If all our life is but a dream… fantastic posing greed.

Then we should feed our jewelry to the sea.

For diamonds appear to be just like broken glass to me.

Aquele tinha tudo para ser mais um dia normal e pacato dentro da gravadora. John ajudava em alguns detalhes finais para o novo CD do Panic, Spencer e eu testávamos algumas novas melodias para uma possível futura música – na verdade, estávamos ali mais para bater ponto do que por necessidade – e o “pequeno” Ryan tinha saído para tomar seu tão adorado frappuccino na Starbucks mais próxima e já estava de volta.

Às vezes penso que se ele não tivesse chegado naquele dia teria sido melhor... Ou menos doloroso do que possa parecer.

– Eu estou anunciando minha saída. – ouvi um Ryan falar timidamente, o que me fez levantar os olhos em um pedido silencioso de reafirmação. Eu não acho que tenha entendido muito bem.

– Como? – foi tudo o que saiu de meus lábios.

– Olha, o Panic está maravilhoso e eu sinto muito orgulho de tudo, mas... Não é bem isso que eu quero.

– E o que exatamente você quer? – falei, um tanto de indignação apoderando-se de meus atos. – Diga-me, George.

– Não me chame assim! – estreitou os olhos, encarando-me do mesmo jeito.

– Hum, okay... Não vamos brigar, certo? – Spencer tentou evitar uma possível briga.

– Sem essa! Ele quer ouvir, não quer? – Ryan tinha um tom amargurado na voz – Pois bem, eu não gosto do rumo que o Panic está tomando. Eu não quero uma banda para ser simplesmente um ícone do pop. Eu quero fazer história. Minha história... E eu queria você. – sussurrou por último. Minha boca estava cada vez mais escancarada, sem o mínimo de entendimento.

– Você sempre me teve. Do que está falando afinal?

– Não! Eu nunca te tive e você sabe disso! – gritou. – A fama sempre virá primeiro, a sua posição social sempre estará na minha frente. EU NÃO QUERO ISSO! – ele simplesmente deu as costas e saiu.

Shit! Ryan, volta aqui agora! – saí da gravadora atrás daquele magricelo. O que diabos deu na cabeça daquele ser?

Then she said she can’t believe. Genius only comes along in storms.

Of fabled foreign tongues. Tripping eyes, and flooded lungs.

Northern downpour sends its love.

– RYAN! – puxei-o para meus braços assim que percebi que iria fazer a loucura das loucuras. No segundo seguinte, um ônibus passou um tanto apressado, jogando lama na gente. Como se já não bastasse a forte chuva que caía naquele momento. – Você ficou louco? Quer se matar? – ralhei, sacudindo seus ombros. Era quase desesperador só de pensar em perdê-lo para a morte.

– Me solta, Brendon! – choramingou. Era raro vê-lo mostrar seu lado sentimental.

Ryan não era dessas pessoas de ficar chorando pelos cantos, culpando-se por tudo que acontece de ruim na vida. Eu sabia o que ele sentia e sabia que podia até ser muito sentimental, mas por cima de tudo aquilo existia uma máscara protetora de pura frieza e seriedade.

– Eu não vou te soltar. Seja lá o que estiver acontecendo com você, não vai sair desse jeito. – o acolhi em meus braços, um pouco forçado, visto que ele ainda resistia àquele ato.

– Eu só não posso mais com toda essa farsa. – sussurrou contra meu pescoço, finalmente se rendendo ao meu abraço.

Certo. Eu já não entendia mais nada. Onde estava aquele Ryan que eu conhecia, que não queria que ninguém soubesse seu verdadeiro eu, que não se importava se vivíamos em uma farsa, que estava feliz com o que estávamos construindo?

Segurei seu rosto, forçando seu olhar a encontrar o meu. Juntei nossos lábios em um movimento ágil e súbito, inesperado até mesmo para mim. Senti seus dedos agarrarem com força o tecido de minha blusa, agora ensopada, e sua boca dar espaço para que nossas línguas pudessem se acariciar. Logo sentia o gosto de seu frappuccino misturando-se com as gotas da chuva e um turbilhão de sentimentos que emanava de nossos corpos, tornando todo aquele momento único.

Toda a nossa história tinha começado tão rápido e tão bonita. Eu simplesmente já não tinha mais controle sobre meus sentimentos. E ter a mínima possibilidade de perdê-lo era quase loucura. Era o fim! Não, eu não poderia deixá-lo ir.

– Não pode fazer isso comigo! – ditei ao nos separarmos. Nossas respirações se mantinham desgovernadas, chocando-se uma com a outra por causa da proximidade de nossos rostos. – Eu não vou deixar!

Hey moon, please forget to fall down. Hey moon, don’t you go down.

Sugarcane in the easy morning. Weathervanes my one and lonely.

– Vamos! – chamei, puxando-o para atravessar a rua.

– Aonde pensa que vamos? – hesitou enquanto atravessávamos a larga avenida, agora com cuidado.

– Eu vou te levar para casa. – falei, por fim chegando ao meu carro.

– Não vou para sua casa.

