Winterfell

A caminho do salão principal enquanto cruzava o pátio escutou risinhos e cochichos além de alguns estalidos mais molhados. E quando voltou seu olhar em busca de aonde vinham e notou que vinham da torre abandonada. A torre que diziam ser assombrada desde que o seu teto fora destruído por um raio. Notava uma fraca luz vinda dali e estranhara, por alguma estranha razão foi que moveu o batente da porta e a empurrou, acabou notando-a que estava aberta.

Então subiu os degraus calmamente, a curiosidade de um bêbado por ver alguma perversão talvez fosse algo que lhe estivesse ter tamanha ousadia. Aparentemente, alguém encontrara um local interessante para um encontro a dois e a pergunta que o Jovem Urso tinha a se fazer é se seria algum conhecido. Continuou os degraus até que por fim encontrou o topo e deparou-se com a passagem onde antes deveria haver uma porta encontrava-se vazia.

E ali havia roupas, quando recolhera uma delas do chão notara que se tratava de um manto de peles feminino, e costurado no couro encontrava-se um símbolo conhecido para si: O Urso dos Mormonts. Rian olhou pela passagem da porta e cruzou para o interior da sala. Seus olhos encontraram os causadores de tais sons.

Dentro do quarto, duas figuras tentavam tornar-se uma de tão entrelaçados se encontravam. Um homem e uma mulher em plena intensidade carnal diante de seus olhos. Estavam ambos nus como vieram ao mundo. Rian a principio não conseguia ver quem eram. As costas do homem estavam voltadas para ele, e seu corpo ocultou a mulher quando ele a empurrou contra a parede. O archote iluminava a ambos com os seus cabelos negros como as asas de um corvo e os castanhos dela.

Ouviam-se sons suaves e úmidos de gemidos. Rian percebeu que se beijavam. O homem tinha uma mão entre as pernas da mulher a acariciando ali e provavelmente usando um dos dedos para fazê-lo por dentro também porque ela começou a gemer, com voz profunda.

— Por favor... – disse ela – Não, não... – aquela voz era familiar para o jovem urso e ele apertou o manto feminino que permanecia em suas mãos — Ah, por favor… – Ela lhe mordeu o lóbulo da orelha enquanto as mãos enterraram-se nos emaranhados cabelos escuros dele e puxaram- lhe o rosto para o peito.

Rian viu-lhe o rosto e confirmou que sabia quem se tratava. Os olhos dela estavam fechados e a boca aberta e gemia. Os cabelos moviam-se de um lado para o outro quando a cabeça dela se deslocava para frente e para trás com a força das entocadas do homem nela. Mas, mesmo assim, não havia duvidas de que era sua irmã. Deve ter feito algum ruído. De repente, os olhos dela abriram-se e fitaram-no. Ela gritou assustada enquanto isto impulsionou Rian Mormont para cima dos dois, reduzindo a distancia que os separava.

Catryona foi colocada no chão pelo rapaz que se voltou de frente para ele e por um momento foi que o Jovem Urso estacou ao fitar o rosto que lhe encarava assustado. Matthew estava nu e tinha se colocado de frente para a prima como se fosse proteger de quem quer que tenha os encontrado. Quando os olhos do príncipe fitaram o primo por um momento ele pareceu mais aliviado e começou a andar em sua direção.

— Rian, eu sei que... – ia dizendo Matthew, porém a frase nunca foi completada devido ao soco que o Jovem Urso deferira. O rapaz ficara balançado e perdera o equilíbrio caindo de joelhos.

O lorde buscou em seu lado pela espada, porém lembrou-se depois que tinha acabado por pendurar na parede do salão principal ao lado de seu machado. Ao ver que o primo estava ainda de quatro foi que o chutara no estomago e o viu gemer enquanto dobrava-se ainda mais até tombar de lado.

Rian Mormont repetiu o chute, sentindo lágrimas lhe enchendo os olhos, junto com o sentimento de traição que lhe consumia o peito. Sentiu as mãos de Catryona tentando segura-lo, mas a empurrou e partiu para cima do príncipe. Pegou-o pelo braço e o ergueu do chão apenas para deferir mais um soco no rosto do rapaz, seguida se uma joelhada no abdômen e por fim o jogou novamente de encontro ao chão.

— Você era meu amigo – disse Rian Mormont – Nós somos família e você me traiu – Ele olhou para a irmã que estava sentada em um canto no chão parecendo assustada – Vocês dois esconderam de mim o que vinham fazendo.

— Rian, nós não podíamos dizer a ninguém – falou Catryona enquanto lágrimas lhe banhavam a face – Por favor, meu irmão não me odeie.

— Eu não a odeio – disse Rian – É minha irmã ainda, mas estou desapontado e magoado com você. Você me traiu, depois de tudo que fiz por você todos esses anos Catryona. Depois de onde cheguei para manter você em segurança?!

