If all our life is but a dream, fantastic posing greed. Then we should feed our jewellery to the sea.

Se toda nossa vida não fosse mais que um sonho, fantástica pose de cobiça. Então nós deveríamos ceder nossas jóias ao mar.

Sempre soube que aos olhos dos meus pais que para eles eu era um fracassado na vida e na pior das hipóteses mesmo sabendo disso às vezes eu me sentia mal, a pior pessoa do mundo. Diferente do meu irmão que era bem mais sucedido na vida do que eu e que eles deixavam isso bem claro para mim quando se referiam a ele como se fosse seu único filho, isso me fazia sentir um estranho dentro da minha própria casa.

Eu optei pela carreira artística. Mais especificamente a musica. Eu tinha o dom para isso e eu sabia que eles não aceitavam essa minha escolha. Viviam me falando que eu deveria arrumar um emprego normal e ter uma vida como um cidadão comum. Lembro-me perfeitamente quando pedi uma guitarra como presente de aniversario. Lógico que eles me deram. Meio a contra gosto mais fizeram.

Para não contrariá-los, sempre fiz o que me pediam e os ajudava em tudo. Trabalhei um tempo com minha mãe preenchendo fichas dos pacientes em seu consultório, tudo para agradá-los ainda mais. Na minha mente estava apenas o fato de eu juntar dinheiro e sair de casa assim que fosse necessário e preciso. Fazia tudo isso e montei minha banda ensaiando na casa do baterista, meu melhor amigo.

É difícil existir, fazer do impossível o possível para agradá-los e não ser reconhecido. Um dia meu pai começou a beber, e com o tempo isso se tornou um vicio. Minha mãe só faltou enlouquecer e meu irmão nada dava à mínima. Acabei tendo que segurar a barra sozinho. Uma noite meu pai chegou bêbado e ao ouvir uma conversa que eu estava tendo com minha mãe ele acabou me espancando, deixando marcas pelo meu corpo.

Nesse dia estava mais do que claro que era o momento certo em que eu deveria sair de casa. Arrumei minhas coisas e fui dormir na casa do baterista, voltei na manha seguinte em casa para pegar algumas coisas que tinha esquecido e minha mãe me implorando para que eu voltasse para casa. Para mim não teria volta. Somente idas. A vida me deu uma oportunidade e eu irei aproveitá-la.