
“Oh, minha querida, claro. Sansa precisa de sua ajuda, você pode vê-la em sua câmara?”
“Sim, minha senhora” Rebecca esboçou um sorriso mínimo e seguiu para a Torre Principal, quase que segurando a respiração.
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Manhã do dia anterior
Jon escovava o pelo de um cavalo enquanto ouvia Hodor resmungar repetidamente seu próprio nome ao colocar aveia e feno para os animais. O cheiro dos estábulos era forte e Hodor parecia ter absorvido o bastante para nunca se livrar dele. Mas isso não parecia incomodar o simplório cavalariço.
“Acho que este está bom o bastante, não é Hodor?”
“Hodor” O homem gigante sorriu e acenou afirmativamente com a cabeça, mas Jon não tinha certeza se aquele era um gesto de resposta ou apenas algo aleatório. Sorriu de volta e pendurou a escova num dos ganchos da parede, saindo dos estábulos ao ouvir o som de risadas altas. A princípio achou que fosse Arya ou um dos irmãos mais novos, mas então a fonte do som logo se fez ver. Theon Greyjoy vinha logo à frente, com seu arco e aljava nas costas, um manto de pele e o sorriso usual no rosto. Logo atrás vinha Rebecca Mollen, trazendo um cesto de flores nos braços e rindo de qualquer coisa que Theon lhe falava. Quando viu Jon, parou e repousou o cesto no chão, ao lado dele.
“Bom dia, Jon”
“Bom dia, Becca. Theon”
“Snow” O prisioneiro de seu lorde pai respondeu com um meneio enquanto ajeitava o arco em seu ombro. “O que faz aqui tão cedo?”
“Vim preparar meu cavalo”
“Vai viajar?” Rebecca disse de forma divertida enquanto enrolava os cabelos num coque alto.
“O pai vai caçar hoje e vai nos levar junto”
“Fiquei sabendo. Estive treinando. Vamos ver se consigo pegar algo melhor que você” Theon sorriu ao bater na aljava e continuou seu caminho. Jon não sorriu de volta.
“Onde estava?”
“Quem? Eu?”
“Sim”
“Fui aos jardins de vidro pegar algumas flores para a Senhora Catelyn”
“E Theon foi colher flores junto?” Jon disse de maneira debochada e Rebecca esboçou um leve sorriso.
“Não, encontrei com ele no Bosque Sagrado” Ela deu de ombros, pegando a cesta do chão novamente.
“E ficaram conversando?”
“Ah, Jon, deixe de ser intrometido” Ela rolou os olhos enquanto andava ao lado dele em direção à Torre Grande.
“Só estava criando conversa” Jon deu de ombros.
“Você não gosta dele, mas ele é meu amigo. Você só não o conhece direito”
“Ah, conheço sim”
“Theon é um babaca. Mas ele também é um ótimo amigo. Você só precisa deixar ele se aproximar”
“E aprender a conviver com os comentários dele”
“Sim, com o tempo você se acostuma” Rebecca riu de leve e apoiou a cesta num degrau, parando de frente a Jon. “Não fique com ciúme, Snow, você ainda é meu melhor amigo” A mão pequena bagunçou seus cachos e ele fez uma careta, agarrando o braço dela e o imobilizando. “Me solta!”
“Não!”
“Jon, vamos lá, eu tenho que levar isso para Lady Catelyn”
“Tudo bem, dessa vez passa” Jon soltou o braço dela e a observou recolher a cesta do chão. Ela deu um passo na direção no degrau de cima, então virou-se e bagunçou os cabelos dele mais uma vez, correndo escada acima antes que ele tivesse tempo de agarrá-la de novo.
Quando a viu novamente, já havia passado do almoço e ela ajudava a mãe a andar, enquanto esta mancava com o pé machucado. Seu lorde pai falava com as duas e Elye Mollen não concordava com algo, era visível.