— Eu não sei o que dizer para você — disse Catryona com lágrimas nos olhos — Não sei o que posso fazer para me retratar com você, irmão. Para que veja que não fiz por mal... Que eu estava apenas seguindo meu coração. — ela lamuriou-se — Eu amo o Matt.

— Ama? Tudo o que ele quer de você é o que estava dando para ele — disse Rian — É isto que todos os homens querem. Acha que foi a primeira mulher que ele teve? Ele te contou da garota que comeu no Bosque Sagrado? Tão bêbado que nem se lembrou dela, mas eu os vi. Ele falou qual é o nome da mulher? Quer que eu fale? — Ele voltou-se para Matthew — Quer que eu diga sobre o bastardo que você quase teve?

— Você não ousaria — disse Matthew — Somos amigos e você me deu sua palavra que não contaria para ninguém.

— E você prometeu que seriamos amigos e sempre dividiria seus segredos comigo. Isto é antes de decidir que não era problema algum chegar metendo seu pau torto na boceta da minha irmã. — disse Rian furioso então se voltando para encarar Catryona — Apesar que ela estava gostando e eu vi isso. Francamente, eu não sei mais quem você é... – ele voltou seu olhar Matthew que ainda o encarava do chão – Eu não sei mais que são vocês dois.

— Sempre foi assim — disse Matthew — Mas tudo começou depois que ela veio para Winterfell, nós estávamos tão próximos que foi inevitável que nos tornássemos... — foi então interrompido pelo Jovem Urso.

— Amantes? — cuspiu Rian a palavra com desagrado — Você sempre dizendo que era melhor que seu irmão, mas é tão sujo quanto ele. Queria trepar com alguém antes do casamento? Ia para um bordel no lugar de pegar a prima. Vocês são prometidos em casamento para outras pessoas. Pelos Sete Infernos, ela é a noiva do seu irmão.

— Eu sei — disse Matthew — Nunca odiei tanto Noah por algo como o odeio por ter sido prometido a ela. Catryona tinha de ser minha não dele, mas o que eu poderia fazer? Ignorar meu coração? — Ele recebeu outro soco do primo.

— Cala a porra da boca, que eu sei que você não é esse merda sentimental que quer se convencer de que é. Essa jogada não funciona comigo, seu bastardo miserável. — disse Rian — As pessoas sempre dizendo para mim o quão egoísta você é. Mas eu sempre ignorando e dizendo que era seu jeito e que você tinha uma parte boa. Que havia um lado bom em você que os outros deveriam ver mais de perto.

— Rian, por favor... — disse Catryona — Vamos conversar só eu e você, deixe-o fora disto. Eu posso te explicar o que aconteceu e então...

— Já basta, Catryona — disse Rian — Palavras não vão te salvar dessa vez. Eu esperava mais de vocês e tinha ideias diferentes de ambos. Achei que tivessem honra... – Ele tornou a socar o primo quando este ficara de joelhos frente a ele e o rapaz cambaleou quando sentiu o golpe e teve de apoiar-se ao chão – Você é a porra de um príncipe onde está o seu dever? Está prometido em casamento com outra mulher e ainda assim fode a própria prima?

— Eu amo sua irmã – disse Matthew – Meus sentimentos por ela são verdadeiros, tem de acreditar em mim. – Ele tornou a fita-lo — Eu nunca faria nenhum mal para Catry, você sabe como sou não iria fazer nada para machuca-la.

— Eu conhecia um principe honrado — disse Rian — Muito parecido com você, mas este principe aparentemente era apenas uma máscara que caiu finalmente e partiu-se em pedaços. Não pode juntar os pedaços e voltar a usa-la, não mais para mim.

— Eu não sou uma pessoa má — disse Matthew — Eu nunca iria machucar sua irmã ou magoa-la. — Ele recebeu outro soco.

— Mais do que já faz? – disse Rian – Mais do que tem feito? Diz que a ama, mas para mim parece que está apenas querendo uma boceta para meter seu pau. Sua honra o impede de pagar uma puta para isso? Se a amasse teria ido ao seu pai e dito que quer se casar com ela no lugar de deixa-la para o Noah.

— A aliança com os Gardeners é importante para o Norte – disse Matthew – Comercialmente e politicamente. Não podemos desfazer essa aliança, compreende? É meu dever como príncipe me casar com a princesa a quem fui prometido.

— Foda-se a aliança politica – disse Rian – Foda-se porra do seu dever como príncipe quando deixa de honrar o seu dever como um homem. Se amasse minha irmã como fala que o faz então deveria tomar coragem pelo menos uma vez nessa sua vida fudida de merda e chegar para o seu pai e dizer a verdade.

— Eu já tive vontade de fazer várias vezes – disse Matthew – Mas eu não posso, Rian. Eu sou um príncipe meu dever é com o reino... – Então recebera outro soco do Jovem Urso – Para de bater em mim.

