North Wind

5 Capítulo 5- By your side


Notas iniciais
Gente, muito obrigada pelos comentários, pelos favoritos e pelos acompanhamentos. Vocês são uns amorzinhos ♥

O dia estava recém dando indícios de que estava despertando e Jon Snow havia acordado antes dele.

Fazia tempo desde a última vez que o ex-lorde comandante dormira tão bem. Havia acordado sentindo um peso sobre seu peito, quando vira que Sansa havia se aninhado em seus braços, ficou com pena de fazer qualquer movimento e acorda-la, perdendo seu privilégio de vê-la dormir.

Os cabelos de Sansa se espalhavam por praticamente todo o travesseiro de Jon, seu rosto estava tão sereno que nem parecia que ela havia tido um pesadelo noite passada. Perguntava-se como deviam ter sido esses últimos anos para ela, quando tinha um pesadelo e não tinha ninguém para correr.

Em um ato completamente impensado, Jon levou suas mãos ao cabelo de Sansa. Seus dedos deslizavam pelos fios ruivos, eram macios e lisos, além do cheiro doce que vinha deles toda vez que passava os dedos por uma mecha. Vez que outra Jon olhava para o rosto de Sansa, para ver se não havia a acordado, mas a rainha do Norte parecia completamente à vontade em seus braços e isso apenas contribuía para que Jon não se levantasse.

O Snow não sabia o que era tudo isso que sentia perto de Sansa, nunca havia sentido uma sensação de dependência tão grande por parte de alguém. Sentia que devia permanecer sempre ao lado dela e isso nem mesmo Ygritte o havia feito experimentar. Talvez deva ser pelo fato de Sansa ser um mistério a ser descoberto por si, já que nunca haviam sido tão próximos, Jon começava agora a descobrir as diversas faces de Sansa. Quando está insegura, com medo, triste, quando decide ser autoritária, suas risadas e seus sorrisos, quando se preocupa com algo e por último, mas não menos importante, quando ela o confortava.

Jon começava a não sentir mais seu braço esquerdo, sobre o qual Sansa estava deitada, mas não tinha a menor intenção de tirá-lo dali. Havia tomado a decisão de não se mover até Sansa acordar, nem que isso tomasse todo seu dia! Bem, talvez não o dia inteiro, já que Sansa devia ter coisas para resolver e ele devia saber se Melisandre foi embora:

—Você me intimida quando fica olhando fixo desse jeito. _Sansa repetiu, com uma voz sonolenta, as palavras de Jon no dia anterior.

Jon piscou os olhos algumas vezes até reparar os olhos azuis fixos em si. E agora ele havia descoberto mais uma coisa que gostava nela, o jeito que ela sabia sorrir com olhos:

—Há quanto tempo está acordada?

—Acabei de acordar e vi você divagando sobre algo.

Sansa sentou-se sobre a cama, espreguiçando-se e obrigando Jon a desviar o olhar com as bochechas em brasa.

Jon sentia tudo em si queimando, Sansa estava apenas de camisola e o jeito como ela havia se espreguiçado, ele havia conseguido ver seus seios através do tecido.

"Você já viu uma mulher nua na sua frente, Jon Snow! Agora decide agir como um menino de 10 anos que viu uma mulher nua no lago sem querer?" pensou Jon, mas não havia adiantado nada. Afinal, Sansa é sua irmã... Meia-irmã:

—Jon, tudo bem?

Jon virou-se para Sansa e viu-a o encarando:

—Sim, estou bem. _Jon suspirou e viu uma mecha caindo sobre os olhos de Sansa e a colocou para trás da orelha. _Sem mais pesadelos?

—Sonhos tranquilos como a primavera. _Disse Sansa sorrindo. _Mas, agora, os deveres de "rainha" me chamam.

Sansa empurrou as cobertas e levantou-se, virando-se e olhando para Jon. O mesmo ainda estava sentado na cama, apenas a olhando:

—Jon...

Antes que o Snow pudesse raciocinar, sentiu os dedos de Sansa deslizarem pelas cicatrizes que havia em seu peito, agora por todo lugar que os dedos dela passavam, deixavam um formigamento em sua pele:

—Como foi? _Jon a olhou por um momento e Sansa pensou ter feito algo errado. _Ah, desculpe! Eu não...

Sansa tirou as mãos do peito de Jon tão rápido quanto havia as colocado, no entanto o ex-lorde comandante segurou-lhe o braço, não a deixando sair de perto de si:

—Foi horrível, sabe a sensação do metal atravessando sua pele é agoniante. É gelado, como se tivesse pego um pedaço de gelo e estivessem o enfiando em você. E depois eu não me lembrava mais da dor quando caí no chão, eu olhei para o céu e pensei que aquele realmente seria meu fim. _Jon pegou a mão de Sansa e colocou-a sobre a cicatriz do lado esquerdo de seu peito. _Então eu voltei à vida.

Sansa conseguia sentir o coração de Jon batendo abaixo de sua mão. O fato do coração dele bater, de sua pele transmitir calor não lhe deixavam qualquer dúvida de que Jon havia realmente voltado à vida.

