North Wind
19 Capítulo 19- The Wall
Notas iniciais
O caminho para a Muralha parecia durar uma eternidade, ao menos era isso que Jon sentia. Haviam parado apenas uma vez em todo o caminho, apenas o suficiente para poderem continuar sem morrer de cansaço e vez que outra o Snow olhava para o lado, procurando por Fantasma então lembrava-se que havia deixado seu lobo com Sansa, acreditando fielmente que ele seria capaz de tranquilizar o coração da rainha do Norte.
Por mais que tentasse de todas as maneiras possíveis não pensar em Sansa, Jon sabia que não conseguiria. Uma hora ou outra ela surgiria em seus pensamentos e ele poderia não ser o mais sábio de todos, mas sabia que Sansa havia chorado depois que aquele portão se fechou.
Tormund, ao olhar para o lado, havia se deparado com Jon Snow balançando a cabeça e com o olhar perdido no horizonte. Não havia dúvidas sobre o que se passava na cabeça dele, o lobo branco pensava em sua rainha loba. E o selvagem não podia negar, ele também pensava. Sansa Stark havia acolhido suas filhas em Winterfell e ele era grato à ela.
No horizonte a Muralha se erguia, grande e majestosa, como no dia em que Jon a viu pela primeira vez. Quando deixara seu posto de lorde comandante, não havia imaginado que voltaria tão cedo para aquele lugar. O Snow soltou um pesado suspiro sentido o vento bater contra si fortemente, como se quisesse que ele retornasse. Uma vez, quando era criança, havia ouvido uma história da Velha Ama dizendo que o vento do Norte eram as saudações dos mortos. Jon estremeceu, aquela mulher sempre tinha histórias macabras guardadas.
Os portões começaram a descer para que o exercito sobre o comando de Jon Snow entrassem. Alguns olhavam para Jon, fazendo-o se sentir como no dia em que voltara a vida e tivera todos os olhares sobre si. Edd os esperava mais a frente, ele usava a capa de lorde comandante que Jon havia lhe entregado no dia em que decidira abandonar o posto:
—Quem diria, você não morreu. Mais uma vez. _Disse Edd abraçando Jon e dando alguns tapinhas em suas costas. _E ainda recuperou Winterfell.
—E em um curto período de tempo, temos outra guerra. _Disse Tormund descendo do cavalo. _Jon Snow é um grande atrativo de desgraça.
—Como estão as coisas por aqui, Edd? _Perguntou Jon ignorando Tormund
—Está tudo bem, os homens que Sansa mandou foram de grande utilidade, mesmo que não sejam um exercito. Jon, você pode vir comigo?
Jon assentiu e seguiu Edd até que entrassem no castelo e se vissem sozinhos. O Snow olhou sério para seu ex-irmão de negro, sabia que ainda haviam coisas para ser ditas e não deveriam ser ditas na frente dos homens:
—Sansa não nos contou o porquê de terem vindo mais cedo. _Disse Edd soltando um pesado suspiro. _A última carta que recebi foi a com o pedido para que mandasse os selvagens para Winterfell.
—Bran teve uma visão. Creio que você já o tenha conhecido. _Edd assentiu e Jon prosseguiu. _Bem, ele viu o Rei da Noite se aproximando com seu exército. _Jon puxou uma cadeira e sentou-se. _Edd, você sabe melhor que eu que eles podem pôr essa Muralha abaixo. Mas, as pessoas no pátio não sabem e é melhor que continuem assim.
—Quer deixá-los na ignorância? Não acha que lutariam mais sabendo que a Muralha não é impenetrável?
Jon parou para pensar por alguns instantes, se contassem para aquelas pessoas do que aqueles mortos eram capazes, eles teriam medo. Então as palavras de Ned Stark surgiram em sua mente, a única forma de um homem ser corajoso, é quando tem medo.