— Não me venha falar de dever, seu merda. –disse Rian – Você não é melhor do que eu ou que qualquer outro homem. Você é a porra de um covarde que tem vergonha de encarar com a realidade que é de que não é tão diferente dos outros homens. Sua honra é apenas um disfarce para a criaturazinha egoísta e hipócrita que é.

— Você não pode falar comigo assim – disse Matthew entre dentes apenas para receber outro soco – Para de bater em mim, filho da puta. Eu sou a porra do seu príncipe... – Ele cuspira um pouco de sangue — Podia perder a mão se eu ordenasse.

— Eu devia arrancar a porra do teu pau pelo que te vi fazendo com a minha irmã – falou Rian enquanto esfregava o punho e estalava os dedos – Você a tem tratado como sua puta particular. Não é tão diferente do seu irmão quanto pensa, Matthew.

— Ele não fez nada sozinho – disse Catryona ao irmão – Eu também queria.

— Você não é inocente e entendi muito bem essa merda – disse Rian encarando a irmã – Vi que estava gostando do que estavam fazendo juntos. Você manchou o nome da nossa família, vocês são comprometidos com outras pessoas, pela porra dos Sete Infernos. Como que não conseguiram se controlar? Vocês sujam os nomes de suas famílias...

— Rian, por favor... – disse Catryona – Perdoe-me, eu não... – Ele fez um sinal para que ela se calasse então foi que o lorde puxara o príncipe do chão e o colocou de pé novamente.

— Eu não sei quem você é – disse Rian encarando o príncipe herdeiro a sua frente – Tudo o que pareço conhecer de você me parece ser apenas mentiras. Há algo em você que seja de verdade? – Matthew então socara o Jovem Urso.

— Nunca mais encoste a porra da sua mão em mim, seu bastardo maldito – disse Matthew – Isso é uma ordem do seu príncipe. Porque se o fizer, vou tirar tudo o que você possui e destitui-lo de seu titulo e terras. Não lhe sobrara nada além da sua esposa aleijada, isto se eu ainda não te enviar para a Muralha e ter o prazer de te ver congelando no meio da escoria que veste o negro.

Então o príncipe saiu com toda a dignidade de seus hematomas e de sua nudez. Enquanto seguia para onde estavam suas vestes e as recolhia do chão, Catryona pareceu meio confusa de inicio de para qual dos dois seguiria só que acabou optando pelo irmão. Que nem a olhava nos olhos.

— Quando eu retornar dessa guerra – disse Rian Mormont – Você volta para casa não me importa o que digam, eu apenas não quero mais você em Winterfell perto desse sujeito. E se tiver um pouco de orgulho não irá encontrar-se com ele novamente. Você é melhor do que isso e é mais do que esse cretino merece.

...

Lá dentro do salão principal, o último prato fora servido e as brincadeiras começaram. Um dos bardos começou a cantar “O urso e a bela donzela”, enquanto outro começava a bater no tambor, marcando o ritmo. Quando os outros iniciaram seus instrumentos e logo muitas vozes uniram-se ao nobre na canção. Muitos se juntaram a eles, até que todo o salão estava gritando “Um urso! Um urso! Preto e castanho e coberto de pelos!”.

Lorde Umber desmaiou na mesa, com o rosto em uma poça de vinho e Lady Maege começou a chorar, embora ninguém tivesse muita certeza da causa a não ser Rian que compreendeu que ela havia se lembrado do falecido marido.

O Urso e a Bela Donzela era uma canção que geralmente remetia aos homens Mormonts e suas esposas, segundo diziam era comum que fosse uma das músicas tocadas no casamento na Ilha dos Ursos. Rian gostava da música, mas esperava não ser obrigado a dança-la em seu casamento com Jenny Karstark. Era péssimo quando o assunto se referia a dança, foi então que lembrou-se da perna da sua noiva e compreendeu que ela não iria se opor a decisão de não dançarem.

Enquanto isso, o vinho continuava a fluir. Os tintos da Árvore deram lugar às safras locais ou pelo menos foi o que os criados disseram. Mas verdade seja dita, Rian não conseguia ver diferença. Havia vinho e ele bebeu o que pode para tentar esquecer o que tinha visto naquela torre, sua mão ainda doía pelos socos deferidos contra o príncipe herdeiro e dentro dele algo doía como se tivessem lhe cravado uma adaga em seu peito. É esse o sentimento da traição? A traição de um primo que tinha como um amigo. A traição de uma irmã a quem amava tanto e sempre protegeu.

Ela não é uma criança inocente, deveria saber que ela tomaria decisões sem lhe consultar. Deveria saber que não seria tudo que ela lhe confessaria. Mas eu matei por você, Catry. Eu matei o seu marido monstruoso para livra-la do sofrimento e agora condena a si mesma se envolvendo com um homem que não poderá ser inteiramente seu? Rian entornou mais um cálice de vinho e viu-se com vontade de chorar. Conteve-se com toda a honra que um bêbado poderia ter.

