North

3 Capítulo III


Notas iniciais
Olá meus amorecos! Demorei muito? Sinto muitíssimo! Época de trabalhos e provas da faculdade, fora o trabalho que é cansativo. Enfim, vida de adulto! Um saco não? Sem mais delongas, está aqui o novo capítulo, escrito com todo amor. Divirtam-se e uma ótima leitura!

Me virei na cama para achar outra posição confortável. Não conseguia dormir, e já estava tentando há horas!

Eu estou preocupada com Kyo, mas sabia que Gaara não tentaria nada contra a senhora. Ele possuía afeto por ela, afinal. Apesar de também ser um assassino, Gaara era movido pelos sentimentos, e por isso era tão perigoso. E também por isso, sabia que Kyo estava bem.

Todavia, não era Kyo que me tirava o sono, e muito menos Gaara. Eu não conseguia dormir por causa de dois caras, um loiro e outros de cabelos tão negros, quanto o céu a noite.

Ambos esses homens, estavam irritados e magoados comigo. Quando decidi fingir minha morte, eu sabia que eles sofreriam, mas não tanto assim!

Certo, eu sabia que seria assim. “Os Uchihas sentem demais”, Tia Mikoto me dizia. “Por isso, eles tendem a odiar mais e perdoar menos”, ela falava quando eu fazia alguma burrada e magoava Itachi ou Sasuke.

“Mas também eles amam com todo o coração”, ela completava e me dizia que eu deveria apelar para o amor deles para obter seu perdão.

Infelizmente, ou não, Naruto aprendeu a ser assim também. Ou seja, tenho dois teimosos magoados para conseguir fazê-los me perdoar. Saco.

Me levantei com cuidado para não acordar Naruto que dormia no chão, mesmo irritado, ele me cedeu a cama. Será que é um sinal que ainda posso alcançar teu perdão?

Suspirei ao sair do quarto, decidindo ir na dispensa do navio atrás de vinho. Eu não funcionaria direito sem álcool, e no momento, pensar em algo era totalmente necessário.

Peguei a garrafa e fui em direção a proa, me escorando no parapeito dela. Já estava quase na hora de amanhecer, o nascer do sol, ali, no meio do oceano, deveria ser lindo.

A brisa era fresca e leve, e a calmaria dela não condizia com minha mente e minha situação. Além de lidar com Sasuke e Naruto, precisava achar outra forma de me vingar, e ainda trazer Gaara para meu lado novamente.

Ter o ruivo como aliado, era muito melhor do que como inimigo. Gaara era implacável, e eu temia sua fúria.

Bebi um pouco mais do líquido, e ouvi os passos calmos e precisos de Sasuke vindo em minha direção. Já tinha decorado seu jeito de andar, e pela sua postura e pelo que lembrava dele, também sabia seu modo de luta e quais seus melhores golpes e o que deveria melhorar.

“Não consegue dormir?”, perguntou-me calmo. Seu estado agora, não condizia com o de algumas horas atrás. Não o respondi, só balancei a cabeça negativamente.

Ele se escorou no parapeito ao meu lado, e encarou a imensidão a nossa frente. “Me perdoe por mais cedo”, quebrou o silêncio novamente. “Eu estava irritado por ter me enganado”, completou.

Franzi o cenho confusa, Sasuke não perdoava tão rápido. Na verdade, pelo que me lembro, ele já chegou a ficar semanas sem olhar na minha direção.

“Você…”, comecei a dizer, ainda confusa com aquilo. “Não está mais irritado comigo?”, perguntei incerta.

Ele riu, enquanto negava. “É claro que estou irritado, seja qual foi o motivo pelo qual você tomou essa decisão”, deu uma pausa e me encarou. “Você deveria ter me procurado”, concluiu magoado.

“Eu não podia”, murmurei desviando de seus olhos, voltando a olhar o horizonte e o sol que começava a surgir. “Você não confiou em mim para lhe ajudar”, deduziu.

Mordi a parte interna da minha bochecha ao me lembrar de oito anos atrás, e segurei as lágrimas e todo sentimento de dor que vinha junto das lembranças.

“Eu só, não podia”, falei quando vi que minha voz sairia firme. Sem nenhuma falha. “Talvez um dia você me diga o porque”, sugeriu. Tentei dar um sorriso ao dizer: “Talvez um dia”.

Ele assentiu e se desencostou do parapeito. Ao perceber que ele sairia dali, o chamei. “Você me perdoa?”, pedi olhando em seus olhos.

“Estou feliz que esteja viva, Sakura”, desviou o olhar e voltou a caminhar. “Te manterei assim até o dia que eu puder lhe dar o perdão”, disse saindo dali.

Bebi mais um pouco do vinho. Ele não me perdoou, ainda. Me encostei novamente, e bati levemente minha cabeça na madeira. “Terei que sobreviver até lá então”, murmurei sozinha.

oOo

Sasuke nos permitiu ficar em seu navio, mas não nos tornamos piratas. Eu nunca seria uma pirata. Nunca. E, aparentemente, Naruto também não.

