Notas iniciais
Agradeço aos comentários e a todos os elogios, valeu pra geral, e pra quem mandou pelo orkut tmb

^^

Todos já haviam deitado, eu gostava assim, passear pelos jardins quando todos dormiam, me sentia livre, podia tentar lembrar daquilo que me era vetado.

– Dek você esta bem?

A voz fina e quase inaudível ecoou em minha mente tão clara quanto a lua que iluminava o pequeno lago nos arredores do colégio, dei uma leve risada.

– Pode sair Slip, todos estão dormindo.

A pequena criatura, preta como a noite, com seus olhos amarelos vivos, saltou de entre os arbustos, caindo sobre meu ombro direito, afaguei levemente sua cabeça.

– Porque tenho que me esconder assim, eu nunca fiz mau a ninguém.

– Eu sei disso, mas demoraria para as pessoas entenderem isso, você sabe que sua raça não é conhecida por ter bons feitos.

O pequeno Slip se encolheu, ficando praticamente oculto na gola de minha camisa, que por acaso era preta, passei a mão por sua cabeça, tentado tranqüilizá-lo.

– Tudo bem, se acalme, você ficará seguro enquanto estiver aqui, venho te ver todas as noites.

– Trouxe alguma coisa para mim hoje?

Sorri, tirando um grande pedaço de bolo de carne da pequena sacola que carregava, Slip sorriu agarrando a comida.

– Coma devagar, não vá se engasgar.

Olhei para ele ali comendo, a única parte do meu passado que restara, não conseguia me lembrar de absolutamente nada, nem ao menos sabia que Slip tinha parentesco com alguns seres, deslizei os dedos pela têmpora, esperando me lembrar de alguma coisa, mesmo que um pequeno flash.

– Quem esta ai?

Uma voz furou o silencio, olhei para Slip, que saltou para os arbustos, juntamente com o que comia, ajeitei minha camisa e caminhei até a voz.

– Ah, é você Alexander.

Respondi aliviado, parando a alguns metros.

– É meio tarde para passeios não acha Dek?

– O diretor esta ciente das minhas caminhadas Alexander, mas acho que você é quem esta andando fora de horário, não acha?

Alex se manteve sério, não tinha medo dele, como todos tinham, era estranho, ele emitia uma aura meio medonha, mas isso não conseguia me deixar como todos ficavam, ele levantou a mão, ajeitando os fios aloirados que caiam em seu rosto.

– Disso eu posso cuidar depois, sabe que tenho minhas influências.

Ele disse, dando um leve sorriso, não me deixei abalar, dei de ombros e me virei, voltando a caminhar.

– Eu ainda não terminei de falar com você.

– Mas eu sim, boa noite Alexander Hellblade.

Senti a brisa passar, agitando meus cabelos, olhei para frente e la estava ele, parecia bem irritado, continuei a caminhar.

– Sua falta de respeito é algo que me irrita a muito tempo.

– Tenho respeito, mas não pela sua “humilde” família.

Pude ouvir os dentes de Alex trincarem, algo bem incomum para ele, que sempre se mantinha racional e imperceptível, mantive minha caminhada, passando ao lado dele, ouvi sua respiração rápida, mas não parei, senti um leve tremor de terra, olhei para baixo e dali uma enorme estaca branca brotou, joguei meu corpo para o lado.

– Não terá tanta sorte da próxima vez!

– O que você tem Alexander, por acaso acordou com dor de cabeça ou algo assim?

Uma série de estacas começaram a surgir, Alex apenas mantinha sua mãos no solo, eu nunca soube as habilidades de ninguém ali, somente as minhas, então era isso que ele podia fazer, tentava me esquivar de todas as formas possíveis, fugindo por entre os arbustos.

– Morra!

O grito de Alex sucedeu a enorme estaca que surgiu abaixo de mim.

– Aghn...

Cai no solo, o ombro direito perfurado, Alex se aproximou, seus olhos pareciam implorar por sangue derramado.

– Quais são suas ultimas palavras, jovem sem memórias?

– Dark Barrier.

Uma camada preta começava a tomar meu corpo, Alex começava a golpear com algo, mas somente o som dos golpes era ouvido, minha barreira funcionava de forma exemplar, uma defesa impenetrável eu diria, mas porque ele tentava me matar, o ombro latejava, o sangue escorria muito, o dano era mais feio que o esperado, mas logo os golpes cessaram, a calmaria tomou novamente os jardins de North Haven, me levantei com dificuldade, caminhando em passos desajeitados, o sangue não parava de escorrer.