Ambos encaravam-se sem dizer nada, sem tirarem os olhos um do outro. Jon continuava a segurar a mão de Sansa sobre seu peito. E aqueles breves segundos pareceram uma eternidade, com Sansa pensando em tudo que passara a admirar em Jon e o mesmo a fazer a análise de como os olhos de Sansa eram encantadores ao seu ver.

O momento de ambos foi cortado apenas quando ouviram Fantasma arranhar a porta. Jon e Sansa foram puxados de volta para a realidade, eram irmãos! Então por que raios sentiam aquilo?

Sansa pegou o cobertor, que havia se enrolado noite passada, jogou-o sobre seus ombros e a abriu a porta, deixando que Fantasma saísse:

—Eu preciso ir, preciso ver algumas provisões para Winterfell. Afinal, o inverno está aí. Até mais tarde, Jon. _Sansa sorriu na direção de Jon antes de fechar a porta

Jon se viu mais uma vez sozinho em seu quarto, o cheiro de Sansa parecia impregnado em toda sua cama e ele seria capaz de enlouquecer se continuasse ali. Levantou-se, com certo pesar, e começou a vestir-se. Passou a mão pelos cabelos escuros, pensava seriamente em cortá-los, mas por ora apenas o prenderia. Saiu de seu quarto rumo ao quarto onde Tormund descansava.

Snow deu duas batidas na porta antes de entrar. Viu Tormund já de pé, ajeitando suas botas:

—Vejo que está melhorando. _Comentou Jon

—Os selvagens são difíceis de matar, assim como você, Snow.

Jon riu sem muito humor antes de sentar-se na beirada da cama de Tormund:

—Você está com uma cara de quem bebeu e fez merda nesse período. _Riu o selvagem sentando-se ao lado de Jon. _O que se passa na sua cabeça de morto-vivo, Jon Snow?

—Não é nada de mais. _Falou Jon dando alguns tapinhas no ombro de Tormund. _Apenas penso como vai ser quando for embora, por acaso pensa em levar Brienne com você?

Tormund riu mais uma vez:

—A protetora da sua irmã é difícil, perfeita para ser minha mulher. _Jon riu de Tormund e este prosseguiu. _Talvez eu peça para ela partir comigo.

—Poderiam escrever uma canção sobre vocês, "o selvagem e a donzela". Mas, duvido que ela deixaria Sansa.

—Sansa Stark tem você. Quem melhor para protegê-la do que o bastardo ex-lorde comandante, Jon Snow?

Jon apenas deu um novo tapinha no ombro de Tormund antes de levantar-se e sair sem responder a pergunta do selvagem.

Enquanto caminhava pelo corredores de Winterfell, Jon pensava no futuro. Sabia que um dia Sansa se casaria, teria seus filhos, estes cuidariam de Winterfell quando ela estivesse velha e um dia simplesmente ela iria morrer em paz em sua cama. Jon acreditava que também deveria fazer algo com sua vida, já não pertencia mais a Patrulha, estava livre para conhecer alguma mulher e ter filhos com ela. No entanto, temia pelas crianças, seriam filhos de um bastardo. Carregariam o sangue dele.

Jon pensava em tudo isso com uma ideia fixa em sua mente: não queria sair do lado de Sansa. Não importava-se se para fazer isso tivesse de desistir de ter uma família, desde que estivesse com ela... Era isso! Falaria com Sansa, juraria fidelidade total à ela, embora já o tivesse feito.

Jon correu pelos corredores até o antigo escritório de Ned Stark. Abriu a porta tão de repente que assustou Sansa que analisava alguns papéis sobre a mesa e falava com um homem:

—Ah, Jon! _Exclamou Sansa. _Este é lord Reed, Howland.

Lord Reed levantou-se e caminhou até Jon para apertar-lhe a mão:

—Jon Snow, já ouvi falar sobre você. Chegou em boa hora, gostaria que pudéssemos conversar.

Jon apenas apertou a mão de Howland e sentou-se em uma cadeira ao lado de Sansa:

—Lady Sansa, penso que poderia nos deixar a sós. _Começou lord Reed

—Sansa ficará. _Disse Jon. _O que tiver a dizer, pode fazê-lo na frente dela.

Howland Reed apenas assentiu e suspirou, como se quisesse que toda sua tensão saísse do corpo:

—Bem, Jon, creio que Lord Eddard nunca tenha lhe falado sobre sua mãe, não é?

—Não, ele nunca falou. Era sobre isso que quer falar comigo? _Questionou Jon começando a irritar-se. _Não tenho interesse em saber sobre minha mãe agora.

Quando Jon fez menção em levantar-se, Sansa lhe segurou o braço, fazendo mais uma vez aquele calor agradável passar por cada centímetro de seu corpo. Ajeitou-se novamente na cadeira e sentiu o dedos de Sansa entrelaçando-se aos seus, como noite passada:

—Desculpe, prossiga lord Reed. _Disse Jon

—É um história complicada, garoto. Ned me fez prometer que nunca falaria sobre tal assunto, todavia você já não é mais uma criança, precisa saber a verdade. _Howland tomou fôlego e começou sua história. _Tudo isso começou com Lyanna Stark.