Enquanto sua mente vagava pelo salão em busca de olhares ou pessoas que parecessem suspeitas. Aquela era a noite de traições, a primeira revelou-se contra si, porém se seus ouvidos tivessem certos não seria a pior que aconteceria aquela noite. Olhou em direção ao Rei Brandon e então para Garralonga presa à parede, talvez devesse armar-se para o caso de ter que defender o seu tio. Sete Infernos, eu morreria em uma luta de tão bêbado que estou.

Rian comeu algumas nozes e ponderou sobre o que escutara enquanto abaixo da escada. Seu maldito urso bêbado, o que acha que ouviu? Essa festa parece inofensiva, se tivessem de fazer algo contra o rei já o teriam feito. E você não poderia protegê-lo de um envenenamento, poderia? Olhou para o regente que conversa com sua esposa tendo a pequena princesa em seu colo. Talvez tenha escutado demais ou não compreendido com clareza. Por que matariam um rei bom como Brandon? Sua cabeça doía um pouco e os olhos pesavam. Piscara algumas vezes ainda mantendo o olhar sobre o seu soberano.

Ergue-se da mesa quase levando os pratos consigo então se caminhou na direção do rei e da rainha que se encontravam sentados a mesa principal. Rian quase tropeçara nos degraus enquanto subia em direção do estrado. Brandon encarou-o com curiosidade enquanto o via aproximando-se e apoiando-se na mesa.

— Vossa graça – disse Rian – Eu ouvi uma conversa e temo que não seja seguro para o senhor manter-se aqui – Rei Brandon pareceu confuso com as palavras de Rian – Tem de me ouvir, por favor.

— Acompanha-me, milorde. – disse Rei Brandon oferendo um lugar ao seu lado e o Lorde da Ilha dos Ursos respondeu-lhe apenas contornando a mesa e sentando-se – Então, poderia deixar-nos a sós, minha querida? – olhou para a Rainha Lyra que assentiu.

— Estarei o esperando em nosso quarto, meu amor – Respondeu Rainha Lyra erguendo-se deixando sobrinho e marido.

— Diga-me, ao que está se referindo, Rian? – disse Rei Brandon para o rapaz que sentava-se ao seu lado — Não compreendo ao que quer dizer com... – mas foi interrompido.

— Eu ouvi uma conversa em que conspiravam contra o senhor – disse Rian – Tem de me ouvir, vossa graça. Não é seguro para o senhor, existem conspiradores que desejam o seu mal. Temo por sua vida essa noite, vossa graça. Por favor, arme-se e não deixe ninguém aproximar-se do senhor.

— Está bêbado, milorde – disse Rei Brandon – Talvez tenha compreendido de maneira errada o que ouviu e esteja apavorado sem necessidade. A bebida às vezes faz com que a nossa mente nos pregue peças, milorde. Se fosse para me matarem essa noite já o teriam feito... – Ele ergueu-se de sua cadeira – Além do mais, que espécie de homem seria capaz de violar o direito do hospede?

— Do tipo que não merece a nossa confiança – disse Rian – Uma das pessoas nesse salão conspira contra o senhor. Meus ouvidos não se enganaram, eu ouvi e por mais que não seja essa noite ainda assim o senhor encontrasse em perigo, vossa graça. Por favor, me ouça. Por mais bêbado que possa parecer, eu sei o que ouvi.

— E quem eram essas pessoas? – perguntou Rei Brandon – Dê-me os nomes deles para que eu os confronte se isto for realmente verdade, milorde. – Ele depositou as mãos nos ombros do sobrinho — Quem eram esses conspiradores? – O Lorde da Ilha dos Ursos olhou ao redor visivelmente confuso como se tentasse buscar por alguém que não estava ali. Estava escuro no pátio, não virá os rostos direito ou mesmo conseguia ligar as vozes com pessoas que tinha conhecido em Winterfell.

— Eu não me recordo de seus rostos porque estava escuro – disse Rian – Mas eram dois homens. Um mais velho e outro mais novo, o velho estava certo de que valia apena trai-lo enquanto o mais novo estava com medo.

— E quem seriam essas pessoas? – falou Rei Brandon.

— Eu não sei – disse Rian – Já ouvi suas vozes antes, mas não sei quem poderiam ser. Mas eu sei o que ouvi... – O rei encarava-o com seriedade.

— O que ouviu exatamente, diga frase por frase para que eu saiba o que escutou não foi mal compreendido – questionou Rei Brandon, porém Rian estava tão abalado que não conseguia lembrar-se ou lembrar o que tinha ouvido.

— Eles disseram que o senhor era um rei fraco – disse Rian – Que a idade o tinha feito assim, que não iria se capaz de vencer essa guerra. Disseram que a proposta que receberam era boa demais para ser recusada.

— Que proposta? – perguntou Rei Brandon.

— Eu não sei – disse Rian – Eu não sei... – Ele colocou o rosto entre as mãos e teve vontade de chorar em desespero – Eu digo a verdade, vossa graça. Acredite em mim porque tudo que desejo é seu bem estar.