– Meu jovem, o que aconteceu com você?!

Exclamava um dos guardas, porque ele nunca estavam quando precisávamos deles, eles sempre usavam roupas largas, não conseguíamos ver seus rostos, rapidamente fui levado a enfermaria.

– Oh meu deus, o que aconteceu com você mestre Dek?

– Fui atacado...

A enfermeira suspirou de pavor, começando o tratamento, nunca soube o que era usado para curar feridas aqui, só sabia que a medicina aqui é muito avançada, a ponto de não deixar quase cicatrizes, senti uma brisa refrescante tomar minha mente.

– Esta se sentindo melhor mestre Dek?

– Sim, obrigado enfermeira.

– Pode me chamar de Aerith.

Uma risada suave, foi o que eu pude ouvir, não conseguia ver direito o que era feito, um pano fora esticado entre meu rosto e a ferida aberta, mas não doía mais, eu me sentia bem melhor, mas uma coisa ainda martelava minha mente, porque Alex havia me atacado, ele nunca tinha mostrado violência aqui, sempre pareceu calmo e muitas vezes invisível.

– Por favor levem ele até o dormitório dele, ele precisa descansar agora.

Não sei dizer se fui empurrado ou não, apenas sei que quando pude ver com mais clareza estava em meu quarto, Wolf estava deitado, dormia profundamente, estava encolhido na cama, estaria tendo um pesadelo.

– Aghn... venha me derrubar seus idio...

Esse era Phyro, eu nem precisava olhar, provavelmente estaria jogado na cama, com grandes chances de parte do corpo estar no chão, ele sempre resmungava durante o sono, eu tentava deixar o sono me pegar, olhava para o teto do quarto, pedras desregulares cobriam como um todo, quase como um quebra cabeça, virei meu olhar para as bandagens, colocadas tão jeitosamente, nem pareciam estar la, pensando nisso mal me dei conta que caia no sono, deixando as preocupações de lado, mas desejando que pelo menos uma lembrança escapasse entre os sonhos.

– Dek, acorda cara!

– Deixa ele dormir Phyro, você sabe que ele esta de licença.

Abri um pouco os olhos, o rosto de Phyro estava quase grudado ao meu, alguem, que deduzir ser Wolf, o puxava pelos ombros.

– Ele acordou!

– Com a sua gritaria até um Snorlax acordaria cara...

Disse Wolf, sacudindo a cabeça e se afastando, Phyro se sentou a beira da cama.

– O que aconteceu Dek?

– É cara, você esta dormindo a quase três dias.

Olhei pela janela, era noite, busquei um calendário, mas não havia nenhum no quarto, tentei me sentar, mas uma dor forte no peito me fez ficar onde estava.

– Bem, sofri um acidente.

Wolf levou a mão até o rosto e Phyro caiu da cama.

– Isso nós sabemos, queremos saber o que realmente aconteceu.

Parei por um instante, recobrando cada momento como um filme preto e branco.

– Eu... fui atacado...

Wolf se levantou, indo até a porta, Phyro se sentou novamente na cama, os olhos vidrados.

– Quem faria isso, nunca tivemos inimizades com ninguém.

– Vocês sabem o que os outros podem fazer?

Virei a cabeça, olhando para Wolf, estava recostado na porta, como se quisesse impedir que alguém entrasse.

– Como assim cara, o que os outros podem fazer?

– Isso, seus dons.

Phyro sacudiu a cabeça negativamente.

– Só conhecemos os nossos.

– Como é que é?

Wolf caminhava até a cama, ficando de pé ao lado de Phyro, que o olhava parecendo uma criança, pronta para responder a tudo.

– Isso mesmo, nem mesmo os colegas tem ciência das habilidades uns dos outros.

Dizia Phyro, se sentindo aliviado depois, Wolf sacudiu a cabeça.

– Bem, melhor irmos descansar, amanhã será um dia puxado, boa noite para vocês.

Disse Wolf, se jogando em sua cama, Phyro levantou dando apenas um aceno com a cabeça, indo para sua cama, eu mantive meus olhos no teto do quarto.