Um vento forte bateu, escancarando a porta e trazendo neve para dentro. Jon havia se esquecido como o frio era mais intenso para os lados da Muralha, havia se acostumado com o calor dos quartos de Winterfell:
—Acho que tem razão, Edd. _Admitiu Jon levantando-se. _Eles precisam saber.
Edd ficou olhando para Jon caminhar em direção à porta e ir até o pátio. O Snow havia mudado após a traição que sofrera e mais ainda depois de retomar Winterfell para sua prima. Sim, Edd já sabia de toda história por trás de Jon Snow. As notícias corriam pelo Norte.
Tormund contava para Davos sobre suas filhas, gabava-se das meninas, dizendo que manejavam um arco desde antes de aprenderem a andar. Ouvia também o cavaleiro das cebolas falar sobre seu filho, Matthos e sobre como havia perdido o garoto. Sor Davos comentava, vez que outra, sobre a princesa Shireen. Tormund lembrava-se dela, a garotinha da escamagris, não lembrava em nada Stannis e sua rainha estranha. O selvagem sequer conseguia pensar que um dia aqueles dois conseguiram dividir a cama para terem um filha:
—Sansa foi muito bom em acolher o povo livre. _Disse Davos
—Sor Davos, o que aquela criança passou, ninguém deveria passar. _Disse Tormund olhando para além da Muralha, na direção de Winterfell. _Sansa Stark tem mais nobreza nela do que muitos que já conheci. Apenas espero viver para ver o reinado da rainha loba.
—Uma coisa é certa, meu caro. _Começou Davos dando alguns tapinhas nas costas de Tormund. _Vamos voltar para podermos desfrutar a luz que ela trará para o Norte. Afinal, a jovem Stark é a esperança de Winterfell.
O selvagem olhou na direção do castelo, vendo Jon Snow sair com Edd e, pelo que já estava acostumado, aquela cara do Snow significava que não vinham boas notícias por aí.
Jon parou no meio do pátio, havia levado algum tempo até que tivesse a atenção de todos ali, e quando todos os olhos voltaram-se na sua direção Jon sentiu como se eles esperassem algo otimista vindo dele:
—Primeiro, agradeço a atenção de vocês. E segundo, talvez isso seja um tanto repetitivo, já que muitos ouviram isso antes, sabem o que vem em nossa direção. _Jon suspirou antes de prosseguir. _Mas, muitos aqui não sabem o porquê de precisarmos de tantas pessoas para lutarem. Sei que maioria de vocês se questiona "para que tanta gente aqui, se temos a Muralha para ajudar?", no entanto a Muralha não é impenetrável. Eles podem derrubar esse lugar.
As conversas começaram a correr por entre as pessoas, o medo que Jon já tinha conhecimento começou a assola-los. Jon conseguia ver a vontade de correr nos olhos de alguns e a vontade de defender algo que deixaram para trás:
—Eu sei que estão com medo, assim como sei que deixaram algo para trás e querem defender isso. Eu deixei pessoas que amo para trás e quero protegê-los mais do que qualquer coisa, isso é o bastante para eu continuar vivo. _Declarou Jon ao ver as conversas diminuindo
—Você pode morrer ainda? Já não morreu antes? _Perguntou alguém em meio a multidão
—Sim, eu posso morrer. _Respondeu Jon. _Eu não me tornei imortal e voltar a vida não fez de mim um deus. Bem, se quiserem ir para suas casas...
—Jon! O que é isso? _Questionou Edd espantado
—Edd, não pode obriga-los a ficar...
—Jon Snow.
Jon virou-se na direção da voz que o chamava e viu aquele mesmo menino que havia gritado o nome de Sansa no salão do castelo de Winterfell:
—Creio que assim como eu, muitos querem defender o Norte. Além do mais, Winterfell é minha casa, foi onde aprendi a andar e onde cresci. E também... _O garoto puxou a pele de seu rosto, tirando-a como se fosse uma máscara. Naquele momento Jon prendeu a respiração. _Eu sou uma Stark, Arya Stark de Winterfell e vou defender meu lar.