Como eu perdi minha espada naquela loucura de três dias atrás, Sasuke me forneceu uma nova. Só que ela não era do meu estilo, ela era pesada e grossa demais. Não muito útil para mim.

Eu nunca comprava armas, sempre as fazia eu mesma. Lembro que meu pai sempre me dizia: “Nunca utilize uma arma que não faça parte de você. Sua espada é uma extensão de seu corpo, Sakura. Ela reflete o que sua mente e seu coração diz, como um intermédio entre ambos”.

Desde então, eu mesma crio minhas armas, já que somente eu sei como meu corpo funciona e como eu quero a extensão dele.

Claro que no meio do oceano não tem como criar uma espada do zero. Então, só me tinha uma opção: adequar essa espada a mim.

Por isso, passei a manhã e um pedaço da tarde na popa do navio. Peguei algumas ferramentas que tinha ali, e re-moldei a espada. Felizmente, ninguém foi até ali para me atrapalhar. Apesar de eu ter ouvido algumas conversas estipulando o que eu estava fazendo.

Ao terminar, sorri ao ver minha nova espada. Rapidamente me levantei para testar alguns movimentos. Por um erro de cálculo, pisei em falso e torci meu pé. Eu não gritei de dor, nem gemi. Só respirei fundo e soltei um palavrão.

“Você têm que pôr mais firmeza na perna esquerda Sakura, já te falei”, ouvi a voz de Naruto num tom sério. Me assustei com sua fala, e ainda mais por me lembrar que Itachi vivia me dizendo isso.

O irmão mais velho de Sasuke também repetiu as mesmas palavras que Naruto no dia em que a vila queimou e foi atacada. Naquele dia, eu estava estressada por descobrir sobre meu casamento arranjado, e fui me desestressar ao treinar com a espada que tinha criado.

“Eu sei”, disse irritada com a situação e com as lembranças. “Só não equilibrei bem o bastante a lâmina dela, e isso ocasionou no meu desequilíbrio na hora de usá-la”, contei meu erro.

“Então você ainda lembra dos ensinamentos do tio Kizashi?”, perguntou ainda sério. Tsc, Naruto irritado é impossível lidar. “Lembro”, disse me sentando novamente.

Tirei minha bota, ignorando a dor e apliquei pressão na parte torcida, depois usei a lâmina da espada para fazer um corte, evitando um inchaço.

Naruto se agachou em minha frente, rasgando um pedaço de sua roupa e fazendo um curativo em meu pé. “Então por que seguiu essa vida?”, me perguntou buscando respostas em meu olhar.

“Porque eu não…”, comecei a dizer, mas ele me interrompeu completando: “Teve escolha, entendi”. Suspirei fundo e encostei na madeira atrás de mim. “Eu estava na capital durante três anos”, comecei a falar depois de um tempo.

“Você me contou quando a gente estava à deriva no mar”, disse seco. Assenti e continuei: “Eu sempre via você indo ao Palácio, dando ordens aos soldados, saindo para alguma guerra estúpida que o Rei causou”.

“Por que nunca falou comigo?”, perguntou magoado. Tsc. “Eu tentei uma vez”, contei. “Há um ano, mais ou menos”, tentei me lembrar a data. Naruto me encarava fixamente, esperando eu lhe dizer o motivo.

“Eu pedi para uma conhecida te levar até os Estábulos do Rei, e estava indo te encontrar lá”, disse me lembrando do dia. “Aquela serva, eu me lembro. Ela me levou para lá, dizendo ser importante”, relembrou.

“Eu fiquei plantado por duas horas, mas nada aconteceu e eu fui embora”, me contou. Assenti, mordendo a parte interna da bochecha para então dizer: “Eu sei. Quando estava indo me encontrar com você, fui impedida”, lhe contei.

“Por quem?”, perguntou. “Por um amigo”, respondi e ele me olhou sem entender. “Eu não podia me encontrar com você e meu amigo me lembrou o motivo”, ele assentiu.

Naruto se levantou e me estendeu a mão, dizendo: “Vamos comer alguma coisa, você está aqui há horas”. Olhei para a espada e concordei, depois eu arrumaria meu erro.

Fui mancando levemente pelo caminho, sendo encarada por todos aqueles piratas. Naruto estava desconfortável com a situação, mas nada dizia. Essa seria sua nova vida, até encontrar outro propósito.

Sentamos em uma mesa, sendo servidos por um cara alto e musculoso. “Vocês devem ser os amigos do Capitão, sou Juugo, prazer”, se apresentou.

“Naruto e essa é Sakura, é um prazer”, o loiro nos apresentou e eu somente sorri para o homem. Ele corou e saiu rapidamente. Um pirata corar? Interessante.

oOo

Depois de comermos, voltei a minha tarefa. Desta vez, acertando o equilíbrio da espada. Ignorando meu pé machucado, treinei alguns movimentos, me acostumando com minha nova arma.