“Você vai descansar, Elye, não precisamos mais de você hoje”
“O senhor diz isso, Lord Stark, mas essa cozinha não funciona sem meu comando”
“Eu não duvido disso, mas podemos sobreviver alguns dias sem ele”
“Diga isso para seu jantar frio e sem gosto esta noite, Lord Stark” Ela disse teimosamente. “Irei para casa descansar, mas não pedirei para Hal me levar”
“Tudo bem, Lord Stark. Eu a levo sem problemas” Rebecca sorriu, arrastando a mãe com certa dificuldade, o que deixava suas bochechas coradas pelo esforço.
“Você quer ajuda, Senhora Mollen?”
“Não sou senhora, garoto. E acho que ainda consigo andar”
Jon assistiu seu pai sorrir e suspirar. “Ajude Rebecca, Jon. Elye, não quero te ver aqui até seu pé estar melhor”
Jon passou o caminho todo até a casa dos Mollen, na Vila de Inverno, conversando com Elye. Rebecca estava calada, pensativa, mas ele resolveu não perguntar nada na frente da mãe dela. Quando entraram no casebre, Elye livrou-se dos ombros dos dois e mancou até uma cadeira.
“Lord Stark não pode me mandar andar sozinha ou não aqui” Ela disse teimosamente e descobriu uma travessa cheia de bolinhos de aveia. “Quer um bolinho, querido?”
“Obrigado” Jon deu um meio sorriso e pegou o bolinho, mordiscando-o. Estava duro e amanhecido, mas ainda assim era bom e tinha amoras e mirtilos no recheio.
“Mãe, eu tenho que voltar ao castelo. Você vai ficar bem?”
“Vá, vá. Eu estou bem. Não sei por que Lord Eddard me mandou de volta. Eu estou ótima” Elye disse teimosamente e Rebecca expressou um meio sorriso enquanto caminhava em direção à porta. “Obrigada pela ajuda, querido”
“Sem problemas, Senhora Mollen” Jon disse enquanto saía para acompanhar Rebecca. A garota andava na frente, sua face meio perturbada, meio irritada. “Becca?”
“O que?”
“Aconteceu alguma coisa?”
“Não” Ela se calou por um segundo. “Quer dizer, sim. Não é nada”
“Você pode me falar” Jon disse cautelosamente após algum tempo. Era algo com Theon, tinha certeza. Algo havia acontecido no Bosque Sagrado, algo que a deixou pensativa e nervosa. Seu coração batia rápido enquanto ele esperava pela resposta dela.
“Dacey Mormont chega amanhã”
“Eu sei” Jon disse debilmente. “O que tem isso?”
“Lady Catelyn me pediu pra acompanhar a garota, dormir com ela enquanto ela se acostuma com Winterfell”
“E qual o problema?”
“Jon! Eu sou uma lady por acaso? Eu não sei o que conversar com essas pessoas de alto nascimento”
“É acompanhante de Sansa” Ele continuava sem entender.
“Sim, mas eu vi Sansa crescer. E ela é amiga de Jeyne, que é da idade dela. Agora essa garota tem a minha idade, por isso a senhora Stark acha que terá mais assunto comigo. Mas o que eu vou falar com ela? Sobre como é boa a vista no fundo do salão nos banquetes?”
“Ela pode ser uma garota gentil”
“Elas nunca são, Jon. Ela nasceu num castelo”
“Você nasceu ao lado de um” Ele encolheu os ombros e ela riu, batendo no ombro dele, tentando fazer algum estrago, inutilmente.
“Seu idiota. Eu só... não quero que a garota vá falar para Lady Catelyn o quanto eu sou selvagem e que ela se ofende com a minha presença”
“Só se ela for muito idiota”
“Não duvido que seja”
“Não pode julgar uma pessoa que nem conhece, Becca. Talvez a garota seja gentil, talvez seja insuportável. De qualquer forma, é só nos primeiros dias, até ela conhecer seu caminho por Winterfell, então você fica livre” Ele disse enquanto adentravam as muralhas de Winterfell.