—Arya!? _Perguntou Jon espantado, sentindo que as pernas não lhe obedeciam
Arya sorriu para Jon, correndo em sua direção e o abraçando fortemente, como no dia em que se separaram.
Jon abraçou Arya ainda não acreditando no que seus olhos haviam visto, mas de qualquer forma sentia que ela era sua "irmãzinha".
O círculo em volta de Jon olhava estarrecido para aquela cena, a garota havia realmente arrancado o rosto? E como poderia ser uma garota se há pouco era um garoto? Alguns se olhavam, chegando a conclusão de que a família Stark era levemente estranha e cheia de mistérios:
—Você tem muito para me contar pelo visto. _Riu Jon sem humor
—Pelo visto você também, Jon Targaryen.
Jon riu e afastou Arya pelos ombros, olhando-a no fundos dos olhos:
—Sua irmã sente sua falta, por que não mostrou que era você em Winterfell?
—Sansa não me deixaria vir, você sabe disso. Acha que eu também não queria abraça-la como ela abraçou Bran? Dizer que senti falta dela e... E, pela primeira vez, que eu a amo? _As lágrimas beiraram nos olhos de Arya, que secou-as rapidamente. _Eu faço isso por ela e por toda nossa família.
Jon deu um breve sorriso e puxou Arya para outro abraço. Algumas pessoas ainda os olhavam, mas apenas Brienne e Podrick conheciam a garota abraçado ao Snow e ambos deram graças aos deuses por ela estar viva.
Ao passar o braço ao redor dos ombros de Arya, Jon a guiou para dentro do castelo, queria saber por onde ela havia andado, o que ela havia feito, como sobrevivera. Eram tantas as suas dúvidas que temia morrer antes de ouvir tudo.
Arya se desvincilhara de Jon por alguns minutos, para correr na direção de Brienne e pedir desculpas por não tê-la acompanhado e também agradecer por ter ajudado Sansa. A pequena Stark sorriu ao ouvir que suas desculpas haviam sido aceitas e voltou para Jon para que pudessem entrar e contar suas histórias:
—Há quanto tempo não via Sansa? _Questionou Jon sentando-se ao lado de Arya
—Desde a execução do nosso pai. Acho que por uma semana, toda vez que fechava os olhos para dormir, eu conseguia ouvir os gritos desesperados dela pedindo pela vida do papai. Eu cheguei um dia antes de Bran em Winterfell, vi todo o reencontro e me controlei muito para não revelar que estava ali. Vi Sansa ser proclamada rainha do Norte e revelar a verdade sobre você, me impressionei muito ao ver como ela mudou, Jon. _Arya sorriu sem humor e olhou para as mãos. _Você também mudou, Jon. Anda menos "sombrio", diria que está até mais amoroso, afinal você deixou Fantasma com Sansa.
—Isso não que dizer nada, Arya. _Riu Jon bagunçando os cabelos de Arya. _Ele está lá para cuidar de sua irmã enquanto estou aqui, prometi que ia protegê-la.
—Então, isso não tem nada a ver com vocês dois se beijando no corredor? _Questionou Arya com um meio sorriso
—Quer saber, depois de ter visto você arrancar um rosto como se fosse uma máscara eu não duvido de mais nada. Só quero saber como você nos viu?
—Foi no dia em que cheguei, vi Sansa sair correndo do quarto e você foi logo atrás dela, achei que algo tinha acontecido e então vi vocês. _Arya riu e olhou nos olhos de Jon. _Cuide da minha irmã, Jon.
—Eu vou, "irmãzinha". _Brincou Jon bagunçando os cabelos de Arya
A Stark sorriu ao sentir Jon bagunçando seus cabelos, havia sentido falta daquilo. Contudo, agora não via a hora de ir para aquilo terminar para que pudesse correr para casa e reencontrar seus irmãs, como a legítima Arya Stark de Winterfell.
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