— Eu sei, meu rapaz... – disse Rei Brandon – Chamarei meus guardas e seguirei para meu quarto. Preciso de um tempo para saber que atitude que devo tomar a respeito do que acabou de me dizer, se conspiram contra mim preciso pensar em possíveis nomes. Mas não é nessa noite que irei morrer, o casamento está próximo do fim e não aconteceu nada comigo.

— Mais vinho, vossa graça? – disse uma criada aproximando-se com a jarra, mas Rian bateu o cálice do rei para longe da mesa antes que a moça pudesse enche-lo.

— Nada de vinho – disse Rian – Nosso rei não beberá mais nada essa noite – assustando a garota que se afastou. Novamente, deixando apenas os dois um de frente para o outro em silêncio dessa vez.

— Irei para meus aposentos – disse Rei Brandon por fim – Sugiro que siga seu próprio conselho, milorde. Chega de vinho para o senhor essa noite e tente ter uma boa noite de sono... – Ele ergueu-se da cadeira e seguiu para fora do estrado – Partiremos para Porto Branco amanhã. Preciso de meus lordes com suas mentes bem equilibradas para tal... – E afastou-se seguindo para fora do salão principal. Antes de sair fez um sinal para que dois guardas de Winterfell o seguissem e assim fizeram.

Pode ver Rei Brandon saindo do salão. Pegou outra taça de vinho apenas para devolve-la novamente a mesa. Seguiu novamente para a mesa em que anteriormente estava sentado. E sentou-se ali visivelmente abalado por sua falha. Devia estar fazendo um papel de tolo em acreditar em algo que escutara, compreendido errado aquelas palavras que tinham sido ditas. Talvez nem ao menos tenha visto alguém. Então deitou a cabeça sobre os braços dobrados e fechou os olhos só por um instante, para descansá-los e a música lhe foi desaparecendo dos ouvidos.

Quando abriu os olhos novamente, metade dos convidados do casamento estava em pé, enquanto alguns esmurravam as mesas e gritavam.

— Para a cama! Para a cama! Para a cama com eles!

Estavam fazendo tamanho alvoroço que despertaram Rian Mormont.

— Para a cama! Para a cama! — os gritos soavam. Rian se sentou e esfregou os olhos e olhou ao redor. Noah Stark estava com Marilyn Umber nos braços e a carregava pelo corredor, com homens e meninos rodeando-os.

As senhoras na mesa principal haviam cercado Godric Glover. Lady Maege se recuperou da música e tentava tirar sua senhoria do Bosque Profundo da cadeira, enquanto Lizbeth desamarrava suas botas e uma Mary Umber risonha tirava sua túnica. Godric estava corado e tentava impedi-las, sem sucesso e gargalhando parecendo divertir-se.

Em um momento até mesmo o rapaz ria bobamente bastante corado pela bebida. Estava bêbado, Rian percebeu, e ao olhar para Noah que quase tombara para o lado pode perceber que o príncipe estava ainda pior.

— Ela é grande demais para você – disse um dos lordes ao príncipe – Coloque-a no chão.

— Já tive mulheres maiores que ela – respondeu Noah lançando a loira um pouco para fora de seus braços então recolhendo-a de novo. A noiva dera um pequeno grito assustado.

O lobo boêmio estava tão embriagado que quase derrubou a noiva quando deu de frente para uma porta. Antes que Rian pudesse fazer algo foi que alguém viera ao seu encontro. Sua mente demorou um pouco para que percebesse o que estava acontecendo, Tyr Karstark o puxara para que ficasse em pé.

— Aqui! – gritou Tyr Karstark enquanto guiava-o em direção ao grupo de homens – Solte-a, lobo. Vamos deixar que o Lorde Urso aqui!

A próxima coisa de que se deu conta foi que estava subindo a escada da torre com a noiva se contorcendo em seus braços. Como conseguiu se continuar em pé e não tropeçar nos degraus era um mistério até para si próprio. A garota não ficava quieta e os homens estavam por todos os lados, fazendo piadas irreverentes e maliciosas enquanto tiravam as roupas dela. Brandon Umber e Hoster Stark não deveriam estar ali, mas se juntaram a eles também.

Tudo o que podia fazer era não tropeçar nos pés de ninguém e isso incluía os seus próprios. Rian não tinha ideia de onde encontrar o quarto de dormir que tinham dado ao Lorde Glover, mas os outros homens o empurraram e o cutucaram até que chegou lá.

A essa altura, a noiva estava com o rosto vermelho e dando risadas ébrias. Ela encontrava-se ofegante e quase nua, exceto por suas calçolas que tinham sido preservadas. Rian estava enrubescido também e não pelo esforço de subir os degraus. Tentou desviar os pensamentos e o olhar dos seios da moça em seus braços. Ela era quase idêntica a Mary Umber e tê-la seminua se contorcendo em seus braços fez com que inevitavelmente pensasse na outra.