“Sim, você tem razão”
“Eu sempre tenho razão”
“Você quase nunca tem razão” Ela sorriu. “Tenho que ir bordar com Septã Mordane. Ela já vai me açoitar por estar atrasada”
“Tenho que encontrar o pai”
“Te vejo depois?”
“Sim” Jon sorriu, e antes dela se virar, segurou-lhe a cintura e estalou um beijo nos lábios dela. Foi longo e ela correspondeu após algum tempo, o que fez Jon sorrir, então ele separou os dois e seguiu seu caminho. Quando olhou pra trás, ela ainda estava parada, o observando partir com os olhos verdes bem abertos. Seu sorriso cresceu, mas ela logo virou de costas para ele e correu para longe. Com certeza não estará pensando em costura, Jon pensou e controlou a euforia enquanto se dirigia aos estábulos.
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Banquete de Recepção
Dacey Mormont adentrou o grande salão de Winterfell de braços dados com o filho mais velho de Lord Stark. O senhor protetor do Norte levava pelo braço sua mãe, Lady Maege, e a esposa, Lady Catelyn. Quando se sentaram no estrado e o banquete começou a ser servido, o barulho tomou conta do salão. Era infinitamente maior do que seu grande salão em Ilha dos Ursos, e o banquete muito mais refinado. Ela passou a maior parte do tempo calada, sem saber muito bem o que dizer. Robb Stark, o herdeiro de Winterfell, às vezes dizia alguma coisa, perguntava se ela estava gostando do jantar; e ela respondia com um sorriso no rosto, mas nunca conseguiam passar muito além disso. Dacey estava nervosa, distraída. Dentro de alguns dias sua mãe partiria e ela ficaria em Winterfell para fazer companhia à Senhora Sansa. Ela nunca havia vivido em nenhum lugar além da Ilha dos Ursos, com sua mãe e irmãs. E então teria que ficar ali, sozinha, sem ninguém conhecido por perto.
Após algum tempo, as mesas foram afastadas para um espaço para dança. A música saía dos tambores e da harpa, e um bardo não muito bom cantava. Robb remexia cansativamente seu prato, até que Sansa deu-lhe um cutucão não muito discreto e apontou Dacey. O ruivo demorou algum tempo para entender, então limpou a garganta e virou-se para ela.
“Posso ter uma dança, minha senhora?”
Dacey passou o olhar da mão de Robb para os olhos dele. Ela corou e segurou a mão dele.
“Sim, meu senhor” Ela não estava muito inclinada a dançar, mas seria rude recusar. Rodopiou alguns passos com Robb enquanto alguns homens bêbados tropeçavam as danças com seus pares. Robb viu um casal se aproximar e sorriu, acenando com a cabeça para eles.
“Está bonita, Becca”
“Obrigada, Robb” A garota sorriu, então seu olhar encontrou o olhar de Dacey e ela corou. “Quero dizer, senhor”
O acompanhante dela riu, o que a fez olhar para ele com repreensão. Robb voltou a olhar para Dacey, desconcertado e sem saber muito bem o que falar. O casal ao lado deles conversava baixo, mas calorosamente. O garoto de cabelos negros sorria furtivamente enquanto ela segurava o sorriso que queria escapar de seus lábios. Mais tarde, enquanto ouvia a Senhora Sansa conversar sobre a capital com uma de suas acompanhantes, Lady Catelyn chamou Dacey e ela levantou-se indo até a presença da Senhora de Winterfell.
“Lady Dacey, esta é Rebecca Mollen, uma das damas de companhia de Sansa” Ela sorriu, apontando a garota que trocou algumas palavras com Robb quando dançaram.
“Lady Dacey” Ela fez uma reverência, segurando as saias.