“Porque Alex tinha me atacado”, pensava, “Slip!”, devia estar com fome, devia estar sem comer desde que tudo acontecera, silenciosamente me levantei e caminhei para o jardim.

– Slip, onde você esta?

A pequena criaturinha pulou de um dos arbustos, caindo em meu ombro, roçava seu corpo em meu pescoço.

– Também senti sua falta amiguinho, você esta com fome?

– Não, ele não esta.

Aquela voz.

– Alexander.

Disse olhando para a silhueta que surgia na escuridão, Slip pulou para os arbustos novamente.

– Não acha perigoso ficar andando por ai de pijama e cheio de ferimentos?

– O que você quer Alexander?

Ele caminhou até ficar exatos dez passos de mim.

– Porque você cuida daquilo, sabe que ele não é uma coisa boa.

Ele sabia, mas desde quando podia saber dele.

– Do que você esta falando?

– Você sabe do que eu falo, ou prefere que eu destrua ele e acabe com o assunto?

Triquei os dentes, ele abriu um sorriso, tirando as mãos dos bolsos.

– E então, o que você prefere, me dizer ou deixar eu acabar com isso?

– Não é permitido fazer nada fora das aulas e você melhor que ninguém sabe disso, vai infringir as regras?

Ele mantinha o sorriso e o olhar, passou a mão nos cabelos, ajeitando alguns fios que o vento frio do inicio de inverno tiravam do lugar.

– Sabe que eu destruir ele vai me dar um desconto em uma infração, e levar um infrator ao diretor vai me dar até um bônus, ou seja...

– Você já tinha pensado em tudo, desde o dia que me atacou, queria deixar ele desprotegido, achando que ele apareceria quando tivesse fome e ai você o destruiria.

Alex dava leve palmas, dando mais um passo.

– Meus parabéns, você realmente tem potencial, diferente do seus parceiros de quarto, mas não deu certo, ele conseguia comida de alguma forma.

O que eu poderia fazer ali, Alex estava pronto para fazer o que fosse preciso para matar Slip, comecei a pensar numa forma de escapar.

– Não adianta, você não vai escapar, hoje é o dia que você vai deixar de existir neste colégio e neste mundo Dereck.

– Vai matar o filho do diretor?

– Vontade não me falta, a muito tempo vejo você desperdiçar a grande dadiva que tem, o beneficio de ser filho de um dos fundadores, mas você nunca deu valor a isso não é?

Ele estava enfurecido, o que eu ia fazer ali, naquele estado, abri minhas mãos, precisava criar uma barreira, deixei a mão aberta e comecei a me concentrar, mas algo acertou minha mão esquerda.

– Aghn... DROGA!

Deixei o grito fluir, minha mão era perfurada por uma fina estaca branca, Alexander sorriu.

– Não, dessa vez você não vai se esconder atrás de paredes ou barreiras.

Ele disse, dando mais um passo, a estaca recuou, minha mão sangrava por cima das bandagens, eu não conseguia raciocinar, isso me irritava muito.

– Hora de morrer!

Foram as palavras de Alexander antes de fazer surgir uma estaca da palma de sua mão, e desferindo um golpe em minha direção, fechei os olhos.

– Jumper.

– Entei!

Senti meu corpo formigar, uma dor e quando abri os olhos não estava mais a frente de Alexander, estava no quarto, Wolf me segurava pela cintura.

– Você esta bem Dek?

– Sim... o que aconteceu?

Wolf sorriu, me levando para a janela, era possível ver exatamente onde eu estava, mas agora uma parede de fogo se erguia ali, eu olhei para ele, ele sorria.

– O que aconteceu?

Perguntei novamente, ele abriu a mão, ali havia uma espécie de cicatriz, mas tinha um desenho estranho, logo algumas faiscas saíram dali, ele se mantinha olhando para as chamas.

– Mudamos um pouco as regras.

– Como assim?

Ele olhou para mim, o sorriso triunfante.

– Phyro assumiu o seu lugar na briga.

Wolf disse, eu olhei para as chamas, nunca tinha visto Phyro bravo, então esse era o potencial dele, esse era o dom do jovem Phyro Denan.

Notas finais
Comentar me mantem vivo, vocês dariam seus pescoços a Edward Cullen se fosse preciso, então me doem comentários....

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