O quarto de Lorde Glover era grande e modesto, como os quartos normais dos hospedes em Winterfell. E uma vez que o encontrou, percebeu que o quarto havia sido preparado para a noite de núpcias, uma centena de velas perfumadas queimavam em recantos e flores enfeitavam a cama. Quando Rian finalmente deixou a noiva em seu leito conjugal, e junto dos outros homens retirou-se do quarto.

Então passou esbarrando nos lordes e saiu pela porta. Havia barulhos na escadaria, gritos alegres e risadas femininas. As mulheres estavam trazendo Lorde Glover para sua noiva. Rian não queria encontrá-los, então subiu em vez de descer e se encontrou no telhado da torre sob as estrelas, com o pálido castelo cintilando à luz da lua ao redor dele.

Estava se sentindo tonto pelo vinho, então se inclinou contra um parapeito, porém uma mão o conteve de cair dali. Foi quando ergueu os olhos e encontrou-se fitando os grandes olhos claros de Lady Mary Umber.

— Seria um voo e tanto – disse sorrindo enquanto o lorde encostava-se com os braços apoiando-se na coroa. Então viu a moça ruiva fitando o horizonte e seguiu seu olhar e juntos encararam a Muralha a milhas de distancia dali.

— Quase parece que é feito de neve – disse Rian e a garota estava parado ao lado dele, sorrindo em seda e em seu cheiro cítrico.

— O que é feito de neve? – questionou Mary Umber então encarando sua frente — Se estiver falando da Muralha não vejo do que mais poderia ser feito.

— Magia – disse Rian – Se acreditar nas lendas que ouvimos quando crianças – A moça sorriu e colocou sua mão contra a dele.

— Sabe o que seria mágico? – perguntou Mary e antes que ele lhe respondesse foi que a viu tocar os lábios dela contra os seus. O beijo aprofundou-se e logo sentiu o corpo da moça contra o seu e um calor passou a dominar-lhe abaixo do abdômen.

Pense em Jenny, dizia sua consciência. Você escreveu para ela, por mais que Catry tenha lhe ajudado ainda assim o que dissera na carta partira de si. Separou os lábios dos da moça e dera alguns passos para trás. Eu não seria melhor do Matthew e Catryona se cedesse. Não seria melhor que minha mãe...

— Milady... – disse Rian Mormont afastando de si – Eu não sei se deveríamos.

— Eu sei – falou Mary Umber – Não sente atração o suficiente por mim?

— Não é bem esse fato – respondeu Rian Mormont – A filha de Lorde Torrhen Karstark está prometida a mim. Se eu fosse um homem livre, que os deuses tenham piedade eu seria capaz de desonra-la mesmo sendo uma moça da nobreza e depois acataria com meus deveres se a infelicidade de um bastardo viesse. Mas eu não posso me dar essa liberdade mais... Sou um homem comprometido. Tenho que ser fiel a minha noiva.

— Bem, é uma atitude admirável – disse Mary Umber – Por mais que eu deva confessar-lhe que não sou mais donzela e sei como funciona um chá da lua – E o rapaz fitara chocado – É uma piada, Mormont. Encontre um pouco de senso de humor... – Ela lhe deu um soco no ombro — Eu não vou insistir para que fiquemos juntos.

— Agradeço por sua compreensão – disse Rian – Existem outros lordes desimpedidos ou cavaleiros com quem poderia compartilhar suas necessidades ou mesmo seu afeto. Lamento por ter de ser assim, mas um homem deve manter sua honra sobre uma promessa feita.

Foi então que sentiu um estranho cheiro de fumaça tomar o ar. O odor característico lhe envolvendo as narinas lhe irritava, olhou ao redor em busca de alguma fogueira feita por algum dos soldados, mas o que encontrou lhe fez arregalar os olhos. Voltou seus olhos para a outra direção, desta vez encarando o castelo. E naquele momento soube que não estava tão ébrio quanto imaginava estar.

— Aquilo é... – ouviu Mary Umber sem saber como terminar a frase de tão surpresa que se encontrava – Fogo... – Então o Jovem Urso compreendeu que aquela noite estava longe de ter um fim.

— Sim – disse Rian – Um incêndio na Torre Real.

...

Atena sentiu seu seio sendo sugado com força enquanto os olhos de Edwyn lhe fitavam. Era estranho ser observada daquela maneira em um momento tão intimo por um quase desconhecido. Exercendo o seu papel de mãe ao alimentar seu bebê enquanto era fitada por seu recente esposo. Noah e Edwyn tinham conversado antes do casamento, o herdeiro de Karhold tinha lhe contado sobre as palavras que ambos trocaram. Ela sorriu quando soube o que ambos tinham planejado juntos.

— O nome dela é Amanda, mas nós a chamamos de Amy – disse Atena depois de tanto tempo em silêncio – Ela fará dois anos em poucos meses e já deveria ter desmamado, mas quando ela nasceu era tão pequenina que eu tinha de amamenta-la até que ficasse mais forte. E hoje em dia ela está, mas... É difícil para uma mãe cortar o vinculo – Era estranho chamar-se de mãe e conversar daquela maneira tão aberta com alguém.