Senti alguém me observar e me virei para ver quem era. “Sasuke contou sobre você”, era a ruiva, encostada na parede me observando. “Ele disse que você era filha do Ferreiro”, contou-me o que sabia.

Acenei concordando, ela deveria ser íntima do Uchiha para obter tal informação. “Também soube que és boa de espada, podemos duelar?”, desafiou-me animada. Deixei um sorriso escapar e ela estreitou os olhos.

“Quer duelar comigo?”, não era minha intenção ser sarcástica. “Quero”, disse convicta. Nos dirigimos a proa do navio, quando nos posicionamos uma de frente para a outra, os piratas foram se aproximando animados, até nos fechar em uma roda.

“Jiraya, chame o Capitão e o Imediato, nós teremos um duelo”, disse a ruiva e logo o homem de cabelos grisalhos saiu a suas ordens. “Como você não é uma pirata, vou lhe explicar como nossos duelos funcionam”, disse encarando-me.

Ela apontou para o espaço disponível que tínhamos, espaço deixado pelos piratas. “Esse é nosso campo para duelar. Aquelas são as armas disponíveis”, apontou para quatro barris enormes cheios de diversos tipos de armas.

“Você perde quando sair deste espaço, quando desistir, ou quando seu adversário utilizar algum golpe forte o suficiente para matá-la. Ferimentos são permitidos, matar também, mas este é um duelo amigável. Logo, não é necessário matar”, explicou as demais regras.

“Entendi”, murmurei. “O que vocês estão fazendo?!”, Sasuke chegou irritado. Conforme os anos passaram, ele está mais irritado que o normal. Percebi os piratas estremecerem com sua voz. Sorri, sempre soube que Sasuke tinha o potencial a ser temido.

“Sakura, você não está machucada?”, Naruto indicou meu pé. “Não é um ferimento a ser considerado em um duelo deste nível”, comentei despreocupada.

Percebi a ruiva ficar irritada com meu comentário, e se posicionou com sua espada para lutar. Pela sua postura, ela recentemente começou a treinar com espadas. Diria uns oito meses.

De hoje de madrugada, quando invadi o navio, percebi pela sua aparência que ela era alguém da nobreza até algum tempo. Logo, esse duelo não será um desafio.

Joguei minha espada longe, tendo os olhos confusos de todos sobre mim. “Já podemos começar?”, perguntei entediada. “Por que jogou sua espada?”, a ruiva me perguntou perdendo sua pose confiante.

“Ela não é necessária”, expliquei. Ela ficou furiosa, percebi. “Comecem o duelo”, decretou Sasuke. Ela veio correndo para me acertar, quando estava perto, pressionou sua perna esquerda.

Deduzi que seu ataque viria da direita, então me desviei. Ela pressionou a perna direita, então me desviei do ataque da esquerda. Isso se seguiu por alguns golpes. Quando se irritou por não me acertar, tentou um chute.

Desviei-me com um mortal para trás, ela tentou me acertar com a espada novamente e eu dei um chute em seu estômago após me desviar. Ela deu três passos para trás, segurando o ponto atingido e cuspindo um pouco de sangue.

“Pelo que me explicou, ferimentos são permitidos, certo?”, perguntei ao observar os piratas colocando suas mãos nas espadas. “São”, Sasuke me respondeu encarando seus subordinados.

A ruiva se levantou e tentou outro ataque, desviei e dei outro chute, desta vez em suas costelas. Ela cuspiu mais sangue, me aproximei dizendo: “Já venci este duelo, desista”.

“Não”, disse e tentou levantar a espada, gemendo de dor no processo. “Seu ferimento no estômago não é grave o bastante para lhe matar, mas suas costelas quebradas talvez seja um problema”, lhe expliquei.

Ela tentou um soco, mas segurei seu punho o torcendo. “Veja bem, sou uma assassina. Quando eu luto, eu mato. É bem difícil me segurar, então desista”, aconselhei.

“O desafio está suspenso”, Sasuke decreta. Alguns piratas vieram ao encontro da ruiva para medicá-la, então me afastei. Peguei a espada que tinha jogado, a guardando na bainha.

“Isso foi cruel, mesmo sendo um duelo”, Naruto observou. “Sasuke, quando treiná-la novamente, diga-lhe para escolher bem seus adversários”, aconselhei-lhe. Ele suspirou, observando seu Imediato levar a ruiva para dentro do deque, em direção a sua cabine.

Notas finais
Sakura é maravilhosa né? Vocês ainda não viram nada! Tem mais por aí! Digam-me o que acharam, sugestões são sempre bem-vindas! (Como da moça-chan que sugeriu capítulos maiores, se concordarem, eu farei). Cuidem-se e até o próximo!