– Ryan, por favor! – lancei a ele meu olhar suplicante enquanto abria a porta do carro e apontava o banco – era de couro, não ia causar tantos danos assim. Ele rolou os olhos em desacordo, mas logo desistira, sentando-se no banco do passageiro e abraçando a cintura fina pelo recente frio que as roupas molhadas lhe causavam.

Contornei o carro e entrei no banco do motorista, dei a partida e saí em direção a minha casa, mas não era exatamente minha casa.

– Para onde você tá indo, Brendon? Deveríamos ter entrado naquela rua. – Ryan gritou, olhando pelo vidro ao ver a rua que apontava passar.

– Você verá. – sussurrei, concentrando-me no caminho.

Liguei o aquecedor do carro na tentativa de nos secar mais rápido. Ryan decidiu se calar, vendo que não tinha como mudar o rumo das coisas. Para onde nós íamos, a chuva havia parado e a estrada estava em bom estado. Não demoramos a chegar ao nosso destino. Um pequeno vilarejo próximo a Vegas.

Pude notar o olhar curioso de Ryan ao perceber o que eu tinha em mente.

– Por que a casa de campo? – fraquejou em sua oração.

– Não sei. – parei o carro em frente a uma casa pequena, mas aconchegante.

Fazia tempo que não vínhamos por aqui. O local que mais nos marcou em toda nossa vida e era exatamente onde nunca vínhamos. Por sorte, sempre levava comigo a chave da pequena casa.

Ryan e eu caminhamos juntos até a entrada. Abri a porta e dei espaço para que entrasse. Os móveis se encontravam todos cobertos por panos e um pouco de poeira se alastrava pelo chão de madeira. Uma saudade me bateu e um sentimento de culpa tomou meu peito, eu não deveria esquecer aquelas pequenas coisas. Talvez, Ryan no fundo tivesse um pingo de razão naquilo tudo.

Senti seu corpo aconchegar-se em meus braços e minha atenção foi totalmente tomada por aquele ser encolhido, tremendo de frio.

– Céus, como sou tapado. – bati em minha testa, fazendo-o rir por um momento. – Vem, vamos arranjar algo para nos agasalhar. – envolvi sua cintura e o guiei até o quarto que costumava ser meu. Lá tinha algumas colchas guardadas e algumas toalhas, todas ensacadas para não se estragarem ao longo do tempo.

Peguei uma para mim, dei uma para ele e nos despimos quase todo por completo, nos enrolando com as toalhas felpudas. Voltamos à sala; com um tanto de dificuldade, eu acendi a lareira e coloquei um cobertor limpo no chão, onde sentei e logo em seguida puxei Ryan para acomodar-se entre minhas pernas, abraçando-o e mantendo-o ali como minha pedra preciosa.

Ficamos a noite naquele silêncio e não eram necessárias muitas palavras por ali. Tudo o que precisávamos era a presença e o carinho um do outro. Ou, pelo menos, era o que eu esperava ser, porque para mim, só de tê-lo em meus braços já era mais do que suficiente.

O sono veio e eu tentava lutar contra minha vontade de fechar os olhos e vagar pelo mundo dos sonhos. Ryan dormia sobre meu peito parecendo uma criança, totalmente desarmado. Eu precisava ficar mais tempo acordado, eu precisava vigiá-lo. Eu gostaria que aquela noite nunca terminasse, pois eu não sabia o que viria no amanhecer, quando precisássemos deixar toda a nossa história para trás e voltar ao nosso novo mundo.


The ink is running toward the page. It’s chasing off the days.

Look back at both feet and that winding knee

I missed your skin when you were east

As minhas tentativas se fizeram frustradas quanto à sua idéia de sair da banda. Assim que o dia amanheceu, nós voltamos para Los Angeles e nos reunimos todos na gravadora. Tudo fora acertado quanto à saída de Ryan e Jon depois que o Pretty Odd fosse lançado e sua turnê acabasse. Sim, para minha maior surpresa, o Walker também estava anunciando sua saída.

Os dias que se sucederam à gravação passaram rápido, e quanto mais as semanas passavam, mais Ryan distanciava-se de mim. Eu me vi cada vez mais desesperado por não saber como tê-lo de volta. Ou será que eu nunca o tive de fato?

Tudo entre nós parecia ser lindo e perfeito. Éramos simétricos, éramos amantes. Mantínhamos uma relação longe dos olhos da mídia, tínhamos aquela adrenalina de casais apaixonados quando estão se encontrando às escuras, e quando menos esperei, como se eu caísse em um grande buraco negro, ele simplesmente me odiava. Como se eu fosse a pior pessoa do mundo e... O que eu fiz afinal?

@brendonuriesays Sinto sua falta, na maior parte do tempo e nos menores detalhes.”

@thisisryanross: @brendonuriesays Me prove!”

Aquele reply veio como uma bomba dentro de mim. Em meu estômago, bilhões de borboletas rodopiavam, ao passo que eu não sabia o que fazer: rir, chorar, gritar, responder, ligar para ele ou sair correndo feito um louco pelas ruas de Los Angeles às 02:54 até seu apartamento que não ficava muito longe daqui, talvez uns cinco ou seis quarteirões. Okay, já me decidi.