Mas as palavras simplesmente lhe escapavam e colocou-se a falar para quebrar o silêncio. Seus dedos brincavam com as mãozinhas de Amy em seu colo. A sua menina em seu colo enquanto a amamentava. Podia ver os olhos de Edwyn sentado na cama do quarto as observando em silêncio.

Estavam no quarto onde deveriam conceber as núpcias, mas Edwyn não iria fazer nada sem o consentimento dela e aos olhos da princesa mesmo o rapaz encontrava-se desconfortável com a ideia de ambos afirmarem a consumação do casamento. Não dissera nada, mas era evidente que parecia respeita-la o suficiente para não forçar nada que não seja da vontade dela.

No lugar disso, lá estavam os dois um de frente para o outro enquanto a sua pequena loba saciava sua fome. Fora Edwyn que solicitara conhecer a bastarda da esposa, então pediu que Noah conseguisse que Alannah a levasse até o quarto de Atena. Quando chegaram ao quarto foi que a noiva teve a surpresa que lhe aguardava.

— Um nome bonito – disse Edwyn – Significa muito amada, não é mesmo?

— Sim, eu sei que é estranho ama-la sabendo o que me aconteceu e ainda sentindo-me tão perturbada por conta do que aquele monstro me fez. Mas a amo com todas as minhas forças e agora entendo como é amor materno... – disse Atena — Esse pequeno serzinho que cresceu dentro de mim. Por um tempo não aceitava, não queria um filho daquele monstro... Não queria uma lembrança a mais do que foi todo o pesadelo que passei.

— Eu cogitei a possibilidade de... Mas não fui capaz. – continuou Atena — Não quando senti seu pequeno chute dentro de mim, não era justo com alguém que não tinha chances de defender-se do mal que lhe seria feito. Eu planejava dá-la assim que nascesse. Meu pai iria envia-la para o Orfanato de Porto Branco. Mas quando nasceu e eu a vi... – Ela sorriu – Não sei como explicar o sentimento que tive. Ela não se parecia com a cria de um monstro. Não fui capaz de me desfazer dela porque aquela era a minha garotinha. E eu a amo tanto porque ela é apenas minha, não há nada dele na sua aparência e os deuses foram bons comigo nesse aspecto.

— Eu seria o mais cruel dos homens se separasse uma mãe de sua filha – falou Edwyn – Quando a guerra terminar, Atena. – Ele aproximou-se e sentou ao lado dela e levara os dedos às mãozinhas da pequena — Você ainda irá comigo para Karhold como minha esposa, mas não irá sem sua menina. – A princesa fitara seu marido e o encarara pela primeira vez, os seus olhos cinzentos fitaram os profundos olhos azuis dele – Eu não me importo com bastardos, milady. Tenho um tio que é um Snow, aprendi com a convivência ao seu lado a não menosprezar pessoas apenas por terem nascido fora de um casamento. E eu sei que uma criança precisa de um pai, Atena. Não me importa se não tenha o mesmo sangue que o meu.

— O que está querendo dizer, Eddie? – disse Atena o chamando pela primeira vez pelo apelido.

— Que eu estou disposto a assumir sua menininha como minha – falou Edwyn – Assumi-la como nossa filha. Diremos aos outros que não conseguimos aguentar pelo casamento e acabamos nos entregando um ao outro antes do tempo. Diremos que o Rei Brandon tentando limpar sua honra manchada assumira a neta como sendo filha bastarda dele. E que agora após nosso casamento não há razões para continuar escondendo a verdade...

— Ninguém irá acreditar – disse Atena rindo – Se tivesse acontecido mesmo isso o casamento teria sido feito as pressas. Todos irão ver que tratasse de uma farsa por mais que ninguém possa questionar a verdade.

— Eu não me importo – Respondeu Edwyn – Eu só sei que quero sua felicidade, milady. E só será capaz de ser feliz tendo sua filha por perto então estou disposto a mentir e a sujar minha honra. O que é a honra quando o que fazemos é o certo?

— O que seu pai dirá sobre essa ideia? – disse Atena – Sua mãe?

— Meu pai sabe do que te aconteceu e também explicaremos para minha mãe e ela irá compreender – disse Edwyn – Sei que não me conhece nem está atraída sentimentalmente por mim. Eu não a amo, Atena. Casei-me com você por conta do meu dever com minha família. Mas eu não quero que nosso casamento seja infeliz. – E ela lhe sorrira sentindo-se agradecida – Espero que um dia eu possa ser digno de ser amado por você.

— Você quer segura-la? – Ofereceu Atena após a bebê ter terminado de mamar.

— Eu não seguro uma criança há anos – respondeu Edwyn – Eu não sei se seria uma boa ideia – A garota riu enquanto passava o bebê para os braços do marido que se sentiu meio estranho inicialmente. – Hei, ela não chorou... – Ele parecia aliviado, porém ainda meio inseguro. Mas logo se ajeitou melhor com a criança no colo.