“Lady Rebecca” Dacey a imitou e voltou a olhar Lady Catelyn.
“Rebecca será sua acompanhante enquanto não conhece seu caminho por Winterfell”
“Será uma honra te servir, Lady Dacey”
A garota de cabelos castanhos sorriu e Dacey retribuiu o sorriso, sem saber muito bem o que responder. Ela parecia agradável, mas Dacey nunca tivera muitas amigas meninas. Não havia muita companhia em Ilhas dos Ursos a não ser a de suas irmãs. Voltou ao seu lugar acompanhada de Rebecca, que sentou-se ao seu lado. Observou o olhar dela voar para o fundo do salão, onde o garoto de cabelos negros que dançava com ela mais cedo se sentava, e ambos compartilharam um sorriso.
“Quem é ele?” Dacey tentou criar conversa, mas então se deu conta de que fora uma pergunta muito intrometida.
“Quem?” Rebecca parecia ter sido retirada de uma terra distante, então olhou para Dacey e corou.
“O seu companheiro de dança”
“Ele é Jon” Ela não conteve um sorriso. “Ele é filho de Lord Eddard”
O bastardo de Winterfell, pensou Dacey, mas não verbalizou.
“Sua mãe está melhor?” Robb disse do lado direito de Dacey, e ela virou-se para ele com dúvida. Sua mãe estava perfeitamente bem. Mas quando Rebecca respondeu, percebeu que a pergunta não fora para ela.
“Seu pai a mandou para casa de novo e ela o odeia um pouco por isso” Ambos riram. “Como foi a viagem de caça?”
“Foi boa e curta demais” Robb bufou. “Jon conseguiu matar alguns esquilos”
Aquilo fez Rebecca rir e corar. “Sim, ele me disse”
“Não passará frio no inverno” Robb tomou um gole do vinho em seu cálice.
“É uma boa pele, Jon é muito gentil”
Quando subiram para a câmara que foi dada a Dacey, já estava tarde, mas ela não sentia sono. Despiu-se e enfiou-se sob as peles, Rebecca fez o mesmo. A garota suspirou e fechou os olhos, mas parecia claramente inquieta. Dacey agradeceu, assim não passaria metade da noite acordada sozinha.
“Você gosta do Jon?” Dacey perguntou de maneira afobada, então se deu conta de que estava sendo intrometida. Quando teve coragem de olhar para Rebecca, os olhos claros da garota estavam meio arregalados e suas sardas derramavam-se num fundo vermelho.
“O que você quer dizer?”
“Desculpa, isso não diz respeito a mim”
“Não, tudo bem, Senhora”
“Pode me chamar de Dacey”
Ela sorriu. “Eu gosto dele, Dacey. Gosto de todos os Stark”
“Se você diz”
Após algum tempo de silêncio, Rebecca suspirou.
“Tudo bem, talvez eu goste dele um pouco mais do que dos outros”
“Isso é bom, acho que ele gosta de você também”
“Ele me deu uma pele de lobo hoje”
“É um bom presente”
“E ontem, antes de sair para a viagem de caça, ele me beijou” Dacey olhou repentinamente para ela, e Rebecca estava corada como um tomate. “Eu não deveria ter falado isso”
Dacey sentiu que Rebecca precisava falar sobre aquilo, então a encorajou. “Você gostou do beijo?”
“Sim! Mas eu não sei. Quero dizer, eu gostei sim”
“E quer que ele te beije de novo?”
“Quero, mas não sei se é certo”
“E como foi?”
“Poderia ter durado mais” Ela confessou, brincando com a pele que as cobria. “Você já...?”
“Beijou alguém?” Rebecca acenou afirmativamente com a cabeça e Dacey suspirou, corando. “Não. Você já tinha beijado alguém antes de Jon?”
Ela molhou os lábios vermelhos e deixou um sorriso descansando ali.
“Não. Ele foi o primeiro”
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