—Tia Lyanna? _Perguntou Sansa.

—Sim, sua tia Lyanna. A história que lhes contaram, crianças, não está totalmente certa. _Howland baixou os olhos para as mãos em seu colo. _Ela realmente recebeu a rosa de Rhaegar Targaryen no torneio como lhes contaram, mas ele não a raptou. Não, eles fugiram juntos. Lady Lyanna nunca sentira vontade em casar com Robert Baratheon, ela era um espírito livre, liberdade essa que ela conseguiu sentir com Rhaegar.

Jon olhou para Sansa com um olhar interrogativo, a mesma deu de ombros e tornaram a olhar para lord Reed:

—Robert começou uma guerra, queria sua amada Lyanna de volta. Dizia aos sete reinos que Rhaegar a havia raptado e a estuprado, algo que nunca foi aceito pelos Targaryen, já que seu príncipe era tão sereno quando uma manhã de verão. E... _Howland Reed parara por alguns segundos como se algo trancasse sua garganta _Aquele dia, na Torre da Alegria, quando eu e Ned já havíamos vencido os homens do exercito Targaryen, ouvimos Lyanna gritar. Corremos o mais rápido que pudemos, mas já não tinha como salva-la. Ela sangrava e chorava, pedia desesperada à Ned que lhe prometesse algo relacionado ao embrulhinho chorão em seus braços, seu filho com Rhaegar.

Jon sentiu a mão de Sansa apertar a sua. Olhou-a e viu lágrimas prestes a cair:

—Ela pedia para Ned o salvar, que o escondesse de Robert e em seu último suspiro ela conseguiu dar um nome para seu filho.

—Diga, lord Reed. _Pediu Sansa em lágrimas. _Diga-nos esse nome para que acabe de vez com todas as minhas dúvidas.

—O nome era: Jon.

Jon sentiu tudo ao seu redor girar, parecia que havia levado uma pancada muito forte na boca de seu estômago. Seu pai... Seu tio... Ned Stark, havia lhe mentido durante toda a vida? Fora tratado cruelmente por Catelyn sem motivo algum? Suas dúvidas apenas acabaram quando sentiu Sansa soltar sua mão e começar a correr para fora do escritório, para fora do castelo:

—Sansa! _Gritou Jon levantando-se

Jon sentiu suas pernas fraquejarem, no entanto não deixaria Sansa sozinha, mesmo que essa história o tivesse chocado e sua cabeça parecesse girar como nunca. Apoiando-se, vez que outra, nas paredes, Jon Snow foi atrás de Sansa. Parara para perguntar para algumas pessoas se a haviam visto e lhe informaram que a viram ir para o bosque sagrado.

Quando Jon finalmente chegou lá, viu Sansa sentada aos pés da árvore coração. Ela chorava com o rosto enterrado em seus joelhos e sequer notara que Jon se aproximava:

—Sansa.

—Me desculpe, Jon. _Pediu ela. _Desculpe por meu pai ter mentido para você, pelas vezes que minha mãe o tratou mal.

Jon sentou-se ao lado de Sansa a puxando para seus braços, onde ela encostou a cabeça em seu peito para chorar:

—Sansa, não fique assim. Por favor, nada disso é culpa sua. _Jon afagava os cabelos de Sansa, procurando assim acalma-la

—Mas, me desculpe, além de tudo por ser egoísta. _Pediu Sansa acalmando-se um pouco

—Como?

—Você é filho de Rhaegar Targaryen. _Disse Sansa olhando nos olhos de Jon. _O trono de ferro é realmente seu.

—Sansa, o que...

—Eu tenho medo de você querer tomar o trono para si. Jon, todas as pessoas que eu vi sentarem naquele trono ficaram loucas e eu não quero isso para você. _Sansa enxugou algumas lágrimas antes de prosseguir. _Mas, se essa for sua vontade, eu o apoio. Mesmo que isso signifique que tenhamos que nos separar e então vem a parte que mais me aflige, ter de ver você partir.

—Sansa... Sansa, olhe para mim.

Jon segurou o rosto de Sansa, obrigando-a a olha-lo nos olhos:

—Eu não quero aquele trono, não quero governar Westeros. _Jon enxugou uma lágrima que escorria pela bochecha de Sansa. _Eu pertenço ao Norte, meu lugar é aqui em Winterfell. Meu lugar é ao seu lado, Sansa.

Jon apertou Sansa em seus braços, beijando-lhe demoradamente a testa. E agora a hipótese de estar começando a sentir algo por Sansa Stark apenas aumentava.

Notas finais
Pronto! Mistério dos pais de Jon Snow foi revelado. No próximo capítulo ele vai começar a assimilar melhor essa história, por hora o baque foi grande demais para ele sentir algo. Beijos e até a próxima ♥