@brendonuriesays: @thisisryanross Não se mova, estou indo aí!”

Larguei o tablet em cima da cama, peguei um pulôver qualquer e saí correndo o mais rápido que podia. As ruas estavam estranhamente desertas, o que me ajudou a correr mais e chegar em menos tempo do que esperava. Subi desesperadamente pelas escadas, sem muita paciência para esperar o elevador. O porteiro já me conhecia, então não tinha muitas dificuldades para entrar sem ser anunciado.

Cheguei à sua porta e bati com certa força, devido à adrenalina do momento. A porta logo foi aberta, revelando um Ryan brigão, mas logo mudando para surpreso. Eu estava suado, estava arfando, quase pondo meus pulmões para fora. Eu estava com um sorriso escandaloso e eu estava desesperado.

Nem ao menos dei espaço para que falasse algo, já adentrei o apartamento o segurando em meus braços e fazendo aquilo que eu tanto desejei fazer nessas últimas semanas. Tê-lo de volta para mim era quase que uma necessidade. Quase não, ERA uma necessidade.

– Você não se arrependerá! – soprei contra seus lábios, sempre mantendo nossos rostos bem próximos. A mínima possibilidade de não poder tê-lo novamente daquele jeito me assustava, me enlouquecia.

– Eu também senti sua falta! – sussurrou, unindo mais uma vez nossas bocas em um beijo ávido, cheio de desejo.


You clicked your heels and wished for me

Through playful lips made of yarn that fragile Capricorn

Unraveled words like moths upon old scarves

I know world’s a broken bone, but melt your headaches call it home.

– Sabe em que eu estive pensando?

– Eu ainda não virei Edward Cullen para ler seus pensamentos. – sorriu brincalhão, sentando-se em meu colo. Acompanhei seu sorriso, aninhando-o por ali.

– Hum, você é melhor! – sussurrei – Mas sério, estive pensando em reformar a casa de campo. O que acha?

– Para ficar abandonada de novo? Nunca vamos lá, Brendon. – ele fechara a cara, nitidamente irritado com aquela situação.

– Ryan, podemos mudar isso. Você quer mudar isso? – chamei sua atenção.

– Você promete? – continuou com seu olhar severo. Mas sabia que, lá no fundo, ele já tinha se decidido, e é por conhecê-lo tão bem que eu esbocei um sorriso prolongado e lhe respondi.

– Prometo por tudo que você mais ama que iremos nos divertir na casa de campo toda vez que for possível. – mordi sua bochecha, fazendo-o se encolher.

– Não! Temos que ir pelo menos uma vez por mês. – protestou.

– Mas Ryan, a gente... – me silenciou com um beijo curto – Okay, damos um jeito. – ele sorriu.

E era naquele sorriso infantil, que só eu conseguia retirar de seus lábios, que me apeguei. Para mudar minha forma de ser e fazer com que tudo desse certo dessa vez, porque era simplesmente maravilhoso ver a pessoa que ama sorrir, e se isso significava passar por cima das minhas idéias, eu iria passar. Passaria por meus medos, pelos meus princípios, pelas minhas dores. Eu só queria uma coisa... Estar com Ryan. E para isso eu não mediria esforços. Não mais.

Hey moon, please forget to fall down. Hey moon, don’t you go down

You are at the top of my lungs. Drawn to the ones who never yawn.

Sete meses depois:

– Então, como está se sentindo? – sorri ao me jogar no gramado ao lado de meu “pequeno”, embora de pequeno não tivesse nada.

– Cansado! – arfou enquanto voltava seu olhar para a casa atrás de nós – Mas valeu à pena. – sorriu. Tínhamos acabado toda a reforma. Nós dois, juntos.

O Pretty Odd tinha sido lançado e já estávamos em turnê. Toda folga que tínhamos, vínhamos para a Califórnia e fazíamos algo na casa. Mas a reforma finalmente tinha terminado. Era final de tarde, estávamos exaustos e jogados no gramado.

O silêncio tomou conta daquele momento e nossos olhos se encontraram em uma sonda profunda. Aproximei-me de seu rosto, acariciando suas maçãs rosadas e rechonchudas. Seus olhos se fecharam em um deleito mais detalhado, gesto esse que me fez sorrir mais uma vez. Estaquei minha mão em sua nuca e puxei-o com delicadeza, encostando nossos lábios e pedindo passagem com minha língua para explorar seu interior e acariciar a sua com calma e dedicação.

Eu gostaria que aquela noite se eternizasse. Eu supliquei para que as horas nunca passassem e eu não tivesse que vê-lo seguir seu novo caminho. Embora nosso amor estivesse mais do que certo e realizado, eu não suportava a idéia de ficar dias ou mesmo semanas longe dele.

Fim!

Notas finais
É minha primeira postagem aqui, estou meio perdida, mas espero não ter errado nada.
Desejo a todos uma boa leitura!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!