— Ela gostou de você – disse Atena sorrindo docemente.

— Você acha mesmo? – disse Edwyn sorrindo levemente – Eu sinto muito pelo que você passou – Ele falou olhando para Atena – Mesmo, eu sinto muito mesmo. Eu... – Ele suspirara — Não tenho palavras para te confortar ou dizer que tudo vai passar porque sei que não irá.

— Tudo bem, eu aprendi a conviver com isso – disse Atena – Tornei-me mais forte e não vou deixar com que isso me faça quebrar frente aos anos que virão. – Ela voltou-se para Edwyn – Você acha que seremos felizes juntos?

— Eu não sei – disse Edwyn parecendo sincero – Eu nem sei se retornarei para casa dessa guerra – Então viu a bebê em seu colo parecendo incomodada e choramingando – Tudo bem, o que eu faço agora?

— Ela deve está com sono – disse Atena – Eu posso nina-la apenas devolva para mim – Mas Edwyn recusou-se e começou a fazê-lo ele mesmo a agitando com leveza em seus braços – Você sabe como fazer.

— Tenho uma irmã mais nova – disse Edwyn – Lembro-me de como minha mãe costumava fazer para Jenny dormir – Ele então deu um pigarro para limpar a garganta — Você é meu raio de sol, meu único raio de sol. – Ele agora cantava para a menina em seus braços — Você me faz feliz quando o céu está nublado. Você nunca saberá, querida, o quanto eu te amo. Por favor, não leve meu raio de sol para longe... – Ele então olhou para Atena que o observava – Eu não sou um bom cantor, eu sei.

— Não, o que importa é a intensão – dissera Atena ajeitando-se para mais próximo dele.

— Outra noite, querida, eu estava dormindo. – cantou Edwyn — Sonhei que tinha você em meus braços. Quando acordei, querida, eu estava enganado. Então eu baixei minha cabeça e chorei. Você é meu raio de sol, meu único raio de sol. Você me faz feliz quando o céu está nublado. Você nunca saberá, querida, o quanto eu te amo. Por favor, não leve meu raio de sol para longe. – Ele passou a mão nos cabelos da menina e sorriu antes de levantar-se um pouco e depositar a menina sobre a cama – Ela dormiu.

— Sim, dormiu mesmo. – disse Atena estranhamente fascinada pelo seu marido como se o visse pela primeira vez – Obrigada por ter cantado para ela.

— Eu acho que você e ela podem dormir aqui enquanto eu... – falou Edwyn, mas a garota lhe interrompeu tocando em seu rosto e colocando os dedos sobre os lábios dele.

— Fique – disse Atena – Estou sem sono.

— Eu... – disse Edwyn – Adoraria lhe fazer companhia, milady.

Atena sentiu seu rosto queimar e o coração acelerar no momento que partiu ao encontro do rosto do rapaz que a fitava. Quando sentiu a respiração dele próxima a sua, foi que sabia que não havia retorno e por fim os lábios deles se tocaram. E ela dera o seu primeiro beijo em sua vida.

— Esta ficando quente – disse Edwyn quando se separaram.

— É, um pouco... – disse Atena e então viu seu marido levantando-se da cama parecendo surpreso e agitado com alguma coisa – O que aconteceu? Você não... – Então compreendeu quando escutou os gritos e compreendeu o que estava acontecendo.

Edwyn levantou-se da cama e seguiu até a porta do quarto tentando abri-la, mas estava presa de alguma maneira. Quando sentiram fumaça entrando pelas frestas da porta de madeira e ao tocar o chão com os pés descalços foi que Atena sentiu-o mais quente do que deveria. Sua filha parecia ter despertado assustada com os gritos das pessoas ao lado de fora e naquele momento foi que entendeu o que estava acontecendo.

— A torre está em chamas – disse Atena e Edwyn nada respondeu. O rapaz continuava tentando derrubar a porta que os havia trancado do lado de dentro do quarto parecendo extremamente assustado.

— Atena... – Ele olhava para a esposa com uma voz sufocante pelo esforço que estava fazendo – Eu só queria dizer que... – Ele continuava a tentar jogar-se de lado contra a porta – Que... Eu vou nos tirar daqui – Ele continuou chutando a porta em desespero sem qualquer sucesso enquanto começava a tossir por conta da fumaça que começava a entrar no quarto – Eu prometo.

Naquele momento, promessas de nada valiam. Mas Atena quis acreditar no fundo de sua alma que seu marido fosse capaz de cumpri-las, a princesa mantinha seu bebê no colo tentando acalma-la. A verdade é que era preciso de algum milagre para fazê-la se acalmar, pois se encontrava tão assustada quanto a filha. Aterrorizada foi que Atena começou a orar aos deuses antigos. Assim como tantas outras vezes tinha observado o marido fazê-lo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.